“Canastra de Histórias” etc

Museu dos Brinquedos apresenta, em Belo Horizonte, atração especial de Dia das Mães na manhã e tarde deste sábado, 12 de maio. Destaque para o reconhecido trabalho de Bárbara Amaral, “Canastra de Histórias”, que chega ao Museu com uma versão especial para a data.

Bárbara Amaral e o espetáculo sobre literatura brasileira - Foto: Divulgação

Bárbara Amaral e o espetáculo sobre literatura brasileira – Foto: Divulgação

O Dia das Mães está chegando e o Museu dos Brinquedos preparou uma programação especial para comemorar. No próximo sábado, dia 12, Bárbara Amaral, artista, narradora de histórias e arte educadora, vai retratar lendas, folclore, cantigas, danças, mitos e as parlendas por meio de músicas, rimas e brincadeiras populares. Ao longo do dia, as crianças ainda poderão participar de uma oficina para construir um presentinho para sua mamãe.

A “Canastra de Histórias” é inspirada na obra do historiador e antropólogo Luís Câmara Cascudo e Ricardo Azevedo e por trás de todo esse espetáculo, sua intenção é divulgar e valorizar a literatura oral brasileira, melhorar a relação entre crianças e adultos, e ainda trabalhar com diversos temas recorrentes em nossa sociedade, como natureza, diversidade, respeito, entre outros. A apresentação será na sede do museu, Av. Afonso Pena, 2564 em Belo Horizonte.

Além da programação especial de Dia das Mães, durante todo o horário de funcionamento do Museu (das 10h às 17h), é possível conferir a exposição histórica de brinquedos do acervo do Museu; exposição itinerante “Gambiogame – História e desafios dos jogos eletrônicos”; pátio de brinquedos e brincadeiras; oficinas de brinquedos tradicionais; e brinquedoteca.

Programação do sábado

10h às 16h: Exposição de brinquedos, brinquedoteca e pátio de brinquedos tradicionais.

11h e 15h: Oficina de produção de presente para a mamãe

11h30 e 15h30: Brincadeiras coletivas no pátio

16h: Canastra de Histórias, com Bárbara Amaral

17h: Encerramento

Aberto de segunda a sábado e nos feriados, das 10 às 17h, o Museu dos Brinquedos é apoiado pelo Instituto Unimed-BH e pela Companhia de Gás de Minas Gerais – Gasmig, via Lei Federal de Incentivo à Cultura.  O ingresso custa R$ 24, com meia entrada, para permanência no local durante todo o horário de funcionamento.

Mais informações pelo site http://www.museudosbrinquedos.org.br/ ou telefones (31) 3261-3992 e 3146 9633.

O grande festival dos Quadrinhos

Belo Horizonte é sede de um Festival Internacional de Histórias em Quadrinhos que está entre os mais conceituados do mundo: a 10ª edição do FIQ-BH será realizada de 30 de maio a 3 de junho e tem entrada gratuita para o público. Os convidados internacionais são o britânico Dave McKean, a belga Flore Balthazar, a francesa Gauthier, a alemã Claudia Ahlering e os italianos Zerocalcare e Mario Alberti. A homenageada dessa edição do festival é a brasileira Érica Awano e os demais convidados nacionais são Eloar Guazzelli, Marcelo D’Salete, Dika Araújo, Rebeca Prado e Cris Eiko.

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O FIQ-BH é o maior evento da América Latina dedicado ao gênero dos quadrinhos e será realizado em Belo Horizonte de 30 de maio a 3 de junho de 2018, na Serraria Souza Pinto. Além das oficinas, a edição de 2018 contará com mesas redondas, bate-papos, exposições, lançamentos, sessões de autógrafos e atividades interativas. Todas as atrações têm entrada gratuita. O FIQ-BH é correalizado pelo Instituto Periférico e conta com os patrocínios da Oi e da Cemig, viabilizados por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.

AwanoUma das presenças confirmadas no evento é a da homenageada da 10ª edição do FIQ-BH: Érica Awano (foto), profissional de destaque entre os quadrinistas brasileiros, com reconhecida projeção internacional. Formada em Letras e Literatura pela USP, Érica Awano começou a trabalhar profissionalmente com a minissérie em quadrinhos “Street Fighter Zero 3”, escrita por Marcelo Cassaro, parceria que se repetiu na premiada série “Holy Avenger”, título que durou 42 edições – na época, considerado o quadrinho nacional mais longevo para público adolescente – e “DBride”, publicada originalmente dentro da revista Dragon Slayer. As duas histórias são ambientadas em um cenário de jogo de RPG (Role Playing Game) chamado “Tormenta”, título para o qual a desenhista vem atuando também como ilustradora, tanto em capas como na criação visual de vários personagens e cenários.

Trabalho de Érica Awano

Trabalho de Érica Awano

Érica trabalhou para o mercado estadunidense e europeu em títulos como “Warcraft Legends”, série de mangá ambientado no famoso jogo “World of Warcraft” e “The Complete Alice in Wonderland”, roteirizada por Leah Moore e John Reppion, colorida por PC Siqueira. Em 2006, participou do álbum em comemoração aos 25 anos de “O Menino Maluquinho de Ziraldo”; em 2009, do álbum “MSP 50” em homenagem aos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa, onde escreveu e desenhou uma história do Chico Bento; em 2016, “Memórias do Maurício”, ilustrando o relato do encontro e amizade com Osamu Tezuka, considerado por muitos como o pai do mangá moderno.

Série “GGWP” assinada por Érica Awano

Série “GGWP” assinada por Érica Awano

O trabalho mais recente no mercado brasileiro de Érica Awano é de 2017 na série “GGWP” produzida pela Riot Games do Brasil, baseada em relatos de jogadores em partidas de “League of Legends”.

Além da homenageada, também têm presença confirmada no FIQ-BH quadrinistas como a belga Flore Balthazar, a francesa Gauthier, o italiano Zerocalcare, Eloar Guazzelli, Marcelo D’Salete, Dika Araújo e Cris Eiko, responsável pela identidade visual do FIQ-BH 2018.

Em 1997, quando Belo Horizonte comemorou seu primeiro centenário, a capital foi sede de diversos eventos e homenagens. Um deles, em especial, chamou a atenção de todos, com convidados nacionais e internacionais de renome, transformando BH, pela primeira vez, no maior ponto de encontro latino-americano de HQs. Era a 1ª Bienal de Quadrinhos, realizada nos espaços nobres e históricos da Serraria Souza Pinto. A partir de 1999, rebatizado como Festival Internacional de Quadrinhos (FIQ), o evento configurou-se como referência obrigatória para os quadrinistas e hoje pode ser considerado o principal do gênero na América Latina.

O FIQ-BH é um espaço propício para o encontro de profissionais e a troca de experiências artísticas e pedagógicas relacionadas à linguagem da arte sequencial. Além das diversas atividades oferecidas, artistas acadêmicos convidados estimulam a capacitação de profissionais e incentivam formação de jovens quadrinistas. A edição mais recente do FIQ-BH, realizada em 2015, recebeu mais de 80 mil pessoas do Brasil e de outros países.

10º Festival Internacional de Quadrinhos de Belo Horizonte (FIQ-BH)

Entrada gratuita – Informações: www.fiq.pbh.gov.br

“Alto, baixo, num sussurro”

Um livro para as crianças pensarem sobre a intensidade sonora. Através deste lançamento da Editora do Brasil, é possível compreender a importância do som e também do silêncio e suas diversas formas.

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Recebi o livro “Alto, baixo, num sussurro”, edição do professor. É um daqueles livros que nos surpreende por vários motivos: a originalidade, a sequência da narração, a pesquisa, a forma de tratar o tema e a beleza de cada página. Os autores Romana Romanyshyn e Andriy Lesiv são da Ucrânia e detêm os mais importantes prêmios mundiais da literatura infantil especialmente no quesito ‘ilustração’.

Eles abordam o mundo invisível dos sons e do silêncio, da audição e da surdez, e ainda tratam da importância de ouvir e escutar os outros. E também de entender mesmo sem usar palavras em “Alto, baixo, num sussurro”, 61 páginas, tradução de Flora Manzione.

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A cada página, surge um aprendizado, uma proposta de conversar com as crianças e conduzi-las a pensar e pesquisar mais sobre o tema. As ilustrações materializam o invisível mundo do som: anatomia humana do sistema auditivo, sons harmoniosos ou não, sons altos e baixos, a música, tipos de vozes masculinas e femininas, os sons do nosso corpo que os médicos escutam, os sons da nossa casa, os sons da rua, da natureza e dos animais, os sons dos idiomas, a língua dos sinais, os sons entre duas pessoas e seus sentimentos e o silêncio. Tudo isso é explicado no livro.

“No começo, tudo era silêncio. Mas depois tudo ficou barulhento. O Universo se encheu de sons”.

O som é invisível. Porém, atrai nossa atenção, nós o ouvimos e então o escutamos”.

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Um pouco mais adiante, lemos:

2418No mar de sonhos conhecidos e desconhecidos buscamos ordem e harmonia. É assim que nasce a música.” Nesta fase do livro, o leitor encontra uma rica oportunidade de entrar no mundo dos sons dos instrumentos musicais antigos e atuais, além das vozes e canções. “Graças à voz, podemos entender e nos comunicar com quem está perto de nós. E com a ajuda dela, você também pode fazer um milagre chamado canto”.

Se o livro trata de sons, também inclui a ausência dele. E os momentos de silêncio? “No silêncio podemos encontrar o que procurávamos há tempos e ouvir algo muito importante _ por exemplo, o som de dois corações batendo”.

“Alto, baixo, num sussurro” é um livro para se guardar e referência de pesquisa até mesmo para os adultos. Esse universo dos sons e do silêncio custa R$ 48,20 e está à venda nas principais livrarias e n o site da editora www.editoradobrasil.com.br/lojavirtual/detalhe.asp?CODIGO=74150105211

 

Livros infantis disparam boas conversas

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Fonte: novaescola.org.br

Os livros infantis estão entre os materiais mais usados em sala de aula na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Básico. E por uma razão importante: eles podem compor um universo de temas que o professor quer trabalhar com as crianças e ampliar seu vocabulário e compreensão. “O livro é um ‘disparador’ para que as crianças possam pensar sobre algumas coisas, como respeito, o outro e aquilo que é diferente”, diz Denise Tonello, orientadora educacional e pedagógica do 1º ciclo Ensino Fundamental 1 no Miguel de Cervantes, em São Paulo. Segundo ela, principalmente na faixa até o 3º ano, as histórias são importantes para trabalhar essa reflexão das crianças sobre vários assuntos.

Para o professor, tão interessante quanto as histórias que o livro conta é o que essa leitura trará para a turma. “A literatura ajuda no desenvolvimento da linguagem, na ampliação do vocabulário, além de despertar sentimentos, emoções, desenvolver a imaginação, a criticidade, proporcionar experimentar mundos novos de modo significativo e prazeroso”, afirma a professora Samantha Ishikawa, do Colégio Santa Maria. Nesse processo, durante ou após a leitura, é crucial ouvir as crianças, para que digam qual é o seu entendimento. “Às vezes, a gente se surpreende com o que elas enxergam naquela história”, afirma Denise. Ela reforça que as histórias são importantes, mas as crianças também precisam ver exemplos na vida real. “Não adianta pegar um livro bom, ler com os alunos e achar que já fez sua parte. É importante dar voz para a criança e perceber o que e como ela entende a história”.

O educador precisa estar ciente que não é uma questão de escolher o livro somente preso a ensinamentos moralizantes. “Trocar impressões, aguçar percepções, demorar-se em uma página, voltar e reler trechos provocadores são situações muito mais valiosas do que buscar mensagens, na maioria das vezes, reducionistas”, destaca Cristiane Tavares, mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP e coordenadora do curso “Livros, crianças e jovens: teoria, mediação e crítica”, no Instituto Vera Cruz.

Nesse contexto, se o professor tem um tema claro de conversa que deseja puxar com a turma, vale questionar se a escolha do livro contempla o tema como estereótipo ou em suas sutilezas. “Via de regra os livros que disparam as melhores conversas com as crianças não são aqueles que necessariamente tratam do tema de forma direta”, pondera Cristiane. Um livro que foi programado para falar sobre preconceitos, por exemplo, pode sustentar e perpetuar estereótipos, mesmo que não intencionalmente.

“Ao escolher os livros, os professores preocupam-se muito com a linguagem explícita e com as imagens, se o livro é visualmente interessante e se o vocabulário é de fácil compreensão para a faixa-etária”, diz Samantha. Embora a preocupação seja legítima, outros cuidados devem ser tomados considerando o tema, a ampliação do vocabulário e os significados das palavras e as próprias interpretações que podem ser feitas a partir da leitura.

“Dependendo de como o livro surgiu, ele não vai ter um bom efeito, pois parte de um estereótipo”, defende Cristiane. “É melhor um livro que não tem essa conversa editorial, mas que foi escrito por um autor negro, por exemplo”. Samantha concorda e acrescenta que além de considerar a história de vida do autor, é interessante compartilhar esse conteúdo com os alunos após a leitura. “Além de se familiarizar com o autor, isso abre a possibilidade de compreenderem melhor a intencionalidade do professor com essa ação”, diz. A professora também indica que a forma como a linguagem é abordada no livro infantil é fundamental para o seu sucesso ou seu fracasso. “Por isso, é fundamental que o professor analise bem a linguagem apresentada pelo livro”.

Para Cristiane, a leitura compartilhada com crianças pode ser disparadora de boas conversas sobre os mais variados assuntos. “Mas conversar sobre livros é, antes de tudo, uma experiência estética. Na maioria das vezes, os não-ditos são extremamente significativos”, considera. Por esse motivo, a conversa pode estar baseada em outros elementos que não a mensagem em si. O ‘disparador’ pode estar nas ilustrações, na construção textual ou no próprio projeto editorial.

Além disso, Samantha destaca que, muitas vezes, é a partir das perguntas dos professores que os livros trazem essas boas conversas e os alunos percebem o que está nas entrelinhas. Para isso, é importante aguçar a curiosidade dos alunos em relação ao tema. Ela indica que é possível conversar antes da leitura sobre o título, imagens de capa e contra-capa e até mesmo o próprio conteúdo. A troca entre perspectivas dos alunos também é importante nesse processo. “Isso é fazer a predição, é envolver os alunos na tentativa de estabelecerem relações. Depois a história será contada e confirmarão ou não suas hipóteses iniciais”, diz.

A seguir selecionamos alguns livros indicados pelas entrevistadas desta reportagem. No entanto, sobre a lista de bons autores e livros, Cristiane acrescenta: “Uma lista é sempre uma lista – reduzida e incompleta, ponto de partida, nunca de chegada!”.

_b3f5ec4d5877838f9243ad82a5be0b5b1f32300a1. Dez bons conselhos do meu pai
João Ubaldo Ribeiro – Companhia das Letras
O livro elenca valores a partir dos conselhos que o pai do escritor lhe deu: seja verdadeiro, pense no que você faz, nunca seja medroso… Durante a leitura, o professor pode explicar a razão desses conselhos para as crianças e trabalhar a questão dos valores e da importância de ouvir os mais velhos.

 
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2. O Sol se põe na tinturaria Yamada

Claudio Fragata – Editora Pulo do Gato
Ao retornar à cidade na qual passou a infância, o senhor Yamada faz uma viagem ao tempo com o neto a partir de poesias e de uma velha cantiga. A partir da leitura, é possível trabalhar a relação afetiva com os livros, poesia, família, cotidiano e até com a própria escola.

 

c5eaa32f883. Roupa de brincar
Eliandro Rocha –  Editora Pulo do Gato
Indicado tanto para uma leitura compartilhada quanto para quem está começando a ler sozinho, a obra conta a história de uma menina que tinha como a melhor diversão o guarda-roupa da tia. É um livro para se trabalhar as relações familiares, fantasia e realidade, olhar infantil, brincadeiras, mudanças e superação.

 
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4. Maria vai com as outras
Silvia Orthof – Editora Ática
Maria era uma ovelha que sempre fazia o que as outras ovelhas faziam. E se uma ovelha faz algo que não deveria e as outras copiam? É um livro que faz a criança pensar por ela, o que é certo e o que é errado.

 

3733075. O pote vazio
Demi – Martins Fontes
O imperador busca um sucessor e decide distribuir sementes a todas as crianças, para que cultivem flores, dizendo que uma delas será escolhida. A história trabalha a questão do fracasso e da honestidade, com ilustrações e texto primorosos.

 

 
421367486. O reizinho mandão
Ruth Rocha – Salamandra
O personagem do título é um menino que vive dando ordens aos outros e só faz o que quer. É uma história para que o professor trabalhe a questão do coletivo, lembrando às crianças que em casa pode ser uma coisa, mas no dia a dia com o grupo e na escola é preciso dar espaço ao outro.

 

book1717. Valores para convivência
Esteve Pujol i Pons – Ciranda Cultural
Coletânea de contos que falam de respeito, justiça, desigualdade. A partir dos temas, o professor pode discutir com as crianças quais são os valores que consideram importantes em suas vidas.

 

 
1869928. O livro das virtudes para crianças
William J. Bennet – Nova Fronteira
Dois volumes com contos, em que cada história trabalha uma virtude. A leitura ajuda as crianças a reconhecer os bons valores.

 
85262360839. Não fui eu!
Brian Moses – Editora Scipione
É um livro para tratar a questão da honestidade, a partir da história do menino que não assume aquilo que fez.

 

 
03f6bd6e-1ece-4a96-9ad6-5169db3f106810. Pode pegar!
Janaína Tokitaka – Boitatá
A obra aborda de forma sutil a identidade do gênero a partir de uma questão muito presente desde o nascimento das crianças: existe roupa de menino e roupa de menina? O questionamento sobre os costumes culturais é feito a partir de dois coelhos, um de saia, batom e sapatinho de salto e de botas, calça e gravata.

 

untitled 211. Tenho medo
Ivar da Coll – Livros da Matriz
Eusébio não consegue dormir por ter medo dos monstros que se escondem em lugares escuros. Para se proteger dos perigos da noite silenciosa, ele conta com um amigo. A obra trata da confiança e da importância da amizade para vencer os medos – mesmo que sejam imaginários.

 
675362_minhas-duas-avos-1071260_m2_63640464757545073012. Minhas duas avós
Ana Teixeira – Pólen
O tema central é o das diferenças. A autora faz uma ponte, tanto no texto, quanto nas imagens do livro entre sua própria vida e a ficção. A história fala sobre duas mulheres muito diferentes, que vivem juntas em um universo lúdico.

 

bdff4e90-0a85-4c20-ae6c-fd60eabaf9e013. Vazio
Catarina Sobral – Ed. 34
Este é um dos títulos que não fica restrito à história escrita l – até porque se trata de um livro sem palavras. A partir de recortes, pinceladas, carimbos e garatujas, a autora cria uma fábula visual que permite vários níveis de leitura sobre o sentimento do vazio.

 
a2c7752b-6847-4c04-b655-d76fcc70a1bd14. Esperando a chuva
Véronique Vernette – Editora Pulo do Gato
Afinal, vai chover ou não? Nesse livro, a autora explora a necessidade do homem de se adaptar à força da natureza. O texto em primeira pessoa também ajuda as crianças a se identificar com os pensamentos da personagem.

 
image_3bd89c0e-1464-48ac-94b6-447589b22a64_grande15. Migrando
Mariana Chiesa Mateos – Ed. 34
Neste livro também sem palavras, a autora aborda um tema cada vez mais presente dentro das escolas: a imigração. A leitura pode ser iniciada pela capa ou contracapa: tem dois inícios com duas histórias de imigração paralelas que se cruzam em seu interior.

“Frio congelante”

Dupla de irmãos provoca confusão em mais um conto de fadas em novo livro da série “Era outra vez” da Editora Galera Júnior. A série best-seller do The New York Times, que faz uma releitura dos contos de fadas para ensinar às crianças a lidar com várias situações do dia a dia, chega ao seu sexto volume.

51Z28i1YvoL__SX321_BO1,204,203,200_Desde que se mudaram para a nova casa com os pais, os irmãos Abby e Jonah, de 10 e 7 anos, respectivamente, descobriram um mundo novo. É que o porão do novo lar guarda um espelho mágico que, vez ou outra, suga a dupla para dentro de um conto de fadas.

Nos cinco primeiros livros da série “Era outra vez”, os pequenos promoveram certa desordem nas histórias de Branca de Neve, Cinderela,Pequena Sereia,  Bela Adormecida e Rapunzel. Agora, em “Frio congelante”, eles vão se embrenhar pelo universo da Rainha da Neve.

Na última vez em que atravessaram o espelho mágico, Abby e Jonah tiveram problemas graves: os pais acordaram no meio da noite, ficaram preocupados ao não encontrarem a dupla em casa e os fizeram prometer que não chegariam perto do porão de madrugada. Os irmãos estão empenhados em manter-se na linha até o dia em que Príncipe, seu cachorro, desce as escadas correndo no meio da noite e acaba sugado pelo portal mágico.

Isso mesmo. Embora Abby e Jonah tivessem decidido ficar longe do espelho mágico, seu cachorrinho tinha outros planos. Príncipe entrou no mundo dos contos de fadas de focinho e… cauda! O que os dois podiam fazer a não ser ir atrás do bichinho de estimação?

Ao chegar ao reino encantado e congelante, logo perceberam que provavelmente tinham ido parar na história da Rainha da Neve. Mas essa Rainha da Neve era super malvada e transformou o cachorro em uma estátua de gelo. Agora eles precisam descongelar o amigo peludo e voltar para casa. Mas antes vão precisar escapar de um bando de ladrões, conduzir uma rena muito tagarela e tomar muito cuidado para não acabarem congelados também.

Ao cruzarem o espelho e aterrissarem num reino cheio de neve, os dois chegaram a pensar que estavam no cenário de “Frozen”, onde conheceriam as princesas Anna e Elsa. Mas Abby logo se lembra que os contos de fada acessados pelo portal são old school. Eles, na verdade, foram parar na trama da Rainha da Neve, conto original que inspirou o filme da Disney.

Trecho do livro escrito por Sara Mlynowski:

“Com a boca arredondada, parece que a Rainha da Neve vai jogar um beijo para o cão. Mas não é bem um beijo. Eu consigo ver o ar saindo de seus lábios. Como se fosse fumaça saindo de uma chaleira. Um pequeno tornado branco.

Príncipe levanta a pata para começar a correr.

Mas o beijo o atinge e ele desacelera, parecendo ter ficado tonto. A Rainha da Neve junta os lábios novamente, e outro tornado sai de sua boca.

– Estou com medo – diz Jonah, com a voz trêmula.” 

Sarah Mlynowski é autora de livros como “Feitiços & sutiãs”, “Sapos & beijos”, “Dez coisas que nós fizemos” e “Me liga”, todos lançados pela Galera. Nasceu em Montreal, no Canadá, mas hoje mora em Nova York. Mais sobre ela em sarahm.com

“Uma jornada entre dois mundos”

Para cumprir uma missão recebida de seu avô, o adolescente Douglas enfrenta aventuras incríveis em mais esse lançamento da escritora Flávia Savary, que está marcado para o dia 5 de maio, de 15:30 às 19:30 h oras, na Livraria Clube Cultural, em Teresópolis, no Rio de Janeiro.

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No romance “Uma jornada entre dois mundos”, escrito por Flávia Savary e ilustrado por Danilo Bressiani Zamboni, lançamento da Editora FTD, “certa noite, o adolescente Douglas recebe a visita de um personagem que não precisa de portas nem de janelas para entrar: seu avô fantasma.

Nessa visita, ele recebe uma missão: entregar um objeto a seu tio. Para cumprir essa missão, Douglas realiza uma jornada entre dois mundos – o “nosso” e o Mundo Sólido. Nesse último, ele viaja em um veleiro que desliza sobre o mar, encontra uma sereia e os perigosos drýppas. No “nosso” mundo, a jornada não é menos fantástica: envolve uma ilha flutuante, uma misteriosa Casa Amarela e uma viagem com um tapete que fala pelos cotovelos!

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O romance oferece muita aventura e fantasia, além de instigar o leitor a refletir sobre conceitos e preconceitos que, de tão comuns, parecem naturais. A narração está a cargo de um elemento masculino e o outro feminino, que inspiram o leitor a transformar as palavras em uma espécie de filme.

Essa é a sinopse do romance de Flávia Savary, autora de aproximadamente 30 livros de literatura infantil e juvenil. É graduada em Letras pela UFRJ e dedica-se à literatura desde 1979. Foi uma das fundadoras da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEILIJ) e sua primeira secretária. Vários de seus livros publicados foram selecionados para o PNBE. Ela recebeu cerca de 80 prêmios, entre eles, Jabuti, FNLIJ, UBE, Funarte, Cepetin, Cruz e Sousa e Cidade de Manaus.

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O ilustrador Danilo Bressiani Zamboni assina seus trabalhos como daniloz.  Nasceu em São Paulo, em 1986, e formou-se em Arquitetura, em 2010. Neste mesmo ano, foi convidado a colaborar com o jornal Folha de São Paulo, com uma série de tirinhas, especialmente no Folhateen. Em 2011, começou a trabalhar no escritório de arquitetura de Isay Weinfeld, fazendo desenhos em perspectiva para apresentar seus projetos aos clientes. Divide seu tempo entre desenhos de arquitetura, histórias em quadrinhos e ilustrações.

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“Uma jornada entre dois mundos”

Gênero: Romance fantástico (Acompanha projeto de leitura)
Faixa de leitor: Recomendado a partir do 8º ano
Série: 3º ao 5º ano do Ensino Fundamental
Interdisciplinaridade: Língua Portuguesa / Geografia / História.
Temas abordados: Desenvolvimento pessoal / Família / Amor / Amizade / Guerra / Ética

Ana Raquel, a “iluscritora”

Fiz a entrevista que publico hoje com Ana Raquel por email e só a conheço pelo seu trabalho e pelas trocas de informação via internet, mas, mesmo longe, arrisco a afirmar que, além do talento, ela esbanja alegria, bom humor, irreverência e muuuita (como ela gosta de escrever) criatividade. Leiam o título acima: copiei dela, que inventou esse termo novo para se apresentar como ilustradora e escritora. Gostaram de ‘iluscritora’? Eu amei o neologismo. Então, vamos conhecer Ana Raquel e seu belo trabalho, que repercute tão bem em todo o Brasil.

Ana Raquel sobre os tempos de trabalho digital: "A essa altura da vida, aprender coisas diferentes é um bom desafio e ajuda a não ficar caduca... eheh..."

Ana Raquel sobre os tempos de trabalho digital: “A essa altura da vida, aprender coisas diferentes é um bom desafio e ajuda a não ficar caduca… eheh…”

Rosa Maria: Há quanto tempo, você atua como ilustradora? Por que se sentiu atraída pela literatura?

Ana Raquel: Comecei a ilustrar literatura infantil em 1980. De lá pra cá, fui ilustrando, ilustrando… Até que, um dia, palavras me assaltaram saídas de não sei onde e tive que escrevê-las. Sem parar de ilustrar outros autores, pois amo entrar na viagem de um texto desconhecido e ir desvendando sua alma via linguagem das imagens.

Agora sou ‘ iluscritora’.

Mudei de Belo Horizonte pra Bahia e com isso achar tempo pra minha “carreira solo”.  Iluscrevi ou escrilustrei alguns, neste sossego tropical. Publiquei quatro e tenho alguns no ‘forno’ pra sair. O quinto fala sobre racismo num tom bem humorado.

Por ordem cronológica:

“Imágicas” 2005 (sem texto), “Cajaré” 2008, “Ovo” 2009, “Pé de tudo e mais um pouco” 2009, “É diferente, mas é igual; é igual, mas é diferente”, 2015, sobre intolerância e racismo.

Tenho três inéditos, prontos para imprimir, mais dois com roteiro para animação: “Vôo Livro”, sem texto, é um livro em branco que voa por vários cenários de histórias e vai recolhendo personagens até pousar na estante. Modelado em biscuit, será animado em breve.

“Que bicho que é?” também deve ser animado, quando eu conseguir tempo.

“As criaturas do mangue”, que fotografei, pintei e bordei num pano com linha, depois mistureie juntei um texto poético. Fiz quando morei na beira do mangue em Santo André, aqui do outro lado do rio, há um ano.

RM: O que significa para você ser ilustradora de livros infantis?

AR: É o que sei e gosto muuuuito de fazer. Eu tinha uns 10 anos, quando vi, numa enciclopédia, a reprodução do famoso quarto de Van Gogh e eu disse pra mim que queria fazer isso um dia: contar histórias desenhando. Para mim, aquela cena do quarto com a janela e a cadeira, contava muitas coisas, me levava longe.

Sinto uma privilegiada por, com perrengue ou sem perrengue, ter vivido disso até hoje. Poderia ter feito um concurso pro Banco do Brasil, há 40 anos, como meu pai sonhava, pra desenhar nos fins de semana… Mas consegui sair pela veia artística e nunca abrir mão dela, apesar do perrengue que é viver de direito autoral, sendo ilustradora e programadora visual.

RM: Quais os principais desafios dessa atividade, atualmente?

AR: …E agora mais essa: livros virtuais, interativos, onde o leitor pode fazer acontecer.

É a realidade sem volta.

O desafio é exatamente este: eu, ‘envelhescente’, ou jovem idosa (se preferem), embarcar no trem bala das mudanças tecnológicas e continuar fazendo leitores, e a tratar de literatura, em qualquer mídia que seja. E assim ajudar abrir um portal para um mundo animado e tecnologicamente mágico, sofisticando os meios de leitura, com a pretensão de fazer livros interativos sempre ligados ao impresso, complementando-o e sempre voltando a criança para o trabalho manual, através de sugestões de brincadeiras com papel. Para que não se perca o contato com o artesanal e com o livro de papel.

RM: Você trabalha na plataforma digital também?

AR: Desde 1992, abandonei a prancheta e trabalho apenas virtualmente, através de mesa gráfica, caneta ultra sensível e programas como Painter e Photoshop. Agora, estou virando animadora, desde o ano passado. Saí da minha zona de conforto e fui aprender animação com o Marco Alemar, de Salvador, via Skype. E foi tudo de bom. A essa altura da vida, aprender coisas diferentes é um bom desafio e ajuda a não ficar caduca… eheh…

No “Imágicas”, editei imagens em aquarela, lápis ou colagens no papel, que pincei de livros que tinha feito desde 1980, para comemorar 25 anos de ilustradora, misturei com imagens criadas digitalmente. Fiz um livro que sugere uma história em cada página, sem texto e onde cada um pode ler o que quiser. Deu numa tal mistura gráfica, que desafio o leitor leigo a descobrir quando desenhei no computador e quando foi no papel.

"Voo", ilustração de Ana Raquel

“Voo Livro”, ilustração de Ana Raquel, para uma animação que está para ser lançada

RM: Quais as diferenças entre ilustrar um livro em papel e para a mídia eletrônica?

AR: Para mim, hoje, nenhuma, a não ser o tempo que a gente gasta pra fazer no papel, onde não tem Control Z pra deletar, nem se pode fundir várias técnicas como desenho, pintura, fotografia, aquarela e outros tipos de material, o que faz ficar impossível ilustrar um livro por mês, para conseguir pagar a vida. Eu só conseguiria trabalhar de novo no papel, e tenho vontade, sinto saudade dos pincéis, se fosse sem data pra entregar… Como não me aposentei nem me aposentarei, não será o caso por enquanto.

RM: Quais de seus trabalhos você mais gosta e destaca para nós?

AR: Os que citei acima e a clássica “Bonequinha Preta”, texto Alaíde Lisboa de Oliveira, que foi meu livro encantado na infância e em 1981 reilustrei. Quase morri de susto, quando fui convidada para tal.

O “Poeminhas Pescados numa fala de João”, (esgotado), do querido Manoel de Barros, que batalhei uns dois anos até conseguir convencer a Record que conseguiria ilustrar Manoel. Ele já tinha topado, depois que eu escrevi pedindo a honra de… Ele me ligou pessoalmente, quase caí da cadeira de susto e alegria!!!

“Histórias de lavar a alma”, da Graziela Hetzel, que foi finalista do Prêmio Jabuti de Ilustração, em 2003, se não me engano. “Se as coisas fossem mães”, da Sylvia Orthof, “O que cabe no bolso”, da Roseana Murray, enfim, são mais de 150 livros ilustrados nesses últimos 36 anos… “Bicho que te quero livre”, do Elias José, “Canção da tarde no campo”, Cecília Meireles…

RM: Que avaliação você faz da literatura infantil e juvenil (LIJ) em Minas e no Brasil?

AR: Venho do tempo em que livro infantil era apenas livrinho de criança e ilustração era pra explicar o texto e tampar buraco na diagramação. Nos anos 80, quando comecei a ilustrar, tive a sorte de começar junto com o famoso boom da literatura infantil no Brasil. Foi quando o mercado percebeu o buraco que havia na produção brasileira. De lá até 3 anos atrás, acompanhei de perto o movimento da LIJ no Brasil e em Minas. Houve uma época, nos anos 90, se não me engano, em que 60% dos ilustradores selecionados para o catálogo de Literatura infantil brasileira, da FNILIJ, de Bologna, era de ilustradores mineiros. Tem muita gente produzindo, desde o século passado, e muita coisa boa.

RM: O que você acredita que a criança mais gosta num livro infantil?

AR: Boa pergunta! Não sei, juro! Em literatura, eu sempre ilustro com meu departamento infantil, com a minha criança, sem pensar no que o leitor vai gostar ou não, até porque cada um é um e sente diferente…  Se a gente fica pensando em agradar as crianças ou fica no ‘será que elas vão gostar’, corremos um risco enorme de produzir um livro pouco espontâneo ou bem didático.

Talvez, a criança goste mesmo é da surpresa que cada página encerra. Quando estou ilustrando, atualmente, não planejo mais o roteiro do livro todo pra depois finalizar. Leio, divido em páginas pra diagramar, cato as entrelinhas, penso onde quero chegar, que técnica usar, mas cada página é uma surpresa até pra mim. A anterior é que vai me dar a deixa pra continuar. Quando mudo de página é que vou pensar onde vou chegar. Assim é muito mais divertido do que planejar tudinho e depois ter só que colorir, sem surpresa nenhuma, eheh… Imagino que para o pequeno leitor é tipo assim!

RM: Como deve ser a parceria ideal entre o escritor e o ilustrador?

AR: Não cheguei a conhecer pessoalmente a maioria dos autores de livros que ilustrei nesse tempo todo. Mas isso não impede a parceria. Um fator determinante para dar certo é um bom editor, que saiba encontrar o ilustrador ideal para cada texto e fazer a ponte, fazer crescer a parceria. Gosto de conversar com os autores e sempre que isso é possível, rola.

O mais legal é quando o autor do texto está em sintonia com a gente que ilustra, sem interferir, respeitando nossas asas coloridas. E, por nossa vez, ilustrar respeitando e valorizando o texto, não fazendo o óbvio, por exemplo. Há ilustrações que levantam um texto mais frágil e ilustrações que derrubam um bom texto. Um perigo ilustrar, desavisadamente!

Mas eu gosto de viver perigosamente, eheh…

E quando a autoria é de escritor,(a) (eita língua machista esta nossa…) amigo (a), aí é melhor ainda!!!

 

Ziraldo lança mais três livros

Com esses novos títulos, a Editora Melhoramentos completa a coleção de dez histórias do autor que compõem a coleção  “Os meninos dos planetas”.

E se as aventuras da infância ganhassem uma dimensão galáctica? Com os seus recém-lançamentos “O Menino D’Água e o Planeta Netuno”, “Ju, o Menino de Júpiter – O Maior Menino do Mundo” e “As Cores do Escuro” e  “ Os Meninos de Plutão”, Ziraldo finaliza a coleção que retrata garotos com a personalidade dos nascidos sob a influência de seus respectivos planetas.

Com seus traços e cores, Ziraldo conta histórias de uma turma de amigos nos dez livros da série. “São aventuras eletrizantes de meninos que habitam cada um dos planetas do Sistema Solar como se vivessem no seu bairro”, explica o cartunista.

A coleção começou em 2006, com a história de Zélen, “O Menino da Lua”, o único que vive em um satélite. E, apesar de os lançamentos dos livros não seguir a ordem dos planetas conforme o Sistema Solar, a última história recém-lançada foi a dos “Meninos de Plutão”, uma vez que esse planeta-anão é o símbolo do recomeço.

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“O Menino D’Água e o Planeta Netuno” é inspirado nas histórias dos antigos argonautas europeus, que voltavam de suas viagens narrando suas aventuras e descobertas em estranhas terras desconhecidas. Nessa história, por exemplo, ficamos sabendo que Netuno não é um planeta redondo como os outros. Que é, na verdade, uma enorme, gigantesca e descomunal gota d’água pronta para pingar sobre a Terra. Ziraldo conta tudo sobre esse eletrizante episódio e também o que Tuna, um menino d’água, com a ajuda de Nan, um menino terrestre, fez para salvar a Terra.

 

image004A história do maior garoto do Sistema Solar é contada no livro Ju,  “O Menino de Júpiter – O Maior Menino do Mundo”. Um dia, esse grande menino sonhador recebeu um chamado de um lugar muito além do espaço. Ele deveria explorar o outro lado do Sol. O menino preparou sua poderosa nave, equipou-a com motores poderosos e um mega computador. Deu à nave o nome de Rocinante e, quando tudo estava pronto, partiu veloz para desbravar o espaço infinito.

Nada impediria o corajoso Ju e seu fiel companheiro de realizar sua missão. O cartunista narra, dá cor e vida aos obstáculos, chuvas de granizos, explosões, dragões, sereias e marcianos que a dupla encontra cruzando todo o Sistema Solar até chegar ao seu destino.

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“As Cores do Escuro e os Meninos de Plutão” é o livro de despedida da série. Os leitores podem estranhar que o menino de Plutão nunca tenha sido desenhado pelo autor, aparecendo apenas como uma nuvenzinha com olhos espertos.  Nunca vemos Plutão, porque a luz do Sol não chega a alcançá-lo. Ele vive em completa escuridão. Só os meninos desse planeta é que sabem como eles são, pois a escuridão de Plutão é colorida. Esse é um dos milagres operados pela luz do Sol, a energia que move o Sistema Solar.

 

Os demais livros da coleção

image008A “Coleção Os Meninos dos Planetas” é um lançamento da Editora Melhoramentos, compõe-se de 10 livros, tem 472 páginas e custa R$ 350,oo.

“O Menino da Lua”

No primeiro livro desta coleção, Ziraldo criou uma história surpreendente, no meio do sistema solar, onde o nada e o vazio cedem espaço às brincadeiras, às cambalhotas e a tudo aquilo que é eterno, como a amizade. Na história sobre Zélen, o menino da Lua, Ziraldo dá vida a uma turma de nove meninos, cada um habitante de um planeta diferente.

“O Namorado da Fada ou O Menino do Planeta Urano”

Este menino interplanetário traz uma história do futuro, pois ela acontecerá só daqui a trezentos mil anos. Além de acontecer no futuro, Théo, o menino do planeta Urano, é o protagonista de um conto de fadas.

“O Menino da Terra”

Qual será o futuro do nosso planeta se as pessoas não começarem a respeitar o mundo em que vivem? Precisaremos buscar outro lugar para viver? Essas são questões com as quais crianças e adultos se deparam todos os dias. “O Menino da Terra” é um livro que fala de um possível recomeço para a humanidade. Com criatividade e sensibilidade, reconta uma bela história que pode vir a acontecer se o meio ambiente for respeitado e tratado com carinho.

“O Capetinha do Espaço ou O Menino de Mercúrio”

Ziraldo retrata a história de Irmin, o menino que vive em Mercúrio. De corpinho vermelho e mais parecendo um saci, ele é conhecido como o rei da confusão. Com seu jeito doce e suas travessuras, Irmin consegue encantar e conquistar todas as pessoas.

“Os Meninos de Marte”

Os marcianos e as marcianas adoram visitar o planeta Terra. Eles gostam de descansar nos gramados verdes enquanto olham as nuvens branquinhas do céu. Neste livro, é possível descobrir que os meninos de Marte são os únicos que conseguem ouvir as estrelas e que possuem a alma aberta ao entendimento das coisas e ao sentimento do mundo.

“O Menino Que Veio de Vênus”

Vevê é um dos velozes meninos de Vênus, um planeta que gira muito rápido em volta do Sol. Assim como os outros meninos desse planeta, Vevê tem uma missão: alvejar homens e mulheres com suas flechas, provocando o encontro de olhares, o acelerar do coração e a união das mãos e das almas pelo amor. Ziraldo, nessa recriação do mito do Cupido, nos reconta também a mais linda história de amor de todos os tempos: Romeu e Julieta, mas desta vez com um final feliz.

“Nino, o Menino de Saturno”

Nino adora deslizar pelo espaço e pelos anéis de Saturno com sua prancha de surfe. Mas certo dia, sem explicação alguma, os anéis amanhecem sem cor. O que pode ter acontecido? Nino então parte em busca de uma solução para esse mistério. Com magníficas ilustrações, Ziraldo apresenta aos pequenos leitores a riqueza da criação de grandes pintores, como Matisse, Picasso e Miró.

Precisamos ler como se ouvíssemos música

Ligia G Diniz *

Profissionais de todas as áreas deveriam, de vez em quando, se interrogar sobre a importância do assunto a que se dedicam. No caso da literatura, a pergunta é bem mais pertinente do que são frequentes os esforços para respondê-la. E o pior: quando nos empenhamos em defender que romances e poemas ainda valem a pena, somos frequentemente hiperbólicos – um claro sintoma de desespero – e parecemos considerar menores outras formas de arte. Mas o objetivo deste artigo não é fazer um mea-culpa bonachão, exaltando todas as artes como igualmente admiráveis. Lamento dizer, mas a música é uma forma artística superior a qualquer outra.

É evidente que essa é uma discussão velha e meio besta, mas há algo de imediato e irresistível na música que nenhuma outra arte compartilha e que vale tomar como um ideal. Não há sentido mais disponível do que a audição e, por isso, não é preciso nenhum esforço da atenção para morrer junto com os violinos, violoncelos, contrabaixos e o próprio Tchaikóvski ao final do último movimento de sua Pathétique. Tampouco é necessário entender inglês para sentir nossa simultânea pequenez e enormidade quando dançamos ao som de This Time Tomorrow, dos Kinks. E, mesmo a compreendendo, ler a letra de Vapor barato não tem nada a ver com o espanto de ouvir Gal Costa cantá-la.

O escritor argentino Jorge Luis Borges começa a penúltima das palestras que deu em Harvard, entre 1967 e 1968, citando uma famosa frase segundo a qual toda arte aspira a ser música. Borges argumenta que a razão para essa superioridade é que a música é composta, de modo indissolúvel, tanto pela estrutura melódica quanto pelos afetos que deram origem a ela e dos afetos que ela desperta.

Eu poderia, com certa dose de lirismo e cafonice, dizer que o mundo seria melhor se fosse feito, todo ele, dessa mesma substância. Desconfio gravemente de quem não gosta de música. Isso significa que sou obrigada a desconfiar de gente como João Cabral de Melo Neto e Graciliano Ramos. Aquele, em entrevista, se definiu como um “poeta visual” e afirmou: “Realmente não gosto de música, nunca gostei”. Ríspido, Graciliano, no seu Autorretrato aos 56 anos, entre outras características, enumerou, a respeito de si: “Não gosta de frutas nem de doces./ Indiferente à música.”

O que eles pensariam se soubessem que os movimentos tristes e duros de Paulo Honório articulam, involuntariamente, também o corpo do leitor? Ou que o curso enlameado do Capibaribe – inspiração para o espetáculo atual de Deborah Colker – tem a capacidade de fazer dançar? Em qualquer hipótese, eu diria a eles que a música nem sempre é fluida, e que a dança nem sempre diverte, mas que ambas são vida em estado bruto, esse estado que eles próprios perseguiram em suas obras. Graciliano me chamaria pernóstica, safada, idiota, xingamentos que o narrador de São Bernardo dispensa a um redator que havia “acanalhado” suas memórias, ao tentar transformá-las em “literatura”.

Não consigo evitar pensar que, pela indisponibilidade à conexão afetiva, quem não gosta de música carece de empatia pelo outro (essa qualidade tão ausente nestes tempos de desumanização do diferente!). Mas João Cabral e Graciliano são pontos fora da curva. Ambos construíram obras às quais não falta humanidade – e que despertam o olhar generoso para o desigual. Mesmo sem nenhuma outra razão para isso, prefiro acreditar que eles faziam parte do 1% da população mundial que sofre de amusia, um distúrbio cerebral que impede que o cérebro processe melodias adequadamente.

Há uma coincidência curiosa. Graciliano disse não gostar nem de frutas nem de música. Já Jorge Luis Borges, no poema Nostalgia del presente, escreve: “Que não daria eu pela ventura/ […] de compartilhar o agora/ como se compartilha uma música/ ou o gosto de uma fruta”. O argentino lamentava lhe caber a sina de produzir “poesia intelectual” – um lamento não infundado, que dá novo gosto à palestra de Harvard, na qual argumenta que, para chegar perto da música, a poesia retorna as palavras ao papel de instrumentos mágicos, o qual tinham ao nascer. A língua não é uma invenção dos dicionários e acadêmicos, diz ele. Não veio das bibliotecas, mas “dos campos, do mar, dos rios, da noite”. Houve um tempo, imagina Borges, em que a palavra “luz” reluzia, e a palavra “noite” era escura.

Produzir esse efeito é o que deseja a literatura, sobretudo a poesia: o significado é algo que se adere ao verso, não a fonte de sua potência: “Sentimos a beleza de um poema antes mesmo de começarmos a pensar em seu sentido”, ele conclui. Concordo – e desconfio de quem lê poemas e romances apenas para extrair deles o significado tanto quanto desconfio de quem não gosta de música. Acho que são pessoas que, quando expostas ao mágico, giram nos calcanhares e fogem correndo.

De qualquer forma, o que entendo como um efeito musical da literatura – a capacidade de ativar nossos corpos à revelia de qualquer esforço racional – não é só mágica. Diversos estudos, nas ciências cognitivas, apontam que, ao lermos ou ouvirmos uma narrativa, são despertadas nos nossos cérebros as mesmas áreas ativadas quando, para valer, realizamos as ações narradas ou sentimos as sensações descritas. É como se, inconscientemente, estivéssemos emulando, em um eco sutil, aquilo que nos é contado. O romancista Daniel Galera conta ter se baseado nesse tipo de descoberta para construir passagens narrativas que, aparentemente desnecessárias, teriam por ambição convocar o corpo do leitor ao universo de seu Barba ensopada de sangue.

Ao considerarmos que temos, cada um de nós, repertórios próprios de movimentos e sensações, e de associações entre uns e outros, percebemos que as consequências desse tipo de efeito sensorial e motor são virtualmente irrastreáveis. Cito a literatura, mas, em toda experiência de arte, estamos, desejavelmente, aqui dentro nos movendo à melodia do outro: compartilhando de suas sensações e de sua subjetividade. Toda arte quer ser música, e toda experiência de arte quer ser dança.

Por que, então, literatura? Por que estudar e defender algo que tantas vezes parece démodé, artificial, elitista? Algo que só raramente, numa conjugação afetiva imprevisível entre texto e leitor, consegue ser música? Ainda não sei, mas amo a imprevisibilidade. E sei reconhecer os momentos em que a literatura não basta. Penso, por exemplo, na perplexidade diante do amor, que aparece nos versos de Adriana Calcanhotto: “Depois de ter você/ poetas para quê?”.

E penso em coisas mais brutais. Logo após dar o título “Literatura ainda?” a uma palestra que faria, fiquei sabendo do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes (há quase dois meses, e ainda sem resolução). Uma pesquisadora de literatura se sente ridícula nesses momentos: não só diante do horror dessas mortes, mas também diante da força indelével de Marielle. Naquele instante, contudo, o título da palestra parecia especialmente pertinente. Literatura ainda? Não precisamos de gestos mais concretos? Sim e, também, de literatura – ainda – e devemos continuar a entender e explicar por quê. Mas, naquela noite do dia 14 de março, antes de tentar transformar o assombro em gesto, só me restava invejar o sopro com que Caetano Veloso encerra “Tigresa”: como deve ser bom poder tocar um instrumento…

* Ligia Gonçalves Diniz é doutora em literatura pela UnB e recebeu, em 2017, o prêmio CAPES de melhor tese em Letras pelo seu trabalho, intitulado Por uma Impossível Fenomenologia dos Afetos: Imaginação e Presença na Experiência Literária.

Este artigo foi originalmente publicado no portal Brasil.ElPais.

“Manu e o segredo da caixinha”

A escritora e editora Marismar Borém lançou recentemente um livro que trata das relações das crianças com suas famílias. Nesta história, a menina Manu guarda algo em uma caixinha, herança de família. Para ela é um segredo. Um dia, ela resolveu compartilhá-lo e descobriu o motivo de de os segredos nunca envelhecerem.

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A menina Manuela ou simplesmente Manu já nasceu com uma herança reservada especialmente para ela. Qual? Um segredo. Manu, então, precisa aprender a desvendar esse segredo de família.

“Você sabia que eu tenho um segredo? Está guardado em uma caixinha. É uma caixinha bem velhinha, pois ela já era guardada para mim pela mãe da minha mãe”.

Mesmo sabendo que é um segredo de família, fica a dúvida: o que está tão bem guardado nessa caixinha? Essa é a pergunta que o leitor vai conviver durante a leitura do livro em suas 27 páginas desenhadas graficamente e ilustradas por Denise Rochael.

Manu explica duas coisas:

“Os segredos nunca envelhecem”.

“Segredos são coisas importantes, que ninguém pode saber”.

Mesmo assim, a menina levou o seu segredo para mostrar para os colegas da escola.

“Mas quando abriu a caixinha… ai… ai… ai… Meus amigos perderam rapidinho a curiosidade e ainda resmungaram:

_Ah! Isso não é segredo! É tão simples!

Simples para eles, por isso Manu imediatamente explicou:

“É simples o que está na caixinha, mas foi muito importante para a minha avó, para a minha mãe e agora eu o tenho comigo. Para mim, é importante e é segredo.”

Nos tempos atuais, em que muitos jovens revelam dificuldades para conviver com os mais velhos, a reflexão que essa história oferece para as crianças é muito significativa. Entram em cena, o avô, a avó, o pai, a mãe e a criança Manu.

A menina, felizmente, reconhece o valor do seu segredo e de ter o amor de sua família, que guardou a caixinha para ela.

“Neste momento, também senti uma sensação bem gostosa dentro de mim. Uma alegria sem igual, um afeto pela minha família misturado com amor e amizade”. . .

Manu se sentiu “flutuando no Céu entre fofas nuvens azuis”. Depois da reflexão sobre os valores da família, a autora Marismar Borém pergunta:

“E você? Tem um segredo de família”?

Está na hora do leitor aprender.

images814PGEMDMarismar Borém é mineira de Montes Claros. Ela confessa que teve uma infância marcada por valiosas aventuras numa fazenda do interior de Minas Gerais. Tantas aventuras de infância rendem muitas histórias já escritas pela escritora. Tantas que ela criou e dirige uma editora, a Cora, para lançar seus livros e os livros escritos por outros autores.

A ilustradora Denise Rochael também é mineira: educadora de artes e autora de livros infantojuvenis, desde 1986.

“Manu e o segredo da caixinha” custa R$ 35,00 e pode ser comprado nesse link: https://www.coraeditora.com/product-page/manu-e-o-segredo-da-caixinha-1