“Dora, uma menina nordestina”

O Nordeste tem muitas riquezas e, algumas delas, só podem ser guardadas no coração. Quem, um dia, experimentou desses tesouros encantados nunca mais conseguirá esquecê-los. Disso eu tenho certeza e é sobre essa certeza que o livro escrito e ilustrado por Gabriel Ben conta para nós. Lançamento Editora Escrita Fina.

O Nordeste é para ser amado. Conhecer essa imensa região brasileira e seu povo só é possível se o visitante chegar por lá de coração aberto para a transformação que certamente a cultura local vai provocar. E assim como eu, por algumas vezes, deixei o Nordeste triste por ter que retornar para o meu lugar, acredito que todos seus visitantes experimentam sensações parecidas.

Se para um turista é quase impossível tirar o Nordeste de dentro de si, imagina o que acontece com os nordestinos que deixam suas cidades para viverem em outros cantos do Brasil… Assim como “Dora, uma menina nordestina”, que deixou sua terra natal.

“Ela veio do Nordeste para o Sudeste com sua família. Viajou por muitos quilômetros em um caminhão pau de arara.

Quando chegou à Cidade Maravilhosa, foi buscar morada no bairro da Tijuca, onde se encontra a maior e mais incrível floresta urbana do mundo: a Floresta da Tijuca.

A casa de Dora e sua família ficava situada em um dos morros do bairro, o da Casa Branca. Muito verde e ar puro, diferente de tudo o que Dora estava acostumada.”

Essa história é como uma autobiografia do autor e ilustrador, Gabriel Ben, nascido em Niterói que, aos dois anos de idade e junto com sua família, também chegou ao mesmo Morro da Casa Branca, situado no bairro da Tijuca, onde ele mora ate hoje. Com esse livro de estreia na literatura, ele faz uma homenagem às crianças, nordestinas ou não, que assim como ele e Dora também deixaram suas cidades de nascimento para morarem em outros cantos do Brasil.

“A casa de Dora e sua família ficava situada em um dos morros do bairro, o da Casa Branca.

Muito verde e ar puro, diferente de tudo o que Dora estava acostumada.

Além de cachorros e gatos que passeavam pela favela da Casa Branca, micos pulavam em árvores da floresta, estendendo seus passeios pelos cabos de luz, postes e muros das casas.”

Quando essas famílias desembarcam em novos lares, tiram de suas bagagens também as tradições e a cultura que aprenderam nos lugares de origem e carregam dentro de si. Não só essas famílias precisam aprender com os moradores dos novos lares; esses moradores também têm a chance de aprenderem com os imigrantes.

As saudades de quem deixa a terra natal são grandes. Com Dora, não foi diferente.  Embora, já adaptada aos hábitos do morro Casa Branca, ela não deixa de relembrar e sonhar com muitas riquezas que aprendeu no Nordeste:

“Caça aos caranguejos no mangue…”

“A dança da lapinha…”

“Cacuriá, dança inventada pela dona Teté”

“O gosto gostoso da macaxeira, do jerimum e do açaí, mais conhecido como juçara do Maranhão”

“O futebol de nome engraçado _ três pecados _ também era uma ótima recordação…”

Quem conhece algumas dessas manifestações?

 

Pois o livro, vai dar a oportunidade de o leitor conhecer cada um desses elementos que fazem parte do sonho de Dora e aprender com a menina. Ao final do livro, o autor apresenta um glossário explicando os termos, hábitos e práticas culturais nordestinas citadas no livro. O Brasil é tão diversificado e o movimento dos imigrantes é uma grande oportunidade de conhecer mais nosso país e os brasileiros.

Gabriel Ben graduou-se em Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes, da UFRJ, em 2018. Desde pequeno, ele manifestava interesse pela arte: observava os grafites nos muros das ruas do bairro e vivia desenhando nos seus cadernos escolares. Por um tempo, aventurou-se nessa expressão artística, que logo o influenciou na sua escolha profissional.

O livro tem 32 páginas, custa R$ 37,90 e pode ser comprado pelo site da editora www.grupoeditorialzit.com.br

 

 

“Dora

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