Escrever é terapia: o poder de um diário

Eduardo Villela *

Quando crianças e adolescentes, muitos de nós tínhamos um diário onde relatávamos as peripécias infantis, sonhos, frustrações, narrava o dia na escola, o primeiro amor, a primeira decepção… Com o passar dos anos, perdemos essa rotina, seja por achá-la infantil ou pela falta de tempo, já que a vida adulta nos ocupa com diversas responsabilidades como pagar boletos.

O que muita gente não sabe é que escrever sobre os acontecimentos cotidianos ajuda a liberar o estresse, administrar emoções e manter a mente saudável. Colocar no papel nossos sentimentos é um caminho de autoconhecimento e pode ajudar até o sistema imunológico: a Universidade de Nottingham, na Nova Zelândia, fez um experimento com 120 voluntários saudáveis e pediram a eles para escrever sobre um evento estressante ou sobre o que fizeram no dia anterior.

As pessoas que estavam no grupo que escreveram sobre um evento estressante – elas seriam submetidas a um procedimento cirúrgico – tinham uma tendência seis vezes maior de cicatrização em comparação com as outras que não relataram diariamente como pedido. Ou seja: escrever pode ser uma terapia que ajuda até o corpo físico a se recuperar de maneira mais rápida.

Um diário lembra um melhor amigo para quem você pode contar todos os seus maiores segredos, reflexões e angústias. Colocar para fora todos os pensamentos com a ajuda da escrita também contribui para o processo de entendimento, além de organizar as ideias com mais clareza.

Um exemplo é o diário de Anne Frank, famoso por contar com riqueza de detalhes a história da menina judia e sua família no esconderijo que viveram por alguns anos durante a Segunda Guerra Mundial. Anne com certeza foi uma menina excepcional e, com o seu diário, conseguiu transmitir como foi viver em um período tão assustador. Seu relato nos faz compreender os sentimentos dela de uma forma muito empática.

Como podemos perceber, o diário também pode se tornar uma autobiografia, para os interessados em escrever suas histórias, experiências e aprendizados. As anotações feitas podem servir de impulso e lembrete de acontecimentos importantes que merecem ser mencionados.

Eduardo Villela – Foto: Divulgação

Enquanto book advisor, enfatizo para meus clientes a importância de se construir um bom roteiro de capítulos com todos os assuntos que você pretende tratar em seu livro. Elabore seu roteiro antes de já sair escrevendo o primeiro capítulo. Ele funcionará como um mapa, um plano de voo, que facilitará demais a redação dos capítulos, conferindo organização ao seu processo de escrita. E as anotações de um diário são valiosas para a elaboração de um bom roteiro de uma autobiografia.

Portanto, seja para o processo terapêutico ou para a construção de um livro, escrever sempre vai trazer benefícios e estimular nosso bem-estar e saúde psicológica. A dica aqui é simples: escreva e pratique o autoconhecimento com o poder da escrita.

 

*  Escritor desde 2004, autor de 600 livros de variados temas, editor de livros universitários e de negócios na Editora Saraiva e de livros de negócios na editora Campus-Elsevier, gerente editorial de todas as linhas de publicações na Editora Gente e copublisher e diretor comercial na Editora Évora.

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