Interior de MG lê mais que BH

13/8/2013 – 19:59h

No dia 13 de agosto, o 2° Salão do Livro Infantil e Juvenil, realizado na Serraria Souza Pinto, divulga pesquisa inédita sobre os índices de leitura no interior de Minas Gerais. No estudo, foram entrevistadas 1.100 pessoas, no período de 10 de março a 20 de junho de 2013, em oito cidades polo do interior do estado (Teófilo Otoni, Poços de Caldas,  Juiz de Fora, Uberlândia, Divinópolis, Governador Valadares, Patos de Minas e Montes Claros), sobre hábitos de leitura, materiais e equipamentos culturais utilizados e frequência de leitura.

Os índices revelam que a média de livros – ou partes de livros – lidos, nos últimos doze meses, nas referidas cidades mineiras, são praticamente o dobro dos índices de leitura do Brasil e do restante do estado de Minas, no mesmo período: nos municípios pesquisados, a média é de 6,55 livros lidos nos últimos 12 meses, contra 3,6 no país. Nos últimos três meses, o número foi de 2,38 contra 2,67 e no último mês de 1,12 contra 0,9. A pesquisa foi realizada com recursos do Fundo Estadual de Cultura e Câmara Mineira do Livro.

Para o presidente da Câmara Mineira do Livro, Zulmar Wernke, ao realizar a pesquisa no interior do estado, torna-se possível mensurar o desenvolvimento do índice de leitura e seu potencial. “Inédita, a pesquisa busca mostrar que, mesmo nos centros com menos infraestrutura cultural, existe potencial de leitura. O incentivo, portanto, deve sempre ser feito. Contudo, esse potencial não tem sido aproveitado nem mesmo pelas livrarias. Cerca de 30% delas estão localizadas na capital, enquanto, no interior, os leitores continuam buscando outras formas de adquirir livros”, comenta.

Índices municipais

As cidades que apresentam os melhores índices de leitura são Poços de Caldas, com 9,78 livros ao ano, e Juiz de Fora, com 8,14. O último Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Poços de Caldas ficou na faixa de 0,779. A cidade investe em educação, tendo 94 escolas públicas e particulares das quais 52 possuem bibliotecas. Além disso, conta com três bibliotecas municipais, três universidades públicas e cerca de seis particulares. Em Juiz de Fora (IDH de 0,778), o setor de educação também é bem estruturado. São 372 escolas públicas e particulares, contabilizando 268 bibliotecas escolares. O município conta, ainda, com diversas faculdades privadas (onde há bibliotecas) e com a Universidade Federal de Juiz de Fora.

Divinópolis (304ª posição no ranking de IDH das cidades brasileiras, com índice de 0,770) teve média de 7,34 livros lidos nos últimos doze meses.

Montes Claros (227° no IDH), tem média de 6,42 livros.

Teófilo Otoni (1866° posto no IDH), teve 6,17 livros lidos por pessoa.

Uberlândia, que ocupa posição privilegiada no IDH brasileiro (71ª), conquistou média de 5,03 livros.

Os índices mais baixos foram os de Patos de Minas – 20ª posição no IDH, com 0,765 – apresenta média de 4,71 livros. Por fim, Governador Valadares, com 4,78 livros e IDH de 0,727, revela alto índice de leitores de jornais, com 66,67% dos entrevistados. Ainda assim, ambas as cidades possuem média mais alta do que a brasileira.

Temas e materiais

Quanto à natureza das demandas para leitura, destacam-se a Bíblia, obras de literatura, livros esotéricos e religiosos, didáticos e universitários, seguidos por histórias em quadrinhos e títulos de poesia. Os assuntos com menos procura referem-se a viagens, artes, assuntos técnicos e biografias. Os livros infantis são lidos por 35% dos entrevistados, enquanto os juvenis, por cerca de 45%.

Quanto aos materiais usados para leitura, é alto o percentual de leitores de livros, da Bíblia, de revistas, de internet e de jornais, hábito de mais da metade da população entrevistada. Outro indicador interessante refere-se à leitura de textos escolares, prática realizada por 47,83% da população. Por fim, 15% dizem ler em formato eletrônico.

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