Os pais ensinam filhos a gostarem de ler

Especialmente as mães são apontadas na pesquisa Retratos da Leitura no Brasil como as maiores influenciadoras da leitura.

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Já notou como as crianças falam, gesticulam e interagem de modo semelhante aos pais? Os hábitos de estudo e leitura também estão relacionados aos exemplos familiares. De acordo com a Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, encomendada pelo Instituto Pró-Livro ao Ibope Inteligência, a mãe ou uma responsável do sexo feminino foram apontadas como principal influenciadora do gosto pela leitura.

De acordo com a 4ª edição da pesquisa, o hábito de leitura dos pais tem forte influência na construção do gosto dos filhos pela leitura. Dos respondentes, 33%, afirmam ter sofrido influência de alguém para começar a gostar de ler, sendo que deste total, 11% mencionam a mãe ou um responsável do sexo feminino como influenciador do gosto pela leitura; 7% dizem terem sido influenciados por um professor ou uma professora; e 4% dos entrevistados alegaram ainda que o pai ou o responsável do sexo masculino foi o influenciador. Entre aqueles que viam seus pais lendo também temos mais leitores que informam gostar de ler, o que reforça a importância desse exemplo no ambiente familiar. É papel dos pais e da escola ajudar as crianças e jovens a enxergar o livro não apenas como uma obrigação escolar, mas como uma oportunidade de entretenimento e diversão.

Zoara Failla, coordenadora da pesquisa, declara: “Nossos jovens estão sofrendo uma exclusão perversa. Eles não sabem se gostam de ler porque não lhes foi oferecido esse cardápio. É preciso garantir a todos, por meio de políticas públicas, o direito ao acesso a livros de literatura de qualquer segmento, incluindo o juvenil, para que possam escolher o que ler. É preciso garantir, especialmente, o direito de compreender aquilo que leem. E lhes garantir o direito de experimentar. Que lhes sejam oferecidos espaços, encontros e práticas leitoras cativantes e mediadas. Que encontrem pais, professores e bibliotecários, valorizados, capacitados e que gostem de ler literatura e de conquistar leitores, para que esses jovens brasileiros exerçam seu direito de serem despertados pelo prazer de ler”.

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A formação dos filhos como leitores

Em matéria para o DM, o jornalista André Junior escreveu: “Ouvir e ler histórias desenvolve todo o potencial crítico da criança. O ato de contar histórias deve ser uma prática diária nas instituições de educação infantil e principalmente em casa. Sabemos, com todos os pontos e vírgulas, que contar histórias é extremamente importante e benéfico para as crianças.

Desde a mais tenra idade há quem afirme a eficácia de embalar os bebês, ainda no ventre, com a melodia da voz da mãe, contando histórias, para familiarizar a criança desde aí, com os mecanismos narrativos, e com a proximidade e o afeto que o contar histórias envolve. Essas ações, de certo modo, já fazem parte das estratégias para a formação do leitor.

Através de uma história que se descobre outros lugares, outros tempos, outros jeitos de agir e ser, outras regras, outra ética, outra ótica.

Além da importância que causam no desenvolvimento da criança, as histórias infantis quando são narradas por um dos pais, estreitam a relação e a comunicação e proporcionam a troca afetiva. Pensando acerca dos vários benefícios que esse ritual mágico pode propiciar.

Nesses momentos, além de contar é necessário ler as histórias. É possível também a leitura compartilhada de livros em capítulos, o que possibilita às crianças o acesso, pela leitura do professor, a textos mais longos.

Outra atividade permanente interessante é á roda de leitores, em que periodicamente as crianças tomam emprestados livros da instituição, para lerem em casa com os pais ou amiguinhos.

Na Educação Infantil as histórias fazem parte essencial no desenvolvimento físico, psicológico e social das crianças. São momentos únicos de reflexão e encantamento que estabelece relações com a imaginação e o mundo em que vive, construindo assim saberes e experiências. E para entrar em contato com essas histórias, a criança necessitará da mediação de um profissional consciente da arte de contar histórias e que na maioria das vezes é o professor de sala de aula que faz esse papel, e que será na realidade a chave para esse mundo encantador de ouvir e contar histórias.

Toda criança adora ouvir história. E pode ser a mesma, muitas e muitas vezes. Transformar a hora da leitura em um momento de aprendizado é essencial. Ouvir e ler histórias desenvolve todo o potencial crítico da criança. É poder pensar, duvidar, se perguntar, questionar. É se sentir inquieto, cutucado, querendo saber mais e melhor ou percebendo que se pode mudar de ideia. É ter vontade de reler ou deixar de lado de uma vez.

A partir dos 3, 4 anos, as crianças têm um vocabulário maior e constroem as primeiras frases. A leitura para os pequenos, tanto em casa quanto na escola, contribui muito nessa fase de desenvolvimento. Mas também não se pode descuidar das conversas do dia a dia.

É possível transformar simples palavras em histórias inesquecíveis para as crianças. Mais do que textos memoráveis, ao compartilhar narrativas, compartilhamos sentimentos. Momentos de partilha de alegria, euforia e amor são guardados na lembrança desde muito cedo e a arte de contar histórias facilita que estes momentos sejam mesmo divertidos, amorosos, inesquecíveis.

Os contos tradicionais exploram conteúdos e sentimentos que interessam muito às crianças. Como o medo, o abandono, o crescimento, o mal e assim por diante. Elas têm muito interesse em conversar sobre esses temas”. A matéria do jornal encerra aqui.
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Como agir durante a contação de histórias

O site Brasil Escola sugere:

Primeiramente os pais precisam acreditar na história que narram e transmitir isso para o filho.

Escolha um momento do dia para a atividade, como na hora de dormir.

Preste atenção na entoação da voz, imitando os personagens, assim você estará despertando a curiosidade da criança.

Crie um clima, ao chegar após um dia inteiro fora de casa não comece contar histórias imediatamente. Proporcione um tempo de diálogo e brincadeira com seu filho para ele se envolver no clima da história e se desligar das outras atividades.

Utilize objetos que alimentem a imaginação da criança. Pode ser um lençol que se transforma em capa do príncipe encantando ou um lápis em vara de condão.

Não obrigue a criança a ouvir histórias quando ela não quer.

Prepare-se para as interrupções, criança faz muitas perguntas; explique o que for necessário e continue a história.

Atenda os desejos de seu filho, quando ele pedir para ouvir a mesma história não mude, a fim de evitar a ansiedade ocasionada pelo desconhecido. Essa atitude da criança pode ser também uma forma de buscar segurança.

Quando os pais, antes da criança dormir, contam história, é um momento de interação. Transmite confiança e segurança, cria situação de amorosidade e desenvolve uma memória afetiva muito boa. A criança vai resgatar este sentimento de conforto e amorosidade, quando for estudar os livros da escola.

Os livros ajudam na autoestima e na confiança. A participação dos pais no ato de contar histórias reforça este sentimento. Os pais devem estimular a criatividade da criança na hora de contar uma história. A criança tem conflitos e precisa aprender a se proteger emocionalmente.

Você pode estimular a criança a contar história e também pode entrar na brincadeira. Quando estiver com a criança, procure se tornar mais criança e brincar. “O ritmo de vida hoje é bem diferente do tempo dos nossos pais ou avós. A TV, internet e o videogame ocupam a criança. Quando chega a noite, os pais estão cansados e, em vez de brincar, deixam os filhos vendo TV ou mexendo no computador.

A literatura ao alcance do leitor

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O Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais, que pode ser visitado até o dia 20/8, domingo, no Parque Municipal, é uma ampla e rica vitrine de livros dedicados às crianças e jovens. Logo na entrada do Salão, o visitante depara com uma sequência de estandes com pessoas especializadas para falar de literatura infantil e apresentar a produção de cada editora. É a oportunidade de pais e educadores conhecerem essa valiosa produção literária de Belo Horizonte e poderem adquirir livros por preços promocionais.

Tenho três livros de minha autoria presentes no Salão. “Hikôki e a mensageira do Sol”, ilustrado por Maurizio Manzo, e “O abraço das Cores”, ilustrado por Nelson Tunes _ ambos com selo da Miguilim _ podem ser conhecidos e comprados no estande dessa editora. O lançamento mais recente “VoVó inVenta palaVras”, também ilustrado por Maurizio Manzo, está sendo vendido no estande da Páginas Editora.

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Carinho especial com os avós

Nesta sexta-feira, 19/8, às 10:00 horas, vai ter apresentação e debate sobre o tema do livro “VoVó inVenta palaVras”. O encontro vai acontecer no Palco Rede Social, dentro do Parque Municipal, como parte da programação do Salão do Livro Infantil e Juvenil.

Esse livro trata de um tema atual e muito delicado: as transformações dos idosos e as dificuldades da família compreender e saber como lidar com esta fase de pais e avós. Mas com a completa doação, gratidão e muito amor é possível encontrar os caminhos certos para aconchegar quem está ao nosso lado especialmente quem amamos. Acredito que esta experiência possa ajudar filhos e netos, que amam pais e avós, mas muitas vezes não sabem mais como interagir com eles.

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Acredite, o Reino do Sol existe

Já imaginou como seria a vida se o dia fosse permanente e a luz do Sol brilhasse ininterruptamente? Seria o Reino do Sol e, talvez, a vida das pessoas fosse bem diferente… O livro infantil “Hikôki e a mensageira do Sol” conta a história de um pássaro (tão veloz quanto um avião), que voa alto e para muito longe da Terra. Ele sempre visita um lugar mágico habitado por um velho sábio que deseja contar uma novidade para todo mundo: o Sol nunca mais vai embora. Este sábio, no entanto, não sabe como falar para as pessoas sobre o Reino do Sol.

Hikôki conta para este sábio sobre uma menina, Ana Laura, que ama os raios da luz do dia e que, por isso, pode ajudá-lo. O pássaro, então, convida a menina para conhecer o sábio e o lugar mágico. Curiosa, a menina aceita e descobre a alegria de viver num lugar constantemente iluminado e capaz de transformar as pessoas.

A história de “Hikôki e a mensageira do Sol” é baseada numa vivência real: a menina Ana Laura que sempre sonhou com um Sol permanente em sua vida. O desejo desta criança me inspirou para escrever uma história para satisfazer a vontade de Ana Laura.

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Um abraço une todas as cores

“O abraço das cores” é a história da menina Camila, que adora colorir. Certo dia, ela decide ignorar o Vermelho e sua atitude tem repercussão no arco das cores: a cor acorda irritada e acaba importunando as demais. O Laranja tenta acalmar o Vermelho, mas não consegue. O Amarelo também e é humilhado. O Violeta pede tolerância e é mais uma cor que fracassa. Chega o momento de o Verde entrar em ação, porém, ele acaba brigando com o Azul e o Anil. A discórdia se generaliza dentro do arco das cores.

Uma forte tempestade interrompe a briga entre as cores. Assustadas com o vento forte, raios e trovões, as cores decidem se abraçar e, neste momento, relembram como era bom viverem unidas. Em seguida, o tempo muda e elas são banhadas pelos raios de Sol. A luz do astro-rei revela para as cores que juntas formam o admirado arco-íris e que todas elas são belas e importantes.

Clube do Livro Infantil Solidário

20770216_1860183847342599_63928403332585729_nUm dos lançamentos programados para o primeiro dia do Salão do Livro Infantil de Juvenil de Minas Gerais, ontem, no Parque Municipal, foi a do CLIS ou Clube do Livro Infantil Solidário criado pela Páginas Editora para favorecer o acesso à leitura a pessoas carentes.

Leida Reis, titular da editora, explicou a iniciativa: empresas ou pessoas físicas contribuem com o valor de R$ 45,00 para que o clube possa adquirir livros de qualidade literária e realizar eventos mensais em creches e outras instituições de apoio a crianças em “situação de vulnerabilidade social” previamente selecionadas para a doação.

“O CLIS visa preparar nossas crianças para um futuro onde o saber se torna instrumento de cidadania e ações positivas tanto para o indivíduo quanto para toda a sociedade”, afirma Leida.

Quem desejar apoiar a iniciativa deve entrar no site www.clis.com.br para se tornar assinante. A Páginas Editora cuida da seleção e aquisição dos livros e da organização do evento mensal. O valor pago pelo assinante também será usado para aquisição de algum tipo de complemento de material escolar para estimular as crianças para o estudo, que será entregue junto com os livros.

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No dia do evento mensal, a editora ainda vai preparar um lanche e levar os livros autografados pelos autores e ilustradores, além de organização uma contação de histórias. Os assinantes também serão convidados para participarem do evento.

Em setembro, nos dias 13 e 16, estão programados dois eventos: um destinado à Casa Novella e Obras Educativas Padre Giussani em Belo Horizonte. “Bilô Desembolô”, de autoria de Vanessa Corrêa e lançado pela Páginas Editora, foi o escolhido para ser doado às duas instituições.

Além do site, os interessados podem obter informações pelo email solidário@clis.com.br e pelos telefones 99138-8423 ou 3412-5669.

O Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais prossegue até o dia 20/8, durante todo o dia, no Parque Municipal, com entrada gratuita.

Salão do Livro começa hoje

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(Com Câmara Mineira do Livro)

Nesta terça-feira, 15/8, feriado da Padroeira de Belo Horizonte Nossa Senhora da Boa Viagem, começa o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais com a novidade de ser realizado no Parque Municipal, até o dia 20/8, bem no centro da cidade.

Uma das grandes vantagens do Salão estar acontecendo bem no coração de Belo Horizonte é que é muito fácil para qualquer um ir e vir e a entrada para o Salão e todas as atrações são inteiramente gratuitas. Só não participa quem não quiser.  As inscrições das oficinas e a distribuição dos ingressos dos eventos no Teatro Francisco Nunes serão feitas na secretaria do evento, uma hora antes do evento.

A presidente da Câmara Mineira do Livro, Rosana Mont’Alverne, explica que serão realizadas as 3ª e 4ª edições conjuntas do evento. “Em 2015, olho do furacão da crise política, econômica e social do país, foi impossível realizá-lo; por isso esta edição ampliada abrangendo as programações de duas edições”.

2015 e 2016 foram anos difíceis para o mercado editorial. Dados das principais pesquisas do país indicavam uma retração forte do setor, bem maior do que a retração do PIB do mesmo período. Mas 2017 começou de maneira diferente. Desde abril, a pesquisa do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Nielsen, que monitora o mercado de livros no Brasil, Painel das Vendas de Livros no Brasil, indica que o setor tem apresentado uma ligeira recuperação retomando os números de 2015.

Em 2017, a pesquisa Painel de Vendas do Brasil, que é mensal, indicou que o desempenho do varejo foi superior ao mesmo período de 2016, nos últimos seis meses.  No ano, o varejo de livros já acumula R$ 823.064.680,78 em vendas. Essa cifra representa aumento de 6,81% na comparação com as 24 primeiras semanas de 2016.

É neste cenário que o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais volta a acontecer. Com a expectativa de mais de 100 mil visitantes, além da visitação escolar promovida pela Secretaria de Educação do Estado e a Secretaria de Educação do Município, a participação de mais de vinte e cinco expositores, o que se espera é que o salão aproveite o momento de crescimento para aquecer as vendas de livros em Minas Gerais.

Uma das líderes do setor de literatura infantil em Minas, Rosana Mont´Alverne preside a Câmara Mineira do Livro, que está realizando o Salão do Livro de 2017

Uma das líderes do setor de literatura infantil em Minas, Rosana Mont´Alverne preside a Câmara Mineira do Livro, que está realizando o Salão do Livro de 2017

A programação

Segundo Rosana Mont´Alverne, “o principal objetivo do Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais é promover o livro, a leitura e a literatura como fontes de formação e prazer intelectual e como caminho de emancipação cidadã de crianças e jovens. A programação prevê atividades que vão permitir o conhecimento, a reflexão e o debate sobre texto, ilustração, produção editorial, mediação de leitura, novas mídias e experiências de democratização do acesso ao livro, o encantamento literário e o desejo da leitura.”

A programação pode ser acessada no link http://www.salaodolivro.com.br/programacao-por-dia

As atrações acontecerão paralelamente à feira de expositores. Serão mais de 25 expositores que representam mais de duzentas editoras diferentes. Estarão presentes grandes editoras nacionais como a Cia.das Letras, Record, Ática ou Rocco; tradicionais editoras mineiras de porte variado como a Lê, Miguilim, Autêntica; Aletria, Mazza ou Dimensão e até editoras novas ou independentes como Cora, Viajante do Tempo e Cuca Fresca.

No Teatro Francisco Nunes, teremos espetáculos e bate-papos com convidados com os temas diversos, parte da programação preparada pelo curador do evento Leo Cunha. Uma parceria com o SESC levará a Mostra Literária Paulo Leminski, que homenageia o poeta ao apresentar alguns de seus versos ilustrados pelo artista Fabio Dudas.

Oferecido pelo SESC, o Palco de Histórias será espaço para apresentação de grandes artistas da Literatura Oral e os jovens poderão participar de vária oficinas no Rede Social: espaço jovem.  No espaço Leitura em Conexão, fruto da parceira com a SMED, acontecerá o Encontro Marcadinho e permitirá aos leitores o contado direto com autores, que lerão trechos de suas obras, além é claro, de vários lançamentos que acontecerão no espaço dos expositores.

Marilda Castanha, a homenageada do Salão do Livro

Marilda Castanha, a homenageada do Salão

Imagem-símbolo que a ilustradora homenageada criou para o evento

Imagem criada para simbolizar o evento

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A homenageada

Marilda Castanha foi escolhida para ser a grande homenageada do Salão do Livro. Uma exposição com trabalhos dela ficará montada para que todos possam conhecer a ilustradora que tem recebidos prêmios nacionais e internacionais. Foi ela também que criou uma imagem-símbolo do evento e explica sua obra: “Esta imagem é para mim a versão (amalucada) de um leitor apaixonado por livros. Tem olhos por todo o corpo e só duas mãos não bastariam para segurar tudo o que lê (ou que quer ler). Aí deu este “bicho” estranho! Mas com uma carinha pra lá de boa, como todo leitor quando lê um bom livro, não é mesmo?”

Marilda Castanha é natural de Belo Horizonte, onde estudou Belas Artes na Universidade Federal de Minas Gerais. Ela começou a ilustrar livros infantis no final dos anos de 1980. Em 1997, participou de um Seminário de Ilustração na Bratislava (capital da Eslováquia). Ilustrou vários autores, participou de exposições e, em 2000, ganhou o prêmio “Runner Up” Japão), “Prix Octogone” (Paris) e “Jabuti” pela ilustração do livro “Pindorama, terra das palmeiras”. Em 2011, ganhou novamente o Prêmio Jabuti com o livro “Mil e uma estrelas”. Também participou de várias mostras da exposição “Le Immagini della Fantasia”, em Sármede, norte da Itália.

Este ano, ela ganhou o “Nami Concours 2017”, um concurso internacional que, a cada dois anos, seleciona e premia os maiores expoentes dos livros ilustrados do mundo. Marilda Castanha participou do concurso com o livro de imagens “Sem fim”, Editora Positivo. A ilustradora mora na cidade mineira de Santa Luzia com o marido Nelson Cruz, que também é ilustrador, e seus dois filhos.

Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais (3ª e 4ª edições conjuntas)

Data: 15 a 20 de agosto

Horário: quarta a sexta, de 8h30 às 20h; feriado, sábado e domingo: 9h às 20h

Local: Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Av. Afonso Pena, 1377, Centro – Belo Horizonte)

Informações: www.salaodolivro.com.br ou (31) 3241-2177

Entrada Gratuita

O retorno do Salão do Livro

Semana que vem começa o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais que será realizado de 15 a 20/8, sob a batuta da Câmara Mineira do Livro. A programação do curador Leo Cunha está rica e variada com temas da vivência de crianças e adolescentes. A ilustradora mineira Marilda Castanha é a homenageada.

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Muita gente pra contar histórias, encenações, oficinas para crianças, música e dança, bate-papos entre autores e crianças. Muita gente para explicar histórias, ensinar a gostar e conhecer mais da literatura infantil. Dia 15 de agosto vai começar o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais, no Parque Municipal de Belo Horizonte, em Belo Horizonte, com entrada gratuita para os visitantes participarem desse importante evento literário até o dia 20.

A programação pode ser acessada no link http://www.salaodolivro.com.br/programacao-por-dia

O dia a dia do Salão do Livro foi preparado pelo escritor Leo Cunha. Em sua página no Facebook, ele explica que “como curador das mesas redondas e bate-papos com autores, tentei propor diálogos com o que a moçada lê e curte: os adolescentes, por exemplo, poderão acompanhar mesas sobre séries e sagas, terror e aventura; as crianças, sobre a poesia, o lúdico, a ilustração. Mas, o tempo todo, com o cuidado de convidar escritores, ilustradores, editores e pesquisadores que trabalham com a ótima literatura infantil e juvenil que publicamos e lemos aqui no Brasil”.

A programação inclui a realização de oficinas como a de narração de histórias, música, leitura digital e criação de quadrinhos. Destaco a do dia 18/8, às 15:30h, com um tema muito importante para os pais: “Começando do zero: literatura para bebês” com Alessandra Roscoe, no Palco Rede Social.

O visitante do Salão deve prestar atenção numa atividade de nome sugestivo: o Encontro Marcadinho que dará às crianças a oportunidade de interagir com escritores e ilustradores, como Mário Vale, Ilan Brenman, Mariangela Haddad, Branca de Paula, Rosana de Mont`Alverne, Benita Prieto, Vanderlei Timóteo, Marilda Castanha, Mauro Martins, Murilo Andreas e Fernando dos Santos.

Serão muitos bate-papos entre o público e os autores, no Teatro Francisco Nunes.

No dia 16/8, às 9:00h, o tema “Sexo, morte e religião: os tabus na Literatura Infanto Juvenil” será debatido com os escritores Ilan Brenman e José Mauro Brant com mediação de Antonieta Cunha. Às 14:00h, o tema será “Livro infantil: coisa de ler, virar, soprar, balançar” com os escritores Tino Freitas e Mário Alex Rosa com mediação de Fabíola Farias.

No dia 17/8, o bate-papo continua às 9:15h com o tema “Série e sagas: a paixão dos jovens leitores” com os escritores Marcos Mota e Rosana Rios com mediação de  Zélia Versiani. Prossegue às 14:00h com o tema “Poesia para crianças: jogo e emoção” com Sônia Barros e Angela Leite de Souza com a mediação de Heloísa Davino.

Dia 18/8, às 9:15h, será a vez de debater “Leitores arrepiados: aventura e terror para jovens” com os escritores Rosa Amada Strausz e Luiz Antônio Aguiar com a mediação de Leo Cunha. Às 14:00h, o tema do bate-papo será “A ilustração que conta histórias” com Cláudio Martins e Marilda Castanha com a mediação de Flávio Fargas.

Dia 19/8, sábado, às 16:30h, o bate-papo será com a escritora Paula Pimenta.

A premiada ilustradora Marilda Castanha é a artista homenageada do Salão do Livro deste ano e, além da participação no bate-papo, ela vai apresentar exposição com algumas de suas artes.

Ainda fazem parte da programação, seminários com realização marcada para o Teatro Francisco Nunes. No dia 15/8, às 19:00h, “Para sempre era uma vez: relendo contos de fada” será apresentado por Cristina Agostinho e Ronaldo Simões Coelho com a mediação de Samuel Medina.

No dia 17/8, às 19:00h, assunto do seminário será “África: Presença na Literatura Infantil Brasileira” com Ieda de Oliveira e Rubem Filho com mediação de Celso Sisto.  No dia 18/8, às 19:00h, outro tema: “O caminho das pedras: o que as editoras publicam” com Lourdinha Mendes e Maria Mazzarello com mediação de Rosana de Mont’Alverne.

A abertura do Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais será no dia 16/8, às 10 horas, no Teatro Francisco Nunes. Após a cerimônia haverá uma apresentação da Cia.de Dança do Sesc. Quem quiser participar, deve confirmar presença no email câmara@camaramineiradolivro.com.br

Serviço

3º Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais

Data: 15 a 20 de agosto

Horário: segunda a sexta, de 8h30 às 20h; sábados e domingos: 9h às 21h

Local: Parque Municipal Américo Renné Giannetti (Av. Afonso Pena, 1377, Centro – Belo Horizonte)

Informações: www.salaodolivro.com.br ou (31) 3241-2177 – Entrada Gratuita

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“O pé de meia e o guarda-chuva”

Selo infantil da Editora Malê, o Malê Mirim, apresenta o livro de Henrique Rodrigues.

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Depois de passar por França, Bélgica, Portugal e Espanha, integrando a comitiva da Printemps Littéraire Brésilien (a Primavera Literária Brasileira), o escritor carioca Henrique Rodrigues lança, finalmente, no Brasil o seu novo livro” O pé de meia e o guarda-chuva”, que inaugura o selo infantil Malê Mirim, da Editora Malê.

“O pé de meia e o guarda-chuva” é o sétimo livro infantil de Henrique Rodrigues, que também publicou obras juvenis, de poesia e romances. Com ilustrações de Walther Moreira Santos, o livro trata do desafio de lidar com o próximo e com a diferença. “Para isso usei dois objetos que viem se perdendo: um guarda-chuva e um pé de meia”, adianta Henrique.

O livro teve uma edição bilíngue (português-francês) feita especialmente para a Printemps Littéraire Brésilien, que levou cerca de 30 romancistas, contistas, dramaturgos, poetas e ilustradores brasileiros para participarem este ano de debates, leituras, saraus literários, lançamentos de livros e oficinas de escrita criativa nos países europeus.

Aproveitando a temporada no exterior, Henrique também lançou “O pé de meia e o guarda-chuva”  no Salão do Livro de Paris, o evento literário mais popular da França.

O selo Malê Mirim tem como proposta editar livros que tratem de temas como identidade, alteridade, solidariedade e empatia, além de textos voltados para a valorização da história e cultura afro-brasileira, indígena e africana. A Editora Malê, fundada em junho de 2015, busca ampliar a diversidade cultural na literatura brasileira.

Henrique Rodrigues é formado em Letras, tem especialização em Jornalismo Cultural e mestrado e doutorado em Literatura. É autor de A musa diluída (poemas, Record, 2006), Versos para um Rio Antigo (infantil, Pinakotheke, 2007), Machado de Assis: o Rio de Janeiro de seus personagens (juvenil, Pinakotheke, 2008), O segredo da gravata mágica e O segredo da bolsa mágica (infantil, ambos pela Memória Visual, 2009), Sofia e o dente de leite (infantil, Memória Visual, 2011), Alho por alho, dente por dente (com André Moura; infantil, Memória Visual, 2012) e do romance O próximo da fila (Record, 2015).

É organizador e coautor de Como se não houvesse amanhã: 20 contos inspirados em músicas da Legião Urbana (Record, 2010) e O livro branco: 19 contos inspirados em músicas dos Beatles + bonus track (Record, 2012). É também coautor de Quatro estações: o trevo (independente, 1999) e participa das antologias Prosas cariocas: uma nova cartografia do Rio de Janeiro (Casa da Palavra, 2004), Dicionário amoroso da Língua Portuguesa (Casa da Palavra, 2009), Escritores escritos (Flâneur, 2010), Humor Vermelho vol. 2 (Vermelho Marinho, 2010), Brasil-Haiti (Garimpo, 2010), Amar, verbo atemporal (Rocco, 2012) e Vou te contar: 20 histórias ao som de Tom Jobim (Rocco, 2004).

O livro pode ser adquirido no site da editora por R$ 35,00. https://www.editoramale.com/product-page/o-p%C3%A9-de-meia-e-o-guarda-chuva

 

“Outra vez Mariana”

O que a menina desse livro mais quer é abraçar. E tem coisa melhor do que dar e/ou receber um abraço? A história narrada em versos é de Madu Costa e foi ilustrada por Artur Viana, que estreia como ilustrador aos 14 anos de idade.

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O livro “Outra vez Mariana” foi lançado pelo selo infantil da Crivo Editorial, o Crivinho. A personagem da história é sempre repreendida pela professora por causa do cadarço do seu tênis, que está sempre desamarrado. Mas o que ela mais quer é merecer um abraço e

“Pensa num jeito de resolver o embaraço.

Não quer mais ouvir a bronca por causa do tal cadarço”.

Amarre o cadarço menina ou você cai e quebra um braço”.

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Mariana vai para casa encontrar uma solução para merecer o abraço de sua professora. Com lápis e papel na mão parece que achou a solução. Passou horas no quarto, mas completou sua criação e saiu correndo. “Mariana entra na escola cheia de decisão”.

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“Estende um embrulho e abre os braços.

A professora sorri e desfaz o nó do laço.

Abre o presente, encara a aluna.

De repente, dá uns passos.

Deixa o papel na mesa e desfaz o embaraço.

Suspende a pequena do chão e a roda sem cansaço.

Mariana feliz sorri com o sonhado abraço”.

Neste dia, a menina não conquistou só a professora. Seus colegas também chegam dispostos para o abraço. E o que acontece?

“A partir de hoje, abraço é lição aqui”, afirma a professora.

Ela aprendeu com Mariana. “Um abraço apertado só faz bem ao coração”.

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“O diário de Anne Frank”, 70 anos

Este ano, a narrativa da adolescente completa 70 anos com um saldo que parece inesgotável. São mais de 30 milhões de cópias em mais de 50 línguas e presença no currículo das escolas mundo afora. No Brasil, o livro ocupa as listas dos mais vendidos. Entre livros e filmes, que se dedicam a contar e recontar a trajetória da jovem escritora, este mês a Nemo Editora lança a versão comemorativa no formato de História em Quadrinhos.

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Em 1942, Anne Frank, uma garota judia de apenas 13 anos, é forçada a se esconder com a família diante das constantes ameaças dos nazistas. Em seu diário, ela narra a própria história, privada do mundo exterior, enquanto sonha em ter sua liberdade de volta.

Por meio dele, podemos acessar os sentimentos mais profundos da garota que, presa por tanto tempo em um pequeno abrigo com outras sete pessoas, ainda se revela uma jovem engraçada, sensível e cheia de esperança.

Anne Frank não conquista a tão sonhada liberdade, mas sua história sobrevive.

“O diário de Anne Frank”, a mais conhecida narrativa do período, apesar de ser um registro pessoal, acaba por refletir experiências similares às vividas por tantos outros judeus. E, mais do que isso, tem um caráter universal capaz de emocionar qualquer leitor, mesmo após quase 70 anos de sua publicação.

A versão HQ que a Nemo Editora lança em Belo Horizonte (dia 12 de agosto, às 16:30h, à Rua Rio Grande do Norte, 477 no bairro Santa Efigênia), é uma adaptação do título O anexo: notas do diário de 12 de junho de 1942 a 1º de agosto de 1944, um relato doce e, ao mesmo tempo, melancólico da menina judia e sua experiência durante a Segunda Guerra.

A edição em HQ tem ilustrações de Mirela Spinelli, tem 96 páginas e custa R$ 37,90.

Livros combinam com tudo

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Este ano, a rede McDonalds de Belo Horizonte está abraçando a causa literária. Neste sábado, 5 de agosto, às 15 horas, vai ter a segunda etapa da campanha de arrecadação de livros junto com o lançamento de “VóVó inVenta palaVras” e “Bilô Desembolô” (ambos da Páginas Editora), no restaurante do Cruzeiro, à Avenida Afonso Pena, 3690.

Para estes eventos literários do McDonalds, a Editora Páginas promove contação de histórias, bate papo e sessão de autógrafos com os autores, além das surpresas (gostosas e alegres) que o restaurante reserva para o momento de receber pais e crianças, que por sua vez podem doar livros para a campanha e adquirir os dois lançamentos.

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O livro “VoVó inVenta palaVras” é de minha autoria, ilustrado por Maurizio Manzo e trata de um tema atual e muito delicado: as transformações dos idosos e as dificuldades da família para compreender e saber como lidar com esta fase de pais e avós. Mas com a completa doação, gratidão e muito amor é possível encontrar os caminhos certos para aconchegar quem está ao nosso lado especialmente quem amamos. Acredito que esta experiência possa ajudar filhos e netos, que amam pais e avós, mas muitas vezes não sabem mais como interagir com eles.

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No livro de Vanessa Corrêa, ilustrado por Iara Rachid, a pequena Bilô _ negra, inteligente e com olhos redondos e azuis da cor do mar _ descobre os segredinhos do corpo ao se ver no espelho e, com a sabedoria da avó, apresenta lições de igualdade, amor e respeito pelas diferenças. O livro “Bilô Desembolô” aborda a descoberta do corpo quando a personagem se vê no espelho pela primeira vez. O racismo também está presente, pois em determinado momento, a protagonista é vítima de preconceito durante um evento.

“A literatura como remédio”

downloadO jornalista e escritor Galeno Amorim, presidente da Fundação Observatório do Livro e da Leitura, promove em 31/7, às 20:00 horas, debate sobre o livro de Dante Gallian, “A literatura como remédio”. Quem quiser participar deve se inscrever no link http://conaler.org.br/webinario.

Antecipamos o tema e divulgamos uma entrevista com o autor Dante Gallian, assinada por Ana Holanda e originariamente publicada em Vida Simples, uma revista mensal sobre estilo de vida, sociedades melhores e relações mais éticas. A arte literária, assim como todas as artes, tem grande influência sobre as pessoas. O que é belo eleva, emociona, cura, alegra e faz mais feliz seus apreciadores.

 

Para o historiador Dante Gallian a prevenção para os males do corpo e o padecimento da alma está na leitura dos grandes clássicos. Ele pesquisa o poder disso há quase duas décadas e garante que Shakespeare, Machado de Assis ou Homero podem nos salvar de muitas maneiras.

Dante Gallian: "a literatura é um refúgio"

Dante Gallian: “a literatura é um refúgio”

Foi o avô, um ex-combatente da Guerra Civil Espanhola (1936-1939), quem aflorou a paixão pelos livros no menino Dante. ‘Meu avô não terminou o curso primário, mas era um grande autodidata e um apaixonado pelos livros. A única coisa que ele conseguiu trazer da Espanha para o Brasil foi sua pequena biblioteca, com autores como Pablo Neruda, Antonio Machado, Cervantes e alguns poetas espanhóis’, conta Dante, que aos 13 anos – e por insistência do avô – leu Dom Quixote de La Mancha, um clássico escrito, no início do século 17, por Miguel de Cervantes. Foi a primeira de muitas outras obras, consideradas clássicos da literatura mundial, que lhe foram apresentadas e que moldaram seus gostos e também seu destino.

Dante se formou em história e foi trabalhar com educação. Acumulou um acervo de cerca de 3 mil exemplares – ele garante já ter lido mais de mil. Como professor universitário, recebeu o convite para dar aulas de história da medicina numa grande faculdade de São Paulo, onde incorporou ao dia a dia dos alunos a leitura de livros como Admirável Mundo Novo e Frankenstein. A bibliografia se transforma em material rico para ensinar, por exemplo, bioética aos futuros médicos. Foi desse jeito, colocando a literatura na rotina das pessoas, que o projeto cresceu – existe há quase 20 anos – e se transformou, entre outras coisas, em um laboratório de leitura. Essa experiência fez brotar no professor o interesse em entender o que nos livros era capaz de modificar a vida. Foi sobre isso que conversamos.

Como um historiador foi parar na faculdade de medicina?
Há mais de 16 anos recebi o convite para montar o Centro de História e Filosofia das Ciências da Saúde na Escola Paulista de Medicina (atual Unifesp), onde posteriormente fui dar aula de história da medicina. Só que os alunos não entendiam por que aprender história numa faculdade de medicina e chamavam minha aula de “sonoterapia”. Fiquei pensando sobre como chegar naquelas pessoas. E, então, tive a ideia de xerocar pequenos textos, clássicos da história da medicina como Hipócrates, para aproximar mais a história da vida deles. Era uma disciplina eletiva e poucos a escolhiam. Então eu colocava 20 alunos sentados em roda e perguntava o que eles achavam da leitura, que sentimento aquele texto provocava neles. E passávamos por cinco minutos de silêncio sepulcral. Porque os alunos, de maneira geral e independentemente do curso, não estão acostumados a serem perguntados sobre o que acham ou sentem. Quando são incitados a participar, ficam muito intimidados porque, afinal, nunca alguém lhes perguntou isso. Mas, por mais que estejamos passando por um processo forte de desumanização, quando você dá espaço para que o outro manifeste seus sentimentos, esse sentir vem com força. E as pessoas passaram a se surpreender com as opiniões que tinham. Quando terminou esse primeiro ano de curso, um grupo pequeno pediu para se reunir comigo, num horário extracurricular, para seguir com a leitura.

O que você aprendeu nessas aulas? 
Percebi que as pessoas se surpreendiam com o fato de terem uma opinião. E, aos poucos, iam perdendo o medo de se expor e se interessavam em falar. Costumo dizer que esse é o momento de descoberta em que as pessoas percebem que gostam de ouvir sua própria voz. Porque, no início, ouvir a própria voz numa sala de aula é quase um sacrilégio. É algo que o professor já corta na hora.

Mas depois esses encontros se transformaram em algo maior…
Sim. Passei a me reunir com esse pequeno grupo na hora do almoço e ele foi crescendo, aos poucos, pelo boca a boca, e se expandiu para alunos de outros cursos como biomedicina e enfermagem. No início, seguimos analisando os textos ligados à própria medicina, mas depois abrimos para artigos de jornal e ensaios filosóficos. Até que, um dia, um aluno sugeriu que discutíssemos uma tragédia grega: Antígona, de Sófocles. E a leitura dessa tragédia teve um impacto muito forte. As pessoas leram o texto e se emocionaram e começaram a ligar aquilo com a vida deles. Lembro de uma moça que estudava enfermagem e comentou como o enredo de Antígona era a história dela. Ela, então, começou a contar um problema que teve no ambulatório, em relação a um paciente que havia morrido. A partir disso, eu me dei conta que através dessas leituras eu poderia discutir temas éticos. Indo além: isso deveria sempre fazer parte da formação não só dos profissionais de saúde mas de todos nós. Essa experiência me ajudou a desenvolver uma linha de pesquisa sobre humanização e estética, que deu origem ao Laboratório de Humanidades, que funciona dentro da Unifesp. Hoje, ele é um espaço não apenas para alunos de graduação como também para aqueles da pós-graduação e funcionários. Tenho grupos com um médico aposentado de 70 anos e um menino de 18 que acabou de entrar na faculdade.

Dá para dizer que a leitura fez diferença na vida dessas pessoas?
Sim. Alguns anos depois da formação desse primeiro grupo, entrevistei alguns dos participantes para descobrir o que estavam fazendo e de que forma aquela experiência impactou a formação profissional e de vida deles. E todos responderam que aquelas reuniões foram fundamentais, porque despertaram neles o interesse pela leitura. Os cursos da área de saúde são muito focados nos aspectos físicos e biológicos, e o fator humano costuma ficar mais relegado. Todos disseram que a leitura deu a eles um diferencial. Primeiro, porque se tornaram leitores, e não eram. Além disso, se tornaram bons ouvintes, o que é incrível.

Todo livro é passível de ser lido? 
Um livro não é um clássico à toa. Autores como Homero, Cervantes, Machado de Assis não continuam sendo lidos, relidos e reeditados séculos depois porque têm uma boa assessoria de marketing. São obras que conseguem traduzir de maneira única o que está na alma das pessoas. Isso é um clássico. E o fator tempo é decisivo, porque os anos vão passando e a obra vai ficando.

Temos autores mais modernos que podem ser considerados clássicos?
Existem obras que apresentam marcas de que possivelmente se transformarão, ao longo dos anos, em um clássico. Acabei de ler um livro do escritor Valter Hugo Mãe, O Nosso Reino, que é de tirar o chapéu. É um livro muito perturbador.

Você já abandonou alguma leitura?
Já. Existem muitos livros que não valem a pena o tempo que você dispensa para a leitura. A opção pelo clássico é o caminho seguro, mesmo que às vezes seja difícil. A leitura guiada, nesses casos, ajuda muito. É isso que faço com meus grupos, vou mostrando o que deve ser observado em cada trecho do livro e como ele pede para ser lido.

Como um livro pede para ser lido? 
Uma vez, trabalhei com um grupo a leitura da obra Odisseia, de Homero. Ninguém gostou, a não ser por uma única aluna, que achou maravilhoso. Então ela contou o segredo: leu em voz alta. Num segundo encontro, todos estavam igualmente maravilhados. Isso tem a ver com o tal exercício da escuta, de aprender uns com os outros. Um livro, nesse sentido, tem um potencial extraordinário de nos aproximar. E a leitura em grupo também é benéfica porque deixa de ser solitária e favorece os vínculos e a necessidade de estar junto. Isso é de um poder terapêutico enorme.

Como isso saiu da faculdade de medicina? 
Os encontros do laboratório para mim eram um oásis. E passei a ser um leitor voraz. Deu um colorido à minha vida. Eu tinha sempre um livro embaixo do braço e ficava na expectativa do encontro para dividir as minhas descobertas e percepções. Isso se tornou algo prazeroso e necessário. Aos poucos comecei a perceber que isso era muito mais amplo e que podia sair dos muros da universidade. E comecei a testar fora, em escolas e empresas [Dante dá aulas regulares na Casa do Saber, em São Paulo]. Algumas pessoas, no entanto, passaram a pedir um acompanhamento. E seguimos nos reunindo na casa dos alunos, onde houvesse uma sala ampla disponível. Até que surgiu a Casa Arca, um espaço que funciona numa casa no bairro de Moema (SP), onde há grupos de leitura dos clássicos, abertos ao público [a Casa Arca foi fundada por Dante e a esposa, Beatriz. O lugar tem grupos regulares de estudo dos clássicos, além de outras aulas que envolvem literatura, escrita e artes, como pintura, costura e o cozinhar.

Os livros já o salvaram?
Diversas vezes, o tempo todo. A literatura é um refúgio. O mundo em que vivemos é violento e difícil. E o livro me ajuda a ampliar a perspectiva da realidade. Porque a realidade não se resume a crise econômica e política ou mesmo a violência. A literatura, nesse ponto, é um remédio, porque ela derruba essas paredes. Através de um livro você viaja na história, na geografia e principalmente na alma e descobre coisas maravilhosas. Eu costumo dizer que não tomo nenhum remédio. Meu único remédio é minha leitura diária.