Edições especiais da Turma da Mônica

Revista em quadrinhos “Turma do Chico Bento – de olho na natureza” é lançada durante festa de 30 anos do Ibama e projeto editorial “Cada passo importa” conta a história do Edu, novo personagem de Mauricio de Sousa, que sofre com doença rara.

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Os 30 anos de criação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), foi comemorado, semana passada, o lançamento da revista em quadrinhos “Turma do Chico Bento – de olho na natureza”, que trata de assuntos sobre proteção ao meio ambiente e sustentabilidade.

Para o lançamento foram impressos 400 mil exemplares que estão sendo  distribuídos gratuitamente em todas as unidades da federação, pelas equipes de educação ambiental do Ibama, principalmente nas escolas de ensino fundamental.

Doença muscular

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Mauricio de Sousa Produções também lança o projeto editorial “Cada passo importa”, que conta a história de um novo personagem da Turma da Mônica, o Edu. O menino de 9 anos de idade é portador de Distrofia Muscular de Duchenne (DMD), doença genética rara caracterizada pela deterioração muscular progressiva.

A DMD ocorre em um a cada 5 mil meninos em todo o mundo e sua evolução é rápida, podendo levar ao falecimento do paciente na adolescência ou no início da fase adulta. O sinal mais importante da doença é a perda de força muscular, ou seja, as pessoas com DMD perdem progressivamente a capacidade de realizar atividades simples de forma independente e muitas vezes requerem o uso de cadeira de rodas no início da adolescência.

A primeira história com o novo personagem será lançada em março no Congresso Paulista de Pediatria. O projeto ainda contará com um site com novas histórias do personagem Edu, que também será lançado dia 24 de março.

Para Mauricio de Sousa, “criar um personagem como este demonstra a preocupação da Turma da Mônica em retratar causas de cunho social. É uma alegria e uma honra imensa para nós. Por meio de histórias cheias de aventura com os personagens da Turma, queremos aproximar o Edu do dia a dia das crianças que enfrentam a Distrofia Muscular de Duchenne diariamente. É um personagem especial que veio para divertir e inspirar”.

“O DNA humano é feito de histórias”

                  Artigo borda o valor dos contos de fadas e a importância de contar histórias.

 

Jorge Benito *

O valor dos contos de fadas

“A alma do ser humano tem uma necessidade inesgotável de que a substância contida nos contos de fada flua em suas veias da mesma maneira que o corpo precisa de substâncias nutritivas fluindo dentro de si”. (Rudolf Steiner)

Contar histórias é uma forma antiga de transmitir conhecimentos, valores, fantasias e memórias. Temos feito, desde tempos imemoriais. O DNA humano é feito de histórias. Ao longo deste post, que acompanham com citações de figuras respeitáveis sobre os assim chamados contos de fadas, vamos abordar o significado profundo que eles contêm, bem como o papel importante no desenvolvimento saudável da criança e da criança.

Era uma vez…

Uma história é uma recriação de imagens através de palavras. As crianças são especialmente sensíveis às histórias, porque vivem em um mundo em que as imagens exercem uma tremenda influência para elas.

Durante os primeiros sete anos de vida, a criança ainda não está familiarizada com o pensamento abstrato. A formação de imagens é a maneira pela qual ela se aproxima do mundo, desce sobre ele e é incorporada à existência terrena. Esse é um processo que acontece gradualmente.

As abstrações não têm (e não deveriam ter, porque não é o que você precisa naquele momento) influência em seus processos internos. As imagens, por outro lado, ajudam entender o mundo. A primavera é, no momento, apenas uma palavra abstrata e desprovida de significado profundo, enquanto a descrição de uma paisagem verde e florida com céu azul será traduzida em uma imagem que será mais útil.

A imaginação é a chave para o desenvolvimento harmonioso dos seres humanos, especialmente em seus estágios iniciais.

“Os contos de fada que me contaram na minha infância têm um significado mais profundo do que qualquer verdade que me ensinaram na vida”. (Friedrich Schiller)

Como as imagens desempenham um papel tão importante no desenvolvimento de meninas e meninos, torná-las adequadas ao que precisam é uma tarefa que os contadores de histórias aperfeiçoaram, uma vez que os seres humanos são seres humanos. O conto de fadas popularmente conhecido contém imagens que respondem às preocupações atuais de seus corpos físicos, seus humores e sua essência espiritual.

A narração estimula a formação de imagens através do que os sentidos entenderem, aumenta a criatividade, gera perguntas que criam na criança uma curiosidade saudável e respondem às preocupações vitais e atemporais: Por quê? Para que? Como? Para onde? Em que momento? Com que ajuda?

“Contos de fada são inestimáveis para toda a sua vida; eles apontam o caminho luminoso que terá que percorrer durante sua própria vida e dá a força para enfrentá-lo. Os contos de fadas são um legado inestimável do passado que alimenta e protege a vida interior da criança”. (Rudolf Steiner)

Contar histórias

“Se você quer que seus filhos sejam espertos, leia os contos de fadas; se você quer que eles sejam mais inteligentes, leia mais contos de fadas. Quando examino a mim mesmo e meus métodos de pensar, chego à conclusão de que o dom da fantasia significava mais para mim do que qualquer talento do pensamento abstrato e positivo”. (Albert Einstein)

Alejandro Jodorowsky diz que a verdade não pode ser conhecida, mas podemos conhecer a expressão dessa verdade, que é a beleza. A beleza é importante. Apreciar a beleza e mostrar a reverência que ela merece torna nossa vida mais bonita. A história deve ser transmitida, portanto, lindamente.

Para as crianças, o mundo é um lugar inegavelmente belo. A visão adulta da realidade, no entanto, tenta impor pontos de vista que tendem a fomentar imagens mentais desprovidas de beleza. A mídia é um exemplo claro disso, atormentado por imagens violentas, destrutivas e doentias sem utilidade para o desenvolvimento saudável.

Como adultos devemos considerar, antes de permitir que as crianças recebam essas imagens, se elas representam a beleza a que aspiram. A história de um conto fantástico no tom certo irá ter um efeito calmante sobre a alma da criança, que favorecerá a formação correta do corpo físico durante os primeiros sete anos de vida, preparando-a para a assimilação posterior de conceitos lógicos. Da fantasia à razão  _ nessa ordem.

É importante enfatizar que para uma história manter verdadeiramente a atenção da criança, alertar e estimular sua curiosidade, além disso, estimular sua imaginação para ajudar a desenvolver seu intelecto e esclarecer suas emoções, tem que concordar com suas ansiedades e aspirações. Faça-o reconhecer plenamente suas dificuldades, ao mesmo tempo em que sugere resolver os problemas que lhe dizem respeito.

Contar histórias para nossos filhos é uma excelente maneira de dar a eles ferramentas bonitas, saudáveis, estimulantes e apropriadas para o seu desenvolvimento. Qualquer menina ou menino apreciará muito a narração cuidadosa e dedicada de um conto de fadas.

Há uma infinidade de literatura fantástica para crianças que respeita as premissas de uma boa história. Mas há um modo sublime, ainda mais alto, de fazê-lo: você pode inventar suas próprias histórias. Nós fizemos isso e continuaremos fazendo.

Eles podem até ver a luz na forma de uma publicação, quem sabe. Por enquanto, é suficiente para nós sabermos que essas histórias cumpriram o propósito de preparar nossas filhas para “o mais maravilhoso conto de fadas de todos: a vida” (Hans Christian Andersen).

“Os contos de fada são mais que reais, não porque nos dizem que os dragões existem, mas porque nos dizem que os dragões podem ser derrotados”. (Gilbert K. Chesterton)

*  Blog Coruja Prof

“Luneta mágica”

Nova série infantil incentiva imaginação e raciocínio lógico. Produzida pela PlayKids, a série “Luneta mágica” traz elementos do cotidiano de forma gradual e propõe interpretação de imagens.

Luneta Mágica: "Playground"

Luneta Mágica: “Playground”

Um olhar curioso que desperta a imaginação. Essa é a maior proposta da “Luneta mágica”, série infantil produzida pela Play Kids, uma das líderes globais em conteúdo educativo para as famílias. Com o objetivo de promover a interpretação de imagens a partir de detalhes e espaço que se encontram, o conteúdo da série está disponível no aplicativo da PlayKids que está disponível para Android e iOS a partir do link https://playkids.com/checkout/criar-conta.html?c=trial-2019-jan

“Luneta mágica” propõe um ensinamento sobre construção de significado às crianças, já que incentiva o questionamento e a curiosidade sobre qual será a próxima etapa daquela imagem que está passando.

“Quanto mais você observa o mundo ao seu redor, mais histórias aparecem. Nossa ideia é abrir um caminho para que os pequenos possam sair de sua zona de conforto e se aventurarem pelas possibilidades da vida”, explica João Godoy, Roteirista e Editor de Conteúdo Original da PlayKids.

Os episódios trazem elementos cotidianos para a melhor associação da criança, como frutas, animais, detalhes de casa, etc. E são estes objetos que, quando combinados com a descoberta gradual, incentivam o raciocínio lógico dos pequenos, trazendo um desenvolvimento significativo em suas percepções.

O formato inovador dos conteúdos da PlayKids auxilia no processo de desenvolvimento infantil, uma vez que permite a liberdade de imaginação com uma narrativa que inspira a criança a desenvolver sua própria história.

“Uma das principais características da produção de conteúdos originais da PlayKids é a versatilidade de formatos e temas. Com o lançamento de “Luneta mágica”, reafirmamos esse ponto ao utilizar um formato diferente de narrativa para trabalhar um tema tão importante para as crianças, a percepção espacial. Este projeto está totalmente alinhado com nossa missão de educar com diversão e também reforça nosso olhar para a primeira infância com extrema responsabilidade e, acima de tudo, muito carinho”, comenta Fernando Collaço, Head de Conteúdo da PlayKids.

“Luneta mágica” está disponível em 10 episódios com cerca de um minuto de duração cada. A plataforma PlayKids é uma das líderes globais em conteúdo educativo para as famílias. Criada em 2013, a empresa oferece produtos para as crianças aprenderem brincando tanto no universo online quanto offline, além de proporcionar que pais e educadores acompanhem o desenvolvimento dos filhos e alunos.

15 histórias para contar

Em artigo para a Revista Crescer, o escritor Ilan Brenman dá continuidade à sua lista de coisas de suma importância para a infância, ou seja, para fazer antes das crianças crescerem.

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“Quando criei uma lista de “40 coisas para fazer antes de eles crescerem”, publicada na revista Crescer, não sabia que o retorno dos leitores seria tão intenso. Então, decidi fazer mais listas que acredito serem de suma importância para a infância. Nesta, o foco será na história de boca, ou seja, aquela que usa apenas nossa presença física para compartilhar narrativas orais. Esse momento é único e inigualável. Desligar os fios da tomada, os botões dos gadgets e estar por inteiro na frente dos filhos para contar histórias é uma das experiências mais enriquecedoras. Sendo assim, vamos à lista dos contos que não podem faltar:

1 Chapeuzinho Vermelho. Clássico dos clássicos. Uma história simples e repleta de simbolismos. E nada de mudar a melhor parte, em que a barriga do Lobo é aberta e a protagonista é resgatada com a sua avó.

2 Os Três Porquinhos. Soprar, soprar e soprar com as meninas era a melhor parte da história aqui em casa.

3 Rapunzel. O filme Enrolados é bacana, mas vale a pena buscar esse conto escrito pelos Irmãos Grimm. As crianças são corajosas e seguram bem essas versões mais intensas.

4 O Leão e o Ratinho. As fábulas de Esopo são curtas, bem reflexivas e deliciosas para contar. Dica: não precisa ler a moral no final, deixe as crianças falarem a respeito, você ficará surpreso com o que virá.

5 A Moura Torta. Contos brasileiros são essenciais, mostram que também temos lindas e poderosas narrativas. Esse foi um hit aqui em casa por um bom tempo.

6 Histórias do Saci. Pesquise contos sobre ele e narre para seus filhos – boas risadas nascerão desse encontro.

7 A Madrasta e a Figueira. Outro hit daqui de casa. Um conto brasileiro que não deixava as meninas piscarem os olhos tamanha a fascinação com o poder dessa história.

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8 O Patinho Feio. O autor dinamarquês Hans Christian Andersen tem de fazer parte da infância das crianças. Ele explora sem medo os sentimentos de abandono, rejeição, tristeza, sempre com lindas histórias.

9 A Bela e a Fera. O filme da Disney é muito bacana, mas conhecer a versão de Jeann-Marie Leprince de Beaumont vai mostrar para as crianças onde a versão cinematográfica se inspirou.

10 João e Maria. Outro clássico. As crianças amam essa narrativa fabulosa e compreendem
profundamente sua essência: coragem, persistência, derrotas e vitórias.

11 Cachinhos Dourados. Os bem pequenos são enlouquecidos por essa história.

12 Cinderela (A Gata Borralheira). A versão dos Irmãos Grimm tem passagens fortes, mas, novamente, as crianças são corajosas.

13 Os Sete Cabritinhos. Outro conto que os bem pequenos amam.

14 Branca de Neve. Não é à toa que Walt Disney escolheu a história para ser seu primeiro filme de animação, um marco no cinema. Vale a pena contar a versão dos Irmãos Grimm e depois papear sobre as diferenças.

15 A Princesa e a Ervilha. Um dos meus contos preferidos do Andersen: curto, singelo e engraçado.

Fiquem à vontade para aumentar essa lista”.

“A menina da casinha transparente”

                                   Livro infantil retrata universo autista de forma poética

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A partir da vivência muito próxima com uma criança autista, a professora Leny Louzada foi coletando os elementos que deram vida ao poético livro infantil “A menina da casinha transparente”. Com ilustrações de Leo Ladeira, artista e designer gráfico, que já ilustrou outras obras infantis, o livro acaba de ser lançado em Belo Horizonte pela Páginas Editora.

Leny visita a infância de uma criança especial, que cria um mundo só para ela, dentro de uma “casa transparente”, na qual ela tem os objetos preferidos e mantém a rotina que tanto lhe faz bem, características muito comuns nos indivíduos autistas. De forma leve, o livro “A menina da casinha transparente” traz esse retrato do cotidiano desses pequenos que, por vezes, são incompreendidos pela sociedade e até mesmo dentro das próprias famílias.

Leny Louzada, autora de “O elefante e as formigas”, é natural de Belo Horizonte e foi uma criança bem inventiva. Brincava até de monstrinhos vegetais com os legumes de casa. Também gostava das roupas de boneca que vinham nas revistas para serem pregadas nas bonequinhas desenhadas na página.

“Minha mãe dizia que eu vivia nas nuvens e, aqui entre nós, ainda vivo”, brinca. Assim, ela conseguiu unir esse lado criativo nas formações acadêmicas que buscou quando adulta: Letras e Moda. Mãe de duas meninas, Leny também cuida da irmã especial, Carla, a quem ela dedica o livro. “Com essas três, aprendi muitas coisas. Mas aprendi principalmente a amar, amar mais e mais…”

O artista Leo Ladeira é formado em Comunicação Visual e também atua como designer gráfico. Foi autor de texto e de ilustração dos livros infantis “Pra fora”, premiado com Sala de Leitura da Fundação de Assistência ao Educando, instituição de nível nacional, e “Contra-regra”. As ilustrações de Leo Ladeira se estendem no universo infantil em peças de teatro, cenários, bonecos, figurinos e cartazes.

Aprendizado e diversão

Gislene Naxara *


São muitos os motivos para envolver os filhos em atividades extracurriculares: elas favorecem o desenvolvimento e habilidades complementares que vão bem além do mínimo exigido por um currículo escolar. De quebra, ajudam a organizar a agenda de toda a família, sobretudo, quando os pais trabalham fora e não contam com um auxílio doméstico para supervisionar as crianças. Mas mesmo para aqueles que estejam em escolas de período integral, podem ter atividades apropriadas para sua fase de desenvolvimento e em equilíbrio com o tempo livre.

É interessante que ao menos parte das atividades extracurriculares não sejam conteudistas e que abram espaço para o lazer e o desenvolvimento de outras habilidades e valores, como convivência social, desenvolvimento motor, sensibilização artística e mesmo diversão pura: o lúdico, o aprender a brincar e se divertir também são importantes na formação de um ser humano emocionalmente pleno, saudável e responsável.

Para os menores, até os seis anos, o fator lúdico deve ser preponderante. Seja em esportes, cursos de idiomas, musicalização infantil, dança e outras atividades, não é hora ainda de submeter os pequenos a regras complexas e competitividade. É o momento de expandir repertório, fortalecer o autoconhecimento do corpo e desenvolver habilidades básicas. Atividades mais livres e flexíveis, que deixem espaço para a experimentação, são ricas e agradáveis. Tempo de recreação precisa ocupar uma boa parte da agenda nessa fase.

Em outras faixas etárias as atividades extracurriculares podem ser mais direcionadas, coordenando variáveis como o interesse das crianças, o cardápio de cursos e atividades disponíveis e a possibilidade de formar uma agenda razoável, que não deixe essa segunda jornada excessivamente desgastante. Mesclar algo que se afaste do currículo, como oficinas de culinária, marcenaria ou arte, desde que dentro do campo de interesses, pode ser uma forma de relaxar de exercícios de performance mais mensurável. Os especialistas em educação recomendam atividades no máximo três vezes por semana – caso a própria criança queira, peça e esteja confortável, um aumento na frequência é possível.

A inserção de atividades recreativas não deve ser deixada de lado: são aquelas que promovem bem estar e satisfação pessoal, flexibilidade e aliviam o estresse. Os pais devem estar atentos em um equilíbrio entre apresentar novas possibilidades e respeitar gostos e escolhas pessoais dos filhos, já que talentos e pendores naturais começam a se tornar evidentes, assim como a tendência de preferir atividades que possam ser feitas junto com os colegas de classe.

É importante tratar o tempo livre como um elemento tão importante e digno de atenção na agenda quanto o conteúdo curricular e extracurricular. É o momento de descansar, de aprender a lidar com o ócio, de processar internamente todas as informações das atividades semanais e de buscar outras não programadas.

As atividades extracurriculares são importantes e prazerosas para as crianças e, dada a rotina profissional atribulada dos pais, tornam-se uma necessidade para muitas famílias. No entanto, não se pode sobrecarregar a criança com excesso de compromissos, tornando sua agenda semelhante à de um executivo. Pais e filhos podem trabalhar juntos para construir uma rotina funcional para todos, mas que não deixe de incluir uma boa dose de tempo livre, sem atividades dirigidas.

Coordenadora Pedagógica da Educação Infantil e 1° ano do Colégio Salesiano Santa Teresinha (SP), Gislene Maria Magnossão Naxara atua na área de educação há 32 anos. Formada em Pedagogia e pós-graduada em Psicopedagogia pela Mackenzie, cursou especializações em didática de 1ª a 4ª série, semiótica e aprendizagem cooperativa com novas tecnologias na Rede Salesiana. Atualmente realiza mestrado na PUC-SP na área de Educação e Currículo.

“Menina palavra”

Lançamento da Paulus Editora explora uma das coisas mais marcantes da infância, que é a descoberta das palavras.

 

a-menina-231x300Descobrir a magia das palavras  é uma vitória para a criança que começa sua vida estudantil. O fascínio pela escola é importante para o seu desenvolvimento e o incentivo nessa fase é fundamental para seu sucesso.

O livro “Menina Palavra” conta a história de uma menina que começa frequentar a escola e acha tudo muito grande _ o espaço, a professora, a sala de aula _ em comparação a ela que é tão pequenina. Mas a menina vai, aos poucos, se acostumando e percebe o quanto é bom descobrir e aprender coisas novas.

“Menina Palavra”, a personagem, viveu intensamente as descobertas que a escola lhe deu até que chegou o momento de seguir outros caminhos. Mas ela continuou aprendendo e levou as palavras pelo mundo, escritas ou faladas, para quem quisesse ouvir.

A autora, Lúcia Fidalgo, acertou no conteúdo e na forma de contar a história. A linguagem alegre acompanha a ilustração que além de muito colorida é imaginativa, fantasiosa e criativa, do jeito que criança gosta. O livro faz parte da coleção Arteletra, que conta ainda com outros títulos que colaboram com o desenvolvimento do público infantojuvenil.

Lúcia Fidalgo é escritora, contadora de histórias do Grupo Morandubetá, bibliotecária, mestra em educação, professora da Universidade Santa Úrsula e pesquisadora do Aleph-UFF. Nasceu no Rio de Janeiro e desde pequena gosta de ler, contar e ouvir histórias e mais histórias que hoje ela compartilha com seus leitores. Lúcia foi autora revelação no ano de 1997, com o livro Menino Bom, prêmio recebido da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

“Menina Palavra” foi ilustrado por Elma, tem 24 páginas, custa R$ 33,00 e pode ser adquirido no site da editora https://www.paulus.com.br/loja/menina-palavra_p_1525.html

Aplicativo para assistir vídeos na Apple TV

207950_432310-Apple-TVHoje, eu vou informar sobre um tema diferente da literatura infantil, mas que pode, sim, oferecer uma oportunidade do usuário ter contato com clássicos literários: um serviço de streaming chamado Looke, que é mais uma possibilidade de acessar conteúdos digitais pela TV. Vou explicar: streaming significa ouvir música ou assistir a um vídeo em ‘tempo real’ em vez de baixar um arquivo e vê-lo mais tarde.

Lokke é uma plataforma de distribuição de conteúdo digital de vídeos por streaming. A novidade é que essa plataforma está lançando seu aplicativo para a Apple TV. Com esse app, usuários poderão pesquisar filmes e séries do streaming no dispositivo e assistir aos títulos pela televisão. Também está disponível na Apple TV o aplicativo Looke Kids, espaço de streaming para vídeos infantis.

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Nesta última semana, Looke,  serviço brasileiro de streaming de vídeos sob demanda, lançou o seu aplicativo para os dispositivos da Apple TV. Agora, o usuário poderá assistir aos filmes e séries do Looke também pelo app. É só pesquisar por “Looke” na App Store dessa plataforma.

A novidade está disponível somente para reprodução de títulos. As transações, compras e assinaturas devem ser feitas através do site, aplicativos Android ou iOS, e TVs conectadas.

Segundo Luiz Bannitz, diretor de Conteúdo e Novos Negócios do Looke, “a entrada do Looke na Apple TV consolida nosso objetivo de garantir maior acessibilidade ao nosso usuário assim como, aos usuários de serviços de streaming na Apple TV, que contam com mais um serviço disponível”.

ViewImage.aspxDentro da Apple TV, o Looke conta ainda com o aplicativo do Looke Kids, que é um espaço de streaming de vídeos direcionado para o público infantil totalmente seguro e exclusivo para assinantes.

A plataforma Looke conta com mais de 14 mil vídeos em seu catálogo. Entre os destaques mais recentes, encontram-se filmes recém-saídos do cinema e que concorrem ao Oscar, como “Nasce Uma Estrela”, “Bohemian Rhapsody”, “O Primeiro Homem”, “Os Incríveis 2”, “Ilha dos Cachorros”, “Jogador Número 1” e “Han Solo – Uma História Star Wars”, além de outros sucessos de bilheteria como “Venom”, “Podres de Ricos”, “Pé Pequeno” e “A Freira”.

O Looke, serviço de streaming de vídeos on demand, é a forma mais simples de assistir a filmes e séries de TV sem sair de casa. A plataforma permite compra, locação ou assinatura e apresenta mais de 13.000 títulos de todos os gêneros à sua escolha, incluindo produções recém-saídas dos cinemas, clássicos, documentários, lançamentos, animações e até shows musicais.

Mais informações consulte o link  https://www.looke.com.br/kids

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Jean-Claude Alphen: livros ajudam a criança empreender sua jornada particular pela vida

Jean-Claude Alphen: “livros para a infância podem ser literatura com um grande L!”

Jean-Claude Alphen: “Livros para a infância podem ser literatura com um grande L!”

 

O entrevistado de hoje, Jean-Claude Alphen, já ilustrou mais de 100 livros e é autor de 30. Ele é brasileiro, carioca, mas foi criado na França, onde viveu até os 11 anos de idade. Voltou para o Brasil, formou-se em Publicidade e Marketing pela ESPM e também em Artes Plásticas na FAAP, trabalhou como ilustrador no Marco Zero e no Jornal da Tarde até se tornar ilustrador de literatura infantil, primeiro, dos principais autores brasileiros e mais tarde de seus próprios livros infantis. Atualmente, ele está no Canadá, preparando o lançamento de quatro de seus livros e onde começa a trabalhar para as editoras locais em 2020. De imediato, lança a versão canadense de “Adélie”, um dos seus livros preferidos, pela Editora D’eux. Jean-Claude foi laureado por nove vezes, como autor, com o selo “Altamente Recomendável” da Fundação Nacional de Literatura Infantil e Juvenil.  Recebeu também o prêmio da Revista Crescer, o Prêmio literário Glória Pondé da Fundação Biblioteca Nacional e foi por cinco vezes o finalista do Prêmio Jabuti e vencedor em 2017 com “Adélia”.

 

 "Pinóquia", livro do PNLD literário, escrito e ilustrado por Jean-Claude, lançamento da Melhoramentos Editora

Página de “Pinóquia”, livro do PNLD literário (Programa Nacional do Livro e Material Didático), escrito e ilustrado por Jean-Claude, lançamento da Melhoramentos Editora

 

Rosa Maria: Desde quando escreve e ilustra livros de literatura infantil?

Jean-Claude: Ilustro há 30 anos e escrevo há mais de 15. Mas publicar mesmo meus próprios livros para a infância só mesmo a partir de 2007.

 

RM: Como a literatura infantil entrou na sua vida?

JC: Eu comecei a ilustrar livros escolares e via que era bem legal ilustrar livros de literatura. Era o caminho natural. Ilustrei mais de 100 livros de todos os autores… Quase todos. E pensei que poderia também me arriscar como autor.

 

RM: Comente um pouco sobre a sua formação em literatura infantil.

JC: Sou autodidata. Nunca fiz curso de desenho nem de escrita. Gosto de pensar (mesmo que possa estar errado), que isso não me engessou. Eu ilustrava mãos de quatro dedos e me corrigiam nas editoras de livros didáticos. Isso faz um bom tempo. Aprendi muito com isso, mas também me engessou no meu traço. Hoje, faço mãos com 3, 4 dedos e ninguém percebe. O que vale mesmo é a narrativa visual casada com o texto. O resto é secundário.

 

RM: Vamos falar de números? Quantos livros já escreveu? Quantos livros já ilustrou? Quantos personagens já criou e quais são eles?

JC: Já ilustrei mais de 100 e escrevi 30 livros. Não dá pra falar de todos eles, mas gosto muito do “Otávio não é um porco-espinho” e de “Adélia”. São meus preferidos. Mas todos são meus filhos e gosto de cada um deles do jeito que são.

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RM: Quais são seus livros só de imagem e como analisa esse tipo de obra para crianças?

JC: Tenho alguns. É muito complicado publicar livros assim no Brasil. Normalmente naufragam. Tem que ter texto pra dar certo. Fiz um livro chamado “Escondida”, Edições SM, do qual gosto muito. Os animais estão na mira da extinção agora e era minha homenagem ao risco que correm. Fiz girafas, elefantes, guepardos… etc. Mas estão todos desenhados de forma acadêmica, bem realistas. E é um livro-imagem do qual me orgulho muito.

 

RM: Sua obra tem algum alinhamento político ou filosófico?

JC: Tem. Sou defensor ferrenho da ecologia e dos animais. Ilustro o que posso de natureza e de bichos. Se isso faltar, não estaremos mais num planeta habitável. Gosto também de abordar temas de psicologia nos meus livros. Tudo baseado na necessidade da criança empreender a sua jornada particular pela vida. Gosto de abordar, sobretudo, a questão da identidade, da fabricação da identidade na criança que vai influenciar e moldar o futuro adulto que ela será. Gosto de tocar no assunto da transformação, dessa metamorfose de criança em algo a mais. Não acredito que a criança suma. Num livro meu antigo eu dizia “adultos são crianças que cresceram pra cima…”e que muitos fazem de conta que não são mais crianças.”

Página do livro "Talvez eu seja um elefante", Editora Melhoramentos

Página do livro “Talvez eu seja um elefante”, Editora Melhoramentos

RM: Como tem sido o seu “diálogo” com as crianças?

JC: Vou para as escolas não tantas vezes como eu deveria, porque isso na verdade tem que ser feito a conta-gotas. Mas adoro ter este contato direto. Me transformo em um deles. Mas claro que tenho minha responsabilidade de autor adulto. Que sou. A criançada é toda igual: crianças de favelas ou dos bairros mais privilegiados. Depois, aí não é mais minha faixa etária. Trabalho livros para crianças até no máximo 10 anos. Já vi fotos de turmas de crianças de 10 anos que já se formaram e que disseram que lembram até hoje do dia em que fui à escola delas. Então, deve ter sido bom pra elas também, né?

 

RM: Certamente foi muito bom para elas, sim, Jean.  Como avalia o progresso da literatura infantil no Brasil?

JC: Não me sinto apto para avaliar o trabalho de outros colegas. Isso quem tem que fazer são os críticos.

 

RM: Quais são seus planos para 2019?

JC: Em 2019, estou meio que partindo pra um voo mais longe. Estou trabalhando para o Canadá. Vou ilustrar livros para uma editora de lá. E vendi livros da minha autoria também. Aqui está complicado publicar mais. O mercado está ruim e temo pelo futuro dos livros para a infância. Temo que possamos perder a liberdade essencial de falar, de expressar com liberdade o que queremos que as crianças leiam. Por isso, acho bom começar a publicar fora também. É uma consequência natural tentar ser reconhecido também fora do seu país. Obrigado pela oportunidade de falar com quem se interessa por literatura. Porque livros para a infância podem ser literatura com um grande L!

Coleção Salamandra assinada por Jean-Claude com a série "A outra história de"

Coleção Salamandra assinada e ilustrada por Jean-Claude com a série “A outra história de” e outros livros de sua autoria

Senhoras e senhores pulem num pé só

Lauro Schvarcz *

Cantigas, contos e parlendas infantis sempre me fascinaram: de riquíssimo conteúdo, podem e devem ser lidos em mais de um nível, para além da superfície da literalidade; ostentam belas formas, com rimas, parágrafos curtos e densos, musicalidade. São horizontes sempre abertos a diferentes interpretações, das mais fugazes às mais patológicas. São (ou eram) o contato primevo das crianças com as mazelas da vida, com o enfrentamento hipotético das adversidades, com o reconhecimento das diferentes possibilidades de caráter e de conduta dos seres humanos.

Desde tenra idade, a literatura infantil nos revela o complexo fenômeno da vida visto de diversos ângulos. O motivo pelo qual ela nos chega tão modificada de seus originais permanece, para mim, incerto, e desconheço a justificativa intelectualóide contemporânea para a omissão de trechos “frios e desumanos”.

Outrora abandonados pelos pais, hoje se diz que João e Maria se perderam no bosque. A vovozinha de Chapeuzinho Vermelho, despedaçada a dentadas pelo lobo, foi reencontrada viva e inteira na barriga do animal. Ou pior: o Ministério da Educação e da Cultura vem distribuindo o tosco livreto de Chico Buarque em que a Chapeuzinho agora Amarelo não mais precisa ter medo do Lobo, que acaba virando um Bolo. Rapunzel havia sido dada à feiticeira por seu próprio pai por um punhado de rabanetes e o príncipe termina a história cego ao cair da torre: hoje, a bruxa rouba Rapunzel e o príncipe é um idiota dublado por outro idiota…

O fantástico mundo de chocolate do cinema americano tem lançado mão desses clássicos modificados, em que meninos e meninas surgem como soldados especialistas em artes marciais e detentores de poderes especiais. E, nesse saco de gato, a literatura infantil vai se confundindo com filmes de super-heróis e de automóveis-robôs que chegam às salas de cinema e que têm, por público-alvo (acreditem!), adultos!

Desse modo histriônico, as antigas histórias infantis vêm perdendo sua forma e tendo seu conteúdo interpretativo reduzido, achatado à superfície lisa do texto literal e submetido à imagem desencantadora dos efeitos computacionais. Ícones infantis e lixo cultural adulto estão se confundindo numa trama diabólica, em que parlendas são substituídas por letras de funk, princesas lutam por independência financeira e príncipes fazem parte do núcleo cômico da história. Quais arquétipos estamos tentando, com toda gana e ranger de dentes, destruir? Não seria mais honesto deixar isso às claras? Seria o beijo que acorda Aurora de seu sono de cem anos um beijo icônico, objeto de leitura alegórica, ou um mero caso de assédio e questão de consentimento sexual?

Abóboras se acomodando e vaca indo pro brejo, muito me surpreende que ainda seja lícito às crianças recitar cantigas e parlendas com letras assustadoras, descriminatórias e violentas, como no claro caso de machismo heteronormativo em “Um homem bateu em minha porta e eu abri” ou na incitação ao crime em “Lá em cima do piano tinha um copo de veneno, quem tomou morreu, o azar foi seu”…

 

* Lauro Schvarcz é médico Internista e Pneumologista do Hospital Universitário de Santa Maria (RGS), pai e ‘homeschooler’