Um bom exemplo de incentivo à leitura

Numa pequena comunidade do Paraná, empresa desenvolve notável projeto lúdico e literário

CRIANÇAS EMPRESTANDO LIVROS NA BIBLIOTECA DO CENTRO COMUNITÁRIO IBEMA (1)

Projetos de leitura são fundamentais no interior do país, pois estimulam o próprio gosto pelo aprendizado, usando o faz de conta. No Centro Comunitário Ibema, cerca de 150 crianças já passaram pelo projeto Leitura é Diversão, desde 2014. Os momentos dedicados aos livros infantojuvenis na pequena comunidade de Faxinal da Boa Vista (município de Turvo, na região central do Paraná) são pensados para crianças de 6 a 12 anos. A cada período, cerca de 10 crianças se reúnem para participar das oficinas.

São realizadas atividades recreativas com base nos livros lidos pelos participantes – a criança que mais lê e participa ativamente das oficinas ganha o título de Leitor do Mês e recebe um livro de presente. Além de incentivar a leitura, tem sido observada melhoria do vocabulário, da oralidade, da escrita, da capacidade interpretativa, da criatividade e da socialização das crianças.

Para Alisson Americano de Lima, de 7 anos, o período de um ano e dois meses de oficinas já permitiu um grande desenvolvimento na leitura - Fotos: Divulgação

Para Alisson Americano de Lima, de 7 anos, o período de um ano e dois meses de oficinas já permitiu um grande desenvolvimento na leitura – Fotos: Divulgação

Para Alisson Americano de Lima, de 7 anos, o período de um ano e dois meses de oficinas já permitiu um grande desenvolvimento na habilidade de leitura. “No começo, ele mal soletrava as letrinhas, e agora está com uma boa fluidez”, conta a coordenadora de Responsabilidade Social da Ibema, Clarice Battistelli.

“Apesar da dificuldade que encontramos em estimular o gosto e o hábito da leitura na realidade brasileira, entendemos que, mesmo no pouco que conseguimos, estamos fazendo a diferença”, avalia Clarice.

Os livros ficam disponíveis para empréstimos em uma pequena biblioteca no Centro Comunitário Ibema, que conta com 1.085 livros cadastrados. Doações também são muito bem-vindas e podem ser encaminhadas ao Centro Comunitário Ibema, na localidade de Faxinal da Boa Vista, em Turvo.

Ibema é o nome de um fabricante de papelcartão. A empresa, fundada em 1955, é hoje um dos players mais competitivos da América Latina. Sua estrutura é composta por sede administrativa localizada em Curitiba, centro de distribuição direta em Araucária com área útil de 12 mil m2 e fábricas instaladas nos municípios de Turvo, no Paraná, e em Embu das Artes, em São Paulo, que juntas possuem capacidade de produção anual de 140 mil toneladas. São aproximadamente 800 colaboradores.

Diálogo na primeira infância

Beatriz Campos *
 

A primeira infância, conhecida também como período pré-escolar, é uma fase caracterizada pelo desenvolvimento físico e mental específico que abrange várias características. É nessa época que a criança começa a melhorar a motricidade ampla e, por isso, gosta muito de correr, saltar e pular, fazendo com que suas atividades motoras se multipliquem. Neste período, elas estão ávidas por novos conhecimentos, aprimorando também a fala.

O ensino na primeira infância é um dos mais importantes. É durante esse momento que os pequenos aprendem por meio de relações concretas e o abstrato é extrínseco às suas condições de raciocínio e visão de mundo. Ou seja, para seu entendimento, o aprendizado ocorre por meio do que é visto, ouvido e sentido pelos exemplos dos pais e adultos.

O que assimilamos neste período é eternizado em nós, perfazendo um conhecimento para o resto de nossa existência, estabelecendo os valores e modelos morais que seguirão conosco. Portanto, ensinar os filhos as diferenças entre o bem e o mal, entre o certo e errado, dar limites e sustentar uma autoestima é essencial neste momento. Podemos comparar os ensinamentos e desenvolvimento dos valores nessa fase tal como uma árvore, na qual, a raiz, caule, galhos e toda sua estrutura se estabelecem neste e momento e apenas progridem ao longo do tempo.

Por isso, o diálogo é essencial. Educadores e pais precisam dar prioridade para um formato de relacionamento transparente, aberto com possibilidade e troca de ideias. É importante potencializar na primeira infância a capacidade de empatia mútua entre os membros de uma família, favorecendo uma vida tranquila e saudável no futuro.

Durante essa época, alguns problemas surgem, entre eles, o desenvolvimento físico, intelectual ou por conflitos de interação social. Essas são as áreas de maior preocupação entre educadores e pais. Alguns sintomas são sutis na primeira infância e podem passar despercebidos principalmente pelo envolvimento emocional com a criança. Por isso, é imprescindível que os pais se mantenham informados e possibilitem ao educador a abertura para tirar quaisquer dúvidas sobre seus filhos.

As principais dificuldades no diálogo estão relacionadas aos mecanismos de defesa em que a resistência se torna um hábito. Para que isso não gere uma questão ainda maior, o diálogo aberto precisa existir na rotina da casa como fator constante no relacionamento entre todos os familiares.

Entre os cuidados do ensino na primeira infância, está a ajuda profissional de um psicólogo, pois ele será capaz de diagnosticar os sintomas e prevenir o agravamento de problemas. Neste período serão identificados quais as causas dos desajustes e o atendimento psicoterapêutico será utilizado quando necessário.

Portanto, é necessário que os pais participem ativamente da vida dos filhos, contribuindo para que os resultados cheguem mais rápido e que o sucesso seja alcançado a longo prazo. Muitos são os benefícios ao nos atentarmos para a formação da personalidade na primeira infância, ajudando a construir um futuro saudável, promovendo os ajustes e favorecendo total integração social e afetiva.

 *  Psicóloga clínica, coach educacional, especialista em atendimento infantil e à família.

Dicas preciosas para estimular a leitura

Todas são dedicadas aos pais que não têm muito tempo disponível, mas querem educar seus filhos em direção aos livros

Foto: Nathalia Cabral / Divulgação

Foto: Nathalia Cabral / Divulgação

Para o mediador de leitura, Victor Ramos, que atua na formação de leitores e na Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), é primordial que o ato de ler esteja no ambiente familiar de quem possa apresentar a leitura a criança. O  mediador reconhece as dificuldades e a falta de tempo dos pais e familiares para atividades em família.

“É preciso dar alternativas e indicar caminhos para que pais e familiares possam dentro do seu tempo estimular a leitura de forma prazerosa. A leitura tem que ser estimulada de forma prazerosa e agradável, para que cada criança e adolescente possa experimentar o gosto pela leitura e criar o hábito e prazer pelo livro” analisa o mediador.

O mediador destaca algumas dicas para que os pais, mães e familiares possam estimular a leitura literária na rotina de crianças e adolescentes. É importante lembrar que cada família pode também realizar o incentivo à leitura com outras atividades e que as sugestões não têm como objetivo tornar a leitura uma obrigação, mas sim atentar para o fato de que pequenas ações ajudam a colaborar com a prática da leitura em família.

1-Estimule seu filho a frequentar a biblioteca da escola

Se há na escola de seu filho uma biblioteca escolar, estimule e instigue seu filho a se tornar um frequentador desse espaço e a realizar empréstimos de livros na biblioteca.

2-Faça troca de livros e atividades literárias nos encontros com a família ou amigos

Nos encontros familiares ou com amigos proponha a troca de livros de literatura entre as crianças e adolescentes. Rodas de leitura para entreter as crianças até a hora de almoço ou lanche e para adolescentes um bate papo sobre o que eles leem ou gostam de ler. “Quantos não ligam a TV ou habilitam o Wi-Fi de casa em um churrasco para distrair as crianças e adolescentes? Faça diferente e já coloque no grupo do WattsApp da família, que o próximo encontro será regado a alegria, abraços e literatura.” brinca o especialista.

3- Aproveite os eventos culturais e literários das bibliotecas da sua região

Frequente as bibliotecas públicas e as bibliotecas comunitárias da sua região aos fins de semana com sua família. Muitos espaços têm atividades literárias e culturais aos fins de semana com atividades gratuitas.

4-Leve livros para casa

A leitura é um dos melhores hábitos que pais ou familiares podem proporcionar a uma criança ou adolescente. A leitura fortalece laços e cria vínculos, aprimora a escrita e o vocabulário, colabora para o aprendizado de diversos conteúdos e instiga a imaginação. Se não há como fazer a aquisição de livros, seja você a ponte entre ele e os seus filhos, torne-se um mediador, pegue livros emprestados em bibliotecas e leia para o seu filho. “Aproveite a vontade de tornar seus filhos leitores e busque o prazer pela leitura juntos” afirmou o mediador de leitura.

Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias

Se você for do estado do Rio de Janeiro, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pernambuco, São Paulo, Maranhão, Pará e Ceará, você pode procurar  e conhecer as bibliotecas da RNBC, no site: https://www.rnbc.org.br/p/localidades.html

Desde 2015, mais de 100 bibliotecas comunitárias nas regiões Norte, Nordeste, Sul e Sudeste experimentam e vivenciam a atuação da RNBC (Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias) com ações e trabalho diário de incentivo à leitura e à literatura e a democratização do acesso ao livro e à cultura literária.

“Se eu abrir esta porta agora…”

livro1

Na hora de dormir, um quarto escuro pode guardar algumas surpresas… Você tem certeza de que a porta do guarda-roupa está fechada? Tem certeza de que não há nada dentro, ou melhor, morando no guarda-roupa? Um monstro talvez?

O infantil “Se eu abrir esta porta agora”… faz o leitor assumir o protagonismo da história ao se colocar no lugar do personagem, abrindo sucessivas vezes a porta do guarda-roupa em um quarto escuro, sendo a cada momento conduzido a uma surpresa diferente.

O autor Alexandre Rampazzo, que também assina o projeto editorial, usa o formato do próprio livro para transformá-lo em um elemento da narrativa, permitindo que imaginação e realidade se misturem em uma história que conduz o olhar da criança para uma experiência única.

d5c601_49df5d57b5e24dc28adfc35e50f37a54~mv2_d_3024_4032_s_4_2

Cada página é como se fosse uma porta… A sequência é o leitor que escolhe… O suspense depende de como a leitura vai acontecer…

Afinal, você tem certeza de que não há nada lá dentro, ou melhor, alguém mesmo invisível morando no armário? São muitos os pontos de vista… E parece que a história nunca vai acabar. O livro tem mais essa surpresa: depois que a leitura termina de um lado, ela recomeça do outro.

“Se eu abrir esta porta agora”… é um lançamento da Editora Sesi-SP, tem 56 incríveis páginas sanfonadas e custa R$ 44,00. A contra-capa traz uma encantadora apresentação de Roger Mello.

O livro figurou na entre 30 melhores livros infantis do ano 2019 da Revista Crescer numa seleção avaliada por um júri popular e outros 42 jurados, que reúne os títulos que mais se destacaram em 2018. A revista Crescer também concedeu ao autor e ilustrador Alexandre Rampazzo o Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil 2019.

Em seguida, a obra foi uma das vencedoras do Prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) de 2019, que também contemplou as melhores obras produzidas no ano passado, em diversas categorias e “Se eu abrir esta porta agora”… venceu nas categorias Criança e Projeto Editorial.

02-SE-EU-ABRIR_miolo-3D-1-1024x533

Convidei Elizabeth Serra, Secretária Geral da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, para falar sobre a importância do prêmio outorgado ao livro pela instituição e, em seguida, publico na íntegra a entrevista que concedeu ao blog. Elizabeth Serra explica os critérios de qualidade que estão no Regulamento do Prêmio FNLIJ e a trajetória desse importante prêmio para a Literatura Infantil e Juvenil.

A entrevista

Elizabeth Serra: "Os livros premiados, como qualquer outro livro premiado ou não, devem estar presentes no cotidiano familiar e principalmente no escolar de todas as crianças e jovens"

Elizabeth Serra: “Os livros premiados, como qualquer outro livro premiado ou não, devem estar presentes no cotidiano familiar e principalmente no escolar de todas as crianças e jovens” – Foto: Divulgação

Rosa Maria: Como é o trabalho referente à seleção de livros que chegam ao mercado e se tornam recomendados pela Fundação?

Elizabeth Serra: Para iniciar gostaria de citar que a FNLIJ é a seção brasileira do International Board on Books for Young People / IBBY, instituição internacional criada em 1952, na Alemanha, presente hoje em mais de 70 países, cuja missão é a de promover a leitura de livros de qualidade para crianças e jovens, como direito.

O IBBY se mantém com a contribuição anual de suas seções nacionais e conta com o trabalho voluntário de especialistas para atuar no seu Comitê Executivo, bem como para compor o corpo de jurados de seus prêmios. O principal prêmio da instituição é o Hans Christian Andersen(HCA), que a cada dois anos elege um escritor e um ilustrador pelo conjunto da obra  dos candidatos indicados pelas seções nacionais. Como seção do IBBY, a FNLIJ é quem apresenta as candidaturas brasileiras para escritor e ilustrador com base nas suas premiações. As escritoras Lygia Bojunga e Ana Maria Machado, candidatas da FNLIJ, receberam o Prêmio HCA /IBBY em 1982 e 2000, respectivamente. Em 2014, o ilustrador Roger Mello, candidato da FNLIJ, recebeu o HCA/IBBY de ilustrador confirmando a qualidade de nossos artistas, também como ilustradores.

Assim é que, desde 1975, realizando no Brasil a missão do IBBY de premiar os melhores livros, a FNLIJ deu início às suas premiações que, por sua vez, subsidiam a indicação brasileira ao Prêmio HCA/IBBY e para outros prêmios internacionais.

O processo de Seleção da FNLIJ dura 10 meses e dele participam em torno de 20 leitores-votantes, especialistas em LIJ, selecionados pela FNLIJ, de diferentes cidades do país. O trabalho é de caráter voluntário, portanto sem remuneração.

Assim como no Prêmio HCA/IBBY, o Prêmio FNLIJ se expressa por um certificado e um selo, não havendo prêmio em dinheiro para os ganhadores.

 

RM: Com qual periodicidade a Fundação faz essa avaliação?

ES: A avaliação é anual e se refere aos livros, em primeira edição, publicados no ano de análise, de janeiro a 31 de dezembro.

 

RM: Como é a participação das editoras ou autores?

ES: A Seleção Anual da FNLIJ se inicia em agosto, quando divulgamos no nosso site o Regulamento do Prêmio para todas as editoras. Não é necessário fazer inscrição nem pagar taxa. Para participar o editor deve enviar cinco exemplares, de cada título, para a FNLIJ e um exemplar para a casa de cada votante.

 

RM: Quais são as categorias dos Selos de Recomendação? Descreva cada uma delas.

ES: A Seleção Anual da FNLIJ percorre diferentes etapas internas, que acompanham a chegada dos livros na FNLIJ e na casa dos votantes, até chegar ao Prêmio FNLIJ, cujo anúncio se dá pelo site da FNLIJ e Facebook. São 18 as categorias do Prêmio FNLIJ: Criança, Jovem, Imagem, Informativo, Poesia, Teórico Leitura e LIJ, Reconto, Literatura em Língua Portuguesa( Portugal), Tradução/ Adaptação Criança, Informativo, Reconto e Jovem, Teatro, Livro- Brinquedo, Escritor Revelação, Ilustrador Revelação, Melhor Ilustração e Melhor Projeto Editorial. Pode ocorrer que alguma categoria não seja contemplada com o Prêmio, como ocorreu este ano nas categorias Tradução/ Adaptação Reconto, Teatro e Livro-Brinquedo.

 

RM: Como eles são identificados nas obras?

ES: A FNLIJ disponibiliza para as editoras que solicitam o selo para o Prêmio FNLIJ, assim como para os que foram considerados Altamente Recomendáveis, etapa anterior a do Prêmio.

 

RM: A partir da premiação da obra com o selo, o que muda na trajetória dela?

ES: Além de servir de guia para famílias e professores selecionarem títulos para filhos e alunos, os selos da FNLIJ são utilizados pelos governos e instituições como indicações de qualidade para a compra de acervos. Nas universidades, são usados como referência para estudos e pesquisas do setor.

 

RM: Há quanto tempo, a Fundação oferece esse serviço ao leitor?

ES: A FNLIJ foi criada em 1968 e iniciou o processo de seleção anual em 1975 completando este ano 44 anos.

59912457_445744729324871_8151816620123581250_n

RM: No caso de “Se eu abrir esta porta agora…”, de Alexandre Rampazzo, Editora Sesi-SP, qual o selo esse livro mereceu? Por quê?

ES: O livro “Se eu abrir esta porta agora…”, de Alexandre Rampazzo, Editora Sesi-SP, recebeu o Prêmio FNLIJ nas categorias Criança e Melhor Projeto Editorial. Assim como todos os títulos que receberam o Prêmio FNLIJ, o livro contempla os critérios de qualidade que estão no Regulamento do Prêmio FNLIJ.

As justificativas para cada título que recebe o Prêmio FNLIJ são apresentadas em uma brochura, distribuída na cerimônia de entrega dos certificados aos vencedores e que depois é disponibilizada no nosso site. As justificativas dos prêmios do livro de Alexandre, assim como dos outros premiados, poderá ser conhecida tão logo a publicação estiver disponível. A divulgação das justificativas subsidia as escolhas de professores e pais.

 

RM: Em sua opinião, como esse livro deve ser tratado perante as crianças?

ES: Os livros premiados, como qualquer outro livro premiado ou não, devem estar presentes no cotidiano familiar e principalmente no escolar de todas as crianças e jovens por meio de leituras partilhadas por pais, avós, tios e irmãos e na escola, por professores. O que faz a diferença é que o adulto aprecie e seja leitor de literatura. Como tal, ele saberá a melhor forma de apresentar, comentar e ler o livro ressaltando as suas qualidades.

 

RM: Qual é o valor de um livro que contém mais imagem do que texto para a formação infantil? 

ES: As ilustrações devem estar no livro como expressões de arte dialogando com o texto escrito na forma de imagens, de forma original, sem estereótipos, enriquecendo a experiência da leitura.  Assim como o texto de qualidade, a ilustração deve surpreender o leitor provocando a sua curiosidade e a imaginação.  No Brasil, onde o acesso à arte é difícil e raro para a maioria das crianças e jovens, a ilustração de qualidade nos livros contribui para uma educação estética do olhar e do pensamento.

Espetáculos para aproveitar o feriadão

Atrações circenses, contação de histórias, oficinas e brincadeiras agitam o Junho Solidário do Museu dos Brinquedos, no recesso escolar, em favor de Brumadinho. Artistas de Belo Horizonte abraçam a causa e participam da ação solidária. O valor arrecadado na bilheteria será integralmente revertido para a comunidade.

Palhaço Sufoco - Foto de Alex Filogônio

Palhaço Sufoco – Foto de Alex Filogônio

O mês de junho no Museu dos Brinquedos (Avenida Afonso Pena, 2564 Funcionários, Beagá) é dedicado à solidariedade. Durante o período, acontece o programa Junho Solidário e o Museu receberá gratuitamente, aos sábados, grupos de crianças, adultos e idosos da Comunidade de Brumadinho.

O objetivo da iniciativa é promover a solidariedade, resgatar o lúdico e o brincar e reestabelecer a positividade na comunidade do município afetado pela tragédia da lama. Como parte das atividades propostas, os participantes poderão explorar as possibilidades de união, superação e positividade presentes no ato de brincar.

O funcionamento para o público geral segue normalmente, das 10 às 17 horas, com ingressos a partir de R$ 12 (meia). O valor arrecadado com a bilheteria será integralmente revertido para a comunidade de Brumadinho.

Katita Flor - Foto Divulgação

Katita Flor – Foto Divulgação

Atividades deste sábado, dia 22/6

10 às 17 horas – Exposição de brinquedos “Tempo será – histórias e memórias do brincar”

São aproximadamente 200 brinquedos de diferentes épocas e culturas. Histórias que fazem o visitante refletir sobre a sociedade e o indivíduo, além de demonstrar qual é a essência de um brinquedo: como ele surgiu, para onde sua tecnologia e uso apontam e o que ele fala de cada um de nós e de nossa sociedade.

11h30, 14 e 16 horas – Oficina de construção de brinquedos tradicionais

A proposta deste momento é desenvolver habilidades motoras, estéticas, a expressividade e incitar a criatividade. O ato de construir brinquedos altera a ordem das coisas, estimula o desejar, imaginar e realizar e transforma o diálogo do indivíduo com o mundo, posicionando-a de forma ativa.

10 às 17 horas – Brincadeiras

Em um amplo e colorido pátio, busca-se valorizar a descoberta da potencialidade brincante do nosso próprio corpo, estimular o imaginar, a relação entre gerações e ainda a interatividade e o coletivo. Através do brincar, a criança aprende, experimenta o mundo, suas possibilidades, relações sociais, elabora sua autonomia de ação, organiza emoções e ainda desenvolve a linguagem e as habilidades motoras. E o mais importante: a brincadeira é importante por si só por ser um ato lúdico, prazeroso em si, divertido e alimentador da alma de uma infância saudável.

11h e 15h – Atrações culturais

A cultura e a educação são áreas revolucionárias por natureza e, por meio delas, é possível mudar a visão de mundo e criar outras maneiras de olhar e agir. Por isso, o Junho Solidário ganha reforço com participação voluntária de artistas de Beagá que abraçam a causa.

Palhaço Chaveirinho - Foto Divulgação

Palhaço Chaveirinho – Foto Divulgação

Programação para os dias 20 a 22 de junho

20/6 – Quinta-feira – Feriado de Corpus Christi

11 horas: Contação de Histórias com Luzimara Brandt

15 horas: Contação de Histórias com Katita Flor

 

21/6 – Sexta-feira

11 horas: Palhaço Chaveirinho

13 horas: Desenhos Mágicos com Marcinho de Castro

15 horas: Palhaço e Mágico Sufoco

 

22/06 – Sábado

11 horas: Mágicos Jullius e Fred

15 horas: Contação de Histórias com Alessandra Vissentin

61682863_1020725364803853_4736284260929896448_n

A proposta de Junho Solidário

O Museu dos Brinquedos, que é uma das principais referências culturais dedicada ao brincar e à infância, em Minas Gerais, abre suas portas para esse momento de partilha e aprendizado com os moradores do município mineiro de Brumadinho localizado na região metropolitana de Belo Horizonte.

O programa Junho Solidário tem como objetivo incentivar uma proximidade humana com o genuíno e estimular a afetividade entre as pessoas, utilizando a brincadeira como uma forma lúdica e poderosa de estabelecer esses laços e construir relações transformadoras, como esclarece Tatiana Camargo, diretora Executiva do Museu.

“Acreditamos na existência do potencial brincante de cada indivíduo e sua capacidade de transformação interna independentemente da situação vivida ou de características de classe, idade, gênero e raça”.

O transporte Brumadinho/BH será viabilizado pelo Museu dos Brinquedos e pelo Instituto MRV.

Saiba mais sobre a iniciativa Junho Solidário a Brumadinho: http://bit.ly/junhosolidarioabrumadinho

O Museu dos Brinquedos de Belo Horizonte foi aberto em 2006 com a missão de preservar e difundir o patrimônio cultural lúdico da infância no Brasil. De uma coleção particular de brinquedos da querida Vovó Luíza surgiu a valorização do ato de brincar. De lá pra cá, ele vem se transformando e transformando pessoas. Já recebeu 95 mil visitantes espontâneos, 170 mil visitantes de escolas, universidades e grupos de terceira idade, promoveu mais de 300 apresentações culturais e mais de 60 ações e projetos itinerantes e de formação.

“A bola de folhas de bananeira”

Como um jogo pode mudar o mundo. Livro infantil é uma espécie de janela para o entendimento no campo de refugiados. Vale lembrar que o Dia Mundial do Refugiado é comemorado no dia 20 de junho e o lançamento é para levar essa realidade até às crianças.

essa

Separado da família, o garoto Deo encontra em sua atividade preferida a saída para driblar as dificuldades da convivência com estranhos. Isso é o que retrata o livro “A bola de folhas de bananeira – como um jogo pode mudar o mundo”, de Katie Smith Milway, lançamento da Editora Melhoramentos.

Se a condição de refugiado político é dura para os adultos, imagine para as crianças. Diante de uma realidade dura, Katie procura trazer uma mensagem de esperança expressa na trajetória do garoto Deo Rukundo. Certa noite, por causa da guerra, ele e a família tinham sido obrigados a deixar a fazenda onde plantavam batata-doce, feijão e banana. Foram atacados e, na fuga, Deo acabou se perdendo da família. Perdido no mato, foi socorrido e levado ao campo de refugiados em Lukole, na Tanzânia.

Sozinho entre desconhecidos e em meio a rusgas com outros meninos que viviam ali, ele encontrou uma saída por meio de uma das brincadeiras que mais gostava, nos tempos de paz em sua terra: o futebol, que jogava com uma bola feita por ele mesmo com folhas de bananeira. Uma atividade esportiva que precisa do trabalho em equipe para acontecer e tem muito a ensinar.

No final do livro, o leitor conhece um pouco da história de Benjamin Nzobonankira, natural de Burundi, um país africano, que inspirou a história de Deo. Ficamos sabendo que “em 1993, Benjamin, com dez anos, e sua família tiveram que deixar sua casa quando surgiu um conflito. Durante meses ele seguiu pela floresta, às vezes, sobrevivendo à base de água da chuva, frutas selvagens e folhas. Como Deo, Benjamin se perdeu de toda sua família”.

A obra de Katie também chama a atenção para o fato de que crianças refugiadas também podem sofrer preconceitos em outros ambientes nos países em que suas famílias se refugiam, como as escolas. E ressalta a necessidade de promover a confiança e a inclusão. Também fornece uma lista de entidades que trabalham com a questão.

A autora

Jornalista com passagem pelo The Wall Street Journal, Montreal Gazette e revista Time, Katie Smith Milway também tem grande experiência com o gerenciamento de organizações sem fins lucrativos e consultoria estratégica, em projetos de desenvolvimento sustentável, incluindo bancos comunitários, segurança alimentar, cuidados primários de saúde, recursos hídricos e educação. Com todas essas atividades, ainda se destaca como escritora de livros infantis e empreendedorismo social.

O ilustrador

Usando pinturas a óleo tradicionais a imagens geradas por computador, o ilustrador do livro é Shane W. Evans, que já colocou o seu traço em mais de 50 livros para crianças. Seu trabalho já foi reconhecido em premiações como o Boston Globe Horn Book Award e o Society of Illustrators for Illustration. Seus desenhos também estão presentes em pôsteres, capas de CDs, revistas e em trabalhos para clientes como Food and Drug Administration, Nike, Hallmark Cards, entre muitos outros.

O livro “A bola de folha de bananeira – Como um jogo pode mudar o mundo” tem 32 páginas e custa R$ 45,00.

60 anos de Bidu e Franjinha

No dia 18 de julho de 1959, foi publicada a primeira tira dos personagens de Mauricio de Sousa

thumbnail_Primeira tira publicada em 1959

O desenhista Mauricio de Sousa (83 anos) quando está em algum evento onde dá palestras sempre pergunta para a plateia:

– Quem, aqui, aprendeu a ler com as revistas da Turma da Mônica?

Prontamente, mais de 90% levantam as mãos. Pessoas das mais diversas idades. Tanto o avô, quanto o pai e os netinhos conhecem e leem esses personagens que se tornaram tradição nas famílias brasileiras.

Tudo começou com as tirinhas do Bidu e Franjinha, publicadas desde 1959, nas páginas da então Folha da Tarde (atual Folha de São Paulo). E hoje, a Mauricio de Sousa Produções (MSP) se transformou na maior empresa de entretenimento do Brasil, responsável por uma das marcas mais admiradas do país, a Turma da Mônica. Única desse porte na América Latina. Só nos quadrinhos são produzidas mais de 1.200 páginas de historinhas por mês. Cerca de 150 empresas licenciam os personagens para mais de 3.500 itens. O reconhecimento é internacional com premiações no Japão, Itália, China, Coreia do Sul, França, EUA, entre outros países.

E, neste ano, a comemoração não fica só na história, a MSP já começou a trazer grandes novidades, desde janeiro, com a vinda da nova personagem Milena e sua família para o bairro do Limoeiro, a entrada da Turma da Mônica Jovem nos Estados Unidos e Canadá, a exibição na National Geographic do documentário biográfico sobre Mauricio de Sousa, o alcance de 10 milhões de inscritos no canal da Turma da Mônica no Youtube (que já tem mais de 10 bilhões de visualizações), novos games como “Mônica e  Guarda dos Coelhos” e “Astronauta Toy: corrida espacial”, mais a abertura da nova subsidiária internacional da MSP no Japão (a “Mauricio de Sousa Productions Japan”). Conheça mais novidades que ainda estão chegando:

Filme Turma da Mônica “LAÇOS” – O primeiro live-action da Turma da Mônica, baseada na Graphic Novel brasileira mais vendida no país feita pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi. O filme será lançado nacionalmente no dia 27 de junho.

Circo Turma da Mônica “Brasilis”– O novo grande espetáculo da “Mauricio de Sousa Ao Vivo”, superprodução circense-musical que enaltece a diversidade cultural do País, trazendo a representatividade das nossas origens, passando pela cultura indígena, africana e europeia de um jeitinho único e especial dentro do universo das criações de Mauricio de Sousa. Conta com mais de 100 figurinos, efeitos especiais e um elenco de artistas e bailarinos, além da Turma da Mônica.

Geração 12 – Um novo selo de mangá MSP com a Turma da Mônica e seus personagens com 12 anos de idade. Sua coleção será dividida em temporadas com seis episódios cada.

Exposição “Olá, Mauricio!” – No prédio da FIESP, na Avenida Paulista, uma grande experiência com Mauricio e sua turminha como nunca antes formatada para que todos que amam a Turma da Mônica e seu criador se lembrem para sempre. Terá início no dia 17 de julho e término em 15 de dezembro de 2019.

Parque Turma da Mônica em Pernambuco – Depois de Goiânia, onde foi inaugurada a Estação Turma da Mônica dentro do Shopping Cerrado, agora, é Olinda que terá um parque indoor no Shopping Patteo Olinda, um lugar para toda a família se divertir com a turminha.

 Monteiro Lobato com a Turma da Mônica No ano em que a obra de Monteiro Lobato entra em domínio público, a Turma da Mônica chega às livrarias para contar as histórias do escritor. Com ilustrações de Mauricio de Sousa, já foram lançadas “Narizinho Arrebitado” e “O Sítio do Picapau Amarelo”, publicadas pela Girassol Brasil Edições.

 Homenagem – 47º Festival de Cinema de Gramado homenageia, com o Troféu Cidade de Gramado, o desenhista Mauricio de Sousa pelos 60 anos da primeira tira publicada em julho de 1959, no Jornal Folha da Manhã (atual Folha de São Paulo).

5… 4… 3… 2… 1… – Mônica e Menino Maluquinho perdidos no espaço reúnem as criações máximas de Mauricio de Sousa e Ziraldo pela segunda vez. Neste livro, escrito por Manuel Filho e publicado pela Editora Melhoramentos, repleto de fantasia e aventura, Mônica e Maluquinho contarão com a ajuda de seus amigos (até o Chico Bento participa) para solucionar um mistério interplanetário. Se você pensou em extraterrestres, acertou. Aperte os cintos e prepare-se para a decolagem rumo à diversão.

“Belabelinha”

Personagem do livro infantil é uma bonequinha que sonha em ser gente pra ter um coração e amar. História traz reflexões profundas sobre origem, identidade e amor próprio.

ccxpstrip_426487_0_web

A atriz e autora Leona Cavalli deu vida a “Belabelinha”, uma boneca que, para realizar seu desejo de se tornar humana, viaja pela floresta Amazônica conhecendo seres míticos e de fantasia e com eles ela vai ponderando sobre as vantagens e desvantagens de ser gente. Uma boneca sapeca que apresenta para as crianças um universo encantado de delicadeza e inesperados encontros com seres míticos: Yara, Curupira, Sumé…

Entre as 48 páginas desse livro, a floresta é o quintal da Leona, ou melhor, da Belabelinha. Um mundo cheio de cores que ganha ainda mais vida com as ilustrações de Cecilia Murgel.

O livro “Belabelinha” é, portanto, uma odisseia de descobertas e transformações, poética e sensível que termina com graça e esperança. Valor R$ 68,00

ccxpstrip_426487_1_web

Leona Cavalli (foto) atua como atriz, diretora e escritora. Está atualmente no ar na novela “Orfãos da Terra”, de Thelma Guedes e Duca Rachid, na Globo. Em julho, volta em cartaz com a comédia “Gatão de Meia Idade”, de Miguel Paiva, direção Eduardo Figueiredo, onde faz 8 personagens. Após a novela roda o longa “A cerca”, de Raul Guterres, e lança o longa co Produçâo Brasil/ Argentina “Agua dos Porcos”, direção Rolly Santos, que rodou ano passado.
O espetáculo “Pandora”, que dirigiu e escreveu, junto com as atrizes Jaqueline Roversi e Jordana Korich, faz temporada em São Paulo em novembro.
Está lançando seu segundo livro. O primeiro foi ” Caminho das Pedras”.

“As aventuras de Nikko – A fuga”

Editora Novo Século lança livro infantil aproveitando o forte apelo atual em torno dos animais domésticos.

cBNHdhh2VGJTJt92YuEWay92czV2czFWZyJ2buBDNl8GdhRnbvNmRyUycuV2Zh1WaGJTJz9VL50yXGJTJt92YuIHct1SaGJTJGJTJBNTJwRHdopzN

Inspirada no seu mascote da vida real, a primeira obra da autora Josie Oliveira traz a história de um cachorro doméstico, Nikko, que mesmo tendo uma vida luxuosa, sonha em conhecer melhor a sua cidade, o Rio de Janeiro e viver novas experiências.

Para realizar seu desejo, Nikko arma um plano para fugir da casa onde vive. A partir da sua fuga, Nikko vive momentos únicos, repletos de diversão, confusão, aprendizado e passa a colecionar novas histórias e amizades. Para Josie, o livro vai além da literatura:

“A história tem comédia, romance, suspense e papo sério como abordar cuidados com os animais, o preconceito, a ausência dos pais na vida dos filhos e outros assuntos tão pertinentes nos dias atuais. A arte literária nos faz refletir, questionar, emocionar, entreter e pode ser um prestador de serviço.”

Para a escritora, a história tem muitos pontos que poderão também envolver facilmente os adultos. “Através do livro eu quis transmitir valores que julgo essenciais. A importância da amizade, da educação na formação não só acadêmica, mas na construção da vida de uma pessoa. O respeito às diferenças, a empatia, o zelo aos animais. E os laços criados através do amor”.

A ideia de Josie em escrever uma história sobre animais veio de sua paixão pelos bichos antes mesmo de se tornar “mãe” de um cachorrinho. “Eu amo os animais, são seres puros, muitas vezes indefesos e vemos vários casos de maus tratos e abandono. O livro vem de um esqueleto que escrevi no ano 2000, mas deixei arquivado. Com o tempo fiz cursos para escritores, oficinas literárias e numa conversa com uma profissional, ela viu potencial na história. Com mais bagagem cultural e criando um cachorro, atualizei a história, acrescentei personagens, canários e assim, nasceu As Aventuras de Nikko – A Fuga.”

Resumo da história

Uma vida luxuosa e tranquila é tudo que um animal de estimação poderia desejar, não é mesmo? Bem, não era o caso do shih-tzu Nikko (ou Peludo, para os mais próximos. Ele estava cansado de tudo isso. Queria conhecer o mundo e viver grandes aventura. O cãozinho realiza seu sonho, quando foge de sua mansão e finalmente conhece o Rio de Janeiro. Faz amizades com animais de vida bem diferente da sua e aprende que aceitar as diferenças é fundamental.

Em meio a tudo isso, nosso herói canino enfrentará terríveis perigos, pois há uma quadrilha malvada à solta transformando cães em… Sabão! Que cachorrada… Mas Nikko contará com a ajuda de seus novos amigos e até mesmo de uma inesperada paixão.

Divertido, educativo e incrivelmente ilustrado, “As aventuras de Nikko: A fuga” é uma história que vai encantar toda a família, trazendo mensagens muito importantes para os nossos dias, como o cuidado com os animais, o combate aos preconceitos e o respeito às diferenças.

O livro custa R$ 29,90 e pode ser adquirido nas livrarias virtuais.

“Kakopi, Kakopi”

essa

Na República de Uganda, país do leste da África, onde os idiomas oficiais são o Suaíli e Luganda, a palavra ‘Kakopi’ significa ‘esta aqui’. No lançamento da Editora Melhoramentos, que carrega esse termo no título, o mesmo se refere a uma brincadeira entre crianças africanas. O autor Rogério Andrade Barbosa, professor de literatura africana, apresenta neste livro 20 brincadeiras africanas e a ilustradora Marília Pirillo completa a compreensão do leitor, em torno dessa rica pesquisa, com ilustrações que ressaltam a cultura dos diversos países, povos e jogos citados.

 

abrir com essa

Se alguém procura por novas e autênticas brincadeiras infantis , eu recomendo o livro “Kakopi, Kakopi” baseado em viagens pelo continente africano e pesquisas  culturais, com ênfase em literatura, do seu autor Rogério Andrade Barbosa. Ele destaca que, mesmo com as distâncias geográficas, as crianças são iguais em qualquer lugar do mundo.

“Todas as crianças gostam de correr e brincar de diferentes formas nas horas vagas. Muitas das brincadeiras africanas, como as de roda, de esconde-esconde e de jogar pedrinhas são bem parecidas com as nossas do Brasil. Outras, entretanto, como os leitores poderão comprovar, são bem distintas”.

O autor gosta de citar o escritor moçambicano Mia Couto para fazer a síntese desse raciocínio: “Vivemos em geografias diferentes, mas estamos sentados na mesma varanda”.

a segunda

Países citados

Em “Kakopi, Kakopi” o autor destaca 20 países e, de cada um deles, selecionou a brincadeira mais representativa, culturalmente.  A lista de países com as respectivas brincadeiras é a seguinte:

lista

Quênia: Nyama! Nyama!

Argélia: Àrsherez

Congo: Osani

Senegal: Corrida de três

Guiné-Bissau: Surumba, Surumba

Zâmbia: A serpente

Tanzânia: Nngapi?

Namíbia: Chukulu

Burkina Faso: Sasa Kuru

Togo: Tum Tum!

Sudão do Sul: A armadilha dos felinos

Sudão do Norte: Gadidé

Zimbábue: Mwoto Mugono

Uganda: Kakopi, Kakopi

África do Sul: Mbube, Mbube

Moçambique: Mocho

Gana: Chakyti Cha

Angola: Taxi-Kabelebele-Taxi

São Tomé e Príncipe: Jogo do limão

Marrocos: Tabuaxart

argelia

Todos os países citados são mostrados no mapa da África. O autor ainda convida as crianças para pesquisarem, entre os países citados no livro, seus costumes, contos e contadores de histórias; idiomas, selos, danças, religiões, canções e culinária…

Aqui, vamos falar da brincadeira que deu título ao livro e, através dela, o leitor vai ter uma ideia de como as demais brincadeiras são descritas pelo autor: de um jeito fácil de entender e de praticar:

“Nesse jogo infantil de Uganda chamado As pernas da galinha, o destino de cada jogador é decidido pelo toque de colher de um cozinheiro de mentirinha.

O brinquedo se inicia com um punhado de crianças sentadas no chão, lado a lado, com as pernas esticadas à frente de seus corpos, como se fossem as pernas da galinha que está sendo cozinhada para o jantar.

Um dos brincantes, sorteado para ser o cozinheiro, segura um pedaço de madeira. Ou seja, a colher com a qual ele mexe a comida.

O cozinheiro, com a improvisada colher de pau em uma das mãos, sai tocando as pernas de cada criança, enquanto canta ‘Kakopi, Kakopi’.

De repente, ele para de cantar. Nesse instante, a criança que teve a perna tocada por último tem de encolhê-la, pois ela está queimada e não serve para comer.

As crianças vão sendo retiradas do jogo, a partir do momento e que tenham as duas pernas queimadas.

O ‘Kakopi, Kakopi’ termina quando restar apenas o brincante que tenha uma ou ambas as pernas tocadas.”

Esse livro tem 48 páginas, custa R$ 50,00.

Rogério Andrade Barbosa também é autor de “Ndule, Ndule”, Assim brincam as crianças africanas, outro lançamento da Editora Melhoramentos.

Ele concedeu uma entrevista ao Blog Conta uma História e comentou sobre seu encantamento pela África e o novo livro.

A entrevista

“Todas as crianças gostam de correr, brincar e jogar”

“O que eu destaco no livro é que, não importa o país, criança é criança em qualquer lugar” afirma o autor de ‘Kakopi, Kakopi’, Rogério Andrade Barbosa que, na foto, está acompanhado da ilustradora Marilia Pirillo - Fotos: Divulgação

“O que eu destaco no livro é que, não importa o país, criança é criança em qualquer lugar” afirma o autor de ‘Kakopi, Kakopi’, Rogério Andrade Barbosa que, na foto, está acompanhado da ilustradora Marilia Pirillo – Fotos: Divulgação

Rosa Maria: O que significa “Kakopi”? Qual a origem desse nome?

Rogério Barbosa: Kakopi significa, em um dos idiomas falados em Uganda, “esta aqui, esta aqui…”

RM: Você é um estudioso da cultura e línguas africanas? Tem outros livros do mesmo tema?

RB: Sim, inclusive sou professor de literatura africana e tenho cerca de 50 livros apenas sobre a temática africana voltada para o público infantil e juvenil.

RM: Como surgiu esse encantamento pelos povos africanos?

RB: O primeiro encantamento foi quando trabalhei durante dois anos como professor voluntário da ONU na Guiné-Bissau. Que se prolonga até hoje, já que, constantemente, retorno ao Continente Africano para pesquisar e recolher novas histórias para meus livros.

RM: Por que escolheu os 20 países? Tem uma razão especial?

RB: Os países foram escolhidos em função das brincadeiras pesquisadas.

RM: Destas 20 culturas, o que tem a destacar?

RB: Os países selecionados apresentam diferentes culturas, dando, assim, um panorama da diversidade africana.

RM: E o que destaca do livro?

RB: A produção através de encontros e material fotográfico, em parceria com a ilustradora Marília Pirillo, foi altamente proveitosa.

RM: Como tem sido a repercussão deste livro especialmente nas escolas?

RB: A repercussão nas escolas tem disso a melhor possível. Inclusive, com oficinas que eu ministro voltadas para professores.

RM: Tem lançamento previsto para a África também?

RB: O livro, por enquanto, foi lançado apenas no Brasil. Mas eu tenho outro título publicado, em inglês, em Gana.

limao