“O leão humilde”

História do poeta cearense Pereira Lima, surpreende ao mostrar um personagem bem diferente do que as crianças estão acostumadas a encontrar. Ele é um leão que age sem a menor pretensão de assustar, devorar outros animais ou humanos e ainda experimenta o ideal de que todos os leões de seu bando se tornem dóceis como ele. O lançamento é da Escrita Fina, do Grupo Editorial Zit.

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Com certeza, o livro proporciona um debate bem interessante com os leitores. “O leão humilde” nos transporta para a selva de humanos que precisa urgentemente de pessoas capazes de ceder, de se preocupar com o bem estar de terceiros e de criar condições para uma vida mais harmoniosa. Acredito que o pensamento de todos que leem esse livro viaja para essa questão.

Na floresta, como vivem os leões? Eles são ferozes, lutam com estardalhaço, urram bem alto e com força, assustam outros animais, são rápidos na caça e devoradores impiedosos, impondo suas presenças como os verdadeiros reis da selva.

E o nosso personagem? Como agia o leão humilde?

 “O leão humilde ficava no meio dos outros e não urrava, pois ninguém percebia a falta de um urro em meio a tantos outros”.

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Quando o bando dos demais leões sai em correria para capturar suas presas, o leão humilde se esconde por trás da poeira e das árvores. Quando todos se juntam ao cair da tarde, para rugir em uníssono no topo do penhasco, ele apenas disfarça e fica em silêncio e bem quieto. Ele acredita que ninguém percebe a falta de um urro em meio a tantos outros.

Será?

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“Um dia, uma tempestade isolou os leões dum lado dum rio e do outro ficaram o leão rei e o leão humilde.

Quando foram caçar, ele _ que sempre se escondia, nunca alcançava os veadinhos e na hora de urrar nem sabia emitir um rosnado, pois há muito tempo sem treino não sabia mais agir como leão _ foi interpelado pelo rei.

_ Por que não te portas como um verdadeiro leão? Teu urro parece mais um miado de gato.

_ Majestade, para que urrar atemorizando toda a natureza se a nossa simples presença já basta para assustar todos os bichos?

_ Temos todos os dias que fazê-los nos respeitar. E eles só respeitam a força”.

Os dois leões defenderam seus pontos de vista. Duas opiniões bem radicais. O rei não abria mão da tradição de vida na selva. O humilde sentia necessidade de mudar este estilo de vida e lançava novas propostas: em vez de caçar e matar animais inocentes ou mesmo humanos, seria melhor se valer de folhas e frutos, que caem das árvores. Qual a graça de ambicionar tanto poder?

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Por pensar e agir diferente, o leão humilde foi expulso do bando acusado pelo rei de desonrar a classe. Ele foi viver noutro lado da floresta, sozinho. Muitos animais fugiram dele, mesmo diante de sua mansidão. A não ser uma coruja igualmente revolucionária, que lhe ensinou uma grande lição de vida.

images (4)É possível viver diferente ou não?

Quem estava certo: o rei leão ou o leão humilde?

Como agir, quando se sente diferente de todos os dos demais?

“Ser quem se é ou ser quem os outros esperam que sejamos? Qual a melhor opção?

Através da coruja, que agia de modo bem parecido com o leão humilde, o autor mostrou um caminho para o personagem. Acredito que o leitor vai gostar de conhecer a resposta dela. Por isso, convido à leitura do livro. Vale a pena conhecer o final dessa história.

O livro tem 40 páginas ricamente ilustradas por Andrei Marani.

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