Quintal de Histórias

4/4/2016 – 19:40h

A 5ª Bienal do Livro de Minas Gerais está chegando. De 15 a 24 de abril, no Expominas, uma programação muito especial, cheia de poesia, espera pelas crianças num espaço que tem tudo a ver com o interesse delas: um Quintal de Histórias.

Valentina Vandeveld é a curadora do Quintal de Histórias da Bienal destinado à literatura infantil - Foto: Divulgação

O livro “Meu quintal é maior do que o mundo” reúne poemas publicados pelo poeta Manoel de Barros ao longo de 70 anos e está inspirando a programação da 5ª Bienal do Livro de Minas Gerais destinada exclusivamente às crianças. O espaço, onde a programação será realizada chama-se “Quintal de Histórias” numa alusão ao livro. As atividades, que serão realizadas a cada dia, são baseadas na trajetória deste autor.  A curadora do espaço infantil da Bienal, Valentina Vandeveld, assim, vai presentear às crianças com a beleza de uma poesia rica, lírica e  ao mesmo tempo simples.

“Por formação, gosto muito de poesia, por isso sugeri que o espaço infantil da Bienal homenageasse o grande poeta Manoel de Barros”, afirma Valentina. Sugestão aceita, a curadora passou, então, a convidar artistas comprometidos com a homenagem, pessoas acostumadas a transmitirem a mesma poesia, e o resultado chegou a um total de 70 apresentações ou 10 atividades por dia de Bienal. “Este repertório se repete ao longo da programação para conseguir se estender e, assim, atingir o maior público possível”, explica Valentina.

“Quintal de Histórias” vai funcionar como um espaço livre, por que as atividades serão desenvolvidas com muita interação. “Os artistas terão liberdade para criar, para improvisar, pois o que desejamos é atingir de fato o público”, acrescenta a curadora. “Queremos a interação com as crianças para ligá-las com o universo da literatura infantil”.

Valentina destaca da grade de programação, as atividades por conta do compositor Marcos Braccini, cuja fonte de inspiração está no poeta homenageado, e Rafael Fares, que chegou a conviver com ele para a produção de um documentário. Apenas os espetáculos dos narradores de histórias Alessandra Visentin e Roberto de Freitas estão desvinculados do contexto poético, mas são promessa de muita festa, alegria e interação com as crianças.

“Literatura e poesia são essenciais na formação cognitiva dos seres humanos e na potência inventiva das crianças. Precisamos colocar mais poesia na vida”, conclui Valentina, que é graduada em Letras e trabalha com produção cultural. A programação infantil pode ser conhecida no site www.bienaldolivrodeminas.com.br

O homenageado

Pessoas simples e sensíveis se encantam com a poesia de Manoel de Barros. Assim como Carlos Drumond de Andrade que, certa vez, chegou a afirmar que ele não era o maior poeta brasileiro e sim Manoel Wenceslau Leite de Barros, ou melhor, Manoel de Barros, autor de linhas e rimas cheias de profundidade sobre simplicidades do dia a dia, as sutilezas das coisas “desimportantes”. Do “apogeu do chão e do pequeno”.

Barros nasceu em Cuiabá, no dia 19 de dezembro de 1916. Segundo o site da Revista Nova Escola, quando criança, ele passou boa parte de seus dias no internato. Ao terminar a escola, foi para o Rio de Janeiro onde se formou em Direito. Depois do casamento com Stella voltou para o Pantanal e assumiu uma fazenda de gado recebida como herança. Lá, viveu até o fim da vida, em novembro de 2014.

Foi vencedor do Prêmio Jabuti duas vezes, em 1990 e 2002, com as obras “O guardador de águas” (1989) e “O fazedor de amanhecer” (2001). Seus leitores não são apenas brasileiros. Os livros do poeta foram traduzidos e publicados na França, nos Estados Unidos, na Espanha e em Portugal.

No site da Fundação Manoel de Barros (http://www.fmb.org.br/), uma frase do próprio poeta explica bem o que se encontra nos seus livros:
“O que escrevo resulta de meus armazenamentos ancestrais e de meus envolvimentos com a vida. Sou filho e neto de bugres, andarejos e portugueses melancólicos. Minha infância levei com árvores e bichos do chão. Penso que a leitura e a frequentação das artes desabrocha a imaginação para um mundo mais puro. Acho que uma inocência infantil nas palavras é salutar diante do mundo tão tecnocrata e impuro. Acho mais pura a palavra do poeta que é sempre inocente e pobre”.

Títulos infantis

“Exercícios de Ser Criança”, Manoel de Barros, 48 págs., Editora Salamandra

“O Fazedor de Amanhecer”, Manoel de Barros, 48 págs., Editora Salamandra

“Memórias inventadas para crianças”, Manoel de Barros, 32 págs., Planeta Editorial

“Histórias da Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo” (poemas ilustrados em vídeo por Evandro Salles, feito por Lumen Argo)

A poesia de Manoel de Barros inspirou a programação infantil da Bienal

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