Os contos de Pierre André

Criatividade é o nome do nosso entrevistado de hoje. Versatilidade o sobrenome. Mas a marca principal dele é o seu amor pelos livros infantis e pelas crianças a quem dedica o seu trabalho.

Contador de histórias e escritor, Pierre André é um personagem forte na literatura infantil – Foto: Divulgação

 

Em Belo Horizonte e provavelmente em algumas cidades mineiras, quem trabalha com literatura infantil está sempre se encontrando com o contador de histórias e escritor Pierre André. São muitas as suas iniciativas para levar os livros até às mãos das crianças e as histórias para o encantamento delas.

E, muitas vezes, essas histórias chegam às mãos de adultos e também todos ficam encantados tal como está acontecendo comigo, que já folheei e li “Bichos de-versos” e, agora, vou apresentar esse livro super divertido para o leitor do blog. No entanto, esse não é o único livro que ele lançou. Tem também “Emengarda, a barata”.

Na entrevista, vamos falar de narração de histórias e, logo abaixo, apresento para o leitor o livro “Bichos de-versos”. Pierre André lançou seus PodContos, quer dizer, ele conta histórias junto com outros colegas de atividade, utilizando-se da ferramenta de Podcasts que podem ser acessados gratuitamente no Facebook, Youtube e Spotfy. Basta digitar as palavras mágicas “PodContos de Pierre André” para levar as crianças para o mundo mágico da literatura.

“Bichos de-versos”

Esse livro de autoria de Pierre André está na segunda edição. Tem o selo da Matiz Cultural Editora e foi ilustrado por Bruno Nunes. O livro vem acompanhado de um CD com as histórias narradas pelo autor e as contadoras Beatriz Myrrha, Cristina Barbosa e Ana Cristina.

Vários animais ganharam poemas: sapo, cachorro, elefante, leão, pato, rato, urso, morcego, jacaré, gato, leitão e coelho. Quer saber por que o sapo chorava?

“O sapo sapeca vivia a pular /Pulava pra ali, pulava pra cá/Certo dia, de tanto pular/Sapeca caiu e começou a chorar.

Buá buá – o sapo chorava/Bua buá – com a perna quebrada/ Buá buá – pular não podia/Buá buá Sapeca penava.

O sapo Sapeca de perna engessada/Ficou de repouso e não mais pulava/De dia, de noite e de madrugada/Sapeca não ria, apenas chorava.”

Os diversos bichos de Pierre André foram desenhados por um profissional que sempre soube o que queria: ser ilustrador. Ele se chama Bruno Nunes e se formou na Escola de Design de Minas Gerais para poder criar livros infantis.

Neste livro que comentamos hoje, ele criou bichinhos que faz a gente ter vontade de colocar no colo. Mesmo que seja um leão ou elefante. Imagina, então, um gatinho como o Jeremia, que nem pode miar. O que será desse gatinho?

“Jeremia é um gato/Que só mia no nome/E por não miar/Ele passa até fome.

Por gato comer/Ele tem que miar/Se não o seu dono/Nem vai se lembrar.

O gato Jeremia/Quando tenta miar/Faz força, faz força/Sem adiantar…”

O livro “Bichos de-versos” pode ser comprado pelo número WhatsApp do Pierre André: 31 98854-5828.

Entrevista: a nova criação do contador de histórias

Rosa Maria: Eu associo seu nome à inventividade. Sempre estamos esperando novidades com seu trabalho de contador de histórias. Gostaria que destacasse as principais atividades do seu currículo profissional.

Pierre André: Comecei a contar histórias em 1997, mas profissionalmente em 2000. A partir daí, virou minha principal atividade profissional. De lá pra cá, criei em 2006  e a oficina “Conta Contos Minha Gente” e junto com os participantes organizamos um grupo, a Trupe Conta Contos, e, desde então, realizamos trabalhos voluntários em hospitais, asilos, casas de apoio e outras instituições que tocam nossos corações.

Outras atividades que idealizei são a Carroça de Histórias, uma atividade mais de resgate das tradições populares; Pedal Literário, um “triciclo biblioteca”, com histórias e livros que fazem parte da biblioteca itinerante.

Em 2019 criei o “Tindolelê de Histórias”, que é uma contação, digamos, sem cenários e as histórias contadas são “inventadas” por mim, a partir de cantigas de roda e músicas infantis que fizeram parte da minha infância. Também em 2019 criei a “Garagem de Histórias”, uma biblioteca comunitária infantil, que fica na garagem da minha casa.

E minha última “inventação” foi o “PodContos do Pierre André” com narração das histórias em PodCasts.

RM: Eu já recebi áudios de duas histórias minhas que você gravou para a sua série de PodContos e adorei ouvir ambas: “O abraço das cores”, Miguilim Editora, e “O caracol e a bela flor”, Eis Editora. Agora, conta sobre essa novidade.

PA: O PodContos começou no início da pandemia pela vontade de eu criar um Podcast para passar o tempo. Eu não sabia como. Até que tive a ideia de gravar os áudios das histórias e postar no Facebook. Foi nessa rede social que tudo começou. Depois, criei um canal no Youtube. Mas para postar tanto num quanto noutro, não era possível só com o áudio. Então, passei a editar imagens das capas dos livros em vídeo com a gravação da história e música ao fundo. Mas confesso: embora o PodContos tenha uma aceitação muito positiva, algumas pessoas não gostam da música ao fundo.

RM: Como está sendo a repercussão das gravações?

PA: Nunca tinha pensado em fazer o PodContos com fins lucrativos, mas, esse ano, o Salão do Livro do Vale do Aço, para minha surpresa, me propôs gravar 10 histórias com outros contadores convidados, além de mim. Ainda em plena pandemia, acredito que minha iniciativa se tornou um trabalho a calhar com as necessidades atuais.

RM: Certamente foi uma iniciativa muito acertada e até mesmo necessária para os tempos atuais. Como seleciona as histórias que entram na série de Podcasts?

PA: As histórias escolhidas são as que me tocam e também as que não são muito longas. Às vezes, estou lendo um livro e, de repente, resolvo gravar. Sempre que conheço os autores, envio para eles antes e peço permissão para postar. Quando não conheço o autor e recebo o pedido de gravar a história _ e isso se dá na maioria dos casos _ posto assim mesmo, informando a autoria, ilustração e editora.

RM: Quantas já foram gravadas?

PA: Já postei 112 PodContos, sendo 9 deles com narradores convidados, mas eu sempre faço a apresentação.

RM: Você escreve histórias tão bem quanto narra. Vamos falar de seus livros.

 PA: Comecei a escrever ainda na época que trabalhava com teatro. Escrevia peças de teatro infantil. Minha primeira peça foi, “O Espelho Mágico”, em 1994. Quando comecei a contar histórias, comecei a escrever contos infantis, mas o primeiro livro foi publicado 10 anos depois, “Emengarda, a Barata”, pela editora Aletria Editora _ a propósito, o primeiro livro comercial da editora, em 2009 _ e em 2012 foi publicado, através de lei de incentivo, pela produtora Matiz Cultural, meu segundo livro, “Bichos de-versos”.

 

 

Continue lendo

2 Comentários “Os contos de Pierre André”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *