“Ana-Centopeia”

Editora RHJ lança o novo livro da escritora Claudia Nina, que conta a história de uma menina que ao abrir os olhos para o mundo, numa manhã, se viu toda transformada e com uma centena de pés. Junto com as informações sobre esse lançamento, o blog também tem uma entrevista exclusiva com a escritora que comenta sobre essa história e sobre seus trabalhos de literatura para crianças e adultos.

Seria possível que a menina Ana se transformou mesmo numa centopeia? E agora: de quantos sapatos ela vai precisar?

Para escrever “Ana-Centopeia”, a escritora Claudia Nina se inspirou na vida real. Sua filha Anne foi a responsável pela ideia que originou a história. Houve uma época em que ela não tirava o sapato preferido nem para dormir. E nada melhor do que lidar com as situações da vida a partir das histórias.

As vibrantes ilustrações do livro são de Romont Willy. Apesar do nome diferente, ele é brasileiro. Nascido em Teresina, mora no Distrito Federal desde muito pequeno. É autor e ilustrador autodidata, tendo aprendido a desenhar sozinho com muita persistência e prática. Tem trabalhos publicados no Brasil e em diversos países. Participa de eventos literários e de exposições no Brasil e no exterior.

Romont Willy foi finalista do Prêmio Jabuti na categoria de Melhor Livro Infantil em 2014. Para criar suas ilustrações, usa diversas técnicas: ilustração digital, tintas, lápis de cor. Quando ilustra digitalmente, é mais prático e rápido, entretanto, não sente a textura do papel, o cheiro da tinta, nem o leve som do lápis de cor riscando o papel.

O livro “Ana-Centopeia” tem 36 páginas, custa R$ 35,00 e pode ser comprado no site da Editora RHJ https://rhjlivros.com.br/#!/Ana-Centopeia/p/164604005/category=0

Entrevista com a autora

Rosa Maria: Como surgiu a história da Centopeia?

Claudia Nina: A história da centopeia surgiu, como sempre em meu processo criativo, a partir de uma junção de referências, tanto literárias quanto da vida pessoal. Veja que há uma intertextualidade com o universo absurdo e onírico de Kafka, em A metamorfose. Além disso, busquei também na mania de sapatos da minha filha, quando era pequena, uma outra conexão possível. Tudo isso para falar de uma ideia de sustentabilidade que tem a ver com nosso momento, em que os excessos poluem mundos e mentes.

RM: Pode nos dar um resumo da história?

CN: Um dia uma menina acorda e, na cama mesmo, percebe que não é mais uma menina como as outras, pois, em vez de dois pés, ela tem 100 patas… Descobre que se transformou em uma centopeia. No espaço-tempo de um dia até o amanhecer no dia seguinte, ela tenta reverter a situação. Não se sabe se é um sonho, um pesadelo ou uma brincadeira da imaginação.

Claudia Nina: “Em qual animal você poderia se transformar do dia para a noite?” – Foto: Divulgação

RM: Que trajetória você prevê para esse livro?

CN: Prevejo uma excelente aceitação nas escolas, como aliás já vem acontecendo.

RM: Como as escolas podem usar esse livro?

CN: As possibilidades de abordagem de um livro infantil em uma escola são gigantescas. Para você ter uma ideia, Nina e a lamparina (DSOP) foi usada em todas as séries de um colégio em São Paulo a partir da perspectiva do empreendedorismo. Eu jamais imaginaria que a premissa de uma menina com medo do escuro pudesse render esse recorte. Então, isso é para dizer que as possibilidades com a Ana-Centopeia são inúmeras. Volto ao tema da sustentabilidade e acho que uma das abordagens poderia ser esta, mas também vejo a perspectiva de brincarmos com o sonho – em qual animal você poderia se transformar do dia para a noite e como seria sua vida? – em vários sentidos.

RM: O que pode nos contar a respeito das ilustrações?

CN: As ilustrações ficaram por conta do Romont Willy, que soube capturar a essência deste universo com muita cor e sensação de movimento.

 

RM: Fale sobre sua carreira como escritora e cite alguns dos seus livros infantis.

CN: Quase tudo o que eu produzo tem uma conexão com a realidade. Dos contos, passando pelos infantis aos romances. Não consigo me distanciar do meu quintal interior nem mesmo com muita pesquisa. A mistura da jornalista com a escritora deu nisso. Minha carreira começou nas redações de jornal, que foram uma espécie de oficina para mim. Fiz mestrado e doutorado em Letras, dei aulas de Teoria Literária na Uerj. O primeiro livro foi o infantil A barca dos feiosos e logo em seguida veio o romance, Esquecer-te de mim. A histórias nascem com uma forma própria, não sou eu quem decide. Apenas aceito. Não se pode brigar com o surgimento de uma narrativa, pelo menos é o que eu penso. Escrevo sempre na mente antes de começar a redigir. Ando pelas ruas escrevendo na imaginação. Sou uma distração só, porque habito dois universos paralelos – a vida real e a criação.

A mente faz o trabalho da intuição, de capturar o que os sentidos indicam como possíveis histórias; as mãos, na hora de escrever, fazem o trabalho braçal de escolher melhor as palavras, o ritmo, o apuro da forma, evitando excessos e lugares comuns. Sou obcecada com a palavra. Escrevo infantis a caneta ou a lápis, um processo muito diferente dos livros adultos, que já nascem no computador. Nunca soube explicar a mim mesma a razão da diferença. Faço anotações, rabiscos, começos de frases, espalho possíveis títulos e histórias que talvez nunca aconteçam ou que só irão amadurecer anos depois. Estou escrevendo agora vários livros ao mesmo tempo e tenho dois romances inéditos.

 

 

 

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