O mito do não escrever na educação infantil

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Janaína Spolidorio *

A fase da Educação Infantil, que chamamos de pré-escolar, divide especialistas e profissionais da área, além de também incluir nesta lista os pais das crianças, claro, em relação sobre o dever ou não dever estimular a escrita.

Algumas escolas estimulam a escrita precoce, desde dois ou três anos, estimulando-a como habilidade para o aluno e outras escolas banem totalmente a possibilidade de qualquer tipo de registro até pelo menos a turma de cinco anos.

Embora a opinião se divida de “oito a oitenta”, tudo fica dentro de um parâmetro um pouco de opinião pessoal, pois há quem defenda maior ludicidade e há os que defendam regular e alternar momentos de ludicidade com registro escrito. Claro que todos têm seus “porquês”, mas você já se perguntou qual deles estaria correto mesmo, do ponto de vista da criança?

Se estamos decidindo o que estimular, devemos levar em conta o aluno e não a visão própria que temos sobre o que deve e não deve fazer. Desta forma, encontrei nesta polêmica uma chance de escrever algo que realmente contribua para a reflexão, trazendo neste artigo quais são os benefícios de se estimular a escrita precoce no aluno.

A escrita precoce, para quem não conhece o termo, é a escrita das letras, sem intenção formal de alfabetização, ou seja, é o fato isolado de escrever letras convencionais que usamos no cotidiano, mas sem a preocupação de atribuir sons ou formar palavras. É praticamente a escrita pela escrita, como se fosse mesmo um desenho.

Este tipo de escrita envolve uma porção de estímulos diferentes, entre eles controle de pressão do lápis, desenvolvimento de coordenação motora fina, percepção visual, coordenação viso-motora, entre outros. Note que são muitos estímulos e se o aluno não tem estímulo na faixa etária de 3 a 5 anos, quando terá? Quanto tempo levará para que desenvolva estas habilidades?

O fato de estimular o registro da criança, incentivando a escrita precoce ativa no cérebro, em crianças entre 4 e 5 anos, o que chamamos de circuito de leitura. Se seu filho ou aluno têm dificuldade de leitura, possivelmente não teve o estímulo necessário à escrita nesta faixa etária. Depois, o processo de ativação é mais lento e falho, o que provoca a dificuldade.

Além deste fato, desenvolve-se ainda nesta idade, no córtex pré-frontal da criança, a atenção, o controle de impulso e a memória de trabalho, que contribuem, anos depois, para o sucesso escolar. Todo este cuidado com o escrever precocemente tem duas intenções específicas para o trabalho: a legibilidade e a velocidade.

A legibilidade é o fato de a letra ser legível. De nada adianta a criança “aprender sozinha” a letra e não conseguir traçá-la. A letra é um produto social e a criança não deve reinventá-la. Ela tem muito mais com o que se preocupar na escola do que o traçado das letras, que deve ser incentivado mostrando o movimento correto do traçado.

Traçar letras corretamente promove maior segurança. Se pedissem para você reinventar a roda o que você diria? Pois é, reinventar a escrita também é algo muito filosofal para uma criança em idade pré-escolar também.

A velocidade no escrever indica que o aluno se apropriou de forma automática da escrita. Isso é ótimo! Significa também que irá poder se dedicar ao que precisa, durante suas lições, sem precisar se preocupar com o traçado das letras. Isso diminui muito a carga cognitiva que ele tem que usar durante as lições, trazendo maior autoestima escolar.

Por fim, a escrita precoce é um processo que deve começar, minimamente, aos três anos de idade, com o registro de algumas atividades em exercícios próprios da idade, de preferência, com caráter até lúdico. A criança pode treinar fazer letras em caixas com areia, por exemplo, ou durante uma brincadeira simbólica, que é o “faz de conta”. Quanto maior o estímulo, menor o fracasso escolar.

Agora, depois da leitura deste texto, cabe a você, depois de ter o conhecimento dos benefícios que a escrita precoce pode trazer, avaliar sobre a necessidade ou não de ter registros nesta fase de aprendizagem e também sobre os motivos de tanto ouvirmos falar em fracasso escolar nas mídias.

Espero que tenha proporcionado uma boa reflexão.

* Pedagoga

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