A tecnologia como aliada ou vilã

A influência digital em dois segmentos:  os benefícios do conteúdo eletrônico para o mercado editorial e como utilizar corretamente as ferramentas para atender as novas exigências educacionais

 

Praticidade dos audiobooks faz consumo crescer muito no Brasil

O mercado de livros tem passado por desafios constantes: o isolamento social, que levou a uma queda nas vendas dos livros impressos, e a proposta de reforma tributária, apresentada pelo ministro da economia Paulo Guedes. Para o book advisor, Eduardo Villela, especialista do setor e que atua na publicação de livros há mais de 16 anos, “a tributação do mercado editorial foi um duro golpe para o mercado livreiro. Assim como na continuidade do crescimento do hábito de leitura. É uma medida que pode prejudicar muito escritores, livrarias e leitores.”

Porém, em meio a estes desafios, uma notícia bastante positiva é o crescimento das vendas de livros digitais. Este mercado tende a crescer cada vez mais, pois o livro digital oferece as seguintes facilidades ao leitor: preço acessível, conveniência de ler na palma das mãos, por meio de aplicativos no celular, e a praticidade do leitor poder ter dezenas ou centenas de títulos armazenados em seu aplicativo para poder acessar e ler quando quiser. Imagine fazer uma viagem e poder levar no aplicativo todos aqueles livros preferidos. Não seria viável fazer o mesmo carregando na mala vários livros impressos.

A procura por livros digitais aumentou significativamente, segundo uma pesquisa da Bookwire, que mostrou que o número de unidades distribuídas pela empresa entre março e abril de 2020 foi 80% maior do que a soma de 2019 inteiro. Ao todo foram distribuídos 9,5 milhões de livros digitais. “O mercado de livros digitais tem muito potencial ainda para crescer e os e-books ampliam o acesso das pessoas à educação, cultura e lazer. Os livros digitais também contribuem para incentivar as pessoas a lerem mais.”

Além do livro digital, na esteira do sucesso dos podcasts, outra opção muito interessante que começa a despontar no Brasil são os audiolivros. Assim como já acontece há alguns anos nos EUA e outros países europeus, os audiobooks estão conquistando cada vez mais público em função da experiência de escuta ser agradável e muito versátil (possibilidade de escuta durante o tempo de deslocamento de ida e volta do trabalho e acesso a vários títulos pelo celular).

O potencial de crescimento desta modalidade no mercado brasileiro é enorme, visto que o país conta com 230 milhões de smartphones ou mais de um aparelho por habitante, segundo apontou a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia, da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP). Para Eduardo Villela “O audiolivro é muito interessante para muitas pessoas que entendem a importância dos livros para sua vida pessoal e profissional, mas não têm hábito de leitura. É uma alternativa fantástica de acesso ao conhecimento e à cultura para elas se desenvolverem.”

O conteúdo digital, nos formatos de e-books e audiobooks, sem dúvida, contribui para o fortalecimento do mercado brasileiro de livros e aumenta o interesse pelos livros. “Analisando os números e algumas tendências do mercado editorial percebemos como o conteúdo digital tem tudo para ser uma opção cada dia mais bem-aceita pelos leitores. Inclusive, os e-books e audiobooks não concorrem com as obras impressas, mas, sim, estimulam sua venda”, finaliza o book advisor.

Fotos: Divulgação

 

O repensar da atuação pedagógica dentro e fora da sala de aula

A tecnologia está cada dia mais presente na rotina escolar dos brasileiros. Devido às alterações impostas pela pandemia, o repensar da atuação pedagógica em sala de aula, a participação eficaz do aluno e a aprendizagem significativa da turma estão passando por drásticas mudanças e exigindo novas práticas. Mas qual o papel dos educadores neste momento?

A realidade institucional no Brasil é peculiar e varia conforme as limitações de cada região. “Cada estado brasileiro tem problemas educacionais diferentes a serem trabalhados e pensados”, diz Ana Regina Caminha Braga, psicopedagoga mestre em Educação e especialista em gestão escolar. “A forma como cada local investe a verba pública destinada às escolas faz muita diferença. Precisamos focar na construção de biblioteca multimídias, na compra de materiais didáticos e na formação dos professores”, afirma.

Se aqui a discussão é entender como a inserção da tecnologia afeta o posicionamento das escolas, é preciso destacar que o eixo de todo esse trabalho deve ser sempre o aprendizado do aluno. “A responsabilidade de atuação do professor vai além das condições sociais e econômicas do local em que atua. Ainda assim, é preciso compreender a realidade dos estudantes para que sejam traçadas as melhores ações e estratégias de ensino”, explica.

Nesse sentido, é possível levantar um diálogo sobre a participação do aluno e a prática docente. “Não é apenas utilizar uma ferramenta tecnológica, mas sim conhecer a teoria e mediar com a prática”, aponta. “Para isso, é essencial uma formação continuada dos professores com o apoio dos colegas da escola e órgãos da Educação”, complementa Ana Regina Caminha Braga.

 

 

 

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