“Ilha”

A Editora Kapulana lança livro, cujo o tema aborda um complexo problema social: os moradores do lixão.

Fico muito entusiasmada quando descubro livros infantis que tratam de temas reais e oferecem para as crianças a oportunidade de reflexão e debate. Esse é o caso de “Ilha” com autoria de Marcelo Jucá e ilustração de Felipe Tognoli, que foi lançado recentemente pela Editora Kapulana.

O personagem da história, Dado, vive uma questão social que para muitos podem parecer distante: a vida das crianças nos bolsões de lixo. Diariamente são derramadas milhares de toneladas de lixo nesses “bolsões” expostos a céu aberto, um local que reúne milhares de homens e mulheres em busca de sustento, incluindo aí os que, inclusive, moram por lá.

O autor traz a questão para o conhecimento das crianças, a partir da leitura do livro, de uma forma emocionante. As sensações e sentimentos do personagem são escritos por Marcelo Jucá de uma forma leve, porém, profunda, capaz de sensibilizar os leitores através de reflexões sobre as diferenças econômicas e sociais daqueles que não têm acesso à alimentação, saúde, educação e uma infância saudável.

Dado mora na “ilha”, num lixão e onde se passa a história.

“O sol brilhava aquela tarde na Ilha. Ele não sorriu. Ou lamentou. Gostava do sol, achava bonito, aquecia a alma.

Só que esse mesmo sol maltratava sua pele, fazia transpirar demais e beber muito a água com gosto diferente”.”

“Na ilha vive pouca gente, mas na verdade é um mundão de restos da vida dos outros que passam por suas mãos…” (as do menino)

Escorregam presentes que viram passados, felicidades, raivas e coisas esquecidas em cada monte, cada colina, cada montanha, cada caverna, cada buraco, cada esgoto.”

A história também dá abertura para o leitor pensar: por que Dado e outros moradores do lixão não saem de lá? Existe alguém que goste de viver daquela forma? Haveria uma chance para o menino sair do lixão para uma vida diferente?

“Ninguém descobria o que era preciso para sair da Ilha. Os que conseguiram sair não voltaram (e quem sabe o que aconteceu com eles?) Dado não sabia se isso era bom ou ruim.”

“Nos vira-revira, puxa, cavouca, joga para trás, enfia a mão um pouco mais, Dado encontrou uma esperança.”

“Dava para negociar por um pão, achou. Ou dois, até… botou no bolso aquele tesouro para si”.

Que esperança seria essa que o personagem encontrou? Que nome teria? Seria um objeto de valor? Que tipo de valor? Seria apenas uma ilusão? Ou Dado, um dia, conseguiria sair do lixão?

A história traz muitas indagações para os pequenos leitores refletirem sobre as mesmas, pensarem num problema crucial que a sociedade prefere ignorar. Isso é muito importante para a formação delas como cidadãs e também como leitoras. Temas dessa natureza motivam muito a qualquer um desejar abrir um livro e ler em busca de soluções.

A “Ilha” é assim. Aliás, essa é a mais importante linha editorial perseguida pela Kapulana sempre voltada para a publicação e divulgação de obras de autores brasileiros e estrangeiros com foco em temas marginais. O livro tem 28 páginas, custa R$32,90 e está  disponível nas principais livrarias do Brasil ou através do site: http://www.kapulana.com.br/produto/ilha-marcelo-juca/

Os autores

Marcelo Jucá é escritor, educador e jornalista. Atua como artista-educador em oficinas e programas da prefeitura. Como jornalista, colaborou em jornais, revistas e agências de comunicação. É autor de obras infantis e juvenis de reconhecimento literário.

O ilustrador Felipe Tognoli é um artista. Além de ilustrar livros para crianças e jovens, atua como palhaço e arte-educador. É formado em Artes Visuais com extensão em Estética da Arte.

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