Um autor-ilustrador que vingou 2020

Neste ano em que os lançamentos encolheram, Maurizio Manzo (foto) fez o contrário e presenteou o mercado com obras maravilhosas

Segundo Maurizio Manzo, ilustrador e escritor, 2020 foi um ano difícil, um ano diferente. Muitos segmentos, muitos setores tiveram grande dificuldade e inúmeras pessoas atravessaram e ainda atravessam grandes dificuldades. “Espero em breve que a vida retome seu fluxo,” afirma ele.

Neste ano, em que os lançamentos de livros infantis encolheram, o profissional fez o contrário e presenteou o mercado com obras maravilhosas, através de diferentes editoras.

Ilustração de Maurizio Manzo para “Nave Ave Vaga Voa”

 

Logo no início de 2020, Maurizio Manzo apresentou uma produção, que ilustrou ainda em 2019, e da qual gosta muito: “Nave Ave Vaga Voa”, de Marcus Nascimento e Jacqueline Guimarães, um texto muito divertido e com muita informação, uma grande aula de geografia, história, etc… narrado de uma maneira bem humorada.

“Esse ano começou com o convite de uma editora de São Paulo, a multinacional Devir, pela qual se deu vida a “Hoop – a história está viva”, livro escrito por Juliana Almeida.

“É fácil ouvir o óbvio e o superficial, mas para alcançar o que eu quero tenho que aprender a ouvir os sons secretos de tudo o que está à minha volta e também ouvir a mim mesma,” explica a editora a respeito do lançamento.

Ilustração de Maurizio Manzo para “Hoop – a história está viva”

 

“Hoop” é a história de uma menina que vive numa comunidade onde se acredita que o rio era o limite final para tudo e ninguém ousava ultrapassar esse ponto. Um dia, Hoop decidiu iniciar uma jornada que mescla autodescoberta e superação de desafios, não apenas por si, mas por todos que lá viviam e pela perenidade de seu povo.

2020 prosseguiu para Maurizio com a Miguilim Editora lhe encomendando uma edição de “Douradinho Douradão – rio abaixo, rio acima”, de autoria de Angelo Machado: “Foi um dos primeiros livros que ilustrei pela Miguilim em 2001. Na edição deste ano, eu fiz as alterações nas falsas guardas e ainda estou aguardando pela reimpressão.”

Ilustração de Maurizio Manzo para “Douradinho Douradão – rio abaixo, rio acima”

 

Travessia

Maurizio Manzo comenta sobre uma coleção muito bonita, produzida através de parceria entre o Brasil e Cabo Verde, na África. São quatro livros: três de literatura e um livro para os professores trabalharem melhor com a coleção. No site da editora Massangana podemos encontrar tudo sobre esse lançamento denominado “Travessia” e do qual participam outros autores em prol de uma cultura de paz: Joana Cavalcanti, Luana Freire e Sandro Cozza Sayão.

“Fiz ilustrações diferentes para cada obra com o objetivo de personificá-las. Criei também uma identidade visual com imagens e cores para essa coleção, que costura e liga todos os volumes.” diz Maurizio Manzo.

Ilustração de Maurizio Manzo para a coleção Travessia, “Os sapatos de Amarati”

 

Com a abordagem dos direitos humanos por meio da ficção, a coleção compreende os seguintes títulos: “Tudo tem cor”, de Sandro Cozza Sayão; “Olha o mundo!”, de Luana Freire; e “Os sapatos de Amarati”, de Joana Cavalcanti. A mesma está dirigida para que as crianças e professores/as que têm como berço a língua portuguesa, sobretudo em Cabo Verde e no Brasil, possam transformar as suas vidas e seus contextos a partir da leitura, da reflexão crítica, construindo ‘mundos no mundo’ por meio da solidariedade, da empatia e do respeito ao outro.

O livro “Os sapatos de Amarati” trata sobre a exclusão social. “Toda a história se desenvolve a partir da condição social de Mariquinha, mas também da superação pelo amor e pela capacidade de fazer da voz um instrumento de poder. Gostaria que qualquer leitor encontrasse em Mariquinha a força para a mudança. Que ela seja a denúncia para qualquer tipo de exclusão e violência”, afirma Joana Cavalcanti.

Já a obra “Tudo tem cor” tem como mote a pluralidade. “Ela trata da diversidade, mostrando o nosso mundo colorido, recheado de cores. Trago também uma reflexão de como seria monótono o mundo se tudo fosse igual. A maravilha da vida é a pluralidade. Com cores diferentes, a diversidade é construída e forma aquilo que chamo de humano”, destaca Sandro Cozza Sayão.

As histórias do livro “Olha o mundo!” trazem uma mensagem sobre diferença e aceitação. “Acredito profundamente que as crianças são capazes de entender os pensamentos da obra. No fundo é uma maneira de falar com os mais novos sobre muitas realidades, trazendo leveza para assuntos que, muitas vezes, os adultos encaram de forma controversa, como cor, gênero, liberdade, medo, tristeza, aceitação, autoestima”, ressalta Luana Freire.

Mais lançamentos

Ilustração de Maurizio Manzo para “Quem é esta tal Covid?”

 

Em tempo de pandemia o ilustrador correu contra o tempo para colocar no mercado e ajudar os pequeninos e seus pais “Quem é esta tal Covid?”, de Magna Diniz Matos, pela editora Dimensão, lançado por enquanto em formato e-book.

“Em seguida, pela primeira vez, fiz um livro em parceria com uma escola internacional de idiomas e para mim foi um processo de produção bem diferente. “Lucas Corner” é um livro bilíngue, escrito para crianças pequenas, feito com muito cuidado e carinho. Trata da questão do cuidado com o lixo e sua reciclagem,” explica Maurizio.

Ilustração de Maurizio Manzo para “Lucas Corner”

 

Outro livro acordado por ele, também no final de 2019, foi “Catarina e a orquestra do vovô Batutinha”, escrito por Ricardo Petracca, um projeto que inaugura a +edita, responsável pela produção dos livros da Orquestra Sinfônica Petrobras do Rio de Janeiro. Esse livro é uma iniciação no universo da música para crianças bem pequeninas, na diagramação QRCodes que conduzem os sons em direção a uma peça de abertura no encerramento do livro.

Ilustração de Maurizio Manzo para “Catarina e a orquestra do vovô Batutinha”

 

Entre novembro e dezembro vai chegar uma obra muito delicada… “Cecília”, escrito por Lucas Maroca de Castro, editado pela Crivo. É o poema de um pai escrito para sua filha, onde registra uma fase da vida deles. Vale a pena esse livro, insiste Maurizio.

 

“No mês de dezembro estarei lançando uma série de cartões postais, com ilustrações dos 20 anos de minha parceria com a Editora Miguilim. Tem um pouco da minha história registrada num breve relato e o kit terá 70 postais com ilustrações de diferentes livros”, acrescenta ele.

Brevemente, o ilustrador vai nos apresentar a história de uma sereia e as dificuldades diante de um mar cada vez mais poluído, que foi escrito por Vera Chaves Pinheiro com quem já fiz parceria em vários projetos.

Assim, Maurizio Manzo deve encerrar com chave de ouro este ano difícil, que ele soube driblar muito bem.

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