Os melhores do ano

Conheça os vencedores do Prêmio Jabuti, a mais disputada láurea do segmento literário, nas categorias Infantil, Juvenil e Ilustração, além do Livro do Ano considerado o vencedor dos vencedores.

Realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Prêmio Jabuti vem sempre se renovando e encerrou a sua 62ªedição ao anunciar, na semana passada, dia 26/11, os vencedores das 20 categorias divididas em 4 eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação e mais uma especial referente ao Livro do Ano.

O prêmio confere aos vencedores o reconhecimento da comunidade intelectual brasileira e do mercado editorial. É uma referência no momento de escolher um livro para ler ou presentear. No caso da literatura infantil e juvenil é uma certeza que as crianças e jovens terão em mãos um livro de alta qualidade literária.

Os autores premiados em cada uma das 20 categorias levaram a estatueta e o valor de R$ 5 mil cada, exceto a categoria Livro Brasileiro Publicado no Exterior, que recebe só a estatueta. Os editores das obras vencedoras também ganharam a estatueta do Jabuti.

Como o blog trata de literatura infantil e, no máximo, se estende à juvenil, vou divulgar apenas os vencedores dessas duas categorias e mais a de Ilustração, que também pertence à literatura infantil, além de informar sobre o Livro do Ano, o vencedor dos vencedores. Quem desejar conhecer os demais podem visitar o site do prêmio através do link https://www.premiojabuti.com.br/premiados-por-edicao/premiacao/?ano=2020

Infantil

1º Lugar – Título: Da Minha Janela | Autor(a): Otávio Júnior | Editora(s): Companhia das Letrinhas (Companhia das Letras)

Quantas coisas incríveis podemos descobrir quando abrimos uma janela e prestamos um pouco de atenção ao mundo que nos cerca?

O narrador deste livro narra cada coisa, pessoa e animal que vê da sua janela em uma favela do Rio de Janeiro. De lá ele vê cores, traços, gestos, objetos e bichos cujas vidas podem ser parecidas ou diferentes da sua, mas com certeza têm algo a ensinar.

Com uma narrativa sensível e ilustrações (assinadas por Vanina Starkoff) cheias de vida e movimento, “Da minha janela” é um convite a todos os leitores para olharem para as vidas que nos cercam mas, muitas vezes, passam despercebidas.

O autor Otávio Júnior nasceu em 1983, no subúrbio do Rio de Janeiro. Ele é ator, faz performance literária, é contador de histórias e produtor teatral. Também escreve contos, roteiros de histórias em quadrinhos e poesias infantojuvenis.

 

Juvenil

1º Lugar – Título: Palmares de Zumbi | Autor(a): Leonardo Chalub | Editora(s): Editora Nemo

O publicitário Leonardo Chalub, servidor da Universidade Federal de Minas Gerais, que atua como técnico de audiovisual da Escola de Engenharia, venceu a 62ª edição do Prêmio Jabuti com o livro “Palmares de Zumbi”, na categoria“Juvenil.

O mesmo reconta a história do quilombo dos Palmares e do herói Zumbi em ritmo cinematográfico com linguagem clara e envolvente. Ao mesmo tempo, trata da realidade dos mocambos do quilombo sem maniqueísmos, não se furtando a abordar as contradições e complexidades típicas de toda iniciativa humana de ordenamento social.

“Foi um livro muito discutido dentro da editora. A temática é super-relevante, mas naturalmente difícil de abordar. A minha felicidade foi poder falar sobre as coisas que eu sei, que vivo, vivenciei, que é a realidade da capoeira”, disse.

No livro, ilustrado por xilogravuras de Luis Matuto, Chalub reconta a história de Zumbi orbitando um eixo de seu particular interesse, a capoeira, expressão cultural que pratica desde a infância e que lhe serviu de inspiração.

Brasil, 1667. O jovem Francisco, capturado quando criança e entregue à Igreja, vive como coroinha em Porto Calvo, sonhando com a liberdade. Ágil e silencioso, explora o vilarejo à noite, pregando peças, vingando os negros mortos no tronco e aterrorizando feitores e senhores de engenho como um fantasma – ou um zumbi, em quimbundo, a língua típica de Angola.

Quando surge uma oportunidade de fuga, Francisco a aproveita, dando início a sua jornada para se tornar aquele que a história não esqueceria: Zumbi dos Palmares, filho de Angola Janga.

Palmares de Zumbi traz uma releitura da saga de um dos maiores heróis negros do Brasil, lançando uma nova luz sobre esse grande homem – guerreiro, capoeirista, rei –, mas também sobre um Palmares que não seria o que foi sem Zumbi. Uma homenagem ao herói, narrada com paixão e reverência à cultura da capoeira e ao líder quilombola.

Ilustração

1º Lugar – Título: Cadê o livro que estava aqui? | Ilustrador(a): Jana Glatt Rozenbaum | Editora(s): Ftd Educação

A fascinação da ilustradora Jana Glatt pela criação de personagens, cenários e figurinos começou nas aulas de teatro, quando criança, e durou por mais de 10 anos. Vencedora da 62ª edição do Prêmio Jabuti na categoria Ilustração (com a obra “Cadê o livro que estava aqui?”, da autora Telma Guimarães), a artista encontrou em Barcelona um caminho para desenvolver seus interesses de infância, combinados com sua experiência e formação em Design Gráfico, e tornou-se uma ilustradora profissional com mais de 20 títulos publicados ao redor do mundo.

Jana Glatt, 33 anos, falou sobre o processo criativo para ilustrar a obra vencedora do Jabuti em 2020:

“Quando a FTD Educação me convidou para ilustrar a obra ‘Cadê o livro que estava aqui?’ foi um momento em que eu estava querendo dar uma ‘refrescada’ no meu estilo. Estava morando em Colônia, na Alemanha, e quando visitei o Museu Ludwig vi uma cerâmica feita por Pablo Picasso que acabou me inspirando a criar a linguagem do livro. Fiquei tão inspirada que o processo de criação fluiu muito bem!

“O livro funciona com o leitor tendo de achar os personagens nas páginas. Então, quanto mais elementos, melhor! E como não é uma história tradicional e nem personagens são descritos pelo texto, a liberdade criativa foi infinita! Em cada personagem e/ou elemento, tentei colocar muita personalidade e alegria. As árvores e os animais foram todos criados longe de formas tradicionais. Queria que as páginas vibrassem com cores, formas e texturas. Para isso misturei muitos materiais: aquarela, lápis de cera, guache…. Quanto menos texto tem um livro mais me sinto com liberdade para tentar fazer com que o resultado seja muito interessante aos olhos do leitor”.

“Cadê o livro que estava aqui?” é ideal para leitura mediada ou para o leitor iniciante graças à letra bastão, ao ritmo, ao humor e à relação com os tradicionais gêneros infantis da adivinha e da parlenda. O livro mistura brincadeira e literatura na medida certa e, a cada virada de página, o pequeno leitor é convidado a procurar os bichos fujões e a descobrir onde o livro foi parar.

 

Livro do Ano

Título: Solo para Vialejo |Autor (a) Cida Pedrosa | Editora(s) Cepe

A autora pernambucana Cida Pedrosa, com a obra “Solo para Vialejo” foi a grande vencedora do Livro do Ano de 2020 e, além da estatueta, receberá o prêmio de R$ 100 mil. Cida nasceu em Bodocó, na região do Sertão do Araripe, em Pernambuco, e tem sete livros de poemas publicados.

Além da obra vencedora do Jabuti, Cida também escreveu Claranã (2015) e As filhas de Lilith (2009). Os poemas deste último foram transformados no curta-metragem Olhares sobre Lilith, dirigido por 26 vídeo-artistas pernambucanas. Cida ainda tem participação em antologias de poemas e contos no Brasil e exterior.

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