Exclusivo: Rosana Rios comenta sobre “Manjaleú e outros contos do folclore mundial”

Rosana Rios: “Viajar nas histórias populares dos diversos povos deste nosso mundo é reconhecer nosso parentesco com todos os seres humanos, pois somos um planeta de contadores de histórias: é em torno das narrativas que se funda nossa humanidade” – Foto: Reprodução

 

Escritora há 28 anos, Rosana Rios se dedica à literatura para crianças e jovens. Ela já alcançou a significativa marca de 170 livros publicados com o lançamento de “Manjaléu e outros contos do folclore mundial”, ilustrado por Lupe Vasconcelos, com o selo da Escrita Fina Editora. Várias de suas obras, como essa, comentada na entrevista abaixo, são frutos de uma eterna pesquisa a respeito de mitologia e folclore, pois é apaixonada por narrativas antigas e procura recontá-las de forma a encantar os jovens leitores. Assim, Rosana oferece a esse grupo de leitores um pouco da cultura dos povos de todas as partes do mundo.

Além de escrever muito, a autora viaja por todo o Brasil apresentando palestras, autografando livros e fazendo um trabalho de estímulo à leitura com leitores de todas as idades. Mora em São Paulo, capital, com a família e uma coleção de dragões.

 

Rosa Maria: Como foi a pesquisa que realizou para chegar até os contos do folclore mundial que constam do seu novo livro?

Rosana Rios: Pesquiso histórias populares desde que era criança e ouvia minha avó recontar as narrativas orais que meu bisavô trouxe de Portugal. Coleciono livros sobre o assunto, que é infinito… Para este livro, pesquisei na minha própria biblioteca.

 

RM: O folclore é vasto, mas você selecionou 6 contos. Por que escolheu exatamente essas histórias?

RR: Eu havia adaptado o “Manjaléu” para um grupo de estudos do qual fazia parte; fui reunindo as outras histórias no decorrer de vários anos. Queria contos que pertencessem a povos bem distintos, por isso escolhi um daqui, um da Ásia, um do Oriente Médio, além das vindas da Europa.

Meu critério foi buscar diversidade de temas e de culturas. Havia muitas outras histórias, que ficaram de fora, infelizmente…

 

RM: Em qual desses países você encontrou mais riqueza e/ou oferta folclórica?

RR: Não há uma cultura “mais rica” que outra. Esse justamente é o meu mote: todos os povos são igualmente ricos em histórias e estas refletem a beleza de suas tradições. O mais interessante é que há narrativas parecidas em toda a parte, pois nós, seres humanos, somos todos irmãos, e tendemos a contar histórias parecidas.

 

RM: Qual é sua análise para o folclore brasileiro?

RR: As histórias populares brasileiras são tantas, tão diversas e tão belas, que não se pode analisá-las numa simples frase. Tais narrativas refletem os alicerces culturais de cada um dos povos que formaram nosso povo: as nações nativas, as vindas de África, as europeias, as ondas de imigrantes de toda parte que para cá vieram… Tudo isso “junto e misturado” forma uma saborosa sopa de tradições, costumes, falares, lembranças, sonhos. Falar de folclore é falar de alma e a alma de um povo é múltipla em sua riqueza.

 

RM: Como têm contribuído para a produção literária?

RR: Mitos e contos folclóricos são a raiz, o alicerce, o alimento de toda produção literária. Todos os escritores do mundo refletem, em cada obra, sem exceção, os arquétipos, mitemas e motivos que foram gerados nas histórias ancestrais.

 

RM: Entre os mais de 150 livros que já publicou, existem outros que também tratam do folclore? Pode citar?

RR: Creio que todos os meus livros são fundados sobre alguns dos muitos arquétipos míticos/folclóricos. Mas, para nos mantermos mais especificamente nos recontos ou nos que brincam com elementos ancestrais e folclóricos, posso citar:

– A viola enluarada de Zequinha Piriri (Ed. Scipione)

– Contos de fadas sangrentos (Ed. DCL)

– Coleção “Quem foi que disse” (6 volumes) (Ed. Edelbra)

– Histórias malcheirosas (Ed. Trejuli)

– Heróis e suas jornadas (Ed. Melhoramentos)

– Bichos e lendas do nosso Brasil (Ed. Edelbra)

Viajar nas histórias populares dos diversos povos deste nosso mundo é reconhecer nosso parentesco com todos os seres humanos, pois somos um planeta de contadores de histórias: é em torno das narrativas que se funda nossa humanidade. Convido, então, os leitores a fazerem essa viagem junto comigo. Boa leitura!

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