“Mazzaropi – um jeca bem brasileiro”

Editora Paulus lança biografia do artista toda contada em versos como esses: “E pra quem não acredita, fica aqui a grande lição: saudade não mata o vivente, mas lhe apurrinha o coração”.

 

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“Vou lhes contar uma história que não é prosa passageira, nem conversa de pescador. Um pouco de causo, jeitão de anedota, um dedo de prosa de muito valor. Uma história aprumada, bem florida e animada, conversa de bom caipira, verdadeira “sim sinhô”.

É assim que a autora Dílvia Ludvichak inicia a obra “Mazzaropi, um jeca bem brasileiro”. Uma história contada em versos, exatamente como “Mazza” gostava de contar os seus causos.

Mazzaropi, um artista genuinamente brasileiro, foi criador de uma obra cinematográfica tão expressiva e popular que continua viva. No livro, Dílvia apresenta a família, a história e o talento desse artista: o seu nascimento, a relação com os pais e avós, a descoberta do circo “sua casa era o mundo, e o mundo era o seu quintal”, seus trabalhos com Monteiro Lobato, “a arte aproxima as pessoas”.

Com ilustrações de Luciano Tasso, a obra apresenta  em 32 páginas uma abordagem sobre o preconceito, saudades e o jeito simples de ser:

 “Sua alma era de Jeca e ser jeca seu ganha-pão. Com seu talento, passou a mensagem, e o fez sem embromação. Gente da roça é gente e carece de consideração”.

Dílvia fala sobre a importância da obra para o público infantil: “Escolhi as crianças, leitores em processo, não apenas do signo das letras, mas do mundo, para contar, brincando com a poesia, a vida de Amácio Mazzaropi, e foi de propósito. As crianças são as fiéis depositárias da história. A elas caberá o seu refazimento. Vivemos um momento conturbado de nossa história, nossos referenciais andam ofuscados e, em muitos momentos, somos tentados a esquecer de onde viemos e, por consequência, onde pretendemos, como sociedade, chegar”, finaliza.

O livro ainda traz algumas curiosidades sobre Mazzaropi e o seu personagem Jeca Tatu, criado por Monteiro Lobato. Nas últimas páginas, o leitor encontrará informações sobre os filmes em que participou e um pequeno dicionário “caipirês”.

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