“Bichos vermelhos”

Escritora pernambucana Lina Rosa lança, hoje, em Beagá, segunda edição do livro infantil sobre 20 animais que estão na Lista Vermelha, o ranking de alerta da União Internacional para Conservação da Natureza, de espécies ameaçadas de extinção.

Em “Bichos vermelhos”, os animais em extinção formam uma obra de resistência a um mundo que não parece prestar atenção às suas perdas cotidianas. É por meio dessa relação entre a experiência pouco valorizada do papel e a ainda vagarosa conscientização ambiental, que o livro infantil da pernambucana Lina Rosa constrói uma bela metáfora, valiosa para as crianças e jovens.

Editada pela mineira Aletria, a segunda edição da obra tem prefácio assinado pela ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. A obra tem ilustrações de Erick Vasconcelos e Rebeca Melo. A editora Rosana Mont’Alverne conta que o livro de Lina Rosa foi recebido com muito entusiasmo pela Aletria.

“Nos apaixonamos pelo livro à primeira vista. Ansiávamos por um livro que falasse da diversidade da fauna brasileira e dos perigos que a espreitam de um jeito leve, bem-humorado, acertado e ao mesmo tempo poético e sensível. A obra de Lina conseguiu tudo isso e tornou-se um título litero-informativo como não se vê habitualmente no mercado”, ressalta. “Além disso, todo o projeto gráfico, as ilustrações e o acabamento aveludado da capa proporcionam uma experiência estética e sensorial ao leitor”, completa.

Mont’Alverne destaca principalmente a urgência do assunto tratado pela obra, tão em voga nos últimos tempos, com o aumento galopante da devastação da Amazônia e as diversas tragédias ambientais que vêm acontecendo no Brasil.

“O tema torna-se ainda mais relevante com os recentes dados divulgados sobre o desmatamento da Amazônia, os incêndios criminosos e os desastres ambientais em Minas Gerais, que abriram uma ferida difícil de cicatrizar. Precisamos falar sobre preservação do meio ambiente, da fauna e da flora. Precisamos tomar partido urgentemente: o partido da natureza. As crianças e jovens merecem saber dos ‘Bichos vermelhos’ de Lina Rosa. Afinal, são eles que podem garantir um futuro sustentável para todos nós”.

Lina Rosa e seu alerta para crianças sobre o que está acontecendo na natureza silvestre – Foto: Helder Ferrer / Divulgação

A nova edição

“Belíssimo, nas palavras e nas ilustrações. Um livro assim enriquece e ilumina a vida”, assim definiu o escritor Raimundo Carrero, vencedor do Prêmio Machado de Assis. Em sua segunda tiragem, “Bichos Vermelhos” ganha 2 mil cópias com um projeto editorial que aprofunda a experiência lúdica ao trazer “retratos” em engenharia de papel da “lista vermelha”, o ranking de alerta da União Internacional para Conservação da Natureza de espécies ameaçadas de extinção.

“Queria falar de algo tão raro e transpor duplamente para uma experiência tátil. A intenção é unir a preocupação de ampliar a vivência cotidiana das crianças com o livro, em tempos cada vez mais digitais, mas também de que elas vivam como fato, de maneira real, o que está acontecendo na natura silvestre que ante nossa ambientação urbana nem paramos mais para refletir. O livro é o instrumento e um convite para tornar hábito o que entre tantas transformações vem sendo raro: tanto as espécies ameaçadas extinção quanto a própria leitura”, comenta a autora.

Além dos textos fluídos, cheios de curiosidades desejosas e de uma forma que aproxima aquilo que até parece “estranho” ao dia a dia das crianças, a obra faz uma brincadeira inspiradora com a representação imagética desses animais de carne e osso como esculturas 3D em papel. Tal jogo de aproximação de linguagem fica ainda mais real com a experiência de montagem e colagem de bonecos ao fim da leitura.

Os bichos

Curiosidades sobre 20 animais brasileiros dão vida a “Bichos vermelhos” sempre lembrando da responsabilidade de todos sob a preservação da natureza. “A lista de animais em extinção está sempre mudando. Escolhi espécies curiosas e carismáticas, mas é um material que pode ter continuidade sempre. É um assunto que tem que ser despertado para interesse desde a infância, porque estaremos formando uma sociedade mais ativa e consciente sobre os cuidados com os animais e as consequências de vivermos em um país naturalmente tão rico, mas ainda carente em consciência ecológica”, finaliza Lina Rosa.

A ariranha, “que não é prima da aranha”, pode ser identificada pela mancha no pescoço. O pássaro bicudo, o “garganta de aço”, sofre com a captura e o comércio ilegal. O caburé-de-Pernambuco é uma das menores corujas do mundo e a última vez que se viu um foi em 2001. O cachorro-do-mato vinagre é um animal arisco e que sofre com o desmatamento assim como a codorna-buraqueira, que vive nos cerrados brasileiros tão maltratados. O galito é um passarinho que tem uma cauda colorida, que lembra a do pavão. A jaguatirica é a prima menor da onça e está na lista assim como a onça-pintada, o maior felino das Américas.

O lobo-guará está na lista desde 1968 e o macaco-prego-galego, em 2010, foi apontado entre as 25 espécies de primatas mais ameaçadas em todo o mundo. O peixe-boi-marinho é um animal que sofre com o turismo agressivo e destruição de mangues e rios. O periquito-cara-suja é a mais ameaçada entre periquitos, araras e papagaios. Já o passarinho pintor-verdadeiro é visto em gaiolas por aí. O porco-espinho esperança é a espécie que tem a descoberta mais recente: 2013, em Pernambuco. Mal foi catalogada e já está na lista das extintas. O tamanduá-bandeira é dócil e é incapaz de morder (não tem dentes), mas ainda assim está ameaçado.

Tartaruga-de-pente tem esse nome porque a sua casca serve para a produção de pentes, escovas, óculos, etc mesmo sendo proibida a comercialização. Dois tatus estão ameaçados: o tatu-canastra, animal ágil que consegue cavar túneis embaixo da terra e o tatu-bola que não cava buracos e por isso é presa ainda mais fácil. Não se salva no país do futebol, seu único país de morada. O tico-tico-do-campo é procurado pelo homem pelo belo canto, prejudicando sua reprodução. Já o tubarão-baleia, que não ataca ninguém, é presa fácil de caçada.

O livro custa R$ 49,90 e pode ser adquirido na Livraria da Rua (Rua Antônio de Albuquerque, 913, Savassi, Beagá) ou nesse link do site da editora https://www.aletria.com.br/lancamentos/Bichos-Vermelhos

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