“Educar sem arte me parece impossível”

Esta afirmativa é de Renata Bittencourt, diretora executiva do Inhotim, e exige reflexão de todos nós comprometidos com a formação das crianças e jovens. Por isso, hoje, o blog pede licença para extrapolar a arte literária e comentar numa matéria especial sobre a importância das artes em geral.

Renata: “Criança é visual. Ela observa para entender melhor o que está vendo. Nesse sentido, o Inhotim inspira liberdade para as crianças” – Foto: William Gomes /Divulgação

A 57,3 quilômetros de Belo Horizonte, na cidade de Brumadinho, o Instituto Inhotim é a sede de um dos mais importantes acervos da arte contemporânea no Brasil e considerado o maior museu a céu aberto do mundo. É um orgulho para Minas Gerais e principalmente uma oportunidade de os mineiros participarem do admirável mundo das artes e terem contato com a natureza exuberante do local.

Hoje, o Inhotim está inaugurando novas obras de arte e expandindo seus jardins. A convite da diretoria do instituto estive lá para conhecer essas novidades e, através do blog, convido a todos para fazerem o mesmo: dediquem um dia com a família ou com os alunos para visitarem o local e vivenciarem momentos que trazem aprimoramentos de ordem intelectual e espiritual.

A arte proporciona elevação espiritual, bem-estar interior, emoções positivas. Alivia o estresse dos adultos e é uma semente bem plantada na formação das crianças e jovens. As artes plásticas, a arte musical, a arte da dança, a arte literária, a arte do paisagismo, enfim, todas as manifestações artísticas são importantes para a formação do ser humano.

A diretora Renata Bittencourt informa que o Inhotim realiza vários projetos educativos através das escolas que sempre visitam as galerias de arte e buscam conhecimentos de botânica. As escolas e as famílias podem se informar sobre esses projetos para acompanharem a agenda do instituto e programarem visitas periódicas.

“Temos um espaço expandido. Uma variedade de animais, pássaros, as borboletas azuis, além das flores. O Inhotim provoca esse encantamento”, afirma Renata Bittencourt. Segundo ela, muitas das obras presentes nas  galerias de arte têm características interativas. Isso convida as crianças para se aproximarem e participarem das propostas dos artistas.

O Inhotim expõe trabalhos dos mais importantes artistas do Brasil e do mundo. Mostra tendências. As obras são produzidas com os mais variados materiais e revelam a maravilhosa capacidade do ser humano de criar, primeiro, na mente e, em seguida, fazerem bom uso de materiais da natureza ou industrializados.

“A arte nos lembra que somos capazes de produção simbólica. Somos capazes de criar, investigar, de atingir formas plenas de realização com os humanos e os reinos”, diz a diretora. “Criança é visual. Ela observa para entender melhor o que está vendo. Nesse sentido, o Inhotim inspira liberdade para as crianças”, ela acrescenta.

As novas obras

A obra em concreto, aço inox e vidro artesanal de Robert Irwin, que está sendo apresentada ao público – Foto: Divulgação

A assessoria de Comunicação do Inhotim preparou um texto especial para descrever cada peça e local novos que estão sendo inaugurados a partir de hoje. Eu me apoio neste texto para apresentar para vocês as novidades. A que mais me chamou a atenção e a maior obra já construída de Robert Irwin (pintor e escultor americano), localizada em uma nova área aberta à visitação: bem no topo, num lugar alto com uma visão ampla e um pôr do sol inesquecível. A obra permanente de Robert Irwin é em concreto, aço inox e vidro artesanal, tem 6.3 metros de altura por 14.6 metros de diâmetro.

Está próxima de outra obra permanente, a Beam Drop, de Chris Burden, outro artista americano que atuou com escultura e instalação, e tem sua arte disponível nesta área que, além de tudo, proporciona ao visitante uma vista deslumbrante para a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). O conceito traz mais uma experiência multissensorial no Inhotim, uma vez que o público pode, literalmente, imergir na obra do artista. Vamos aproveitar e comentar um pouco a respeito desse trabalho também.

Essa é a obra de Chris Burden, que está no Inhotim há mais tempo, mas não dá para passar por ela sem comentar – Foto: Divulgação

Beam Drop está nesse local há mais tempo e não dá para o visitante passar por ela e não admirar. Consiste em 71 vigas enterradas no chão. As vigas foram recolhidas em ferros-velhos na região de Brumadinho. Elas foram elevadas por um guindaste a uma altura de 45 metros e lançadas sobre uma piscina de cimento fresco. O artista acompanhou o lançamento das vigas e coordenou o local onde elas deveriam cair. As posições em que elas se fixaram, eretas ou inclinadas, foram definidas ao acaso, conforme caíam. Uma curiosidade: a obra funciona como um campo de relâmpagos, por isso, deve ser apreciada à distância em dias em que haja possibilidade de tempestade.

A obra tridimensional em vidro de Marcius Galan: Seção diagonal – Foto: Eduardo Eckenfels / Divulgação

Na Galeria Mata, uma das quatro temporárias do Inhotim, estreia a exposição coletiva de artistas brasileiros: “Visão Geral”. A proposta é expor e provocar o debate de questões da escultura contemporânea, como abstração, tridimensionalidade e ressignificação de objetos do cotidiano. Entre as obras, estão Mix (Boom), de Alexandre da Cunha; Barril de petróleo; de Iran do Espírito Santo; e Seção diagonal, de Marcius Galan.

Outra novidade importante é a instalação Yano-a, de Gisela Motta, Leandro Lima e Claudia Andujar, que ficará na galeria da artista no Instituto. O trabalho foi desenvolvido a partir da apropriação de uma fotografia em preto e branco de uma maloca Yanomami incendiada, feita em 1976 por Claudia. Ao todo, a exposição mostra 500 imagens dos índios.

Arte “yano-a”, de Cláudia Andujar: a maloca indígena parece estar sempre em chamas devido à trepidação da água – Foto: Lenadro Lima / Divulgação

“Em Yano-a, os artistas partem da fotografia para reativar a imagem e o fazem por meio de um maquinário com projeções, filtro, ventilador e água. O resultado é uma projeção onde a maloca indígena parece estar sempre em chamas devido à trepidação da água, atualizando e reforçando as questões urgentes apontadas por Claudia nos anos 70”, descreve o curador associado do Inhotim, Douglas de Freitas.

Obras restauradas

visitantes “De lama lâmina”, do escultor americano, Matthew Barney, obra restaurada e reapresentada para o público – Foto: Eduardo Eckenfels /Divulgação

Três obras icônicas para o Inhotim e para a arte contemporânea mundial serão reabertas ao público, após um processo minucioso de restauro. Está de volta aos olhares impressionados dos visitantes “De lama lâmina”, do escultor americano, Matthew Barney. Após dez anos de exibição, a obra foi restaurada pela equipe técnica do Inhotim, com acompanhamento da equipe do artista, que realizou diversas visitas ao Instituto.

A obra De lama Lâmina (2009), do artista Matthew Barney, teve origem em uma performance realizada durante o carnaval de Salvador, em 2004. Nela, o artista toma o candomblé baiano como referência e tece uma narrativa sobre o conflito entre Ogum, orixá do ferro, da guerra e da tecnologia, e Ossanha, orixá das florestas, das plantas e das forças da natureza. Ao saber mais histórias que se relacionam à obra, ela pode ganhar novos sentidos para você.

“Os restauros são um processo de suma importância para todas as instituições museais. Refletem o zelo e o cuidado da entidade com suas obras e seu respeito aos artistas, ao patrimônio cultural, ao público e à memória de nosso tempo. Para o desenvolvimento desse trabalho, fizemos investimentos importantes, produtos de patrocínios e apoios, que são uma busca constante no Inhotim, e em qualquer instituição cultural deste nível, no mundo”, salienta Renata Bittencourt, diretora executiva do instituto.

Flora, fauna e poesia

O jardim poético do Inhotim “Sombra e Água Fresca” tem 32 mil metros quadrados – Foto: Divulgação

Reconhecido como Jardim Botânico há quase dez anos, o Inhotim ainda inaugura seu novo jardim poético, o Sombra e Água Fresca. Com 32 mil metros quadrados, esse é o maior jardim do Instituto, uma criação do paisagista Pedro Nehring para proporcionar aos visitantes uma experiência contemplativa e multissensorial.

Localizado em uma antiga área de pastagem, o jardim é fruto de um processo criativo de quase dez anos, para a ressignificação da área. Agora, o espaço abriga uma comunidade de plantas de aproximadamente 700 espécies, com plantas nativas e exóticas, a maioria muito presente em nossa história e cultura, como o pau-brasil, o guanandi e a pitangueira.

Preços dos ingressos para visitas ao Inhotim: Inteira: R$ 44 e Meia: R$ 22,00.

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