“Greg, o menino que morava em um trem”

Lançamento da Tigrito Editora, esse é um livro pra lá de envolvente: a história escrita por Ana Luíza Badaró é surpreendente e narrada de uma forma muito agradável. As belas ilustrações de Odilon Moraes permitem às crianças experimentarem algo que mexe muito com elas: o fascínio dos trens.

O personagem é Greg e ele mora com os pais dentro de um trem. Nas idas e vindas desse trem, certo dia, os pais decidiram viver em vagões separados. Mesmo assim a viagem continuou.

“O trem voltou a subir colinas e descer morros em dias de sol e de chuva”.

“Greg agora brincava nos dois vagões e passava facilmente de um para o outro”.

A entrada e saída de passageiros também continuou. No livro eles são chamados de moradores que vivem por algum tempo no trem juntamente com Greg. Os pais sempre estimulam o menino a conviverem bem com todos eles. Cada morador tem uma característica diferente que nem sempre agrada a Greg. Mas ele sempre procura ser simpático com todos:

“A menina sardenta”

“Uma mulher tagarela”

“Dois meninos banguelas”

“Um cachorro levado e um gato molhado”

“O trem continuava seu caminho”.

As pessoas entravam e saíam e para Greg o trem parecia sempre lotado. Ele não perdia a oportunidade de brincar nos dois vagões com alguns dos moradores. E eram muitos:

“Um moço comprido”

“Três vizinhos suados”

“Uma prima que jogava queimado”

“E um vovô engraçado”

O entra e sai dos vagões vai mexendo com o menino. Depois da presença de novos moradores, mais ainda.

“Uma moça redonda”

“Um velho barbado”

“Um menino calado e um cavalo danado”

Greg, então, tomou uma decisão. Foi importante. Mas não mudou a rotina do trem que “seguiu subindo colinas e descendo morros em dias de chuva e sol”.

O livro tem capa dura, custa R$ 50,00 e pode ser comprado no site da editora https://www.editoratigrito.com/pagina-de-produto/greg-o-menino-que-morava-em-um-trem

Ana Luíza Badaró é a autora do livro – Foto: Divulgação

Entrevista

A assessoria de agenciamento e divulgação de literatura, Oasys Cultural, publicou em seu site uma entrevista com a autora, que comenta sobre o livro e sua experiência profissional com as crianças. Publicamos a seguir.

Com criatividade e delicadeza, a psicóloga e educadora Ana Luiza Badaró, fundadora e diretora do colégio Os Batutinhas – Espaço de Educação Infantil (RJ), construiu uma fábula que nos permite enxergar – e sentir – do ponto de vista das crianças, os novos arranjos da família contemporânea. O livro mostra que, à medida que os pais se engajam e terminam novos relacionamentos, as crianças ‘ganham’ e ‘perdem’ novas famílias sem muita explicação.

Sua formação é em Psicologia e há 23 anos você fundou uma escola de educação infantil. Como a lida com as crianças e suas famílias influencia o seu trabalho de escritora?

R: O convívio com as crianças é uma fonte de inspiração inesgotável. As emoções estão todas ali, na sua expressão mais verdadeira. Pais com crianças pequenas dão um mergulho profundo em um universo de novos sentimentos antigos. Pegar o filho nos braços te leva de volta à própria infância. É quando resignificamos nossas memórias, compreendemos e até perdoamos nossos pais por eventuais erros. Sou apaixonada por essas relações e esse material humano é riquíssimo.

“Greg” tem uma abordagem inédita sobre um tema muito comum: as separações dos pais e a falta de cuidado ao elaborar isso junto com as crianças. De onde surgiu a ideia deste livro?

R: Na verdade, não é que haja uma falta de cuidado, é porque é difícil mesmo. A ideia nasceu de uma frase que ouvi há anos: “Ontem eu encontrei minha ex-irmã” e que me voltou à memória ano passado, quando um aluno de 5 anos me disse: “Eu perdi meu irmão e meu cachorro”. Eu levei um susto, pois eu sabia que ele era filho único. Sentei-me do lado dele para conversar e entendi que o pai havia terminado um longo namoro com a namorada que tinha um filho da mesma idade e uma casa na praia, onde morava o cachorro que o casal comprou para as duas crianças terem algo em comum para cuidar. É triste mesmo, fazer o quê?

“Socorro, mamãe caiu no celular” fala sobre a qualidade da presença dos adultos junto às crianças, quando usam celular. A mãe dos protagonistas é bem presente, o problema é que não desgruda do celular. Como lidar com isso na vida real?

R: É um desafio enorme. Todos estamos conectados demais: adultos e crianças. O celular tem esse problema, ele nos invade, nos rouba o foco mesmo quando estamos dispostos a prestar atenção à vida real. Na história, é claro que a mãe está ali o tempo todo, mas está tão presa à tela que dá a impressão de que caiu lá dentro! A solução é a que os filhos encontram no livro: tem um botão para desligar. É o único jeito.

À frente dos Batutinhas, você teve a oportunidade de atuar como editora, publicando não apenas seus primeiros livros, como de outros autores. Como foi a experiência?

R: Foi maravilhoso! Recebi textos lindos, foi difícil escolher. O processo de produção é incrível. O livro é só um projeto e, de repente, ganha corpo e vida. O texto é uma coisa, a ilustração é outra e os dois juntos são uma terceira, algo muito maior que a soma dos dois anteriores.

Você é empresária e agora está investindo no mercado da terceira idade, à frente da rede Old is Cool, que reúne profissionais de diversas áreas, voltados para o cuidado com idosos. Como concilia a literatura com suas demais atividades?

R: A literatura está na minha alma. É como uma vida paralela a tudo o mais o que eu faço. Qualquer coisa que eu vejo ou escuto pode virar uma história – é como se houvesse um radar em busca de um personagem que já existe, mas que eu ainda não conheço. Eu preciso descobri-lo e não inventá-lo. Mas o trabalho criativo exige dedicação. Minhas ideias são bem exigentes e, se eu não dou a atenção devida, podem ir embora em um piscar de olhos! Então, tento parar uma vez por dia para pensar nos meus textos. Mas não é fácil.

 

 

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