A Babel do estande brasileiro

3/4/2016 – 20:09h

Entrevista

Luiz Álvaro Sales Aguiar de Menezes – Gerente de Relações Internacionais da CBL

Luiz Álvaro explica o que sempre chama a atenção dos editores estrangeiros: “as ilustrações da nossa produção Infantil, a palheta de cores, a solaridade dos ilustradores brasileiros”

Em relação ao ano passado, como está a participação na Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha de 2016, que será realizada de 4 a 7 de abril?

Nossa participação em 2016 está mais qualificada do que em anos anteriores. Temos um novo projeto arquitetônico, totalmente voltado para facilitar a realização de negócios entre os editores brasileiros e estrangeiros, assim como novo modelo de Matchmaking que nos possibilitará maior agilidade e melhor escolha dos empresários participantes. O Brasil se apresentará esse ano com 15 editoras, o que é um número menor do que no ano passado (23 editoras participaram em 2015), mas isso não é um problema. Estamos vivendo uma crise econômica grave e o mercado editorial brasileiro tem sentido fortemente os efeitos dessa crise; com isso, temos nessas 15 editoras aquelas que têm de fato a exportação de livros e direitos autorais como diretriz estratégica de atuação.

Quais são as editoras participantes?

As mais tradicionais editoras do mercado infanto-juvenil no Brasil participarão da feira. São elas: Aletria, Callis, Cortez Editora, Editora Bom Jesus, Editora IMEPH, FTD, Girassol Brasil, Grupo Companhia das Letras, HUB Editorial, Mauricio de Sousa Editora, Melhoramentos, SM, Todolivro, Pallas Editora e White Balloon Books. O estande do Brazilian Publishers, com 112 m², proporcionará às editoras toda a infraestrutura necessária para impulsionar suas exportações.

Qual é a principal vantagem do livro infantil brasileiro em outros mercados internacionais?

Em um país multicultural como o Brasil, precisamos escapar da tentação de destacar “a principal vantagem” do livro brasileiro. Nossa cultura está assentada nas influências que recebemos de todas as ondas migratórias que para cá vieram, na mistura de cor, raça, credo e até mesmo na nossa imensa diversidade regional. Tudo isso está presente em nossa produção editorial e fortemente na Infantil e InfantoJuvenil. O que podemos destacar, por que sempre chama a atenção dos editores estrangeiros, são as ilustrações da nossa produção Infantil, a palheta de cores, a solaridade dos ilustradores brasileiros.

Quem são os maiores interessados nos livros infantis e juvenis brasileiros e em relação também aos direitos autorais?

A lista de países interessados é grande e isso se reflete na Babel que o estande Brazilian Publishers costuma se transformar durante as feiras internacionais nas quais participamos. Nossos empresários, que são os verdadeiros embaixadores do livro brasileiro no exterior, destacaram que os principais interessados em 2015 foram: Alemanha, Argentina, Canadá, Coreia do Sul, China, Espanha, França, Holanda, Itália, México, Peru, Portugal, Polônia, Reino Unido, Slovênia, Suécia, Ucrânia e Uruguai.

Estamos em um período de crise. As editoras estão lançando menos. Isso também se reflete nessa participação?

A crise econômica na qual o Brasil está inserido afeta a todos os segmentos da sociedade, inclusive o mercado editorial. Com isso, a exportação de livros brasileiros e direitos autorais aparece como uma atraente alternativa frente ao enfraquecimento do poder de compra dos leitores no Brasil. Com a forte desvalorização do real, ficou mais atraente para os editores estrangeiros comprarem direitos autorais das editoras brasileiras.

Fonte: Câmara Brasileira do Livro

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