“Manu e o segredo da caixinha”

A escritora e editora Marismar Borém lançou recentemente um livro que trata das relações das crianças com suas famílias. Nesta história, a menina Manu guarda algo em uma caixinha, herança de família. Para ela é um segredo. Um dia, ela resolveu compartilhá-lo e descobriu o motivo de de os segredos nunca envelhecerem.

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A menina Manuela ou simplesmente Manu já nasceu com uma herança reservada especialmente para ela. Qual? Um segredo. Manu, então, precisa aprender a desvendar esse segredo de família.

“Você sabia que eu tenho um segredo? Está guardado em uma caixinha. É uma caixinha bem velhinha, pois ela já era guardada para mim pela mãe da minha mãe”.

Mesmo sabendo que é um segredo de família, fica a dúvida: o que está tão bem guardado nessa caixinha? Essa é a pergunta que o leitor vai conviver durante a leitura do livro em suas 27 páginas desenhadas graficamente e ilustradas por Denise Rochael.

Manu explica duas coisas:

“Os segredos nunca envelhecem”.

“Segredos são coisas importantes, que ninguém pode saber”.

Mesmo assim, a menina levou o seu segredo para mostrar para os colegas da escola.

“Mas quando abriu a caixinha… ai… ai… ai… Meus amigos perderam rapidinho a curiosidade e ainda resmungaram:

_Ah! Isso não é segredo! É tão simples!

Simples para eles, por isso Manu imediatamente explicou:

“É simples o que está na caixinha, mas foi muito importante para a minha avó, para a minha mãe e agora eu o tenho comigo. Para mim, é importante e é segredo.”

Nos tempos atuais, em que muitos jovens revelam dificuldades para conviver com os mais velhos, a reflexão que essa história oferece para as crianças é muito significativa. Entram em cena, o avô, a avó, o pai, a mãe e a criança Manu.

A menina, felizmente, reconhece o valor do seu segredo e de ter o amor de sua família, que guardou a caixinha para ela.

“Neste momento, também senti uma sensação bem gostosa dentro de mim. Uma alegria sem igual, um afeto pela minha família misturado com amor e amizade”. . .

Manu se sentiu “flutuando no Céu entre fofas nuvens azuis”. Depois da reflexão sobre os valores da família, a autora Marismar Borém pergunta:

“E você? Tem um segredo de família”?

Está na hora do leitor aprender.

images814PGEMDMarismar Borém é mineira de Montes Claros. Ela confessa que teve uma infância marcada por valiosas aventuras numa fazenda do interior de Minas Gerais. Tantas aventuras de infância rendem muitas histórias já escritas pela escritora. Tantas que ela criou e dirige uma editora, a Cora, para lançar seus livros e os livros escritos por outros autores.

A ilustradora Denise Rochael também é mineira: educadora de artes e autora de livros infantojuvenis, desde 1986.

“Manu e o segredo da caixinha” custa R$ 35,00 e pode ser comprado nesse link: https://www.coraeditora.com/product-page/manu-e-o-segredo-da-caixinha-1

A arte de contar histórias

Vanessa Corrêa leva para o curso sua experiência como uma bem sucedida contadora de histórias

 Vanessa Corrêa leva para o curso sua experiência como uma bem sucedida contadora de histórias

O blog sempre dá dicas para pais, avós, tios e professores sobre a melhor forma de contar histórias para as crianças e, assim, diverti-las e estimulá-las para o livro e a leitura. Mas, hoje, em vez de dicas, o blog vai oferecer a oportunidade dos familiares e professores aprenderem a verdadeira arte de contar histórias, através de um curso, que será realizado por uma narradora profissional, escritora, pedagoga e mestre em educação, a Vanessa Corrêa.

O curso “Brincando com as palavras, a arte de contar histórias” está marcado para o dia 5 de maio, sábado, de 8:30 às 12:30 horas, à Rua São Paulo, 1932 – 3° andar, em Lourdes, Belo Horizonte. As inscrições estão abertas, custam R$ 60,00 e podem ser feitas pelo celular 99268-6885.

“A arte de contar histórias é amiga da arte. Para o ser humano a arte é uma das formas mais expressivas para revelar os seus sentimentos e as suas emoções. A arte pode abranger um mosaico de concepções, cada qual com o seu sentido e valor, de acordo com o contexto cultural ao qual o processo artístico o transporta, e pode ser definida como: o lugar de conhecimento, de expressão, de um fazer. É uma das expressões artísticas em que a palavra é a protagonista, e o corpo, a voz, o olhar são elementos essenciais para que a palavra dita seja  degustada, enlevada e decifrada em toda a sua força e essência”, explica Vanessa Corrêa.

“Os fios que tecem as palavras formam uma trama, uma trama de histórias, que com a sua magia nos reporta a mundos intangíveis, a emoções adormecidas, aguçam nossos sentidos, nos transforma”, acrescenta a narradora de histórias. 

Vanessa explica que narrar histórias é uma forma de levar arte literária para adultos e crianças

Vanessa explica que narrar histórias é uma forma de levar arte literária para adultos e crianças

Segundo Vanessa, “contar histórias é também aprender a arte de brincar com as palavras. Que tal aprender a brincar com elas usando recursos interessantes e descobrir por meio de atividades práticas o universo de recursos para uma narração oral alegre que desperte o gosto pelo saber e pela leitura?”

O convite de Vanessa Corrêa vai ajudar os interessados a descobrirem “o mundo de possibilidades do ‘Era uma vez’…

O curso que ela preparou vai ensinar principalmente sobre:
✔Porque contar histórias é uma arte
✔Recursos utilizados para contar histórias;
✔Teatro de sombras nas narrativas
✔Momentos da narração: aquecimento, introdução, narração e fechamento;
✔Elementos que compõe a narração: expressão, voz, olhar e corpo. Brincando com as palavras

Dia de livros e rosas

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A data de 23 de abril foi escolhido pela Unesco, desde 1995, para comemorar o Dia Mundial do Livro. Isso mesmo: abril é mesmo predestinado a ser o mês dedicado às comemorações do livro: Dia Internacional do Livro Infantil (2/4), Dia Nacional do Livro Infantil (18/4) e, hoje, Dia Mundial do Livro.

Homenagear o livro em 23 de abril é homenagear também três dos maiores escritores de todos os tempos, pois se comemora nessa data, o nascimento (1564) e a morte (1616) de William Shakespeare; a morte (1616) de Miguel de Cervantes e o nascimento, em 1899, de Vladimir Nabokov. No Brasil, a data coincide com o Dia de São Jorge. A celebração acontece em mais de 100 países com grande participação de livreiros e leitores.

Sendo assim, a data estimula a realização de vários eventos ao redor do mundo. Segundo o Instituto Pró-Livro, “celebrar o livro contribui para valorizar sua importância e a de seus autores no imaginário da população de todo o mundo. A data serve ainda para chamar a atenção para a importância do livro e o direito a leitura como bem cultural essencial para a formação cidadã e o desenvolvimento humano”.

clip_image002[2]Campanha Nacional  “Livros e Rosas”

Em comemoração ao Dia Mundial do Livro, a Associação Nacional de Livrarias (ANL) apresenta o terceiro ano da Campanha Nacional “Livros e Rosas”.  Segundo os promotores, “associar livros e rosas simboliza o encontro entre o legado cultural e a comunhão entre as pessoas”.

“A ANL convida as livrarias brasileiras, para que neste dia façam uma ação de promoção à leitura, de encontro com os livros e de divulgação das livrarias como palco privilegiado desse movimento. Cada livraria oferecerá a seus clientes a quantidade de rosas que achar conveniente, conforme estimativas de frequência de público em cada loja”.

A Associação realiza um grande esforço de divulgação junto a seus associados em todo o Brasil, na convicção de tornar a Campanha “Livros e Rosas” uma ação fixa no calendário brasileiro. Também vai estimular não associados de todo o país a promoverem esta ação em seus estabelecimentos, mostrando a força de nossas livrarias.

“São Jorge de Rosas e Livros”

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“Sempre um papo”, pelo 17° ano consecutivo, lidera em Belo Horizonte uma campanha de doação de livros: “São Jorge de Rosas e Livros” e Nelly Rosa é a patrona da festa. Hoje, de 18 às 21 horas, as pessoas podem doar seus livros e então receberem rosas, no Hub Minas Digital, arena do edifício Rainha da Sucata, na Praça da Liberdade, em Belo Horizonte. Os livros arrecadados serão distribuídos para as bibliotecas comunitárias de Minas Gerais e para as bibliotecas nos presídios que estão trabalhando com o projeto Rodas de Leitura, do Servas.

Lançamento de mais um Clube de Leitura

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A Livraria Leitura escolheu a data para lançar em Belo Horizonte, na sua loja do Pátio Savassi, às 19 horas, o seu Clube de Leitura. O evento será precedido do bate papo literário “Leitura em Transformação, novas tendências de comportamento do leitor”. O clube promete novidades em relação aos demais. Tem consultoria de nomes importantes da literatura: Ana Maria Machado, Leila Ferreira, Paula Pimenta e Menalton Braff, que garantirão uma seleção de livros de qualidade. Os leitores poderão escolher entre as opções Clube Leitura Kids e Teens, Clube Leitura Adulto e Clube Leitura Família.

Surpresa no Shopping Cidade em Beagá

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O Shopping Cidade, em parceria com a Livraria Leitura, está comemorando o Dia Mundial do Livro, 23 de abril, espalhando livros cedidos pela Livraria Leitura nos bancos, bancadas de banheiro e mesas da praça de alimentação.

O objetivo é celebrar esse dia incentivando as pessoas ao hábito de ler. Os clientes que transitarem pelo mall poderão ler os livros e neles haverá uma mensagem solicitando que após o término  da leitura, os clientes doem o livro para outra pessoa ou deixem no mesmo local encontrado. Assim, conhecimento e diversão serão multiplicados para todos.

A ação é aberta a todo público do shopping e não está vinculada a venda de nenhum tipo de produto da loja associada.

Distribuição gratuita de livros

pp11Com o objetivo de celebrar o Dia Mundial do Livro e incentivar o hábito da leitura, a empresa brasileira de mobilidade urbana 99, em parceria com a Editora Todavia, hoje, está presenteando seus passageiros e motoristas com 1.400 livretos de importantes obras da literatura brasileira. Aos novos motoristas parceiros que se cadastrarem no Centro de Atendimento e Treinamento da 99 em São Paulo, serão distribuídos kits com porta-livros feitos especialmente para os carros.

Cada kit virá equipado com 45 exemplares de obras como “A gorda”, de Isabela Figueiredo, “A grande luta”, de Adriando Wilkson, “Tudo pode ser roubado”, de Giovana Madalosso e “Belchior”, de Jotabê Medeiros. Além disso, serão oferecidos dois exemplares completos de uma das obras para o motorista e um para seu primeiro passageiro.

“Em liberdade”

Editora Galera lança thriller juvenil cheio de referências pop e de política internacional.

 

51+0RjDzyXL__SX322_BO1,204,203,200_A autora Andrea Portes tem como forte característica de seus textos um humor sarcástico e esperto, além de toneladas de citações de cultura pop. Em “Liberdade”, que chega às livrarias, nesse mês,  pela Galera Editora, ela conduz o leitor habilmente por um thriller de espionagem juvenil com uma protagonista inteligente e mordaz (que parece sempre estar numa  divertida conversa informal com o leitor) e ainda cheio de referências de bandas, filmes de arte e muita política internacional.

Na trama, Paige Nolan é uma jovem extraordinária: aos 17 anos, fala diversas línguas, é faixa preta em diferentes categorias de luta e tem uma consciência política bem acima da média. Isso ela aprendeu com os pais, jornalistas e ativistas acostumados a denunciar violações de direitos humanos pelo mundo. Os dois morreram durante uma missão na Turquia ou pelo menos isso é o que Paige acredita, já que os corpos nunca foram encontrados.

Quando ela decide bancar a heroína numa lanchonete e derruba dois brutamontes com as próprias mãos, acaba chamando a atenção de uma agência de espionagem secreta. A missão designada para ela: encontrar Sean Raynes, um de seus heróis, que agora vive na Rússia, e descobrir que informações confidenciais ele anda escondendo.  Sean foi o homem responsável por expor técnicas inconstitucionais de espionagem usadas pelo governo americano – qualquer semelhança com a história de Edward Snowden não é mera coincidência. Apesar de resistente à ideia de trair o homem a quem admira, ela acaba aceitando, já que a tal agência alega ter informações privilegiadas sobre seus pais, que ainda estariam vivos.

Assim, depois de um treinamento intensivo, Paige embarca para a Rússia em sua primeira missão. Além da narrativa de thriller que prende o leitor, a autora capricha no humor em observações hilárias sobre o comportamento e a cultura russa e americana, e seus contrastes. Em meio a amizades surpreendentes, lealdades duvidosas e a perseguição da máfia russa, a protagonista vai desafiar suas convicções.

A autora, Andrea Portes, é a autora best-seller de “Anatomia de um excluído” e da graphic novel “Superbad”. Ela cresceu em Nebraska, se formou na Bryn Mawr College e mora em Los Angeles.

Trecho do livro

“Sabe quando nos filmes eles inserem uma sessão de treinamento com uma balada poderosa tocando alto durante uma montagem cheia de testosterona? E quando mostram o protagonista fracassado, meio gorducho, batendo numa carcaça de cava em algum freezer cheio de carne em local não revelado? E quando ao final de três minutos ele simplesmente meio que emerge como Hércules? Bem, isso é porque na verdade mostrar alguém treinando por um longo período de tempo, ou qualquer período de tempo para falar a verdade, é tão empolgante quanto assistir à grama crescer. Mesmo se for para uma agência secreta de inteligência do governo. Risque isso. Especialmente se for para uma agência secreta de inteligência do governo.”

Ainda sobre o Dia Nacional do Livro Infantil

A data comemorada no dia 18 de abril mereceu várias iniciativas de profissionais que atuam com literatura infantil. A Ubook (plataforma que funciona como o Netflix para vídeos ou o Spotify para música) anunciou o seu Plano Kids e, agora, as crianças poderão ouvir muitas histórias gravadas especialmente para elas. Em Belo Horizonte, a Trilha da Criança está promovendo várias atividades para incentivar o hábito prazeroso da leitura e destacar o papel da literatura infantil na formação de bons leitores.

 

imagem_release_1261379Ler para uma criança é importante não apenas para incentivar o pensamento lúdico, mas também auxilia os pequenos a expandir o seu vocabulário. Mas, na correria do dia a dia, é raro para os pais separar cotidianamente um tempinho para sentar e ler para os pequenos. Para ajudar os pais nesta tarefa, o Ubook, maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina, está lançando o Ubook Kids. A funcionalidade já existe para quem tem o plano premium do aplicativo, mas a novidade é que a partir de agora também será possível optar por assinar apenas o Plano Kids.

“A funcionalidade Kids direciona o aplicativo para uma área totalmente segura para as crianças, oferecendo um conteúdo selecionado de acordo com a faixa etária delas. Assim, filhos e pais escolhem uma história e depois é só dar o play”, explica Flávio Osso, CEO do Ubook. “No plano Kids, o usuário terá acesso ilimitado ao catálogo infantil, por um preço superacessível e diferenciado: apenas R$ 6,99 por mês”, complementa o executivo, lembrando que a assinatura mensal premium da plataforma é R$ 24,90.

imagem_release_1261383Somente em português, o catálogo do Ubook apresenta quase mil títulos infanto-juvenis, entre os quais diversas renomadas e produções de relevantes autores. Um destes exemplos são os 90 audioquadrinhos da Turma da Mônica, concebidos pelo cartunista Mauricio de Souza, que passaram a integrar a plataforma recentemente. Do premiadíssimo autor infantil Pedro Bandeira, há doze audiolivros na plataforma, entre elas ‘A Contadora de Histórias’.

Ruth Rocha, outra importante escritora brasileira de literatura infantojuvenil, cujas obras já foram traduzidas para vinte e cinco idiomas, também está presente no Ubook. “Temos nove audiolivros da Ruth, todos eles narrados pela própria escritora”, conta Albano. É também o próprio autor Ziraldo quem narra a obra ‘Menino na Lua’ no catálogo da plataforma.

Na obra ‘Em Boca Fechada Não Entra Estrela’, Leo Cunha inverte os modelos tradicionais das histórias infantis, que costumam associar os medos noturnos à infância. O autor narra as experiências de uma menina sensível que, enfrentando os temores de seus pais, descobre toda a magia e toda a beleza oferecidas pela noite. No Ubook, este livro é narrado pela atriz Rosana Garcia, a primeira Narizinho do Sítio do Pica-pau Amarelo. A obra foi considerada “altamente recomendável” pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e venceu o prêmio Adolfo Aizen, um jornalista russo naturalizado brasileiro considerado por muitos como o “pai dos quadrinhos no Brasil”, por ter sido um dos principais responsáveis pela introdução no País das histórias em quadrinhos norte-americanas, como Mandrake, Tarzan, Dick Tracy, Príncipe Valente e Flash Gordon.

Vale destacar ainda que, nesta categoria, há obras em outras línguas, como inglês e espanhol, que podem auxiliar os pequenos no aprendizado de outro idioma.

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A Trilha da Criança

Até amanhã, 20 de abril, os alunos da Trilha da Criança Centro Educacional participam de diversas atividades em comemoração à Semana Nacional do Livro Infantil e ao Dia Nacional do Livro Infantil. A data marca também o aniversário de Monteiro Lobato, considerado o precursor da literatura infantil no Brasil e da literatura paradidática, que envolve atividades de interação com a leitura. As turmas participam de exposições de trabalhos inspirados em obras literárias, rodas de histórias, apresentações teatrais, brincadeiras, dentre outras.

A biografia de Monteiro Lobato terá destaque especial na “Árvore dos autores”, um dos elementos que compõem a ambientação do espaço ao longo da semana. A Semana do Livro Infantil tem como objetivo desenvolver trabalhos de valorização do livro e incentivar a formação do hábito de leitura na infância. A literatura infantil é um caminho que leva a criança a desenvolver e ampliar o vocabulário, a imaginação, a criatividade, as emoções e os sentimentos, de forma prazerosa e significativa. Além disso, o contato com o universo lúdico desde os primeiros anos de vida estimula o intelecto da criança e o seu interesse em ler e aprender, cada vez mais.

Projeto TrilhasOs pais e a família também têm um papel importante nesse sentido. Segundo a psicóloga e diretora da Trilha da Criança Centro Educacional, Ana Paula de Rezende Bartolomeo, o desenvolvimento de interesses e hábitos permanentes de leitura é um processo constante, que deve se iniciar no lar e se aperfeiçoar sistematicamente na escola para continuar pela vida. “Muitos pais não fazem ideia, mas ler e contar histórias para os filhos não é só um gesto de amor e atenção”, reflete.

A educadora atesta que a familiaridade com o livro, que se cria quando os pais leem junto com as crianças desde os primeiros meses de vida, é muito positiva não só para o seu desenvolvimento em sala de aula. Ela explica que os primeiros estímulos podem ser oferecidos utilizando livros ricos em imagens, textos curtos e com letras grandes, texturas. Quando a criança inicia os primeiros contatos com a alfabetização é o momento ideal para se iniciar a leitura de livros com maior volume de textos, que são lidos dia a dia. Assim, além de aguçar a imaginação, incentivamos a criança a buscar outras histórias em livros por vontade própria, o que faz toda a diferença no seu desenvolvimento.

Além disso, Ana Paula salienta a importância dos pais mostrarem interesse e demonstrarem que o hábito da leitura é prazeroso. “Ler com os filhos, frequentar ambientes como livrarias e bibliotecas e manter um ambiente acolhedor ou um momento de leitura para a família, oferecer livros adequados por faixa etária, são atitudes que contribuem para a criança desenvolver o hábito de ler por prazer e com prazer”, afirma.

Dia Nacional do Livro Infantil

F20018 de abril é a data maior da literatura infantil no Brasil.

É uma homenagem ao nascimento de Monteiro Lobato e também à sua obra. Este ano, completa-se 70 anos da morte do autor, que faleceu aos 66 anos de idade, no dia 4 de julho de 1948. Para comemorarmos o Dia Nacional do Livro Infantil, este ano, o blog optou pela reprodução de uma análise muito importante da Fundação Nacional do Livro Infantil (FNLIJ) sobre o legado do pai da literatura brasileira, “Lobato sempre”! Vamos, hoje, conhecer um pouco mais sobre o autor, sua obra e o livro infantil, por que, a partir de 2019, os livros de Lobato entram em domínio público e poderão ser publicados livremente.

Segundo Laura Sandroni, uma das fundadoras da FNLIJ e autora do livro De Lobato a Bojunga: as reinações renovadas (Nova Fronteira), a obra de Monteiro Lobato foi o grande marco da Literatura Infantil e Juvenil brasileira e é a partir dela que o gênero assume em nosso país as características estéticas inovadoras que permitiriam a sua projeção nos dias de hoje no cenário nacional e mundial.

Se antecipando à data, a Fundação organizou a mesa Lobato 70 anos! Reuniu Camila Werner (editora do selo Globinho e das obras de Monteiro Lobato na Editora Globo), Luciana Sandroni (escritora) e Sônia Travassos (mestre em Educação e escritora). Cada participante do encontro abordou a obra do autor de um ponto de vista.

Camila apresentou um painel das diversas edições dos livros do escritor, através dos anos, detalhando formatos e projetos editoriais. Luciana falou sobre a adaptação do universo de Lobato para televisão em 2001, da qual participou como roteirista. Sônia apresentou uma pesquisa realizada por ela sobre como se promove a leitura do autor na escola.

A mesa apresentou um interessante retrato da obra de Lobato, permeado pelas possíveis mudanças pelas quais ela pode passar a partir do ano que vem. O encontro foi um sucesso, com grande participação do público e também de quem assistiu ao vivo pela página do Salão FNLIJ no Facebook. O vídeo está disponível no canal da FNLIJ no YouTube.

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Edições de Lobato

Camila Werner ressaltou a importância de Lobato como editor e empresário, que inovou na parte de distribuição dos livros, vendendo exemplares em locais inéditos, como mercearias, e apresentou as diversas edições da obra do autor, começando pelas publicadas por ele mesmo. Os primeiros exemplares eram de capa dura, com diferentes ilustradores.

Como editor, ele sempre renovava as edições, chamando ilustradores ativos no mercado, cartunistas ou profissionais da publicidade. Lobato tinha a visão do produto livro, destacou Camila.

Dona-benta-narizinho-e-emiliaMesmo se desligando como sócio da sua última editora, o escritor teve seus livros editados pela Companhia Editora Nacional até 1946, quando passaram a ser publicados pela editora Brasiliense. Na década de 70, a Brasiliense mudou o formato das obras, que passaram a ficar maiores, lembrando um livro didático. A partir de 2007, os direitos foram adquiridos pela editora Globo, que dividiu os títulos em três categorias: Imaginário, Reconto e Paradidáticos.

No Imaginário, estão as obras do Sitio do Pica Pau Amarelo, que começa com Reinações de Narizinho, somando oito títulos. No Recontos, estão os personagens do Lobato participando de histórias de tradição literária mundial e do folclore, entre eles O Minotauro. Os Paradidáticos abordam temas escolares, como Emília no país da gramática.

A editora Globo manteve o formato de apostila, semelhante ao que era publicado na Brasiliense, e a obra era ilustrada com imagens ligadas ao programa de TV e aos produtos licenciados. A partir de 2016, a editora retornou ao formato original do autor, voltando para visão que o Lobato tinha dos próprios livros. Foi criado um projeto gráfico novo para se distanciar do programa da televisão e chamamos um ilustrador para fazer as imagens do Imaginário, que é a que tem maior destaque, o Guazelli, porque ele tem uma atuação semelhante ao dos ilustradores escolhidos pelo Lobato, explicou Camila.

O selo adulto Biblioteca Azul da editora, para clássicos e obras de alta literatura, recebeu alguns títulos do autor para atender aos colecionadores.  Além da mudança nos selos infantis, a Biblioteca Azul relançou algumas obras em capa dura, com ilustrações dos artistas que Lobato escolheu em sua época, para o leitor que leu a obra quando criança e tem saudade daquele livro da infância, disse Camila.

Lobato na televisão

Sítio-do-Picapau-AmareloA escritora Luciana Sandroni contou sobre sua participação na terceira adaptação do Sitio do Pica-Pau Amarelo para TV, quando atuou como roteirista no programa em 2001. Luciana lembrou da primeira adaptação produzida em 1952 pela escritora e tradutora Tatiana Belinky e apresentada pelo seu marido Júlio Gouvêa na TV Tupi. Júlio abria e encerrava cada episódio com o livro da história que seria apresentada, trazendo para TV a relação de afeto entre quem lê e a criança. Depois veio a adaptação da Globo em 1977 e, em 2001, a produção da Globo queria uma adaptação fiel à obra do autor, mas ambientada nos anos 2000.

Pulei de alegria, fiel é comigo mesmo. Percebemos que uma casa fora da cidade é meio parada no tempo e esse sítio seria muito parecido com o sítio do livro.

Segundo a escritora, o programa causou impacto, porque na época os programas infantis eram de auditório, no estúdio e o verde das locações do sítio mudou esse formato. A adaptação se manteve fiel à obra de Lobato, mesmo com as histórias se passando no momento atual. A Dona Benta era uma figura muito moderna para época e muito antenada. Ela assinava jornais, recebia livros da capital, estava sempre lendo, se informando, lembra Luciana.

untitledNa adaptação havia a questão da Emília, como a personagem irreverente que tem aquele papel de falar o que não se fala, de colocar o dedo na ferida. Os roteiristas resolveram tirar algumas frases dela, porque nos anos 2000 eles acharam que a Emília não falaria assim com a tia Anastácia, por exemplo. Outra mudança foi no “Caçadas de Pedrinho”, em que o personagem mata a onça no livro. Na adaptação, caçadores estavam no Capoeirão dos Tucanos caçando onça e a turma do sítio não os deixa agir, disse Luciana.

Outro trabalho da escritora foi o livro O Sítio no descobrimento, lançado no ano 2000 pela Globo, contando as aventuras dos personagens de Lobato descobrindo o Brasil junto com o Cabral nos 500 anos do descobrimento. Foi uma segunda experiência com a obra dele. Eu já tinha escrito “Minhas memórias de Lobato” (Companhia das Letrinhas). Depois que eu reli a obra dele, acho que me identifiquei muito com essa questão de trabalhar o real através do imaginário. Quando fiz “O Sítio no descobrimento” trabalhei com história real e com os personagens do Sítio, explicou Luciana.

Lobato na escola

Para finalizar a mesa, Sônia Travassos trouxe o ponto de vista de quem trabalha academicamente com a obra de Lobato, como pesquisadora e como professora na sala de aula. Sônia também é professora dos cursos da FNLIJ de LIJ para os professores da rede municipal de ensino e sua aula é sobre Lobato. Sônia destacou o pioneirismo da obra do autor, que valorizou a inteligência das crianças, e lançou as indagações: Como lemos hoje Monteiro Lobato na escola? É possível ler a obra dele do jeito que ela está escrita?

Sônia trouxe a fala de uma professora do Colégio Pedro II que trabalhava a obra com as crianças, lendo em capítulos Reinações de Narizinho. Dentro de nossa proposta de conhecer autores brasileiros, Lobato é uma referência, é um texto brasileiro, tem nossa marca, é uma identidade. Acho que não tem como não trazer Lobato. Muitos dizem que é um texto de quase 100 anos e perguntam: as crianças ainda o leem? Sim, de outra maneira, mas leem. Eu acho um texto primoroso, a gente vai lendo fragmentos e contando do nosso jeito outros pedaços. As crianças vão até o livro, buscam, disse a professora.

Segundo Sônia, a leitura do Lobato, hoje, na escola, é muito atravessada pela experiência que as crianças já têm da televisão. No Pedro II, onde assistiu aulas das crianças lendo as obras, pôde observar o que acontece: A professora distribuiu vários livros do Lobato e me aproximei de um menino e perguntei se era bom ler sozinho. Ele me respondeu que sim e perguntei se ele lembrava do vídeo que tinha assistido na semana anterior. Ele também disse que sim e que estava lendo uma parte que não aparecia no vídeo. Sônia acredita que os livros de Lobato podem provocar esse diálogo das crianças com a obra e com o outro, além da identificação delas com os personagens.

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Domínio público

Sônia também questionou o que se pode esperar da obra do autor, quando entrar em domínio público. Novas edições de texto integrais do autor, projetos gráficos diferenciados, novos ilustradores. Mas também novas edições com textos adaptados – os textos das obras serão reduzidos?

Eu acredito que vai ter gente que vai diminuir os textos, porque vai achar que a criança de hoje não vai ler o texto longo. Eu não concordo, mas acho que vai acontecer. A linguagem será facilitada? Com certeza e também não concordo, porque a linguagem é provocadora dos sentidos. Passagens que envolvam algum tipo de tensão, preconceito, serão retiradas, tentando tornar a obra politicamente correta? Essas seriam demandas da escola?

Novas narrativas com a turma do sítio, em outros suportes? Já acontecem e vão continuar acontecendo. Poderão estimular a leitura da obra original? Essa é a grande pergunta. São muitas as indagações, vamos continuar conversando, finalizou Sônia.

Para FNLIJ, Monteiro Lobato criou uma obra completa para crianças, abordando três aspectos fundamentais: a ficção; as histórias clássicas da literatura, revisitadas por meio de seus personagens, e o incentivo ao estudo ao lidar com as matérias escolares nos seus títulos de maneira didática. Isso é inédito no mundo.

Em títulos como Dom Quixote das Crianças, Lobato dá uma aula de como ler uma obra clássica para os pequenos, despertando o interesse pelo personagem de Cervantes e ao mesmo tempo em que convida para ler o livro original do autor.

Booktubers levam livros para o YouTube

Eduardo Cilto é dono de um dos canais literários mais conhecidos: "Perdido nos livros"

Eduardo Cilto é dono de um dos canais literários mais conhecidos: “Perdido nos livros”

Daniela Pegoraro *

Ao abrir um livro, as palavras podem levar o leitor a lugares distantes, desde os trapiches da Bahia de Jorge Amado à escola de bruxaria de J.K Rowling. São diversos gêneros e infinitas histórias para o gosto de cada um. Hoje, os fãs de literatura se organizam em grupos e plataformas digitais para troca de ideias. Um desses espaços é o YouTube, onde canais literários fizeram tanto sucesso e chegaram a um número tão grande de seguidores que as editoras viraram seus olhos para eles. Os chamados booktubers são os produtores de conteúdo que fazem críticas, resenhas, comentários ou discussões por meio de vídeos sobre o que leem.

“Comecei o canal em 2012 como um hobby mesmo. Queria falar sobre livros e não tinha ninguém para conversar sobre o assunto. A coisa saiu do meu controle, porque isso acabou virando meu trabalho (no YouTube, as visualizações são monetizadas)”, conta o andreense, com cerca de 320 mil inscritos. “Não tem um ponto principal do que eu procuro trazer aos vídeos, mas sempre tento manter o formato do meu canal, que é ser dinâmico. Sempre me preocupo em trazer conteúdo, algo que vai fazer diferença para a pessoa”, acrescenta. Em seu canal, também dá dicas de séries e filmes voltados ao público jovem.

É justamente esse perfil que as editoras tentam alcançar por meio de parcerias com os booktubers. Em nota, a editora Rocco explicou que o mercado da literatura juvenil cresceu logo após o fenômeno Harry Potter e não são todos os lançamentos que encontram espaço na mídia comum, “daí a importância dos blogs, canais de YouTube e redes sociais voltados para este universo, que abriram um novo canal de comunicação entre as editoras e os leitores”.

A Rocco ainda acrescenta que isso não substitui a importância de um crítico tradicional. “A crítica consagrada é uma chancela importante, que dá prestígio ao livro. A crítica dos booktubers é uma leitura não especializada, sujeita a preferências pessoais, mas que serve de referência para grande parte dos leitores.”

Juliana Poggi é a detentora do canal "Jotapluftz"

Juliana Poggi é a detentora do canal do YouTube “Jotapluftz”

A relação entre a editora e os booktubers se dá de maneiras diferentes, como explica Juliana Poggi, 28, de Santo André. Detentora do canal Jotapluftz, começou em 2011, como uma extensão de seu blog literário, e hoje atua com mais de 16 mil inscritos. “O padrão é trabalhar com o que eles chamam de parceria. As editoras fazem uma seleção entre os interessados e disponibilizam catálogo ou lançamentos em troca de resenhas. É muito raro que elas invistam dinheiro nos canais”, explica. Juliana chega a receber seis livros por mês, mas relata que é impossível ler todos só nesse tempo.

A atenção das editoras com os booktubers vai para além da simples parceria. Eduardo Cilto, por exemplo, está lançando sua segunda obra fictícia, Submerso (Editora Outro Planeta, R$ 30, média). “Em Submerso me inspirei muito na minha vida e em tudo que não consegui falar e queria contar em Traços, meu primeiro livro”, explica. A história é sobre Dimitri, protagonista que não se encontra quando se olha no espelho. Dividido entre rotina atarefada no colégio e o trabalho em antiga locadora, o jovem acaba tendo um surto. É quando ele é levado a um acampamento para ‘desajustados’, que acaba se mostrando ser muito mais complexo.

*  Jornalista do Diário do Grande ABC – SP

“O livro de fazer ideias”

Lançamento da Panda Books traz 20 projetos criativos para crianças e adolescentes se divertirem e quem ensina a colocá-los na prática é o apresentador de TV e ator, Daniel Warren, que resolveu compartilhar os segredos de suas brincadeiras, dessa vez, com os jovens leitores.

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  “Vamos fazer arte?”

Quem convida é Daniel Warren, ator de 40 anos, que interpreta o conselheiro Orlando na novela “Deus salve o rei” da TV Globo. O autor de “O livro de fazer ideias”, que foi lançado ontem, no Rio de Janeiro, também é muito conhecido pelo programa Art Attack, do Disney Channel, e pelo Click, do canal Gloob/Globosat, duas atrações infantojuvenis da TV paga que também ensinam as crianças a fazerem arte e brincar. O livro reúne as melhores lições, entre as mais de 8 mil, que ele apresentou em 15 anos de trabalho.

Como professor e artista, Daniel Warren, leva sua vida investigando como usar e aumentar sua criatividade. Nessa pesquisa, ao longo de anos, experimentou e trocou muitas ideias e descobriu atividades que agora quer compartilhar com o público. No livro, o jovem leitor aprende a desenhar um pavão usando os pés, a construir um restaurante de passarinho com materiais recicláveis, a fazer super-heróis com palito de sorvete, a criar um mapa do tesouro personalizado e muito mais.

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Você vai reparar que muitas vezes as ideias do autor têm a ver com uma situação que aconteceu com ele. Em uma delas, estava no restaurante de um amigo e teve a ideia de montar um pequeno veleiro usando rolhas e palitos de dente, além de outros materiais básicos. O veleirinho ficou tão charmoso que ganhou lugar de destaque na decoração do restaurante. No livro, a técnica é ensinada passo a passo, sempre com muito humor e  em uma linguagem própria para crianças e adolescentes. O design caprichoso de Thomaz  Meanda, com o uso de cores, recortes e montagens, deixa tudo ainda mais fácil.

A obra traz também dicas para o uso de diferentes tipos de cola, tintas e canetinhas coloridas. Mas o autor deixa claro que o caminho da criatividade é livre. A ideia é que, além de seguir as etapas de cada atividade, o leitor se sinta instigado a bolar seus próprios projetos, incrementando as propostas apresentadas com um toque pessoal. Prepare-se para virar um craque em criar muitas outras brincadeiras!

imagemTrecho do livro

“Nada melhor do que tomar um picolé no calor, não é? Pois hoje eu descobri uma ideia que faz a gente tomar muitos e muitos desses sorvetes deliciosos e refrescantes. Eu explico: para este projeto são necessários vários palitos para criar super-heróis muito divertidos! Lembrete: chupar o picolé antes da atividade…”

Daniel Warren nasceu em São Paulo. É ator, professor, produtor cultural e desenvolve projetos destinados ao público infantil há 20 anos. “O livro de fazer ideias” tem 64 páginas, custa R$ 44,90 e pode ser comprado no site da editora https://www.pandabooks.com.br/o-livro-de-fazer-ideias

“Que amores de sons”

Lançamento da Editora do Brasil tem ilustrações belíssimas e uma história de amor.

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Ao abrir o livro de Alexandre Honrado e Penélope Martins, logo somos arrebatados pelas belíssimas imagens criadas pela ilustradora espanhola Nívola Uyá. À medida que folheamos, o texto dos autores nos envolve pela criatividade de uma personagem capaz de ouvir a natureza e os barulhinhos ao seu redor, os quais geram ricas onomatopeias.

“Era uma mulher que gostava de barulhinhos”…

Quando andava, seus passos eram assim: zzzzuuut, toc toc toc, toc toc toc zuc

Quando cantava, era assim: zuca bazaruca, zás cataprás

E quando cozinhava? Era assim que seu fogão fazia: crispiti flacti crispiti crect

Gostava de apanhar o “que andava caído e que a natureza já não usava”.

“Agarrou umas pétalas coloridas e pôs na cabeça. Mais uns raminhos de silva _ e pôs na cabeça. E umas folhas secas, uma cebola madura, meia melancia que estava na beira da estrada… Fez um penteado lindo. Olhou para a sua imagem numa pocita de água”.

Sentiu-se enfeitada e bonita.

No caminho, surge outro personagem que também gostava dos barulhinhos. Um homem nem “magro, nem gordo, nem bonito, nem feio”. Que cantava e batucava, escrevia poemas. E que num certo momento se encontrou com a mulher.

Feitos um para o outro. Mas como seria reunir duas pessoas de tantos sons e de tantas cantorias?

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De acordo com a autora, a utilização dos recursos onomatopeicos é uma forma de expressar a singularidade dos personagens sem se atentar apenas aos estereótipos e características físicas. “Nossos barulhinhos são nosso jeito de expressar ideias, de rir, de deixar a tristeza vir para fora, de contar nossas histórias. Nesse território do sentir, somos iguais: nem altos, nem baixos, nem velhos, nem moços; somos humanos”, acredita Penélope Martins.

Ela conta que a criação do personagem surgiu a partir da tentativa de descrever uma mulher que conheceu e que a tocou profundamente por sua forma particular de estar com no mundo. “A singularidade de cada um de nós. Senti-me observadora daquela estranha que me emocionara, por isso descrevi um homem a observando e mandei para o Alexandre Honrado (que é de Lisboa), com o desejo de que continuássemos a história do encontro dos personagens, cada qual ao seu modo e os dois dispostos a contemplar os pequenos milagres da vida”, detalha.

Para emoldurar a narrativa e contemplar a singela história de afeto, cenários deslumbrantes foram criados pela ilustradora Nívola Uyá. “Ela veio com um olhar poético, de largo horizonte, fundindo culturas e atravessando gerações. Nívola conseguiu, com suas imagens, colorir o som do vento percorrendo os cabelos daquela mulher já madura”, completa Penélope.

“Que amores de sons” tem 40 páginas, custa R$ 47,30 e pode ser comprado nas principais livrarias do Brasil.

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Como incentivar a leitura através dos ‘games’

Você já ouviu falar em Gamificação? Esse termo é originado da palavra inglesa Gamification, que mescla o design de games com a ideia de trabalhar princípios utilizados nos jogos para criar engajamento em diversos contextos – entre eles, a leitura. Débora Garofalo, Gislaine Batista Munhoz, da Nova Escola, nos ensinam a respeito dessa arte.

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As estratégias de gamificação permitem que crianças e adolescentes atuem como protagonistas e também autores. Essa metodologia ativa ajuda a promover o protagonismo e engajamento. Considerando que o objetivo seja promover a leitura, você pode começar com narrativas curtas, que explorem uma fábula. Após promover a leitura do texto, explique aos alunos que há elementos da história espalhados pela escola e que a missão deles é encontrar as pistas que levarão ao objetivo final.

Ao participar de uma ação gamificada, que faz uso de QRCodes, por exemplo, os alunos terão de decifrar pistas e missões escondidas nesses códigos. De forma lúdica, os estudantes são incentivados não somente a ler, mas encontrar sentido no que leem, inserindo essa leitura num contexto maior que é o enredo da própria gamificação.

Esse é apenas um exemplo: poderia ser outra disciplina, outra ideia nem utilizar QRCodes. O importante é apresentar uma atividade em que os alunos possam explorar os espaços da escola em busca de pistas a serem decifradas. As pistas podem ser colocadas em cartas, caixas de papelão ou até mesmo objetos. O formato pode ser de uma caça ao tesouro ou de pequenas missões, que exigiriam primeiro uma pesquisa na internet ou livros da escola. Percebeu como funciona? O tempo todo os alunos são instigados a trocar ideias com os colegas, rever o objetivo do jogo, ver se a pista encontrada faz sentido.

Assim como ler não é somente decodificar, participar de uma atividade que faz uso de gamificação não é apenas desvendar pistas: é preciso contextualizar o que está sendo proposto, entender o todo. A vantagem é que na gamificação isso é feito de forma lúdica, divertida, promovendo imersão, protagonismo e autoria.

Quem não se sente motivado a descobrir a solução para um mistério? A gamificação incentivará alunos a vivenciar essa lógica da experimentação e descoberta, que podem ter como suporte narrativas, textos curtos ou longos, dependendo da proposta e da intenção do processo.

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Confira a seguir algumas dicas para gamificar em sala de aula

1- Referências: É importante que o professor traga referências de jogos, desenhos animados, filmes e histórias para ampliar a imaginação e criatividade dos estudantes.

2- QRCode: É um código de barras bidimensional que pode ser facilmente escaneado, a partir de programas gratuitos adquiridos nas lojas de aplicativos para celulares e/ou tablets. Esse código é convertido em texto (interativo). Você pode esconder pistas e propor aos alunos que usem seus celulares para descobrir o significado oculto em cada QRCode. Imagine, por exemplo, que você esteja trabalhando algum ponto da história do Brasil. Mostre aos alunos uma imagem desse período e aponte em qual ponto da imagem estará o QRCode para desvendar uma pista que compreenda o entendimento do tema. O mesmo pode ser feito para trabalhar o enredo de uma história, utilizando a própria ilustração da obra.

3- Objetivos: É importante determinar qual o objetivo para a aplicação do jogo, definindo uma lista com as habilidades e competências que se pretende alcançar com o processo. No caso de uma narrativa de leitura, explore repertório, conhecimento sobre o assunto, inferências e os aspectos que não estão implícitos, mas que fazem toda a diferença para compreensão de um enredo.

4- Tema: Junto aos estudantes escolha um tema, ideia, desafio ou narrativa de leitura, que será utilizada até o final do processo de aprendizagem, amarrando bem todas as etapas.

5- Jogo: Realize um roteiro com a estrutura do jogo, desde o seu início, até as atividades práticas. Por exemplo: se você escolheu uma fábula para trabalhar com os estudantes, repasse as informações necessárias e deixe que cada equipe produza um tabuleiro com um formato de trilha. Ao cair em determinada casa, o jogador deverá responder perguntas sobre a fábula ou resolver alguma questão sobre o assunto.

6- Materiais: Explore os mais diferentes tipos de materiais, que vão de cartolina, papelão, canetinha, massinha de modelar, material de sucata e o que mais vier. O importante é vivenciar uma aprendizagem criativa.

7- Aprendizagem: Converse com os estudantes sobre as atividades de aprendizagem, realizando conexões com a narrativa ou currículo estudado. Você deve determinar o que é necessário ser lembrado e tratar das questões que vão facilitar a compreensão do grupo.

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8- Grupo: Trabalhar com a gamificação é estimular a cooperação entre os alunos, trabalhando questões como igualdade, ética e resolução de problemas.

9- Espaços: Você e seus alunos podem ocupar espaços variados da escola. Dessa forma, você criará um vínculo de pertencimento, além de oferecer liberdade no processo de construção da aprendizagem.

10- Gamificação na Educação: Esse e-book aborda vários aspectos da gamificação na educação. A organização é de Luciane Maria Fadel, Vania Ribas Ulbricht, Claudia Batista e Tarcísio Vanzin.

11- Objetivo da aula: Defina o objetivo da aula e o que pretende alcançar com a gamificação. Por exemplo: você pode unificar as áreas do conhecimento com uma caça ao tesouro, desenvolvendo o senso de colaboração entre os alunos. Com os estudantes divididos em grupos, eles vão pensar de forma colaborativa e desenvolver habilidades e competência crítica, cognitiva, integrando as áreas do conhecimento.

12- Acolhimento: Diga aos alunos para formarem grupos e explique como serão as missões que eles terão de cumprir, se serão pistas ou se você dará dicas. As pistas poderão estar expostas ou ocultas dentro de caixas. Procure utilizar recursos tecnológicos, como QR Code, celular e ou papel. A cada pista desvendada poderá ser dado um parte do avatar/personagem para montar. Ganhará a gamificação o grupo que conseguir resolver as questões e montar o seu avatar.

13- Avatar/Personagem: Crie personagens ou avatares com os alunos. Você pode sugerir personagens da obra ou tangram.

14- Roteiro: Estabeleça o roteiro a ser cumprido  juntamente com a as missões a serem desvendadas pelos estudantes. A ideia é despertar a curiosidade, aguçando e correlacionando o objeto de ensino a ser estudado.

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Depois de experimentar uma experiência de gamificação, os alunos normalmente ficam mais curiosos e se sentem motivados a criar suas próprias atividades. Para quem assiste de fora, esses enredos poderão parecer estranhos por não contarem com um repertório que conhecemos (histórias fantásticas de filmes, desenhos, animações, jogos).

O importante é não perder de vista esse primeiro insight criativo. Deixe que a garotada escreva, faça “tempestades de ideias” na lousa, esquemas em papeis. Incentive os alunos a criar de maneira colaborativa. Para aqueles que ainda não dominam com desenvoltura a escrita incentive o uso de desenhos para expressar ideias. Vale até registro em áudio e você pode pedir que eles escolham alguém do grupo para fazer esse registro.

À medida que o texto vai sendo escrito, você poderá ajudá-los a perceber se o projeto faz sentido. Ensine a turma a revisar e dê dicas para que eles possam vivenciar estratégias diferentes de gamificação. Com isso, as pistas ganharão mais complexidade e os alunos aumentarão seu repertório e vivência.