“Margaridas”

“Em versos, rimas e cores, no quintal da infância, a relação da menina com seu avô”. Assim a Editora Escrita Fina descreve o lançamento de mais um livro infantil.

O nome do livro sugere um jardim, mas, na verdade, ele se refere de uma forma bem poética às memórias das crianças. E onde elas foram formadas? Advinha.

“Tem cajá maduro, doce de quintal. Tem risada, pique-pega, chão de flor, de passarinho. Tem balanço pendurado, rebentando de brincar. Tem meu vô assobiando de mansinho”.

Esse é o famoso quintal da infância, onde se passa a história entre a menina e seu avô. Um quintal cheio de alegria.

A autora Neide Barros, professora em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, escreveu “Margaridas” para contar algumas de suas lembranças a respeito de um acontecimento muito especial. O mesmo vivido pela protagonista do livro, a menina que conseguiu superar a ausência de seu avô, graças ao quintal que juntos formaram dentro do seu coração.

“Hoje o dia se encolheu nos passarinhos”.

“As cigarras, onde estão para anunciar? Não vieram… já é hora! Hoje não tem cantoria? Minha vó chora baixinho repetindo: eu sabia, eu sabia, eu sabia…”

“O poente quer morar na nossa casa”.

“Margaridas” são memórias de despedida, memórias de um avô que parte, memórias de um luto que parece ter força para mudar a própria natureza de um quintal de criança. Mas só parece.

“Anoitece. Anoitece. Meu avô”.

“São silêncios, são suspiros, faz sereno. Nossa casa sem risadas permanece. Tem buquê de margaridas, tem abraços, tem sussurros. Meu avô se anoitece. Anoitece”.

Neide Barros escreveu a história em versos e fez uma delicada poesia sobre como uma criança entende a morte. Primeiro, o estranhamento ante a suspensão na ordem das coisas. Depois, a percepção do que não é possível saber mais nada, pois faz parte dos mistérios da morte.

“Por que dói se foi pro céu? Alguém me conta? É na lua? Você gosta? Quer voltar? De luneta eu consigo te encontrar?

Mas, no luto, também pulsa um processo de amadurecimento. E é possível a retomada do outrora encanto. Aos poucos, a memória vai puxando de volta os fios da antiga alegria. A chuva faz o quintal virar de novo lago borbulhante. Só a saudade existe. O legado de amor e da convivência calorosa da menina com seu avô acaba expulsando a intrusa dor.

O livro foi ilustrado por Carla Guidacci, tem 40 páginas, custa R$ 29,80 e pode ser comprado no site da editora www.grupoeditorialzit.com.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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