60 anos de Bidu e Fanjinha

No dia 18 de julho de 1959, foi publicada a primeira tira dos personagens de Mauricio de Sousa

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O desenhista Mauricio de Sousa (83 anos) quando está em algum evento onde dá palestras sempre pergunta para a plateia:

– Quem, aqui, aprendeu a ler com as revistas da Turma da Mônica?

Prontamente, mais de 90% levantam as mãos. Pessoas das mais diversas idades. Tanto o avô, quanto o pai e os netinhos conhecem e leem esses personagens que se tornaram tradição nas famílias brasileiras.

Tudo começou com as tirinhas do Bidu e Franjinha, publicadas desde 1959, nas páginas da então Folha da Tarde (atual Folha de São Paulo). E hoje, a Mauricio de Sousa Produções (MSP) se transformou na maior empresa de entretenimento do Brasil, responsável por uma das marcas mais admiradas do país, a Turma da Mônica. Única desse porte na América Latina. Só nos quadrinhos são produzidas mais de 1.200 páginas de historinhas por mês. Cerca de 150 empresas licenciam os personagens para mais de 3.500 itens. O reconhecimento é internacional com premiações no Japão, Itália, China, Coreia do Sul, França, EUA, entre outros países.

E, neste ano, a comemoração não fica só na história, a MSP já começou a trazer grandes novidades, desde janeiro, com a vinda da nova personagem Milena e sua família para o bairro do Limoeiro, a entrada da Turma da Mônica Jovem nos Estados Unidos e Canadá, a exibição na National Geographic do documentário biográfico sobre Mauricio de Sousa, o alcance de 10 milhões de inscritos no canal da Turma da Mônica no Youtube (que já tem mais de 10 bilhões de visualizações), novos games como “Mônica e  Guarda dos Coelhos” e “Astronauta Toy: corrida espacial”, mais a abertura da nova subsidiária internacional da MSP no Japão (a “Mauricio de Sousa Productions Japan”). Conheça mais novidades que ainda estão chegando:

Filme Turma da Mônica “LAÇOS” – O primeiro live-action da Turma da Mônica, baseada na Graphic Novel brasileira mais vendida no país feita pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. O filme será lançado nacionalmente no dia 27 de junho.

Circo Turma da Mônica “Brasilis”– O novo grande espetáculo da “Mauricio de Sousa Ao Vivo”, superprodução circense-musical que enaltece a diversidade cultural do País, trazendo a representatividade das nossas origens, passando pela cultura indígena, africana e europeia de um jeitinho único e especial dentro do universo das criações de Mauricio de Sousa. Conta com mais de 100 figurinos, efeitos especiais e um elenco de artistas e bailarinos, além da Turma da Mônica.

Geração 12 – Um novo selo de mangá MSP com a Turma da Mônica e seus personagens com 12 anos de idade. Sua coleção será dividida em temporadas com seis episódios cada.

Exposição “Olá, Mauricio!” – No prédio da FIESP, na Avenida Paulista, uma grande experiência com Mauricio e sua turminha como nunca antes formatada para que todos que amam a Turma da Mônica e seu criador se lembrem para sempre. Terá início no dia 17 de julho e término em 15 de dezembro de 2019.

Parque Turma da Mônica em Pernambuco – Depois de Goiânia, onde foi inaugurada a Estação Turma da Mônica dentro do Shopping Cerrado, agora, é Olinda que terá um parque indoor no Shopping Patteo Olinda, um lugar para toda a família se divertir com a turminha.

 Monteiro Lobato com a Turma da Mônica No ano em que a obra de Monteiro Lobato entra em domínio público, a Turma da Mônica chega às livrarias para contar as histórias do escritor. Com ilustrações de Mauricio de Sousa, já foram lançadas “Narizinho Arrebitado” e “O Sítio do Picapau Amarelo”, publicadas pela Girassol Brasil Edições.

 Homenagem – 47º Festival de Cinema de Gramado homenageia, com o Troféu Cidade de Gramado, o desenhista Mauricio de Sousa pelos 60 anos da primeira tira publicada em julho de 1959, no Jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo).

5… 4… 3… 2… 1… – Mônica e Menino Maluquinho perdidos no espaço reúnem as criações máximas de Mauricio de Sousa e Ziraldo pela segunda vez. Neste livro, escrito por Manuel Filho e publicado pela Editora Melhoramentos, repleto de fantasia e aventura, Mônica e Maluquinho contarão com a ajuda de seus amigos (até o Chico Bento participa) para solucionar um mistério interplanetário. Se você pensou em extraterrestres, acertou. Aperte os cintos e prepare-se para a decolagem rumo à diversão.

“Belabelinha”

Personagem do livro infantil é uma bonequinha que sonha em ser gente pra ter um coração e amar. História traz reflexões profundas sobre origem, identidade e amor próprio.

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A atriz e autora Leona Cavalli deu vida a “Belabelinha”, uma boneca que, para realizar seu desejo de se tornar humana, viaja pela floresta Amazônica conhecendo seres míticos e de fantasia e com eles ela vai ponderando sobre as vantagens e desvantagens de ser gente. Uma boneca sapeca que apresenta para as crianças um universo encantado de delicadeza e inesperados encontros com seres míticos: Yara, Curupira, Sumé…

Entre as 48 páginas desse livro, a floresta é o quintal da Leona, ou melhor, da Belabelinha. Um mundo cheio de cores que ganha ainda mais vida com as ilustrações de Cecilia Murgel.

O livro “Belabelinha” é, portanto, uma odisseia de descobertas e transformações, poética e sensível que termina com graça e esperança. Valor R$ 68,00

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Leona Cavalli (foto) atua como atriz, diretora e escritora. Está atualmente no ar na novela “Orfãos da Terra”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, na Globo. Em julho, volta em cartaz com a comédia “Gatão de Meia Idade”, de Miguel Paiva, direção Eduardo Figueiredo, onde faz 8 personagens. Após a novela roda o longa “A cerca”, de Raul Guterres, e lança o longa co Produçâo Brasil/ Argentina “Agua dos Porcos”, direção Rolly Santos, que rodou ano passado.
O espetáculo “Pandora”, que dirigiu e escreveu, junto com as atrizes Jaqueline Roversi e Jordana Korich, faz temporada em São Paulo em novembro.
Está lançando seu segundo livro. O primeiro foi ” Caminho das Pedras”.

“As aventuras de Nikko – A fuga”

Editora Novo Século lança livro infantil aproveitando o forte apelo atual em torno dos animais domésticos.

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Inspirada no seu mascote da vida real, a primeira obra da autora Josie Oliveira traz a história de um cachorro doméstico, Nikko, que mesmo tendo uma vida luxuosa, sonha em conhecer melhor a sua cidade, o Rio de Janeiro e viver novas experiências.

Para realizar seu desejo, Nikko arma um plano para fugir da casa onde vive. A partir da sua fuga, Nikko vive momentos únicos, repletos de diversão, confusão, aprendizado e passa a colecionar novas histórias e amizades. Para Josie, o livro vai além da literatura:

“A história tem comédia, romance, suspense e papo sério como abordar cuidados com os animais, o preconceito, a ausência dos pais na vida dos filhos e outros assuntos tão pertinentes nos dias atuais. A arte literária nos faz refletir, questionar, emocionar, entreter e pode ser um prestador de serviço.”

Para a escritora, a história tem muitos pontos que poderão também envolver facilmente os adultos. “Através do livro eu quis transmitir valores que julgo essenciais. A importância da amizade, da educação na formação não só acadêmica, mas na construção da vida de uma pessoa. O respeito às diferenças, a empatia, o zelo aos animais. E os laços criados através do amor”.

A ideia de Josie em escrever uma história sobre animais veio de sua paixão pelos bichos antes mesmo de se tornar “mãe” de um cachorrinho. “Eu amo os animais, são seres puros, muitas vezes indefesos e vemos vários casos de maus tratos e abandono. O livro vem de um esqueleto que escrevi no ano 2000, mas deixei arquivado. Com o tempo fiz cursos para escritores, oficinas literárias e numa conversa com uma profissional, ela viu potencial na história. Com mais bagagem cultural e criando um cachorro, atualizei a história, acrescentei personagens, canários e assim, nasceu As Aventuras de Nikko – A Fuga.”

Resumo da história

Uma vida luxuosa e tranquila é tudo que um animal de estimação poderia desejar, não é mesmo? Bem, não era o caso do shih-tzu Nikko (ou Peludo, para os mais próximos. Ele estava cansado de tudo isso. Queria conhecer o mundo e viver grandes aventura. O cãozinho realiza seu sonho, quando foge de sua mansão e finalmente conhece o Rio de Janeiro. Faz amizades com animais de vida bem diferente da sua e aprende que aceitar as diferenças é fundamental.

Em meio a tudo isso, nosso herói canino enfrentará terríveis perigos, pois há uma quadrilha malvada à solta transformando cães em… Sabão! Que cachorrada… Mas Nikko contará com a ajuda de seus novos amigos e até mesmo de uma inesperada paixão.

Divertido, educativo e incrivelmente ilustrado, “As aventuras de Nikko: A fuga” é uma história que vai encantar toda a família, trazendo mensagens muito importantes para os nossos dias, como o cuidado com os animais, o combate aos preconceitos e o respeito às diferenças.

O livro custa R$ 29,90 e pode ser adquirido nas livrarias virtuais.

“Kakopi, Kakopi”

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Na República de Uganda, país do leste da África, onde os idiomas oficiais são o Suaíli e Luganda, a palavra ‘Kakopi’ significa ‘esta aqui’. No lançamento da Editora Melhoramentos, que carrega esse termo no título, o mesmo se refere a uma brincadeira entre crianças africanas. O autor Rogério Andrade Barbosa, professor de literatura africana, apresenta neste livro 20 brincadeiras africanas e a ilustradora Marília Pirillo completa a compreensão do leitor, em torno dessa rica pesquisa, com ilustrações que ressaltam a cultura dos diversos países, povos e jogos citados.

 

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Se alguém procura por novas e autênticas brincadeiras infantis , eu recomendo o livro “Kakopi, Kakopi” baseado em viagens pelo continente africano e pesquisas  culturais, com ênfase em literatura, do seu autor Rogério Andrade Barbosa. Ele destaca que, mesmo com as distâncias geográficas, as crianças são iguais em qualquer lugar do mundo.

“Todas as crianças gostam de correr e brincar de diferentes formas nas horas vagas. Muitas das brincadeiras africanas, como as de roda, de esconde-esconde e de jogar pedrinhas são bem parecidas com as nossas do Brasil. Outras, entretanto, como os leitores poderão comprovar, são bem distintas”.

O autor gosta de citar o escritor moçambicano Mia Couto para fazer a síntese desse raciocínio: “Vivemos em geografias diferentes, mas estamos sentados na mesma varanda”.

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Países citados

Em “Kakopi, Kakopi” o autor destaca 20 países e, de cada um deles, selecionou a brincadeira mais representativa, culturalmente.  A lista de países com as respectivas brincadeiras é a seguinte:

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Quênia: Nyama! Nyama!

Argélia: Àrsherez

Congo: Osani

Senegal: Corrida de três

Guiné-Bissau: Surumba, Surumba

Zâmbia: A serpente

Tanzânia: Nngapi?

Namíbia: Chukulu

Burkina Faso: Sasa Kuru

Togo: Tum Tum!

Sudão do Sul: A armadilha dos felinos

Sudão do Norte: Gadidé

Zimbábue: Mwoto Mugono

Uganda: Kakopi, Kakopi

África do Sul: Mbube, Mbube

Moçambique: Mocho

Gana: Chakyti Cha

Angola: Taxi-Kabelebele-Taxi

São Tomé e Príncipe: Jogo do limão

Marrocos: Tabuaxart

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Todos os países citados são mostrados no mapa da África. O autor ainda convida as crianças para pesquisarem, entre os países citados no livro, seus costumes, contos e contadores de histórias; idiomas, selos, danças, religiões, canções e culinária…

Aqui, vamos falar da brincadeira que deu título ao livro e, através dela, o leitor vai ter uma ideia de como as demais brincadeiras são descritas pelo autor: de um jeito fácil de entender e de praticar:

“Nesse jogo infantil de Uganda chamado As pernas da galinha, o destino de cada jogador é decidido pelo toque de colher de um cozinheiro de mentirinha.

O brinquedo se inicia com um punhado de crianças sentadas no chão, lado a lado, com as pernas esticadas à frente de seus corpos, como se fossem as pernas da galinha que está sendo cozinhada para o jantar.

Um dos brincantes, sorteado para ser o cozinheiro, segura um pedaço de madeira. Ou seja, a colher com a qual ele mexe a comida.

O cozinheiro, com a improvisada colher de pau em uma das mãos, sai tocando as pernas de cada criança, enquanto canta ‘Kakopi, Kakopi’.

De repente, ele para de cantar. Nesse instante, a criança que teve a perna tocada por último tem de encolhê-la, pois ela está queimada e não serve para comer.

As crianças vão sendo retiradas do jogo, a partir do momento e que tenham as duas pernas queimadas.

O ‘Kakopi, Kakopi’ termina quando restar apenas o brincante que tenha uma ou ambas as pernas tocadas.”

Esse livro tem 48 páginas, custa R$ 50,00.

Rogério Andrade Barbosa também é autor de “Ndule, Ndule”, Assim brincam as crianças africanas, outro lançamento da Editora Melhoramentos.

Ele concedeu uma entrevista ao Blog Conta uma História e comentou sobre seu encantamento pela África e o novo livro.

A entrevista

“Todas as crianças gostam de correr, brincar e jogar”

“O que eu destaco no livro é que, não importa o país, criança é criança em qualquer lugar” afirma o autor de ‘Kakopi, Kakopi’, Rogério Andrade Barbosa que, na foto, está acompanhado da ilustradora Marilia Pirillo - Fotos: Divulgação

“O que eu destaco no livro é que, não importa o país, criança é criança em qualquer lugar” afirma o autor de ‘Kakopi, Kakopi’, Rogério Andrade Barbosa que, na foto, está acompanhado da ilustradora Marilia Pirillo – Fotos: Divulgação

Rosa Maria: O que significa “Kakopi”? Qual a origem desse nome?

Rogério Barbosa: Kakopi significa, em um dos idiomas falados em Uganda, “esta aqui, esta aqui…”

RM: Você é um estudioso da cultura e línguas africanas? Tem outros livros do mesmo tema?

RB: Sim, inclusive sou professor de literatura africana e tenho cerca de 50 livros apenas sobre a temática africana voltada para o público infantil e juvenil.

RM: Como surgiu esse encantamento pelos povos africanos?

RB: O primeiro encantamento foi quando trabalhei durante dois anos como professor voluntário da ONU na Guiné-Bissau. Que se prolonga até hoje, já que, constantemente, retorno ao Continente Africano para pesquisar e recolher novas histórias para meus livros.

RM: Por que escolheu os 20 países? Tem uma razão especial?

RB: Os países foram escolhidos em função das brincadeiras pesquisadas.

RM: Destas 20 culturas, o que tem a destacar?

RB: Os países selecionados apresentam diferentes culturas, dando, assim, um panorama da diversidade africana.

RM: E o que destaca do livro?

RB: A produção através de encontros e material fotográfico, em parceria com a ilustradora Marília Pirillo, foi altamente proveitosa.

RM: Como tem sido a repercussão deste livro especialmente nas escolas?

RB: A repercussão nas escolas tem disso a melhor possível. Inclusive, com oficinas que eu ministro voltadas para professores.

RM: Tem lançamento previsto para a África também?

RB: O livro, por enquanto, foi lançado apenas no Brasil. Mas eu tenho outro título publicado, em inglês, em Gana.

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