“A mamãe é punk: crônicas da adolescência”

Após o sucesso do best-seller “A mamãe é rock”, a jornalista Ana Cardoso dá uma guinada para o universo adolescente e, de forma divertida e com muita informação, convida as mães e pais a entenderem e lidarem da melhor forma possível com essa fase que exige nervos de aço.

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A mamãe é rock, o papai é pop e as meninas estão crescendo. Depois de vender mais de 200 mil livros falando sobre as suas filhas, o casal Ana Cardoso e Marcos Piangers tem um novo desafio pela frente: a adolescência de sua primogênita. Anita está com 13 anos e, assim como milhões de outros nessa fase, começa a ter suas crises de mau humor, preguiça, sono exagerado, se fechar no quarto. Para encarar da melhor forma possível o que vem pela frente, a escritora Ana Cardoso mergulhou de cabeça em livros de neurociência, conversou com especialistas e entrevistou mais de cem mães. O resultado é “A Mamãe é Punk”, publicado pela editora Belas Letras, que chega às principais livrarias nesse mês de abril: um guia divertido e muito útil para quem tem filhos que não lêem mais gibis da Mônica, os maiores de 12 anos.

O livro deve seguir o caminho de sucesso dos anteriores: já foi lido e recomendado pelos pais mais influentes do Brasil na atualidade: Marcos Piangers, do Papai Pop; Helen Ramos, Hel Mother, Thaiz Leão, do Mãe Solo, e Thiago Queiróz, do Paizinho Vírgula. O prefácio é assinado pela escritora Clara Averbuck.

“Não estava nos meus planos escrever mais um livro sobre maternidade, mas me dei conta que meus textos sobre a pré-adolescência da Anita aguçavam muito a curiosidade de pais que estão vivendo esta fase”, conta a jornalista e socióloga, que nasceu em Curitiba, morou em Florianópolis, passou 10 anos em Porto Alegre com o marido Marcos Piangers e as filhas Anita e Aurora, e agora vive pra cima e pra baixo dando palestras e envolvida com projetos de educação e feminismo.

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Entre os assuntos abordados estão temas que muitas mães têm dificuldade de conversar com os filhos, como a relação com drogas, sexo, envio e compartilhamento de nudes, abuso sexual e o respeito entre os pares, independente do gênero. A autora também dá dicas de como entender e ganhar a confiança dos filhos e ensina que, às vezes, tudo se resolve num simples abraço. Sem muitos termos técnicos, explica o funcionamento do cérebro dos adolescentes, mostrando, entre outras coisas, que aquele papo de que os jovens são multitarefas é balela: a televisão, o videogame e o celular juntos com a lição de casa não funcionam.

Ana Cardoso nasceu em Curitiba, graduou-se na PUC-PR, morou em Florianópolis, formou-se mestre em Sociologia Política na UFSC. É escritora, autora de três livros, entre eles o best-seller “A Mamãe é Rock”, é fundadora e coordena o projeto cultural Bonne Chance, trabalha na startup Canal Bloom, uma plataforma socioeducacional voltada à primeira infância, escreve para a revista Pais&Filhos, palestrou duas vezes no TEDx e está sempre inventando moda nos poucos minutos livres. www.anaemiliacardoso.com

“A mamãe é punk: crônicas da adolescência” tem 112 páginas e custa R$ 34,90.

Estudos sobre Monteiro Lobato

Quatro colégios mineiros lançam o projeto “Minha leitura da leitura” para estudar obras de autores consagrados da literatura infantojuvenil, começando por Monteiro Lobato por ser o patrono do livro infantil.

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Em integração com uma importante plataforma online chamada “Árvore de Livros”, que já rendeu prêmios para alunos do Colégio Franciscano Sagrada Família, em Belo Horizonte, a Rede Clarissas Franciscanas, que abrange também o Colégio Franciscano Santo Antônio (Curvelo/MG), Colégio Franciscano Regina Pacis (Sete Lagoas/MG) e Colégio Franciscano Imaculada Conceição (Governador Valadares/MG) lança agora o projeto “Minha leitura da leitura”, tendo como base a obra “Doze trabalhos de Hércules”, um clássico nacional do escritor taubateano Monteiro Lobato.

A iniciativa, que visa promover o intercâmbio literário entre as unidades da Rede é direcionada para alunos do 5º e 6º anos do Ensino Fundamental, objetivando o incentivo à leitura, as habilidades de interpretação textual e apropriação da narrativa. Para a realização do projeto, os alunos irão produzir trabalhos diferentes que conversem com a obra sugerida, no qual a criatividade será o grande desafio. Desenhos, fotografias, músicas, performances, entre outros tipos de releituras, serão especialmente bemvindos, desde que contenham interação com o livro. As criações serão expostas na “Mostra Cultural” que será realizada no segundo semestre de 2018 nas escolas da Rede.

imagesAinda no decorrer do projeto, os alunos participarão de uma videoconferência mediada pela coordenadora da Árvore de Livros, com o intuito de compartilhar experiências de interpretações e também realizarão uma pesquisa sobre os temas que atravessam a obra tais como Mitologia e os famosos personagens criados por Monteiro Lobato como Pedrinho, Narizinho e Emília.

Para Ilton de Oliveira Chaves, Gestor Pedagógico da Rede Clarissas Franciscanas, o projeto “Minha leitura da leitura” é mais uma iniciativa que desperta o interesse das crianças e adolescentes pela leitura, valorizada pela rede em todas suas vertentes, desde a descoberta do livro no infantil até a importância da mesma para a redação no Enem, compartilhando com a opinião da escritora Alexandra de Almeida que afirma que a leitura não pode ter um engessamento habitual, sendo necessária a liberdade pela brincadeira com as palavras para recriar o universo simbólico das mentes criativas das crianças.

As novidades para o fim de semana

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Lançamento: “O mistério da figurinha dourada” – São Paulo

Hoje, 6 de abril, às 19h, a Panda Books lança na Livraria Leitura do shopping Parque Dom Pedro (Av. Guilherme Campos, 500 – Jardim Santa Genebra, em Campinas), “O mistério da figurinha dourada”, do escritor Marcelo Duarte. Conhecido por assinar a coleção O Guia dos Curiosos e ser um louco por futebol, o jornalista traz uma curiosa história repleta de aventura e com um tema bastante presente na vida de crianças e adolescentes brasileiros: a febre dos álbuns de figurinhas na época da Copa do Mundo.

“O mistério da figurinha” dourada é estrelado por um simpático grupinho de pré-adolescentes que adora colecionar figurinhas. O novo álbum da Copa do Mundo trazia uma promoção especial: quem encontrasse a figurinha dourada ganharia uma viagem para assistir aos jogos de graça! Não tardou para que a preciosa figurinha aparecesse nas mãos de um felizardo, mas… em um instante, ela foi roubada. Para desvendar esse mistério, os amigos fizeram uma lista de suspeitos e deram início à investigação. O culpado, porém, estava mais próximo do que eles imaginavam.

image009Marcelo Duarte faz uma homenagem a esse lúdico hobby que passa de geração para geração. Ele, que completou seu primeiro álbum de figurinhas de Copa do Mundo em 1970, quando tinha quase seis anos, tem guardado todos os álbuns de Copas de lá para cá. Agora a curtição é colecionar os cromos com seu filho mais novo, o Antonio, que nasceu na primeira rodada da Copa de 2006, e que virou personagem desta história.

Com linguagem leve e leitura rápida, próprias de um autor experiente em escrever para o público jovem, o texto é, ao mesmo tempo, divertido e intrigante – difícil parar a leitura até que o mistério central seja solucionado. Aos mais atentos, sobram referências a clássicos infantojuvenis, como A Fantástica Fábrica de Chocolates, de Roald Dahl, e O Gênio do Crime, de João Carlos Marinho, a quem o livro é dedicado.

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Lançamento “Vivendo Uma Vida Autêntica 2” – Belo Horizonte

Chega às principais livrarias e lojas do país o mais recente livro do youtuber Marco Túlio: “AuthenticGames – Vivendo Uma Vida Autêntica 2” (Editora Astral Cultural, 112 páginas). O livro é uma sequência da obra em que o youtuber narra a história de criação do canal. De lá para cá, foram muitas aventuras e conquistas, como a turnê pelo Brasil e a chegada aos 10 milhões de inscritos. No novo livro, os bastidores dessa trajetória são contados “em um papo aberto e direto com os fãs”.

Marco TúlioO lançamento em Belo Horizonte do livro “AuthenticGames – Vivendo Uma Vida Autêntica 2” será, amanhã, 7 de abril, a partir das 15 horas, na Escola Happy Code By AuthenticGames (Avenida Professor Mário Werneck, 1550, Buritis). Para a segurança dos fãs, a escola em parceria com a livraria Leitura, vão distribuir 500 senhas (pulseiras) para quem adquirir o livro com antecedência na escola e no dia do evento. As pulseiras dão direito a um autógrafo, são pessoais, numeradas e intransferíveis. Fotos de celular e câmeras pessoais serão permitidas no momento do autógrafo, desde que realizadas por pessoa indicada pela organização do evento, selfies e gravações de áudio na mesa de autógrafos não serão permitidas.

A expectativa da editora Astral Cultural, responsável pela distribuição, é que a obra acompanhe o desempenho dos outros cinco livros publicados, que já ultrapassaram a marca dos 600 mil exemplares vendidos. A tiragem inicial é de 50 mil exemplares, com preço sugerido de R$ 30,00.

Aos 21 anos de idade, o mineiro Marco Tulio, sempre apaixonado por games, se tornou um fenômeno da internet com o Canal AuthenticGames no You Tube. Marco Túlio também é um sucesso em outros segmentos. Artista da Sony Music, seu DVD em desenho animado “AuthenticGames e seus amigos” foi “disco de ouro” na pré-venda e está, desde o lançamento, entre os três DVDs mais vendidos do Brasil. A marca ainda possui linha de roupas de cama, bonecos, uma escola de programação em Belo Horizonte  e, recentemente, assinou contrato com a Caras para o lançamento de uma série de revistas em quadrinhos.

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Passeio Trilha da Criança  – Belo Horizonte

Uma manhã de alegria e muitas brincadeiras. Essa é a proposta da Trilha da Criança Centro Educacional para a atividade gratuita que será realizada amanhã, 7 de abril, no Parque JK (Av. dos Bandeirantes, 240 – Sion, Belo Horizonte). Das 9h às 12h, a programação terá brincadeiras diversas, capoeira, música e a participação do Quintal da Guegué, com contação de histórias e diversão.

“É uma oportunidade para que pais, crianças e educadores tenham um momento prazeroso e de interação, no espaço acolhedor que é o Parque JK. Atividades como estas são extremamente positivas para o desenvolvimento social, criativo e emocional das crianças e para que a comunidade escolar fique cada vez mais integrada”, afirma a diretora da Trilha da Criança, Ana Paula Bartolomeo.

Foto de Guto Muniz – Divulgação

Foto de Guto Muniz – Divulgação

Teatro –  “Branca de Neve” – Belo Horizonte

O clássico infantil é tema novamente do teatro, através da Cyntilante Produções, e ficará em cartaz em Belo Horizonte, no período de 8 a 29 de abril, aos sábados e domingos, de 1h às 17:30h, no auditório do Pátio Savassi (Avenida do Contorno, 6061, Piso L3, Savassi).

Esta é mais uma adaptação do conto de fadas originário da tradição oral alemã, que foi compilado pelos Irmãos Grimm e publicado entre os anos de 1812 e 1822.

A apresentação de 40 minutos é perfeita para agradar a todas as faixas etárias. Os personagens sairão dos livros de histórias para contar, cantar e encantar o público. De maneira interativa, as crianças também são convidadas para ajudarem a contar a história, fazendo da apresentação um momento de muita diversão.

As músicas são cantadas ao vivo pelos artistas, o que promete também muita emoção para os adultos. Uma maneira inovadora de revitalizar os clássicos da literatura e garantir o entretenimento das crianças!

Adaptação, direção e iluminação de Fernando Bustamante. No elenco: Raíssa Alves, Alex Alves, Sheyla Barroso. O cenário é de Cynthia Dias e o figurino de Ricca Costumes.

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Espetáculo “A viagem do barquinho” – Belo Horizonte

Em uma viagem emocionante atrás de seu barquinho, o menino, uma lavadeira e toda a peça conseguem ensinar e repassar valores sobre amizade, tempo e, principalmente, sobre as mudanças que ocorrem na vida de todos. O espetáculo infantojuvenil “A viagem do barquinho” conta com vários personagens incríveis e uma história que prenderá o espectador por todo decorrer da peça. Sua apresentação acontecerá no dia 7 de abril, às 16h, no Museu dos Brinquedos, Av. Afonso Pena, 2564.

Por trás deste espetáculo está o grupo Coletivo Itinerâncias, que já passou por Belo Horizonte com a mesma peça em 2015, 2016 e 2017 e também por outras cidades como Juiz de Fora, Contagem, Sabará e Feira de Santana, na Bahia. O grupo está sempre buscando atingir todos os tipos de públicos e busca sempre levar diversão e ao mesmo tempo o resgate de valores e sentimentos. Entrada: R$ 24 (inteira) R$ 12 (meia) para permanência no local.

Além da peça, durante todo o horário de funcionamento do Museu (das 10h às 17h) é possível conferir a exposição histórica de brinquedos do acervo do Museu; exposição itinerante “Gambiogame – História e desafios dos jogos eletrônicos”; pátio de brinquedos e brincadeiras; oficinas de brinquedos tradicionais; e brinquedoteca.

“Precisamos de professores leitores!”

O blog do Galeno Amorim publicou uma entrevista com a educadora Pilar Lacerda, que já foi ex-secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, e que merece a atenção de todos que se preocupam com a formação das crianças. Hoje, vamos publicar essa entrevista e você vai ler que a educadora enfatiza uma preocupação geral e recorrente: “o pulo do gato para se formar uma geração de novos e bons leitores passa, necessariamente, pela formação do professor. O problema, diz, é que a maior parte dos professores não é leitor”. Leiam a entrevista.

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Para a educadora Pilar Lacerda (fotos), Diretora da Fundação SM Brasil, o grande problema para formar uma geração de novos e bons leitores é que a maior parte dos professores não é leitor. Com a experiência de professora de sala de aula, ex-secretária municipal de Educação de Belo Horizonte, ex-presidente da Undime (União de Dirigentes Municipais de Educação) e ex-responsável no MEC pela Educação Básica no país, Pilar faz uma avaliação contundente e reforça o coro: “precisamos de professores leitores”.

Depois de ter passado desde a sala de aula até o comando das políticas públicas, tanto no âmbito local quanto no nacional, qual é, na sua opinião, o pulo do gato para a escola brasileira conseguir formar leitores que gostem de ler mesmo depois de estarem distantes dos bancos escolares?

Pilar Lacerda: A primeira questão a pontuar é a formação do professor. Precisamos ter professores leitores para que essa atividade em sala de aula seja prazerosa e a maior parte dos professores não é leitor. O segundo ponto importante é ter programas de leitura nas escolas, o que não significa leitura obrigatória e preenchimento de fichas. Entre as experiências que tenho visto que dão certo, destaco as escolas que têm programas de leitura que envolvem horas livres, ler em outros lugares que não a sala de aula, música ambiente, além do envolvimento de todos o setores. Conheci uma escola no Nordeste que tinha uma boa nota no IDEB, em que terça-feira todo mundo parava por uma hora para ler. A coordenação colocava cestas com jornais, revistas, quadrinhos, livros, e todo mundo lia – merendeira, professor, porteiro, criança… Isso não acontece espontaneamente, não acontece obrigatoriamente, mas acontece com planejamento. A importância da leitura, de formar leitores e de ter uma comunidade leitora tem que fazer parte do Projeto Pedagógico da escola.  Na Fundação SM, temos um programa de fomento à leitura, o Myra, que visa apoiar o aprimoramento das competências leitoras de estudantes de escolas públicas. Na prática, promove encontros de leitura, com uma hora de duração cada, em que um voluntário lê com uma criança, estabelecendo uma relação de um para um e construindo diversos diálogos entre o texto, outros livros e vivências. Entre os resultados do Programa, chama a atenção que 79% dos estudantes atendidos pelo Myra tiveram melhoria de desempenho acima da média de suas turmas.

Como se forma professores leitores que já chegaram à escola sem muita familiaridade e gosto pela leitura literária?

PL: O professor também tem que ter um tempo de leitura na sua formação – mas que seja uma leitura de sua escolha. É importante respeitar o gosto do professor. Existe uma tendência a desqualificar o best seller, a Bíblia, o livro didático ou de autoajuda e, muitas vezes, essa pode ser a porta de entrada para outras leituras. Eu penso que é mais importante ter um professor que leia o que quiser, mas que entenda o que lê, do que um professor que lê aquilo que, entre aspas, é considerado “bacana, de qualidade, profundo” e não se envolve. Se ele não gosta ou não entende o que lê, não vai persistir nesse processo. Também é interessante lembrar que  existem outras formas de leitura, lembrar do cinema como leitura, do teatro como leitura, da arte com leitura. Um projeto que eu conheci – e que eu sei que funciona com professores – levou alunos do ensino médio para a exposição do Picasso, depois exibiu um filme sobre a vida do artista, propôs uma pesquisa sobre o que foi Guernica, estimulou a busca por biografias. Com isso, os meninos e os professores passam a ver e a ler coisas que interessam. Estabelecer vínculos com outras leituras também é muito importante.

pilar-lacerdaSetores expressivos de educadores brasileiros têm manifestado preocupação diante do modo com que a novíssima Base Curricular Nacional chegou. Na sua opinião, ela traz boas ou más notícias para a prática da leitura literária nas escolas?

PL: Eu não acho que a Base Nacional Comum Curricular vai operar milagres, ela em si não provoca transformação. No entanto, há um dado preocupante que é a obrigatoriedade da alfabetização até o segundo ano, diminuindo um ano no processo, o que pode provocar mais reprovação, mais tensão em sala de aula, e menos atenção com esta alfabetização mais aprofundada e mais reflexiva. Existe uma preocupação com o desenvolvimento de competências, como a de explicar o mundo, de entender o mundo, isso tudo passa pela reflexão e formação do leitor. Pode-se trabalhar a alfabetização como um processo que não termina no final do segundo ano, a alfabetização e o letramento como processos mais reflexivos, de interpretação e crítica, e não simplesmente de decifração de códigos, porque a alfabetização é mais do que isso. É importante envolver o prazer da leitura no processo de alfabetização. A leitura não pode andar perto de fracasso, perto de reprovar a criança, perto de tratá-la como uma pessoa incompetente, incapaz. Precisamos ter cuidado com a alfabetização até o final do segundo ano, principalmente em relação a uma grande massa que vem de famílias não leitoras, a professores que também não são leitores muito reflexivos, para não punir a parte mais frágil dessa historia inteira que é a criança de 6 e 7 anos, que está entrando na escola.

O MEC acaba de anunciar a padronização dos livros de literatura que voltará a comprar, a partir de 2019. Isso é um problema para a prática da leitura ou somente para o mercado editorial?

PL: Anunciar que vai voltar a comprar livro de literatura é muito bom, porque as crianças precisam ter acesso ao livro, a escola tem que ter um acervo bom. Mas a padronização é ruim para a prática da leitura. A leitura literária, principalmente a infantil e juvenil, pressupõe vários formatos. A decisão não vai atrapalhar o mercado editorial, porque o mercado editorial vai adaptar a obra, no entanto, a obra que foi pensada para ter um formato x ou y terá que ser enquadrada em três formatos definitivos. Isso pode tornar o processo mais barato, pode tornar mais acessível, com a compra de imensas quantidades, mas há uma perda da qualidade literária.

Programa Myra: http://programamyra.org

Vamos ouvir histórias da Turma da Mônica

Agora é a vez dos audioquadrinhos. 90 histórias podem ser baixadas e ouvidas em vez de lidas. Primeiro volume da série está disponível gratuitamente no Ubook.

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Um dos artistas mais atuantes do País, Mauricio de Sousa, agora também inova e apresenta seu conteúdo em formato áudio via streaming. A novidade é que 90 audioquadrinhos da Turma da Mônica passam a integrar o catálogo do Ubook, maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina, que funciona como o Netflix para vídeos ou o Spotify para música: por um valor mensal é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo da plataforma.

O lançamento acompanha tendência mundial. Recentemente, a Marvel foi um dos novos players que aderiu ao formato, que só tem crescido nos últimos anos. Na primeira quinzena de março, a empresa lançou “Wolverine: The Long Night”, uma série em dez episódios na plataforma Stitcher Premium. O podcast foi escrito pelo autor de quadrinhos Ben Percy. E tem o ator Richard Armitage, como Wolverine. A ideia foi inserir o mesmo personagem, mas em um ambiente diferente.

Na produção brasileira, quem dá voz aos personagens são os mesmos atores que dublam as histórias da turminha nos desenhos animados: Mônica, Magali, Cebolinha, Chico Bento e Cascão. “Isso com certeza irá encantar as crianças, assim como os personagens as cativam nos filmes”, explica Eduardo Albano, diretor de conteúdo do Ubook. Mas não são apenas os pequenos que podem se deliciar com esta novidade. Afinal, a Turma da Mônica e todos os demais personagens criados por Mauricio de Sousa estão há quase 60 anos alegrando gerações. Por isso, a novidade promete enfatizar o vínculo da família. “É um conteúdo que todos podem ouvir e se divertir juntos”, comenta Albano.

“A Turma da Mônica sempre gostou de se divertir e é super antenada com todas as novidades tecnológicas que surgiram neste caminho. Por isso, nada melhor do que apresentar essas histórias no formato de áudio, que vem ganhando cada vez mais adeptos no mundo todo”, celebra Mauricio de Sousa.

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Os 90 audioquadrinhos, que trazem histórias da turma toda, foram produzidos para celebrar os 80 anos de Mauricio de Sousa, mas é a primeira vez que seu conteúdo será disponibilizado no formato streaming e estará presente na categoria Kids do Ubook. “Essa função permite que os pais possam deixar o celular, tablet, ou mesmo o computador, na mão dos filhos, sem correr o risco de a criança entrar na categoria de audiolivros para adultos. É mais uma segurança para que os pais possam acompanhar os conteúdos que os pequenos têm acesso”, esclarece o executivo.

Para o lançamento desta parceria, Ubook e Mauricio de Sousa irão disponibilizar a revista número um da coleção, gratuitamente, para todos que acessarem a plataforma. Uma fanpage também foi criada especialmente para esta iniciativa. Entre os 90 audioquadrinhos, há obras que variam entre a duração de dois a dez minutos.

Criado em 2014, o Ubook é uma startup 100% brasileira já considerada a maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina. São mais de 15 mil títulos disponíveis no catálogo, entre livros, revistas, podcasts, cursos e palestras. O conteúdo pode ser acessado pelo website ou pelos aplicativos disponíveis para iOS, Android e Windows Phone. O Ubook também tem parceria com todas as operadoras de telefonia móvel do Brasil, por meio das quais é possível fazer a assinatura semanal do serviço. Encontre mais informações sobre o Ubook em www.ubook.com.

Mensagem do ano para a literatura infantil

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A cada ano, abril chega celebrando datas especiais para o livro e a literatura infantil e juvenil: no dia 2, o Dia Internacional do Livro Infantil (DILI), em homenagem ao nascimento do escritor dinamarquês Hans Christian Andersen; no dia 18, o Dia Nacional do Livro Infantil, em reconhecimento a Monteiro Lobato nascido nessa data e ainda o dia 23 de abril, quando são homenageados William Shakespeare e Miguel de Cervantes, na data da morte de ambos, com o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor.

Hoje, vamos falar do Dia Internacional do Livro Infantil com base numa pesquisa feita no jornal da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, de janeiro de 2018.

A cada ano e desde 1967, um representante nacional do International Board on Books for Young People (IBBY), entidade máxima da literatura infantil, patrocina uma mensagem para a comemoração da data, selecionando um escritor e ilustrador para criação do texto e imagem de um pôster, além de ficar encarregado da produção do material e divulgação para todos os demais representantes do IBBY no mundo.

Em 2018, o representante é a Letonia, país europeu banhado pelo Mar Báltico. O tema da mensagem é “O pequeno e grande num livro” e os criadores são a poeta, escritora e editora Inese  Zandere, que analisa o poder do livro infantil no imaginário das crianças, e o ilustrador Reinis Petersons. A sugestão é que mensagem criada para o Dia Internacional do Livro Infantil seja motivo de reflexão e estudo por parte dos professores e profissionais do livro.

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A mensagem

“O pequeno é grande num livro”

As pessoas são atraídas pelo ritmo e pela regularidade assim como a energia magnética organiza tiras de metal num experimento de física e assim como um floco de neve cria cristais da água. Num conto de fadas ou poema, as crianças apreciam repetições, refrães e motivos universais, porque eles podem ser reconhecidos de uma nova forma a cada vez – eles trazem regularidade ao texto. O mundo ganha, assim, uma bela ordenação.

Eu lembro até hoje como, quando criança, eu me esforçava para trazer justiça e simetria, direitos iguais para a direita e para a esquerda: se fazia uma batida na mesa, contava quantas vezes cada dedo se mexia para que os outros dedos não se ofendessem. Eu tendia a bater palmas, indo da mão direita para a esquerda. Mas, então, pensei que era injusto e aprendi a fazer da maneira oposta, da esquerda para a direita. Esse desejo instintivo pelo equilíbrio é engraçado, claro, mas mostra a necessidade de evitar que o mundo se torne desigual. Eu tinha a sensação de que eu era a responsável pelo equilíbrio de tudo.

A atração das crianças pelos poemas e histórias advém de sua necessidade de trazer regularidade ao caos do mundo. A partir da indeterminação, tudo se orienta em direção à ordem. Cantigas de ninar, cantigas populares, jogos, contos de fadas, poesia… todas essas formas de existência, organizadas de maneira rítmica, ajudam os pequenos a estruturarem sua presença nesse grande caos. Eles criam uma noção instintiva de que a ordem é possível no mundo e de que todo mundo tem seu espaço singular nele.

Tudo trabalha para esse objetivo: a organização rítmica do texto, as sequências de letras e a diagramação da página, a impressão do livro como um todo bem estruturado. O grande é revelado no pequeno e reproduzimos isso nos livros para crianças mesmo se não estamos pensando em Deus ou em fractais. Um livro infantil é uma força milagrosa que incentiva o desejo e a habilidade de ser dos pequenos. O livro incentiva a coragem de viver da criança.

Em um livro, o pequeno é sempre grande, de maneira instantânea, e não apenas quando se chega à vida adulta. Um livro é um mistério no qual algo inesperado pode ser descoberto ou, então, algo além de nosso alcance. Aquilo que os leitores de certa idade não conseguem apreender com o raciocínio permanece em sua consciência como uma marca e continua a agir mesmo se não completamente compreendido.

Um livro de imagem pode funcionar como um baú do tesouro em conhecimento e cultura até para adultos assim como crianças podem ler um livro de adulto e encontrar sua própria história, uma pista sobre sua vida em desenvolvimento. O contexto cultural forma as pessoas ao preparar o terreno para impressões que chegarão no futuro, assim como acontece com as experiências ruins pelas quais as pessoas terão que passar para se manter íntegras.

Um livro infantil significa o respeito pela grandeza do pequeno. Significa um mundo criado de novo a cada vez, uma seriedade bela e brincalhona sem a qual tudo, incluindo a literatura infantil, é apenas uma ocupação vazia.

Em resumo: o livro faz com que a criança intua que a ordem no mundo é possível e que todos têm um lugar singular nele. Tudo funciona para esse objetivo: a organização rítmica do texto, as sequências de letras, a diagramação da página, a impressão do livro como um todo bem estruturado. O grande é revelado no pequeno e nós reproduzimos isso nos livros infantis. O livro é um mistério no qual algo inesperado pode ser encontrado ou algo além de nosso alcance. O livro infantil significa respeito pela grandeza do pequeno. (Tradução do inglês de Mariana Elia).

Os criadores

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Inese Zandere nasceu em Dobele, Letonia, em 1958. Vinda de uma família de professores, Zandere se tornou poeta e escritora, além de ser editora da Liels um Mazs. Formada em filosofia pela Universidade da Letonia, ela já trabalhou como pesquisadora, editora e roteirista para diversos jornais, revistas, editoras e estúdios de cinema. Escreveu mais de 30 livros para crianças e jovens e, nos últimos 20 anos, se envolveu em projetos relacionados à literatura infantil e educação cultural.

Zandere é uma das fundadoras da premiação Annual Baltic Sea Region Jānis Baltvilks International Prize in Children’s Literature and Book Art. Seu livro Māsa un Brālis (Irmã e irmão, em tradução livre) ganhou o prêmio e foi selecionado para a lista de honra do IBBY 2008.

58fe0988a3fe2468196668Reinis Pētersons nasceu em 1981 e trabalha como ilustrador e animador gráfico em Riga, capital da Letonia. Estudou na Escola Superior de Arte Jana Rozentāls Riga e no estúdio de fotografia Andrejs Grants. Ele é formado no Departamento de Comunicação Visual da Academia de Arte da Letonia. Ao longo de sua carreira, Reinis ilustrou dezenas de livros infantis e jogos de tabuleiro.

Atualmente, ele trabalha no estúdio de animação Atom Art e dirigiu Ursus, um curta-metragem animado, vencedor de vários prêmios internacionais. Foi candidato ao Prêmio Hans Christian Andersen em 2014 e ao Prêmio Memorial Astrid Lindgren nos últimos cinco anos.

Aqueles que desejarem conhecer mais sobre o trabalho do IBBY, o link é http://www.ibby.org/awards-activities/activities/international-childrens-book-day/?L=0

O representante brasileiro é a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil: www.fnlij.org.br

Uma delícia de história para você

Do-Re-Mi-Fa-Dona-Galinha-e-o-Ovo-de-Pascoa-371341“Dona galinha e o ovo de Páscoa”

Autora: Eliana Sá
Coleção: Do-Ré-Mi-Fá
Editora: Scipione
Ilustrador: Roberto Caldas
– Que dia gostoso de sol quentinho – D. Galinha até pensou:

– Hoje está bom para dar um passeio!

Empurrou o portão do galinheiro com o bico e saiu para dar uma voltinha.

Cisca daqui, cisca dali… Dona galinha deu de cara com uma coisa brilhante, muito estranha. Parecia um ovo! O ovo mais bonito que ela já vira em toda a sua vida…

untitled– Que ovo mais enfeitado! Só pode ser um ovo de Pavão!

Na verdade, D. Galinha não sabia que era domingo de Páscoa. E que alguém, havia deixado cair um ovo de chocolate no quintal.

Ainda muito desconfiada D. Galinha tocou, escutou, cheirou o ovo e criou coragem:

– Vou levar esse pobre enjeitado para casa.

E lá se foi D. Galinha com o ovo pelo bico toda contente. Colocou-o num canto escondido do galinheiro e começou a pensar:

– Como vou chocá-lo?

A essa altura, todo o galinheiro já comentava a história. O Sr. Papagaio, que havia enxergado tudo lá do seu poleiro, dava a notícia aos quatro cantos do terreiro:

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– Alô? Atenção para uma notícia chocante: encontrado um ovo enfeitado com laço de fita amarela, filho de pais desconhecidos. Mais informações com D. Galinha, no fundo do quintal!

E foi aquele corre, corre… Todos queriam ver o tal ovo. Ele era mesmo bonito, diferente, mas, meio esquisito. D. Galinha que tinha achado o ovo dizia ser direito seu chocá-lo, mas D. Perua, d. Galinha d’Angola, D. Pata, D. Gansa também queriam chocá-lo.

Pronto! A confusão estava armada! Deixar que outra tivesse a glória de chocar o lindo ovo? Nem pensar! D. Galinha queria para si todas as honras.

– Se quiser comadre – disse D. Gansa – eu posso chocá-lo.

– Eu também estou quase sem serviço em casa – retrucou D. Perua.

– Eu ajudo!

– Eu quero!

– Eu preciso!

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– Calma, calma, senhoras. Não se incomodem, porque eu mesma vou chocar esse ovo. Quero ter o prazer de ver o lindo bebê que sairá de dentro dele.

As comadres cansaram de tanto insistir, mas ainda esperaram algum tempo pra ver se ao menos teriam alguma chance de trocar com D. Galinha a vez de chocar o ovo.

Que nada! Não tiveram essa chance! D. Galinha, mais do que depressa, se colocou em cima do ovo. Ajeitou-se, abriu as asas para deixá-lo bem quentinho.
O tempo foi passando, o calorzinho aumentando e nem sinal do bebê.

Às vezes, as comadres apareciam para saber notícias do ovo e para dar palpites:

– Como é comadre, já nasceu? – perguntou D. Carijó.

– Senta mais pra frente, comadre, uma pontinha do ovo está de fora – Falou D. Galinha d’Angola.

– Abra mais as asas, quem sabe, adianta – exclamou D. Pavoa.

– Levante um pouco para descansar – disse D. Gansa.

De repente… D. Galinha sentiu algo se mexer debaixo dela. É claro! Só podia ser o bebezinho finalmente!

Saiu de lado e olhou para baixo de si:

– Não entendo… Ao invés de quebrar, o ovo encolheu!

Do ninho ao lado, a D. Pata gritou:

– Comadre, comadre. Desista. Isso não vai dar certo.

A Galinha pensou, pensou e… para não dar o braço a torcer, saiu devagar e sem jeito de cima do ovo. Resolvida a escondê-lo das amigas, carregou-o até a cerca e colocou-o em cima de uma pilha de adubos.

– Já que eu não consigo, ninguém mais toca no meu ovo. Amanhã quem sabe, tento de novo.
Voltou para o seu ninho e recomeçou a chocar os seus próprios ovinhos, esquecidos até agora.

– Com o tempo que perdi, teria chocado uma porção!

Assim, sempre disfarçando, D. Galinha deixou o tempo passar e não contou pra ninguém que desistira do lindo ovo.

O dia continuou quase igual a todos os outros.

À tardinha, como de costume, Pedro apareceu para recolher os ovos dos ninhos espalhados pelo quintal. Naquele dia, Pedro demorou mais… Fuça daqui, fuça dali… Todo o galinheiro acompanhava com os olhos:

– O que será que ele procurava?

As aves começaram a desconfiar. Muito espertos, D. Galinha d’Angola e o Sr. Papagaio já tinham descoberto tudo!

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E, então, começaram a dar pistas pra Pedro:

– Tá fraco! Tá fraco! – gritava D. Galinha d’ Angola, quando ele estava longe da cerca.

– Tá forte! Tá forte! – ajudava o Sr. Papagaio, quando Pedro se aproximava dos sacos de adubo.

De repente…

– Mãe! Mãe! Achei, achei! – Pedro gritou feliz e correndo em direção a casa, carregando na mão o ovo colorido e enfeitado.

– Mãe, achei o ovo que o Coelhinho da Páscoa escondeu pra mim. Só que tá meio murcho!

– Coelho? Páscoa? Mas… coelhos não botam ovos!

A Galinha entendeu tudo, tudo. Como evitar que todos soubessem o que realmente havia acontecido?

Mas agora era tarde, pois o galinheiro em peso olhava fixo pra ela. D. Galinha tonta de vexame e vermelha que nem tomate apenas conseguiu falar:

– Só mesmo uma boba como eu para chocar ovo de chocolate!

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“O meu pé de laranja lima”, 50 anos

image006Neste ano, o livro que encantou gerações com a história de Zezé, “um meninozinho que um dia descobriu a dor…”, completa 50 anos. “O meu pé de laranja lima”, de José Mauro Vasconcelos, foi lançado pela Editora Melhoramentos em 1968 e, desde então, conta com mais de 150 edições no Brasil e 2 milhões de exemplares vendidos. É o livro brasileiro com o maior número de traduções para outras línguas, totalizando 15 idiomas e estando presente em 23 países.

Para celebrar seus 50 anos, a obra está de roupa nova: uma edição especial de capa dura e novo projeto gráfico, com ilustração de capa de Laurent Cardon. Informações sobre o livro, o autor e o contexto histórico da narrativa são novidades, bem como as notas de rodapé elaboradas pelo escritor Luiz Antonio Aguiar. Sucesso atemporal, “O meu pé de laranja lima  promete continuar encantando as próximas gerações.

Muitas gerações já se emocionaram com Zezé, o garotinho de 6 anos, muito sapeca, inteligente e cheio de imaginação, retratado por José Mauro de Vasconcelos no livro “O meu pé de laranja lima”. E Zezé continua a envolver os leitores, embora toda a história se passe na longínqua década de 1920.

Talvez porque aborde de uma forma delicada sentimentos universais. “A alegria e a tristeza não poderiam estar mais bem combinadas do que nessas páginas. E isso, se não explica, justifica a popularidade imensa alcançada pelo livro”, destaca o escritor Luiz Antonio Aguiar, ganhador de dois prêmios Jabuti, que assina o suplemento de leitura e as notas da edição comemorativa de 50 anos.

A força do personagem principal também é outro ingrediente cativante. Nas palavras de Aguiar, “Zezé é um anjo meigo, uma criança que encanta o mundo a sua volta, seja pelo carinho que demonstra por seu irmão mais novo, Luís, pelo apego à irmã, Glória, pela invenção (se é que não foi mágica da vida!) do amigo Minguinho, o pé de laranja-lima que conversa com ele como um irmão mais velho, carinhoso, generoso, cúmplice… E finalmente pela capacidade imensa de amar, que o leva a abrir (ou iluminar) a vida do até então solitário e ranzinza Portuga”.

A história de Zezé se passa em um subúrbio modesto da cidade do Rio de Janeiro e tem um cunho autobiográfico. O autor, José Mauro Vasconcelos, nasceu em Bangu, em 1920, em uma família muito pobre. Logo no começo da trama, o leitor é apresentado às dificuldades financeiras da família de Zezé. Com o pai desempregado, eles são obrigados a trocar a casa grande e confortável onde moravam por uma mais modesta, onde o garoto vai encontrar seu melhor amigo, o pé de laranja-lima.

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Edição comemorativa 

Para a edição comemorativa de 50 anos, de 232 páginas, a Editora Melhoramentos entregou uma missão especial a Luiz Antonio Aguiar, escritor e tradutor, mestre em literatura brasileira e ganhador de dois prêmios Jabuti: traduzir para o leitor de hoje alguns termos comuns na época em que foi escrito a obra e elaborar um suplemento de leitura para dimensionar a importância do livro de José Mauro.

A primeira etapa de sua missão, Aguiar cumpre com capricho explicando os termos em notas de rodapé que ajudam a compreender melhor diversas passagens ao longo do livro. No suplemento, apresentado ao final do livro, além de destacar peculiaridades desse clássico, ele apresenta um panorama da época em que se desenrola a história de Zezé (1920-1930), destacando fatos históricos e culturais no mundo e no Brasil.

O leitor também fica sabendo que “O meu pé de laranja lima” tem duas obras complementares: os romances Doidão (1963), no qual Zezé é retratado com 19 para 20 anos, e Vamos Aquecer o Sol (1974), que retrata o menino aos 10 anos, vivendo com pais adotivos em Natal, Rio Grande do Norte.

O autor

ze-mauro-005Mais conhecido pelo livro “O meu pé de laranja lima”, José Mauro de Vasconcelos (1920 – 1984) tem uma história fascinante. Ainda menino, trocou Bangu, no Rio de Janeiro, pela cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, onde foi morar com os tios. Lá, treinava natação no Rio Potengi e sonhava em ser campeão. Mas a vida o levou por muitos outros caminhos. Estudou Medicina, foi jornalista, radialista, pintor, treinador de boxe, pescador, garçom e até estivador. Jovem ainda viajou com os irmãos Villas-Boas, sertanistas e indigenistas brasileiros, em expedição no sertão do Araguaia, no Centro-Oeste do Brasil. Com seu porte de galã, teve ainda atuação de destaque como ator em diversos filmes e novelas.

Toda essa experiência contribuiu para sua produção como escritor, que inclui 22 livros, entre romances e contos, que tiveram destaque não só o Brasil, mas em outros países, como Alemanha, Argentina, Holanda, Hungria, Inglaterra, Suíça e Noruega. Sua obra mais famosa, “O meu pé de laranja lima”, foi escrita em apenas 12 dias. “Porém, estava dentro de mim havia anos, havia 20 anos. Quando a história está inteiramente feita na imaginação é que começo a escrever. Só trabalho quando tenho a impressão de que o romance está saindo por todos os poros do corpo. Então, vai a jato”, costumava explicar José Mauro.

O maior evento de literatura infantil

Bologna Children´s Book Fair ou a 55ª Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha está acontecendo na Itália desde o dia 23 de março e prossegue até nesta sexta-feira, dia 29/3. O link para acompanhar a feira é esse: www.bookfair.bolognafiere.it/home/878.html. Ontem, foram apresentados ao público os vencedores da maior láurea da literatura infantil: a escritora japonesa Eiko Kadono e o ilustrador russo Igor Oleynikov, que receberam o Prêmio Hans Christian Andersen. Várias editoras, escritores e ilustradores brasileiros participam do evento. A China é o país “convidado de honra”.

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Segundo matéria do portal de notícias Publishnews, “teve um pouquinho de Brasil iá iá no Hans Christian Andersen”. Uma das vencedoras do Prêmio, considerado o Nobel da Literatura Infantil e Juvenil, morou no Brasil e sobre essa experiência escreveu um livro que ainda está inédito por aqui.

Em 2018, o Brasil esteve muito bem representado entre os indicados ao Hans Christian Andersen, um dos mais importantes prêmios da literatura infantojuvenil do mundo. Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi concorreram, mas não chegaram aos finalistas. Mas, se serve de consolo, o Nobel da Literatura Infantojuvenil teve um tiquinho de Brasil. Os vencedores foram anunciados ontem, na Itália, onde acontece e Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. Os vencedores foram o ilustrador russo Igor Oleynikov e a escritora japonesa Eiko Kadono, que já morou no Brasil nos anos 1960 e dessa experiência surgiu o livro “Brazil and my friend Luizinho”, baseado na história de um garoto brasileiro que amava dançar samba. Nenhum dos dois ganhadores têm livros nos catálogos ativos das editoras brasileiras.

Eiko nasceu em Tóquio, em 1935. Aos dez anos, teve que fugir da cidade, rumo ao Norte, por conta da Guerra. As memórias dessa época formaram a base de uma de suas histórias mais conhecidas Rasuto ran (2011). A autora que, quando tinha 25 anos, passou dois anos morando no Brasil, publicou cerca de 200 trabalhos originais, entre livros ilustrados, de fantasia, além de antologias e ensaios. É ainda tradutora de mais de 100 obras para o japonês, dentre os quais se destacam Raymon Briggs e Dick Bruno.

“A literatura de Kadono é preenchida com personagens peculiares, dotados das virtudes e fraquezas dos seres humanos em todos os lugares. E seu estilo melodioso é permeado de capricho e humor”, diz o perfil dela na candidatura ao prêmio.

Cerimônia de anúncio dos vencedores do Hans Christian Andersen aconteceu na manhã de ontem em Bolonha | © Carlo Carrenho / Publishnews

Cerimônia de anúncio dos vencedores do Hans Christian Andersen aconteceu na manhã de ontem em Bolonha | © Carlo Carrenho / Publishnews

Já o russo Igor Oleynikov nasceu em Lyubersty, cidade próxima a Moscou em 1953. Estudou Engenharia Química. Em 1979, ele começa a trabalhar no estúdio de animação Soyuzmultfilm e mais tarde no Christmas Film Studios. Em 1986, dá início à carreira como ilustrador de periódicos infantis e de projetos gráficos de livros. Na sua candidatura, a organização do prêmio destaca que ele é “muito prolífico e suas ilustrações são muito dinâmicas com personagens incomuns, muitas vezes apresentados como cenas de cinema”. Ele tem no seu currículo mais de 80 livros para crianças e jovens, incluindo muitos contos de fadas clássicos.

Participação brasileira

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O segmento de livros infanto-juvenis é um dos pilares da produção editorial nacional. A maioria das editoras que trabalha com CYA (Children and Young Adults) tem a preocupação de adequar os conteúdos ao mercado internacional, ganhando cada vez mais visibilidade e força no exterior.

Esses esforços fazem do Brasil um dos destaques na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha.  O estande coletivo brasileiro tem a participação de 17 editoras apoiadas pelo Brazilian Publishers (BP), projeto de fomento às exportações do conteúdo editorial brasileiro, uma parceria da Câmara Brasileira do Livro (CBL) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Para este ano, a expectativa de negócios é em torno de 340 mil dólares em exportações de direitos autorais e livros físicos realizados durante o evento e previstos para os próximos 12 meses.

BCBF18-testata-desktop-centrale “Sabemos que a literatura infanto-juvenil brasileira é conhecida internacionalmente, pois há autores e ilustradores publicados em vários países há alguns anos. Mas podemos ampliar cada vez mais essa visibilidade. Estamos na maior feira mundial do livro infanto-juvenil e estão aqui mais de 100 países abertos para conhecer novas obras e novos autores”, afirma Luís Antonio Torelli, presidente da CBL. Além disso, as empresas apoiadas pelo Brazilian Publishers participarão de dois matchmakings; um deles com países da América Latina e o outro com países dos Emirados Árabes, dando prosseguimento às ações de aproximação entre o Brasil e o Mundo Árabe, com vistas à homenagem ao Emirado Árabe de Sharjah na 25ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

O estande coletivo também contará com uma área reservada para exposição de livros vencedores do Prêmio Jabuti de 2017. Editoras presentes: Girassol Brasil, Editora Bom Jesus, FTD Educação, Melhoramentos, Editora do Brasil, Todolivro, Editora Projeto, Carochinha, DSOP Financial Education, SESI-SP Editora, Pallas Editora, Grupo Companhia das Letras, Callis Editora, Cortez Editora, Editora IMEPH, Cria Editora e Trilha Editora.

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Os livros brasileiros

Anualmente e desde 1974, a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) produz um catálogo em que reúne obras relevantes produzidas pelas editoras associadas e leva para a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. A capa da edição de 2018 reproduz a de Flicts, de Ziraldo, que completou 85 anos em 2017. O catálogo traz informações de 82 títulos lançados ao longo de 2017; uma homenagem à ilustradora Angela Lago, morta em outubro do ano passado; um excerto do livro Uma ideia toda azul, de Marina Colasanti, já traduzido para o inglês, além de um perfil de Ana Maria Machado. Os livros selecionados para o catálogo farão parte de uma exposição no estande da FNLIJ em Bolonha. Depois do fim da feira, os livros serão doados à Biblioteca Internacional Juvenil de Munique, na Alemanha.

O catálogo, em inglês e a 4 cores, com o projeto gráfico do Estúdio Versalete, foi impresso pela FTD, em apoio à Fnlij. A versão em PDF está no site https://www.fnlij.org.br/site/publicacoes-em-pdf/catalogos-de-bolonha/item/932-cat%C3%A1logo-fnlij-para-feira-de-bolonha-2018.html

A novidade para a divulgação do catálogo no exterior é que os participantes da Feira de Bolonha também tiveram acesso à publicação antes do início do evento, quando a Fnlij distribuía o impresso. Este ano, a versão em PDF foi enviada para todo o mailing da Feira, adiantando o seu conteúdo para os editores e especialistas.

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Como todos os anos, a Fnlij antecipa a seleção para Bolonha dos livros produzidos em 2017 de autores brasileiros, que chegaram à Fundação até final de outubro. Este ano, o número de selecionados é menor, refletindo a crise do setor quando o número de títulos novos ainda está reduzido. A seleção apresenta os 82 títulos de autores brasileiros cujos os títulos estão divididos pelas categorias: Ficção para crianças (32), Ficção para jovens (17), Não Ficção (3), Poesia (6), Livros de imagem (1) e Reconto (10). Os livros de texto sobre literatura infantil e juvenil (6), bem como novas edições (7) são mencionados, em uma lista, sem a apresentação de capas e resumos.

Antecedendo à seleção da produção de 2017, os livros vencedores do Prêmio Fnlij 2017 – Produção 2016 também fazem parte da publicação, com as capas ilustrando a lista. Há uma homenagem à Angela Lago, falecida em outubro de 2017; as últimas reedições de Monteiro Lobato pela editora Globo; as autoras indicadas para o prêmio Hans Christian Andersen de 2018, Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi, e os livros selecionados pela Fnlij para a Lista de Honra do IBBY de 2018. A candidatura da escritora Ana Maria Machado para o prêmio Astrid Lindgren Memorial Award – Alma de 2018 também está na publicação, bem como a participação do ilustrador Roger Mello no estande da Fnlij-MRE da feira para receber ilustradores que queiram mostrar seus portfólios, atividade realizada pela primeira vez ano passado, com grande sucesso.

Para homenagear Ziraldo, o catálogo apresenta o autor, sua obra e a resenha de Flicts. (Com Publishnews e Jornal Fnlij)

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“Pedro Coelho”: livro infantil estreia no cinema

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“Pedro Coelho” ou, no original, “Peter Rabbit” é o personagem de um famoso livro infantil escrito e ilustrado lindamente pela inglesa Beatrix Potter. É uma divertida história sobre coelhinhos, que vivem se metendo em confusões; camundongas velhotas cheias de truques e mais parecem a avó ou bisavó que todo mundo teve um dia; gatos sorrateiros, que não merecem muita confiança e um fazendeiro rabugento chamado Seu Gregório, que, ancinho na mão, vive correndo atrás dos coelhos, gritando ‘Pára aí, seu ladrão’.

Também há a Dona Gregória que, de vez em quando, perde a paciência, chama o marido de velho maluco e logo, logo, um repolho sai voando pela janela da cozinha, além de passarinhos amigos, que não podem ver um coelho com medo sem vir correndo mostrar o caminho de volta à paz lá do bosque _ paz essa que parecia perdida_ e dos espantalhos, que não assustam ninguém.

Agora, o personagem sai do livro para o cinema. A comédia “Pedro Coelho” estreou no Brasil (incluindo Belo Horizonte) nesse final de semana A eterna disputa entre o intrépido Pedro e o Sr. McGregor (Domhnall Gleason) pelo tesouro em vegetais, que está enterrado em seu jardim proibido, fica ainda mais intensa por que os dois passam a brigar também pela atenção da vizinha bondosa e amante dos animais (Rose Byrne).

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O filme

Vamos ler o que o cineasta brasileiro Daniel Bydlowski fala sobre seu filme numa matéria do jornal Diário de Pernambuco:

“Pedro Coelho” pode ser um daqueles filmes infantis que poucos prestam atenção, seja por que é similar a muitas outras obras produzidas nos últimos anos, ou por não ter feito muito sucesso na bilheteria, como o caso de Paddington, dirigido com bastante sucesso por Paul King que também mistura live action e animação por meio de seres humanos que interagem com animais falantes. Porém, o longa mostra mudanças no que diz respeito a obras dirigidas às crianças nos últimos tempos e um dos modos mais fáceis de perceber essas alterações é entendendo clichês de produções infantis.

“Pedro Coelho” é baseado no livro britânico “Peter Rabbit”, escrito e ilustrado por Beatrix Potter, publicado em 1902. Assim como o Pernalonga da Looney Tunes, a obra mostra um coelho levado, sendo precursor deste tipo de animal arteiro que causa confusão. Enquanto o Pernalonga desobedece a todos, fazendo o que quer, Pedro é um pouco mais inocente e, neste caso, não obedece a sua mãe. Esta característica demonstra uma obra infantil que preza por mostrar a dinâmica da família em primeiro lugar.

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Na história, como o pai de Pedro foi colocado em uma torta de carne de coelho, depois de visitar o jardim do senhor McGregor, sua mãe pede que todos os seus filhos evitem o lugar. Porém, o levado animal não obedece. O senhor McGregor o caça e Pedro tem dificuldade de escapar. Quando finalmente consegue voltar para casa depois de muita correria, o coelhinho fica doente. Sua mãe, então, dá chá para que Pedro melhore, enquanto suas irmãs, que tinham obedecido, comem uma comida deliciosa.

Tanto o tipo de arte, quanto a trama, que tem uma clara moral (quem obedece aos pais e se comporta bem é presenteado no final), fizeram do livro um sucesso para as crianças, especialmente como história para dormir. O filme, pelo contrário, traz um estilo diferente e mostra como muitos produtores atuais reinterpretam contos infantis, muitas vezes mudando o que é esperado pelo gênero.

Os primeiros 10 minutos de “Pedro Coelho” lembram a história do livro. Porém, logo que o senhor McGregor consegue pegar o coelhinho, ele tem um ataque cardíaco e morre. Pedro, a princípio confuso, logo festeja e finge que ele mesmo causou o trágico acontecimento, em uma suposta luta contra o idoso. Isto mostra um coelho não tão inocente (talvez nada inocente, e que se comporta mais como adolescente do que como criança.

Mesmo que McGregor seja uma pessoa ranzinza, que não gosta dos animais que visitam seu jardim, o comportamento de Pedro faz com que seja mais difícil de se identificar com o personagem. Quando ele relembra seu pai em uma triste cena, fica então clara a falta de empatia do coelhinho para com os outros.
Para superar a falta de identificação com o personagem, o longa traz referências a músicas e danças populares, algo que virou clichê em filmes infantis.

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Personagens dançam ao ritmo de músicas contemporâneas, enquanto fazem uma incrível bagunça, com o único intuito de fazer a plateia rir de maneira rápida e fácil. E isto se torna muitas vezes eficaz: é realmente engraçado ver animais dançando como humanos. Mas logo depois disso, fica a pergunta: o que sobra em um filme, onde o personagem principal não é tão fácil de se identificar?

Se a moral do livro é a recompensa que vem com a obediência aos pais, a produção para cinema destaca mais a aceitação de Pedro em formar uma nova família com o neto de McGregor. O foco desta reinterpretação da obra antiga, então, deixa de ser a família, para se tornar a acolhimento de amigos e estranhos que, a princípio, pareciam antagonizar o personagem. Embora esta moral possa ainda ser interessante para o público infantil, é mais complexa e difícil de entender entre os mais jovens.