“Não me toca seu boboca”

Lançado em 2017, esse livro vem ajudando pais, educadores e às próprias crianças a conversarem sobre um assunto sério, difícil, porém, necessário de ser debatido: o abuso sexual infantil.

A escritora Andrea Viviana Taubman se dedicou ao tema do abuso sexual durante 10 anos: primeiro, como voluntária de uma instituição que cuidava das crianças que, por um motivo ou outro, não podiam viver em seus lares e precisavam de abrigo; depois, na pesquisa do tema e a apresentação do mesmo em forma literária, ou seja, de um livro informativo. Assim nasceu “Não me toca seu boboca”.

O desejo da autora do livro sempre foi o de informar as crianças e até mesmo os adultos sobre as armadilhas preparadas para enredar os pequenos e torná-los presas fáceis dos abusadores. A contracapa do livro destaca que “para prevenir que abusos aconteçam é importante ensinar às crianças e aos adolescentes a diferenciar uma brincadeira de uma potencial situação de risco e fortalecer suas capacidades para que possam se defender e denunciar quando uma pessoa mais velha age de maneira inadequada com elas”.

Em 2018, o Disque 100, conhecido como Disque Direitos Humanos, recebeu um total de 17.093 denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes no país. Desse total, 13.418 denúncias se referiam a abuso, enquanto 3.675 telefonemas foram classificados como casos de exploração sexual. Com esses dados fica evidente a necessidade de orientar as crianças e suas famílias sobre esse tipo de crime.

O livro “Não me toca seu boboca” trata o abuso sexual com um texto rimado e de forma lúdica, leve e inserida no cotidiano das crianças para que elas, ao entrarem em contato cm a história, possam conhecer e reconhecer atitudes suspeitas. Andrea Taubman criou a personagem Ritoca, uma coelhinha que “quase”… “quase” sofre esse abuso.  Em minha opinião, isso não é só um detalhe da história. O “quase” é uma prova do quanto a informação é necessária para que a criança tenha segurança para reagir e se libertar do agressor.

“O meu nome de verdade é Rita.

Mas só me chamam de Ritoca.

Eu tenho uma história para contar.

Foi uma coisa que me aconteceu,

Meio difícil de entender,

Muito difícil de falar”.

Ritoca sempre brinca com seus amigos. Um dia, apareceu um “cara engraçado”. “Sempre muito gentil e sorridente”… “Parecia um tio bonzinho”…

Ele foi até o parquinho, onde as crianças estavam com o objetivo de se aproximar principalmente de Ritoca.

“Esse tio veio falar comigo

E também com meu amigo.

Ele nos deu umas figurinhas bacanas.

É claro que ficamos encantados.”

Esse espertalhão que se apresentou como Tio Pipoca continuou agindo para atrair as crianças: contou para elas que “não tinha família, se sentia abandonado, vivia na solidão”. Que “gostava de videogame e futebol de botão”.

Certo dia, o Tio Pipoca decidiu colocar seu plano de abuso em ação e “chamou a turma toda para ir à casa dele lanchar, brincar e assistir televisão”.

“Mas tinha uma condição:

Pediu a cada um

Que não contasse pra ninguém

De jeito nenhum”.

Ritoca que era uma criatura esperta teve uma intuição: “alguma coisa me dizia que ia dar confusão”…

“Quando estávamos sozinhos, ele disse com tom de voz diferente: Você é bem bonitinha”…

“Mexeu na minha orelha…” “Quis olhar a minha boca”… “Foi pegando no meu pescoço, pedindo que eu não fizesse alvoroço”…

Esse é o momento da grandeza do “quase” na história. E um alívio.

“Foi aí que percebi:

Eu estava sendo imprudente!

Meu corpo é um tesouro

Que trato cuidadosamente.

Se for de um jeito suspeito,

Ninguém deve tocar na gente!

Então comecei a gritar,

Para a turma toda se ligar:

Não me toca seu boboca!”

Amigos ouviram os gritos de Ritoca e sua disparada até o portão da casa do falso tio bonzinho. Juntos, eles se livraram do malfeitor sem medo e sim com muita determinação. É uma história de final feliz. Mas o livro não termina aqui. A autora continua sua narrativa para ensinar muitas coisas importantes que vão ajudar as crianças a compreenderem melhor tudo o que envolve essa questão.

“Não me toca seu boboca” foi lindamente ilustrado por Thaís Linhares, tem 35 páginas e foi lançado pela Aletria Editora.

 

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