Leitura de qualidade é questão de treino

Conheça a história de João e Beatriz, que são crianças apaixonadas pelos livros, e confira as orientações de profissionais do colégio Bernoulli para a construção do hábito da leitura em crianças e adolescentes.

João Leão Araújo, aluno do Colégio Bernoulli, a irmã e os livros- Foto: Divulgação

João Leão Araújo, aluno do Colégio Bernoulli, a irmã e os livros- Foto: Divulgação

Em tempos de muitas distrações com jogos, games e redes sociais, o hábito da leitura vai ficando cada vez mais para segundo plano ou nem chega a ser construído na vida de crianças e jovens estudantes. Tem sido cada vez mais comum as pessoas dedicarem boa parte do tempo livre interagindo com celular ou tablet ao invés de livros. Não é o caso de João Leão de Araújo, 8 anos.

Apesar de gostar de ficar no computador, o aluno do 3º ano do Ensino Fundamental I do Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte, é apaixonado por leitura e gosta de ficar o tempo livre estimulando a imaginação. João adora ler livros divertidos e que tenham uma moral da história ao fundo. Ele diz ter a coleção completa de O Diário de um Banana, do Capitão Cueca; tem vários exemplares da Turma da Mônica Jovem e da Marvel e adora livros que ensinam a montar Lego.

“Agora estou lendo, à noite, o livro Emocionário, que é como se fosse um dicionário de emoções. Eu adoro ler, mas no começo eu não gostava muito, porque eu achava que nunca ia conseguir. Eu lia pausadamente e em voz alta, mas com o tempo, passei a ler silenciosamente e com mais confiança. Brinco que agora meus pais até me pedem para eu parar de ler”, afirma.

A mãe de João, Fabiana Araújo, também é apaixonada por leitura e diz que lê para o filho desde quando ele era bebê. Fabiana repete a receita com a caçula, de 6 anos. “A gente sempre leu para eles. Temos muitos livros em casa e sempre compramos novos títulos. Uma vez fizemos uma feirinha de troca de livros com os amigos da turma do João e eles adoraram”, relata.

Beatriz Veronesi Boerger, 7 anos: “Gosto de ler porque dá para imaginar e descobrir mais coisas novas”- Foto: Divulgaação

Beatriz Veronesi Boerger, 7 anos: “Gosto de ler porque dá para imaginar e descobrir coisas novas”- Foto: Divulgação

Outra aluna do mesmo colégio, apaixonada por leitura, é Beatriz Veronesi Boerger, 7 anos, do 2º ano do Ensino Fundamental I. “Gosto de ler porque dá para imaginar e descobrir mais coisas novas”, conta. Renata Veronesi, mãe de Beatriz, lê para a filha todos as noites antes dela dormir.

“Tento trazer o livro como uma coisa prazerosa. Brincamos que vamos ler todos os livros da biblioteca da escola. Como ela ainda não tem muito dever de casa, dá para ler um livro todos os dias. Às vezes, lemos o mesmo duas ou três vezes seguidas. Esse é o momento que encontramos para ficarmos juntas e é quando uso a minha criatividade, apago a luz do quarto dela e ligo a lanterna do celular para contar as histórias e encenar as situações para ficar mais divertido”, descreve Renata.

Opinião dos especialistas

Para a professora de Português do colégio e pré-vestibular Bernoulli, Allana Matar, o hábito da leitura dos pais influencia diretamente na vida dos filhos. “Sabemos que as crianças e os adolescentes de hoje têm um ritmo puxado, mas o hábito da leitura é uma questão de treino e a escola e os pais têm um papel importante nesse aspecto. Como a criança vai desenvolver esse hábito se ela só vê os pais no celular?”

“Definir um momento de leitura em casa é muito bom para envolver os filhos. Por exemplo: fazer um momento aos domingos pela manhã em que todo mundo em casa vai ler, cada um o seu livro, jornal ou revista. E depois trocas as impressões. É muito divertido e funciona”, recomenda a professora.

Ela ainda lembra que o livro não pode ser tido como barganha ou punição. “Se você ler esse livro, eu vou ao parque com você. Já que você ficou uma hora no tablet, vai ter que ficar uma hora lendo. No início, essa troca pode até funcionar, mas não se sustenta. Os pais precisam criar metas realistas com os filhos e não adianta achar que eles vão encostar o celular e ficar só lendo. Deve haver um equilíbrio das duas partes”, afirma Allana.

Para o diretor Pedagógico Executivo do grupo Bernoulli Educação, Marcos Raggazzi, o processo de leitura é um dos mais complexos realizados pelo cérebro.

“Esse processo é fundamental para o desenvolvimento de conexões entre os neurônios, conexões muito específicas. O ato da leitura é algo imprescindível para o desenvolvimento de uma das habilidades mais requeridas no século 21, que é a criatividade. Quando uma criança desenvolve a leitura, ela imagina cenários, personagens, estabelece a capacidade de se colocar no mundo e no lugar do outro ou em um cenário específico. E ao imaginar, ao criar, ao ser transportado para outros lugares e outras realidades, o leitor então desenvolve essa capacidade de criar”, explica o especialista em psicanálise da criança e do adolescente, tecnologia educacional e neurociências.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *