“Maricota não é anedota”

Lançamento da Bambolê Editora traz uma história cheia de surpresas provocadas por uma competição entre dois bruxinhos.

 

Literatura infantil exige muita criatividade. Nosso leitor, a criança, vive de imaginar, de fantasiar, de brincar. Competir com as cabecinhas desse público não é fácil. O autor precisa ser muito criativo para colocar nas mãos de uma criança um livro capaz de extrapolar essa capacidade da imaginação infantil. Ou ser suficientemente intuitivo para extrair fantasias que reinam nesse imaginário das crianças para escrever suas histórias.

Foi o que senti ao ler o novo livro de Henrique Vale, “Maricota não é anedota”, ilustrado pela Vanessa Alexandre, lançado pela Bambolê Editora. São 42 páginas de muita criatividade do autor. Uma delícia de ler. Eu fico imaginando as reações das crianças com um livro desses nas mãos… A personagem Maricota é instigante, por que parece tão moderna quanto qualquer outra criança portadora de celulares. Mas também se revela como alguém que saiu dos contos de fadas ou das bruxas vinda de um período em que ainda se vivia em castelos ou em casebres nas matas.

“Maricota era filha de músicos, mas desde pequena mostrava habilidade para magia. Quando brincava de esconde-esconde, entrava no guarda-roupa e saía pela porta do armário da cozinha. Ao procurar as chaves nos bolsos, dava por si puxando lenços de seda tão grandes e bonitos, que serviam de cortinas. Ou, às vezes, ao jogar uma bola felpuda de tênis, a via disparar pulando, transformada em coelho.

Por isso, ao completar oito anos, ganhou uma varinha de condão e começou a frequentar uma escola de magia para iniciantes, em um castelo cheio de torres em estilo medieval”.

As aventuras de Maricota se dão nessa escola, por que lá ela conheceu um grande rival, um competidor disposto a tudo para ultrapassar o poder de magias de Maricota. Ele era o nerd Eugênio e “vinha de uma família de grandes magos e gostava de se gabar disso, ainda por que reluzia no pátio da escola uma grande estátua do seu mais famoso ancestral, o mago Merlim”.

“Nos primeiros testes de Prática Encantatória, porém, quem se destacou foi Maricota ao arrancar da varinha um elefante tocando harpa. Eugênio enverdeceu de inveja por fora e seu coração encaroçou por dentro. O máximo que ele conseguiu extrair de sua varinha foi uma azeitona saltitante do tamanho de uma pulga. Ele vaiava Maricota enquanto os outros colegas a aplaudiam.”

Essa rivalidade entre Maricota e Eugênio reina até o final da história. Quem é o melhor?

O autor também revela seus poderes ao criar tantas magias para os dois bruxinhos rivais executarem, a cada página do livro, além de provar para o leitor o motivo de ter escolhido o seu mago preferido, o vencedor.

Eis, por exemplo, que surge um “Livrivo”. Sabe o que é? “Os livros de magia negra que onde haviam sido proibidos e jogados no fundo dos pântanos, onde a areia movediça protegia seus segredos obscuros”… O Livrivo da história era “O pequeno tirano – feitiços para aprendizes de bruxos” que há séculos não era folheado por ninguém. O livro, agora, estava em poder de Eugênio.

O menino encontrou o que queria: uma magia para derrotar Maricota. Essa magia chamava-se Tiraniques. “Um poema curto e com rimas enfeitiçadas para tirar do sério. Quando a pessoa sai do sério, uma surpresa inesperada acontece”. O primeiro Tiranique que ele adotou realmente mexeu com a bruxinha:

“A rechonchuda Maricota / Rouba a cena, a meninota / Sendo uma bolota, /Não anda, capota./ No futebol vira a pelota”.

Daí em diante, o leitor vai encontrar muitos e muitos Tiraniques engraçados e acompanhar as reações dos dois bruxinhos. Quantas vezes Maricota saiu do sério? Será que isso comprometeu os poderes da menina? O que cada Tiranique provocava nela? Eugênio conseguiu provar que era mesmo um Merlim? A história se complica mais ainda, quando surgem os amigos dos feiticeiros dando palpites nessa luta um tanto esotérica.

Apesar dos amigos não praticarem mandingas nem mesmo usarem as lendárias varinhas de condão são eles que enxergam um caminho para encerrarem de vez a competição entre os bruxinhos. A história termina como começou: com muita criatividade, o que torna o livro “Maricota não é anedota” uma espécie de encantamento que a gente lê sem vontade de parar e, quando termina, pensa em recomeçar a leitura mais uma vez.

Esse é o quinto livro de Henrique Vale, que mora em Belo Horizonte e também atua como advogado. A ilustradora Vanessa Alexandre já encantou muitos livros infantis e didáticos com seus desenhos e suas cores tanto no Brasil como Moçambique, Portugal e Estados Unidos.

O livro custa R$ 39,99 e pode ser comprado no site da editorahttps://www.livrariabambole.com.br/maricota-nao-e-anedota

 

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