“Meu querido vovô Romano”

Lançamento da Editora Lago de Histórias traz de volta o hábito das cartas escritas a mão com letra firme e cursiva. Vovô Romano e a neta, por alguns anos, trocaram 86 correspondências durante as vezes em que esperavam por mais um encontro nas praias de Guarapari, que sempre acontecia nas férias anuais da menina.

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A autora de “Meu querido vovô Romano”, Thaís Velloso, no meio do livro, explica como a neta se preparava para escrever suas cartas. Deparar com essa página foi tão bom que prefiro começar meu comentário por essa parte:

“Tenho lembranças de ir à feira de domingo para escolher um papel de carta especial para o vovô, mesmo sob protestos da mamãe. Ela não compreendia que papel de carta é como roupa: depende do humor e da ocasião. Aquele era um ritual mágico, mas que levava tempo. Em média, minha resposta levava quase uma semana para ficar pronta. Eu selava o envelope com minha ansiedade e entregava aquele retângulo precioso para mamãe”.

A mesma ansiedade que a menina sentia ao receber a carta do avô, que trazia respostas para todas as suas dúvidas e cobranças afetivas. É justamente assim que começa essa bela história de amor entre avó e neta:

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“Quando a primeira carta do vovô Romano chegou, foi uma euforia só. Eu havia esperado tempo demais, muito além do que meus dedos dos pés e das mãos pudessem ajudar a contar. Preocupada que meu entusiasmo rasgasse a mensagem junto com o envelope, mamãe abriu e me entregou o que eu tanto havia desejado naquelas últimas semanas”.

O leitor não precisa ficar ansioso, por que eu garanto que vai poder ler boa parte dessa correspondência fictícia, pois ela está transcrita no livro.

Nas ocasiões em que a menina não era capaz de suportar tantas saudades e tamanha ansiedade, ela recorria ao telefone para lembrar o vovô Romano que precisava apressar a escrita e envio de mais uma carta. Com todo o carinho possível a um avô distante da neta tão amada, ele providenciava mais uma correspondência.

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Se quando telefonava, a neta sentia como se o avô estivesse no cômodo ao lado, ao receber as cartas, ela era capaz de identificar cheiros, sons, sensações e imagens a partir daquelas letras tão bem desenhadas.

“E quando nenhuma reflexão me ajudava a esperar com um pouco de paciência e um mês já havia sido riscado do calendário, eu pegava o telefone e cobrava do vovô uma posição. Minha curiosidade sabia que a demora do lado de lá viria em forma de notícias frescas até o lado de cá. Acontecia de tudo dentro e fora daquele casarão Romano.

Mesmo ao telefone, a voz do vovô era tão presente que não me assustaria caso o encontrasse no quarto ao lado, brincando de esconde-esconde comigo. Ele me saudava com uma gargalhada larga e alguma piada tirada do bolso. Ríamos, dividíamos saudades e alguma piada tirada do bolso. Ríamos, dividíamos saudades e eu então perguntava pela minha carta”.

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“Meu querido vovô Romano” foi ilustrado por Luciana Grether, professora, e ilustradora de mais de 30 livros infantis, alguns deles premiados. É o segundo livro da escritora Thaís Velloso, que na infância e adolescência também era fã dos Correios. O livro tem 29 páginas e o interessado em adquiri-lo pode se informar pelo telefone 21 3518-5549 ou email contato@lagodehistorias.com.br

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