Stella Maris Rezende: “Minas e a mineiridade estão quase sempre presentes nos meus livros”

Stella Maris Rezende nasceu em Minas Gerais, no município de Dores do Indaiá, morou em Belo Horizonte e daí voou para outras cidades: primeiro Brasília e depois para a sua atual residência, o Rio de Janeiro. A mineira é uma escritora que enche de orgulho a sua terra. Com este nome de estrela-do-mar, no entanto, Stella provou mesmo que, com a literatura, é estrela em qualquer lugar. Tem dezenas de livros publicados, entre romances, novelas, crônicas, contos e poemas, para o público adulto e o infantojuvenil. Seus livros são recomendados em revistas e catálogos de países latino-americanos e europeus, além de ser detentora dos mais importantes prêmios literários. Hoje, o blog publica uma entrevista com Stella para falar do seu novo livro infantojuvenil: “A valentia das personagens secundárias”, que carrega sua vivência mineira e de encantadora de palavras.

 

Rosa Maria: Sabemos que você é uma autora que deixa a história nascer naturalmente, à medida que vai encontrando as palavras. Como nasceu “A valentia das personagens secundárias”?

Stella Maris: Esse romance foi trabalhado por volta de 10 anos, aos poucos, com personagens que começavam a falar de seus conflitos em meio a uma família obcecada pela palavra “tragédia”. Cada narrador tem seu ponto de vista. Reunidos num casarão antigo, todos estão curiosos para saber qual foi a tragédia que de fato aconteceu com a família alguns anos antes da instauração da ditadura militar. Há um mistério em torno disso e todos sabem que ao final dos depoimentos, a verdade será revelada. O narrador principal é Fabiano, que entrevista e filma os familiares.

Stella Maris: No livro “A valentia das personagens secundárias” há muito da minha família mineira na história e, portanto, trata-se de um texto que me faz lembrar de vários momentos ora tristes, ora alegres

 

RM: Fale um pouco dessa personagem secundária e da sua coragem e valentia.

SM: São várias as personagens secundárias. Cada uma tem seus medos, angústias e rancores, mas todas precisam encontrar, num momento ou outro, muita coragem e muita valentia para enfrentar as vicissitudes. Além do narrador principal, há o fotógrafo Reginaldo, irmão caçula, que em geral é jogado para um segundo plano, devido a preconceitos e racismo. Talvez seja ele o personagem que mais necessita de coragem e valentia.

 

RM: O interior de Minas Gerais volta à tona. Tem uma razão especial?

SM: Minas e a mineiridade estão quase sempre nos meus livros. Isso acontece naturalmente. No caso específico de “A valentia das personagens secundárias”, há muito da minha família mineira na história e, portanto, trata-se de um texto que me faz lembrar de vários momentos ora tristes, ora alegres. “As nossas personagens são pedaços de nós mesmos”, como disse Graciliano Ramos.

 

RM: Essa personagem caberia noutro local geográfico?

SM: Sim, em qualquer lugar do mundo, pois seus conflitos são universais.

 

RM: Do seu estilo de escrever, o que você destaca nessa narrativa? O que explora mais?

SM: Penso que neste romance há uma exploração maior de diferentes focos narrativos, versões diversas e às vezes contraditórias.

“Quero que os leitores se encantem e se emocionem, sonhem mais e questionem mais, tomem consciência de si mesmos e do mundo em que vivemos” afirma a escritora

 RM: A que leitor está dirigido esse livro?

SM: A partir dos 13 anos, mais ou menos, qualquer pessoa que goste de ler.

 

RM: O que deseja que seu leitor encontre com a leitura?

SM: Quero que os leitores se encantem e se emocionem, sonhem mais e questionem mais, tomem consciência de si mesmos e do mundo em que vivemos.

 

RM: Há lançamento previsto para alguma região mineira?

SM: Pretendo lançá-lo na cidade natal da minha mãe, Morada Nova, perto de Três Marias.

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