Íriam Starling e os projetos da Eis Editora

Ela é médica, artista plástica e, desde 2015, está se dedicando com exclusividade à Eis Editora que vem despontando em Belo Horizonte com vários lançamentos em literatura infantil. Tenho a alegria de ter um livro de minha autoria, “O caracol e a bela flor”, entre outros que serão lançados brevemente pela editora. Na entrevista abaixo, concedida com exclusividade para o blog, Íriam comenta a respeito dos planos da Eis Editora de antes e para depois da obrigatoriedade do isolamento social, sobre as dificuldades do mercado editorial e revela que as crises também impulsionam o crescimento.

 

Íriam Starling: “Acho que o sonho de todo editor é ver nosso país livre do analfabetismo e do analfabetismo funcional, ver nossos professores valorizados e bem remunerados, além de boas bibliotecas em cada canto do Brasil e que estas sejam ativas na comunidade, promovendo pesquisas, publicando e criando eventos” – Foto: Divulgação

 

Rosa Maria: O que o livro “O caracol e a bela flor” representa para a EIS Editora?

Íriam Starling: A EIS Editora tem investido em livros infantis com temas sociais e contemporâneos, que possam provocar reflexões nos nossos pequenos leitores ou leitoras e que, ao mesmo tempo, sejam um deleite para os sentidos. Este livro mostra bem isso enriquecido com as ilustrações de Robson Araújo.

RM: Quais são os planos da editora para esse livro?

IS: Vamos fazer um lançamento virtual em breve e os leitores poderão receber seu exemplar em casa, autografado. Estamos planejando alguns brindes para quem comprar o livro no lançamento. Possivelmente, antes do fim de outubro. Fiquem ligados. Para o próximo ano, esperamos estrear na Bienal Mineira do Livro com mais esta linda publicação e, claro, contando com a presença de você, nossa autora, para autógrafos. Este livro também será vendido em nossa loja virtual e em alguns e-commerces tradicionais.

RM: O catálogo da editora em literatura infantil tem crescido. Para o ano que vem, quais serão as estratégias nesse segmento literário?

IS: Desejamos que a vacina contra o novo coronavírus fique pronta, pois gostamos das feiras onde temos contato estreito com o público e esperamos que nossos livros caiam no gosto dos educadores. Estamos apostando mesmo nas vendas digitais e, para isso, estamos finalizando contratos com algumas distribuidoras já bem estabelecidas no mercado. Nossa sede, na rua Curvelo, é pequena, mas estávamos promovendo encontros com autores lá até a pandemia acabar com a nossa alegria. Pensamos em retomar essa programação assim que for seguro. Levar nossos autores às escolas também é um de nossos objetivos. É muito gratificante ver a meninada com os olhos brilhando de admiração e alegria, quando podem conhecer pessoalmente o autor de um livro.

 

RM: Para esse ano ainda estão previstos mais lançamentos? Quais?

IS: Sim. Temos trabalhado muito nesse período de isolamento preparando alguns lançamentos, além de O caracol e a bela flor. São eles: A garoupa de Ipanema, de JP Veiga; Cores de comer, de Janaína Starling; O gatinho Fuf e o Pintinho na lagoa, ambos de Maria Célia; Laura e o Habbit, de Heberth Guimarães, além de um livro de poesias e outro de contos. Estes dois para adultos.

RM: Apesar das questões do isolamento, de livrarias e escolas fechadas, a editora deu continuidade aos lançamentos de livros. Como foi vencer esse desafio?

IS: Lançamos três livros no início desse período: O planetinha Verde, de Jussara Starling; A tatuagem do tatu, de JP Veiga e O mundo de Guto, de Adriana Araújo. Com o fim de todos os eventos, nossa principal fonte de receita, começamos a ter problemas financeiros e ainda temos. Conseguimos alguns recursos com vendas online e, esta semana, conseguimos mais uma ajuda do Catarse, pois fomos selecionados pelo financiamento coletivo do + LIVROS. As vendas na feira virtual da Bienal de Minas e através do programa Eu Faço Cultura também foram de grande ajuda. Embora nosso caixa ainda esteja negativo, nossos ilustradores têm colaborado muito conosco à medida em aceitaram o parcelamento dos pagamentos. Parcelar é a palavra de ordem. Mas seguimos em frente, enquanto pudermos nos manter de pé.

RM: Como os leitores e o mercado vêm se comportando diante do isolamento social?

IS: No início foi muito mais difícil, pois as pessoas cortam gastos justamente com lazer em situações de crise. O povo brasileiro já lê pouco e o pouco virou quase nada. Nos dois últimos meses as vendas via internet começaram a aumentar e, infelizmente, outra greve dos correios veio para dificultar um pouco mais a nossa vida.

RM: Comente sobre a criação da editora e como ela vem atuando deste então.

IS: A EIS Editora foi criada em 2015, principalmente, para publicações na área de saúde, artes e história, pois sou médica e artista plástica. Em 2017 me aposentei para me dedicar exclusivamente à editora e foi quando minha irmã, Janaína Starling, me apareceu com o livro O medo e a coragem: um poema infantil, lindo e tocante, sobre o abuso sexual infantil destinado a crianças de 6 a 10 anos. Foi assim que publiquei o primeiro livro infantil e não parei mais.

RM: Para contribuir realmente para aumentar o interesse pela leitura, como acredita que o editor literário deve atuar?

IS: Acho que o editor deve estar sempre junto ao público, ao lado de seus autores. Por isso fazemos questão de participar de eventos literários. Veja que, somos tão possessivos e paternalistas com o nosso trabalho que os autores já viram “nossos autores”. As pequenas editoras, como a minha, cuidam com muito carinho da produção de seus livros e estreitam parcerias com seus autores. É um trabalho coletivo muito gratificante. Isso tudo se traduz em obras de qualidade que encantam adultos e crianças.

RM: O que sua experiência como editora defende para a literatura infantil?

IS: Penso que é de suma importância manter a diversidade de editoras, a liberdade de expressão e a democracia. Sem isso, nossa cultura empobrece e o povo fica à mercê dos pilantras infiltrados em nossa classe política. Publicar um livro é um trabalho caro e complexo. Por isso, é fundamental que o governo não onere mais os livros com novos impostos, que crie programas de incentivo às bibliotecas, pois essas também estão minguando por todo o país e que promova mais eventos literários que privilegiem pequenas editoras e, principalmente, o público infantil e juvenil. É muito caro participar de uma feira e, por isso, acabam sendo mais do mesmo, com a participação de grandes grupos editoriais e empresas já bem estabelecidas no mercado.

Quem quiser conhecer o próximo lançamento da Eis Editora, acesse o link https://contaumahistoria.com.br/2020/10/o-caracol-e-a-bela-flor/

 

 

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