“Pula, pulga!”

Mais um lançamento encantador da Escrita Fina Editora (Grupo Editorial Zit) dedicado às crianças. O casal de consagrados escritores, Andrea Viviana Taubman e Marcelo Pellegrino, transformam a rotina de cuidados com a cachorrinha da família numa história divertida, curiosa, escrita em versos que beiram à musicalidade. Na matéria de hoje, vamos falar do livro e ainda publicar uma entrevista com Andrea Taubman, que conta como surgiu a história, os personagens e destaca as propostas do novo livro.

 

thumbnail_pula-pulga_8-9

Todo mundo sabe que as pulgas pulam para todos os lados e onde se instalam provocam uma coceirinha danada. Sabia que elas também sentem coceira? Como será que elas fazem para se coçarem?  As pulgas têm braços mãozinhas e dedinhos para se coçarem?

“Pula, pulga”! mostra como duas pulgas, espertas e rechonchudas, pulam por todas as partes do peludo cachorro Plínio, provocam nele aquela coceira sem fim  e ainda se aproveitam das coçadinhas carinhosas que ele recebe da vovó Berna para se coçarem também. São 24 páginas de puro coça, coça, coça.

“Paula, a pulga, / pula que pula / nos pelos de Plínio.

 

Coça que coça / e não alcança / com braços curtos / nem as costas / nem a pança.

 

Raspa as costas / nas costas de Plínio / que rabeja, estica / encolhe, rasteja”.

 

thumbnail_pula-pulga_6

Não bastasse o pula-pula da sapeca Paula entra na história outra pulga, a Petúnia, para complicar ainda mais a coceira de Plínio.

“Plínio sobe no sofá, / dá a pata pra avó, / geme com olhar de dó: / _ Me coce, por favor!

 

A avó com agulha de tricô, / retirada do novelo bordô, / começa a esfregar o pelo.

 

Paula esperta, aproveita / a ponta estreita, eita! / pra aliviar sua coceira.

 

A pulga Petúnia / assiste a cena / e quer entrar / na brincadeira.”

 

thumbnail_pula-pulga_10-11

 

E agora? Pobre cachorrinho! Se lutar contra uma pulga já estava difícil com duas, então, como será? Vovó Berna vai dar conta de coçar tantos bichinhos?

O livro foi ilustrado por Camila Carrossine. Com um colorido especial, os personagens esbanjam carisma. O livro custa R$ 29,80 e pode ser comprado nas principais livrarias ou diretamente da Escrita Fina https://editorazit.commercesuite.com.br/infantil/pula-pulga

 

O casal de consagrados escritores, Andrea Viviana Taubman e Marcelo Pellegrino, transformam a rotina de cuidados com a cachorrinha da família numa história muito divertida

O casal de consagrados escritores, Andrea Viviana Taubman e Marcelo Pellegrino, transformam a rotina de cuidados com a cachorrinha da família numa história muito divertida

Entrevista – Andrea e Marcelo: propagadores da cultura da empatia

Acredito que a empatia é algo que combina maravilhosamente com a literatura. Quer coisa melhor do que a empatia dos autores com os leitores e vice versa? O casal de escritores Andrea Viviana Taubman e Marcelo Pellegrino adota essa prática sempre que apresentam suas histórias para as crianças. No caso de “Pula, pulga!” os autores criaram uma brincadeira para os pequenos leitores sentirem na pele as dificuldades das pulguinhas Paula e Petúnia, quando elas queriam se coçar.

Andrea explica: “Propus nessa interação com as crianças, que elas prendessem o cotovelo no corpo, botassem as mãozinhas no ombro e, então, tentassem se coçar tal como as pulgas da história, que têm braços curtinhos”. Dá para imaginar como essa proposta foi bem recebida pelas crianças, que sempre querem descobrir coisas novas. A prática da empatia, com certeza, encaminha experiências interessantes  e desafiadoras para a formação das crianças.

Andrea Viviana Taubman concedeu entrevista para o blog e comenta como sua cachorra Belinha inspirou o casal para escrever o novo livro infantil.

 

Rosa Maria: Como foi que surgiu a ideia da história de “Pula, pulga”?

Andrea Taubman: Marcelo Pellegrino e eu somos namorados e adotamos a vira-lata Belinha em 2012, após as chuvas de abril de Teresópolis. Marcelo é professor de ciências e biologia e leciona de uma forma lúdica, com muito bom humor. Eu sou muito “mãezona” e cuido da cachorrinha como se fosse um bebê e ele vive me perturbando por causa disso. Um dia, no meio a tantas piadinhas que ele faz com meu excesso de zelo, ele viu a cachorrinha coçando a orelha e disse que ela devia estar com pulgas. Eu “zanguei” com ele, porque sempre dou o remédio no prazo certo, e ele, para contornar a saia justa, saiu com essa ideia inusitada de que seria a pulga que estaria sentindo coceira. O resto, você já pode imaginar: horas de gargalhadas imaginando e escrevendo o texto!

 

RM: De onde surgiram os personagens? O que mais destaca neles?

AT: Plínio é, basicamente, o alter-ego da nossa Belinha (que nunca teve pulgas desde que veio morar conosco, que fique bem claro!) e a vó Berna tem inspiração nas avós da nossa geração, muito diferentes das avós atuais. Afinal, os 60 anos de agora equivalem aos 40 anos de quando eu fui criança. Minhas avós não eram muito de  crochê e tricô, mas as avós do Marcelo foram bem habilidosas nessas artes. Dona Vilna, mãe dele, que já passou dos 80, continua fazendo crochê e presenteando os netos e bisnetos com colchas feitas por ela mesma. As pulgas foram criadas 100% na nossa imaginação, mas é evidente que a inspiração vem da observação do comportamento de pessoas dissimuladas que sempre estão aprontando e jogando a culpa nos outros. Quem não teve na infância um coleguinha de escola que jogava bolinha de papel na cabeça do professor e apontava para o companheiro da carteira ao lado para que levasse a bronca em seu lugar? Plínio e Vó Berna têm uma relação de companheirismo e acolhimento, exatamente o que nós, autores, acreditamos que toda relação entre humanos, animais e plantas deveria ser.

 

thumbnail_Pula-pulga_CAPA_assessoriaRM: Qual a principal proposta do livro?

AT: Primeiramente, o encantamento pela narrativa literária e a sonoridade das palavras. A seguir, o reforço dos laços afetivos entre humanos e os outros seres vivos, bem como chamar a atenção das crianças em relação à adoção de animais (Plínio é um clássico vira-latinha).

 

RM: Como tem sido a interação das crianças com o livro?

AT: A interação com a criançada tem sido surpreendente. Em uma das visitas escolares que fiz agora em março, o Colégio Santa Mônica, do Rio de Janeiro, (que adotou o livro para pré 2), o Eduardo (5 anos) pediu o microfone e contou o livro da primeira à última palavra: ele tinha decorado o texto todo, com entonação perfeita! Fiquei de queixo caído, claro! De um modo geral, todos querem contar sobre seus bichinhos de estimação (reais ou imaginários: o João disse que cria duas calopsitas – uma azul e outra vermelha – e 4 jacarés bebês). Eu acredito imensamente na potência desses encontros (autores e leitores) e da literatura infantil na vida das crianças. Quem dera todas as escolas proporcionassem aos alunos – e a nós, autores – oportunidades como essa que tive!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *