Como cuidar das crianças e adolescentes que ainda estão em casa

Isolados durante tanto tempo, o que está acontecendo com o físico e psicológico dos nossos meninos e meninas?

 

Em primeiro lugar, “É necessário pontuar que estamos vivendo uma situação de calamidade pública e, nesses casos, a realidade foge ao nosso controle. Portanto, é fundamental compreendermos que, para todos nós, esse é um momento de trauma coletivo, tanto para os adultos quanto para os mais novos”, apresenta Sirley Machado, professora de oratória, palestrante e analista comportamental (foto ao lado).

Em segundo lugar, é preciso encarar essa realidade, haja vista que nada nem ninguém poderá ignorar a situação do vírus. “Nós, os adultos da relação, precisamos compreender qual é o nosso papel na rotina dos jovens, que amenizará, o máximo possível, os estragos inerentes desse processo”, comenta.

Para que você possa ajudar sua criança e adolescente a passar por esse momento, de forma mais assertiva, saudável e eficiente, Sirley apresenta cinco dicas que serão essenciais:

Não brigue (nem brinque) com a realidade

Precisamos compreender que a ansiedade, nesses momentos, é totalmente normal e, até mesmo, natural. Por isso, encare a realidade tal como ela é. A ansiedade patológica é decorrente de uma necessidade e desejo de controlar a situação. Ela pode vir seguida de frustração, raiva, insônia, compulsão alimentar ou da perda de apetite.

Procure manter uma rotina que possua horário para dormir e para acordar, levantar cedo, abrir as janelas, tomar um banho, tirar o pijama, escovar os dentes, passar um perfume, sentir-se bem, alimentar-se adequadamente e preparar-se para desenvolver as atividades necessárias para que o dia do adolescente seja produtivo, tais como: participar das aulas, fazer as tarefas, estudar para as provas, contribuir com as atividades domésticas e ter momentos de lazer;

Informação assertiva é libertadora

Procure informações assertivas a respeito da situação e se mantenha consciente diante o problema. “O que precisamos fazer para nos proteger e proteger o próximo? Atente-se às medidas de segurança pessoal e coletiva.

Evite que as crianças e adolescentes fiquem presas às notícias sensacionalistas, às fakes news presentes em alguns noticiários e nas redes sociais. Essas informações, que podem vir distorcidas, só servem para aumentar a ansiedade e amedrontar a mente dos nossos meninos e meninas”, explica Sirley.

Isolados sim, sozinhos jamais

É preciso incentivar as relações pessoais e interpessoais das crianças e adolescentes através das atividades rotineiras e os estimular para que ampliem os contatos com os amigos/as, com os parentes e com as pessoas queridas do seu meio social e familiar. Crie um dia da família para que todos possam se encontrar e contar algo de interessante que aconteceu por meio online. Essa também pode ser uma ocasião de promover um ambiente seguro para que eles/as possam falar dos seus medos, angústias e dúvidas.

Sinta-se útil e necessário

Contribua para que eles/elas desenvolvam o sentimento de pertença. Dê responsabilidades condizentes com a sua faixa etária. Premie as vitórias e as conquistas, por mais simples que sejam. Estimule para novos desafios e novas conquistas. Faça uma lista de responsabilidades, horários e atividades necessárias para o bom desempenho da casa, da família e das pessoas.

Invista tempo em atividades físicas criativas

Incentive a atividade física; muitas escolas estão mantendo suas atividades online, inclusive com competições. Existem também escolas de arte e línguas oferecendo cursos gratuitamente. “Sabemos que as criança e adolescentes estão presos a jogos eletrônicos e virtuais por muito tempo. Precisamos limitar esse tempo, apresentando novas alternativas”, expõe a analista.

As crianças e adolescentes são de responsabilidades dos adultos. Portanto, cabe a nós criarmos as condições adequadas para que possam ter uma qualidade de vida durante essa condição persistente de pandemia. “Vamos fazer a nossa parte”, finaliza.

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