“Álbum de família”

Biografia literária ilustrada comemora os 40 anos do Carroça de Mamulengos, uma trupe familiar considerada das mais importantes companhias culturais do Brasil.

 

A Editora Peirópolis lança o livro “Álbum de família – Aventuranças, memórias e fabulações da trupe familiar Carroça de Mamulengos”, biofantasia de autoria da escritora, jornalista, documentarista e crítica teatral Gabriela Romeu. A primeira edição do livro, ilustrada por colagens de Catarina Bessel a partir do baú de fotografias da família Gomide, traz ainda um segundo volume, com imagens da trupe e um perfil de cada integrante.

A trajetória do grupo, que tem levado a arte brincante e a tradição dos saltimbancos por todo o Brasil desde a década de 70, é narrada de duas formas distintas e complementares, misturando realidade e fantasia, informação e poesia. O conteúdo é transmídia e o leitor pode ouvir algumas canções do Carroça. Este projeto foi realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal.

“Com mais de quarenta anos de estrada, o grupo Carroça de Mamulengos descende de artistas populares que há séculos vivem a tradição da arte nas ruas, das trupes itinerantes medievais, entre saltimbancos, menestréis e bufões, com a praça como ponto de encontro de um fazer artístico genuinamente vivencial. Autodidatas por convicção, os pais deram aos filhos um ofício, um outro tipo de diploma. Em suas brincadeiras, como batizam os espetáculos, trazem as peripécias das estradas, das feiras, das romarias”, conta a autora Gabriela Romeu.

Segundo ela, a companhia faz da vida a própria arte. “Crescer, brincar, estar em cena, ser no mundo, tudo se mistura sob uma mesma lona, habita a mesma praça onde o grupo desembarca enredos e brinquedos. Andarilho por convicção, Carlos Babau, o pai, criador da Carroça de Mamulengos, depois de descobrir no teatro uma forma potente de narrar a própria vida, ainda hoje é firme em dizer: “Não vou aonde o povo está, vivo onde o povo vive. Em parceria com a atriz Schirley França, pegou a estrada com destino ao Brasil profundo, em busca da arte popular, com seus valores mais genuínos e libertários. No caminho, nasceram os oito filhos, alfabetizados pela mãe, criados na pedagogia do folguedo, com os ensinamentos dos muitos mestres da cultura popular – repentistas, cantadores, violeiros, rezadores, aboiadores, rabequeiros, bonequeiros, pifeiros, mamulengueiros, benzedores”, diz Gabriela.

No prefácio da obra, o compositor, cantor e escritor Chico César, nascido no município de Catolé da Rocha (PB) e amigo da família de artistas, afirma que o Carroça de Mamulengos é uma das mais importantes companhias culturais do Brasil. “Uns dirão que é folclore. Eu digo que é sabedoria brincante apoiada em arte burilada na tradição movente dos saltimbancos de todos os tempos e lugares – desde os mais remotos dos protoeuropeus até nosso fugidio presente. E complementa: “São atores, cantores, músicos, acróbatas, equilibristas para quem a origem popular e o autodidatismo não empanam o rigor nem a visão crítica a respeito do próprio trabalho. Tampouco, o que é raro hoje, de sua inserção no momento histórico e no ambiente social em que estão inseridos. São um grupo de intervenção, assim como os Fura del Balls da Catalunha ou a turma do Teatro Oficina de São Paulo”.

A autora e a ilustradora

Jornalista, documentarista e escritora, Gabriela Romeu é especializada em produção cultural para a infância, com vinte anos de atuação em projetos que abordam temáticas infantis e desenvolvidos em diferentes plataformas. Desde 1999, escreve sobre e para crianças no jornal Folha de S.Paulo, onde editou o caderno Folhinha, produziu reportagens sobre as realidades infantis do Brasil para diversos cadernos e idealizou e coordenou o projeto Mapa do Brincar (Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo; 2010). É corroteirista do documentário Disque Quilombola e dirigiu os curtas-metragens documental Meninos e Reis e Quintais do Xingu.

É diretora do projeto Infâncias (www.projetoinfancias.com.br), que documenta a vida das crianças em diferentes lugares do pais e já publicou série de reportagens no jornal Folha de São Paulo e exposições multimídia com visitação de amplo público em unidades do Sesc-SP.

Como autora, escreveu livros como Tutu-Moringa – História que Tataravó Contou (Companhia das Letrinhas; 2013; Selo Altamente Recomendável da FNLIJ), Manual da Criança Huni Kuin (Editora da Matriz/Tecendo Saberes; 2015), Terra de Cabinha (Editora Peirópolis; 2016; Prêmio Jabuti 2017 e Prêmio Malba Tahan FNLIJ), Álbum de Família (Editora Peirópolis; 2019), Lá no meu quintal (editora Peirópolis; no prelo) e Menininho (editora Panda Books, 2019). É organizadora da coleção Fora de Cena (Companhia das Letrinhas), que reúne dramaturgos contemporâneos que escrevem para crianças.

Formada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, com dez anos de prática profissional, Catarina Bessell é artista gráfica e ilustrou vários livros e publicações, como revista Vogue, Gol Magazine, Superinteressante, Época Negócios e Bitch Magazine. Com especialização em gravura em metal, até 2017 fez parte do coletivo de gravuristas do Atelier Piratininga em São Paulo.

Desde 2015 suas colagens estão, semanalmente, no caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, criando imagens que dialogam com o texto do humorista e escritor Gregorio Duvivier. Em 2010 e 2011 teve seus posters como um dos dez finalistas do Concurso do Cartaz do Museu da Casa Brasileira. Em 2012 ganhou menção honrosa no mesmo concurso e participou da exposição coletiva Arte e Cinema pelos Posters no Museu da Imagem e do Som com três releituras de clássicos do cinema. Em 2016, foi membro do juri do mesmo concurso.

Ministra, desde 2016, o curso Ilustração: colagem como técnica de criação, com foco na técnica da colagem e com exercícios práticos por meios dos quais são passados os conteúdos e questões principais da área. Passou uma temporada no Reino Unido (2017-2018) onde fez o curso Writing for Children e Illustrating for Childrens Books, ambos no instituto de formação City Lit, em Londres. No primeiro semestre de 2019 deu o curso Colagem: do analógico ao digital, no SESC Avenida Paulista. Atualmente ministra o curso de colagem no espaço cultural Lugar de Ler.

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