Importância da literatura na adolescência

Especialistas falam do tema de duas formas: uma mostra como incentivar os jovens para que leiam mais livros e a outra lista os benefícios da leitura nessa fase da vida.

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O escritor e editor literário Eduardo Villela afirma que as palavras têm muita força e explica que devemos prestar atenção quando falamos algo, já que uma opinião inadequada sobre algo pode desestimular o processo de cada um. “Isso acontece muito durante os incentivos que despertamos em nossos filhos ou na falta dele, no decorrer do aprendizado ou interesse por determinada atividade, principalmente a leitura de livros”.

Segundo ele, “a leitura quando inserida desde cedo aflora a criatividade e o desenvolvimento cognitivo, além de nos ajudar a estabelecer outro nível de qualidade de interação com o nosso entorno”.

Eduardo Villela apresenta dados da última edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, de 2016. A mesma revela que crianças, adolescentes e jovens concentram as maiores proporções de leitores na população. Na faixa de 5 a 10 anos, 67% são leitores; o topo do índice está na faixa de 11 a 13 anos, com 84%; 75% entre os jovens de 14 a 17 anos; e 67% são leitores na faixa de 18 a 24 anos.

“Diante do cenário de um mundo cada vez mais conectado, o trabalho dos pais em incentivar a conexão dos filhos com os livros fica cada vez mais desafiador principalmente da adolescência em diante, como aponta a pesquisa. Porém, uma vez que o hábito de leitura seja inserido desde cedo e os filhos sejam estimulados a ler não só livros recomendados por pais e professores, mas também aqueles de sua livre escolha, há muito boas chances de o gosto pela leitura perdurar por toda a vida. Por exemplo, temos visto um interesse crescente e espontâneo da juventude pelas obras de ficção de fantasia e thrillers.

O escritor afirma que “um dos grandes dilemas dos pais atualmente é conciliar a rotina de homeoffice com as necessidades dos filhos. Nesse contexto, pode passar despercebida a necessidade de contribuir para que eles não percam o interesse pela leitura durante esse momento de confinamento social, visto que em casa existem outras possibilidades de entretenimento (TV, videogames e internet). Assim, dialogar com os filhos é fundamental: converse com eles, fale sobre alguns de seus livros favoritos, o que aprendeu com eles, como a sua leitura mudou a sua vida para melhor; e demonstre interesse genuíno pelos livros que seus filhos estão lendo nesse momento”, explica.

Outra dica dele é organizar uma agenda em comum acordo com os filhos. “Separe o horário da lição de casa, dos videogames, da conversa em família e da leitura. Sugiro também você se lembrar daqueles livros que te marcaram na adolescência e juventude e presentear seus filhos com eles. Você pode, inclusive, ler alguns deles junto com eles. Além de criar um vínculo maior pai/mãe-filho, também é uma estratégia interessante para despertar a curiosidade, potencializar a imaginação e ajudar no desenvolvimento deles para que se tornem seres humanos e cidadãos melhores.

Mais informações sobre Eduardo Vilella e seus livros: http:/www.eduvillela.com

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Os benefícios

A adolescência, conhecida como fase de descobertas e transformações, pode ser um período ideal para o incentivo à leitura. O hábito de ler pode contribuir para a compreensão de textos, aumento da criatividade e na diminuição do stress e da ansiedade. Diante da obrigatoriedade do isolamento social, algumas ações podem contribuir para o aumento da leitura neste período.

Uma pesquisa da Universidade de Emory, nos Estados Unidos, comprovou que a leitura provoca no cérebro humano sensações como se o leitor tivesse realmente vivido o momento do livro. “Nessa fase em que o adolescente está descobrindo o mundo e formando suas opiniões, as leituras vêm como uma ferramenta importante de conhecimento, de compreensão das suas perspectivas, dos seus desejos e dos projetos de vida”, reforça Carla Tossato, Coordenadora Educacional da Área de Projetos da Rede Marista de Educação Básica.

Criatividade e imaginação

Os diversos gêneros literários podem ser fonte de compreensão do lúdico, de aumento da criatividade e maior capacidade de interpretação de texto. “Os alunos que deixam a leitura entrar na sua rotina desenvolvem percepções e acessam memórias, repertórios, histórias e personagens que contribuem para a escrita em vestibulares, concursos e principalmente na vida”, reforça Carla

Neste sentido, a escola cumpre um papel essencial e pode ser uma fonte de incentivo desses hábitos. O Marista Escola Social, que atende gratuitamente crianças e adolescentes em Ribeirão Preto (SP), os alunos sempre foram cercados de atividades literárias e para manter a frequência do estímulo durante a pandemia, a instituição utiliza as ferramentas online e as redes sociais para divulgar livros gratuitamente.

“Como muitos alunos não têm acesso a internet banda larga, muitas atividades são enviadas e revisadas via redes sociais. Utilizamos esse canal também para recomendar livros que estão disponíveis no formato gratuito, para que eles possam ler em casa”, revela Neuzita Soares, diretora da Escola.

A especialista Carla Tossato dá dicas para incentivar o hábito da leitura em casa.

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1) Comece devagar

Para estimular o hábito da leitura com os adolescentes, os pais e responsáveis podem conversar aos poucos sobre o tema, criar laços de conexão, relembrar algum livro importante que leu na sua adolescência e juventude sem imposição e muito diálogo.

2) Não use a leitura como castigo

Não associar a leitura a uma imposição ou castigo é fundamental para o adolescente perceber e entender a necessidade de ser um bom leitor, de conhecer e desbravar novas histórias.

3) Recomende livros de personagens já conhecidos

Muitos personagens fazem parte do imaginário, já foram vistos em séries, filmes ou em alguma peça teatral na escola. Apostar em livros com esses personagens pode gerar maior interesse nos adolescentes.

4) Mostre versões online

A geração conectada tem facilidade pela leitura em celulares, apps e aplicativos digitais, por isso, mostre links como o Domínio Público, com livros gratuitos que podem ser baixados pelos adolescentes.

5) Converse sobre os livros

O diálogo promove a interpretação e o entendimento da história. “Ao contar, o adolescente retoma os acontecimentos e fortalece ainda mais a imaginação e os vínculos com a história”, revela Carla.

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