Nerina, a ovelha negra

Esse espetáculo aborda a temática do preconceito racial e estava previsto para acontecer presencialmente, mas foi reprogramado para se realizar através das plataformas digitais

Fotos de Cacá Diniz – Divulgação

 

Baseada no livro homônimo do cartunista Michele Iacocca, a opereta do grupo Maracujá Laboratório de Artes conta a história de uma ovelha que é expulsa do rebanho apenas por ter a cor diferente das outras. O espetáculo aborda a temática do preconceito racial através da atuação, música, manipulação de bonecos e recursos visuais. Ao ir embora sozinha, ela acaba encontrando alguns lobos, que propõem usá-la como isca para atrair e devorar as ovelhas que a expulsaram como forma de vingança. Mas Nerina vai provar que o ódio nunca é o melhor caminho, tomando uma decisão que mudará a vida de todas.

O espetáculo, voltado para o público de todas as idades, tem como tema o racismo, que ainda persiste em existir em nossa sociedade, sendo urgente o desenvolvimento de ações que contribuam para reeducar o olhar de todos para mudar esta situação. Levar o tema ao teatro, portanto, foi a forma que o grupo encontrou para tentar fazer sua parte nesta luta.

Todas as músicas foram compostas pelo autor do livro, Michele Iacocca, e pelo diretor do espetáculo e também do Maracujá Laboratório de Artes, Sidnei Caria. Para os arranjos, foi chamada a diretora musical Fernanda Maia (de “Urinal – o musical”, “Carrossel – o musical”, “Chaves – um tributo musical”, entre outros), que propôs brincar com as diferenças culturais trazidas pelas culturas negra e caucasiana e seus desdobramentos com referências a música clássica europeia, o reggae, o blues e misturas sonoras como o samba, a bossa nova e o choro, que revelam musicalmente nossa miscigenação cultural. São reconhecíveis clássicos da música erudita, como a valsa Danúbio Azul, de Strauss, a Nona Sinfonia de Beethoven, a Aleluia de Hendel, entre outras, em arranjos para violão executados pelo próprio elenco, que também utiliza o teclado, trombone de vara, caxixi e agogô em cena.

A nova programação adaptada para as exigências de isolamento social teve início neste mês através da oficina “Laboratório de Artes Maracujá” e segue até 11 de dezembro, às segundas e sextas-feiras, das 19h às 20h30, através da plataforma Google Meet.

A cada semana, serão desenvolvidas diferentes técnicas experimentadas pela companhia em seus 15 anos de atividades, como o teatro de sombras, stop motion, confecção de bonecos com sobras de materiais e o live animation com puppet toys (uma técnica onde bonecos em miniatura são manipulados em frente a câmeras e projetos ao vivo como em uma espécie de cinema feito ao vivo.

A oficina tem limitação de 30 pessoas. Os interessados podem se inscrever através do link https://bit.ly/oficinamaracuja

O grupo Maracujá Laboratório de Artes ainda prepara mais duas etapas do projeto “Circulação Nerina, a Ovelha Negra”, que consistirão em 10 apresentações em vídeo seguidos de bate-papos com os criativos em plataformas de streaming e na distribuição de CDs com música peça, DVDs da apresentação e uma publicação impressa com material para promover a mediação pedagógica entre professores e alunos da rede pública. Mais informações sobre essas iniciativas serão divulgadas em breve.

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