“O jabuti e a onça”

Este lançamento da Escrita Fina Editora (pertencente ao Grupo Editorial Zit) traz um conto africano para ensinar que nem sempre o mais poderoso, o mais forte, o mais rico é o vencedor. Um pequeno animal pode dominar uma fera gigante com inteligência, argúcia e paciência.

Tem coisa pior do que precisar encarar uma dona onça raivosa, bem brava e intolerante? Ainda mais quando esse que encara é um pequeno jabuti tranquilo, suave, a tocar flauta…

“A fama da música do jabuti corria por toda a floresta. Todo mundo gostava. Todo mundo ficava feliz. Menos a onça”.

“A pintada não gostava nada daquela festança em torno do jabuti.”

Invejosa, a onça queria ser ela a atração da floresta. E mesmo sendo muito orgulhosa, decidiu pedir ao jabuti para lhe ensinar a tocar flauta. O cascudo, por sua vez, era um músico de ouvido daqueles que toca devido à sua sensibilidade auditiva e habilidade natural e não por conhecimento musical.

Seria possível a uma onça grosseira entender isso? Com seu terrível temperamento, a fera ameaçou o jabuti.

_ “Onde o senhor aprendeu a tocar?

E o jabuti:

_Ih… Foi por aí. Ouvindo aqui, escutando acolá… Assim eu fui aprendendo. Fui aprendendo sem querer. Quando vi, já estava tocando.

A onça não se satisfez com a resposta e insistiu:

_ Mas não aprendeu com ninguém? Ninguém ensinou? Não teve um professor? Um mestre para ensinar? Estranho.

_ É como eu estou lhe dizendo…

Mas a pintada não gostou mesmo. Foi perdendo a delicadeza e mostrando aquele jeito impaciente dela. Fez cara de quem comeu e não gostou e foi logo soltando o verbo:

_“Precisa sabedoria alguma! Se sabe tocar, tem que saber ensinar, não e?…

Vai me ensinar direitinho! Vai ser um ótimo professor! E se eu não aprender igual a você… Eu viro você pelo avesso! Acabo com essa música e acabo com sua fama! Entendeu?”

E agora? Como o jabuti reagiu? Seria mesmo possível ensinar música para uma criatura tão insensível e desalmada?

Está escrito logo no começo desse texto, que o jabuti usou de argúcia. Até presenteou a onça com uma flauta nova, ensinou como soprava e extraía sons suaves da flauta. Mas o leitor acha que a onça aprendeu? O jabuti teve que encontrar outro jeito de se livrar da insistente aluna para não perder a própria vida. Você vai descobrir o que ele fez.

Vale muito ter esse livro em mãos e ler as suas 24 páginas para saber como o cascudo resolveu a encrenca.

Sugiro para o leitor folhear o livro calmamente, pois, além da divertida história, ainda vai poder se deslumbrar com a graciosidade do projeto gráfico que oferece capa e contracapa internas também ilustradas e as páginas de textos com bordas superior e inferior enfeitadas com pequeninos ícones referentes à fábula.

Em “O jabuti e a onça”, o escritor e ilustrador Augusto Pessôa trata de um conto popular africano que é capaz de despertar nas crianças a empatia pelos aviltados e humilhados. Com seu talento de contador de histórias, arte que pratica desde 1993, Pessôa cria uma narrativa ideal para esse tipo de apresentação. Além disso, o conto faz com que os leitores percebam que histórias de outras culturas também são encantadoras e espirituosas.

Augusto Pessôa nasceu no Rio de Janeiro. Ingressou na Faculdade de Artes Cênicas da UniRio, na década de 1980, e formou-se em interpretação (1987) e em cenografia (1993). Nesse mesmo ano, descobriu a arte de contar histórias profissionalmente. Desde então, dedica-se a essa atividade e a realizar oficinas por todo o Brasil em escolas, universidades, museus e teatros. Também tem adaptado para o palco contos populares.

O livro “O jabuti e a onça” custa R$ 28,90 e pode ser comprado no link da editora: www.grupoeditorialzit.com.br

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