A história e as características das fábulas

Vamos falar desse gênero literário bem antigo e, mesmo assim, um dos que ainda mais agradam às crianças. São histórias curtas são escritas em versos ou prosa. Os protagonistas são os animais e, ao final, eles deixam uma “lição” para o leitor. Conheça mais a respeito desse tema através da pesquisa abaixo preparada pelo Grupo Editorial Lê.

Expressões como “lobo em pele de cordeiro”, “uvas verdes” e “devagar se vai ao longe” têm suas origens nas fábulas. Na verdade, a própria palavra “fabuloso” remete ao gênero. Atualmente, crianças e adultos do Brasil e de outros países continuam se encantando com os personagens e as histórias.

Nessa pesquisa mostramos como foi a evolução das fábulas em culturas do mundo inteiro. Uma das tradições orais e literárias mais antigas e uma parte importante do folclore de quase todos os países e línguas.

Geralmente, a narrativa de uma fábula é sucinta, podendo ser contada em prosa ou verso. Quase sempre, a intenção é ilustrar um ensinamento, o que facilita a assimilação pelas crianças. Assim, elas entendem melhor as diferenças entre certo e errado, recebem conselhos de comportamento e conhecem normas da cultura. Devido à simplicidade, muitos valores contidos nas fábulas são atemporais e universais.

Características de uma fábula

Antes de conhecer sobre a origem das fábulas, saiba quais são algumas de suas particularidades.

Antropomorfismo: O mais comum é que os protagonistas sejam animais. Mesmo assim, plantas, objetos e elementos da natureza podem ser personagens na narrativa. Eles pensam, se comportam e falam como seres humanos. Por isso, esse tipo de ficção é considerado um subgênero da fantasia.

No entanto, as fábulas se diferenciam das parábolas por não terem humanos como personagens principais. Também são diferentes dos contos de fadas, uma vez que não há poderes sobrenaturais no enredo.

Simbolismo: Alguns dos personagens frequentes nas fábulas são as criaturas caprichosas, sábias ou tolas. Cada espécie tem características próprias, representando vícios ou virtudes notáveis. Com isso, elas destacam qualidades, falhas, loucuras e fraquezas humanas.

Assim, estão entre as representações mais comuns: o lobo cruel, a coruja sábia, a raposa astuta, o burro desprovido de inteligência, o porco ganancioso, o pavão orgulhoso e o leão corajoso ou bravo.

Humor: Normalmente, o tom humorístico das narrativas deixa explícitos alguns comportamentos humanos que devem ser evitados. Isso permite que o espectador ria da tolice da natureza humana. Nesse caso, o objetivo do humor não é apenas entreter, mas também facilitar a instrução ou a orientação de verdades morais simples.

Moral: Geralmente, há um conflito simples ao longo da narrativa, onde é tecida uma lição de comportamento. Daí surge o desfecho, onde uma moral é formulada mais explicitamente e quase sempre com uma máxima ou frase marcante.

Isso costuma vir depois de uma reviravolta ou uma surpresa ao final. Essa moral é uma regra abrangente, que transcende os limites da história contada.

As fábulas ao longo da história

Humanos e animais sempre tiveram um relacionamento próximo. Primeiro, nas tarefas de caça e guarda; mais tarde, como amigos. Isso levou a uma intimidade e uma melhor compreensão sobre o comportamento dos bichos. Assim, as histórias antigas sobre animais reais deram origem a comparações com o comportamento humano.

A seguir, veja uma linha do tempo resumida.

Fábulas de Esopo: Estudiosos encontraram registros históricos de fábulas em tradições, crenças e ritos de eras passadas. A origem delas está no folclore. Os contos curtos eram transmitidos oralmente e boa parte só foi registrada por escrito muito tempo depois de sua criação. Muitas das fábulas que conhecemos são creditadas a Esopo, que viveu na Grécia antiga. Naquela civilização, os alunos aprendiam e eram encorajados a inventar e recitar suas próprias fábulas.

Acredita-se que Esopo tenha sido um escravo que gostava de contar histórias. A primeira coleção de suas fábulas data do século IV a.C. São atribuídas a ele as primeiras versões de histórias como  ‘A tartaruga e a lebre’ e ‘As formigas e o gafanhoto.’ Algumas das coletâneas mais recentes contêm mais de 200 fábulas creditadas a Esopo. No entanto, os estudiosos não chegaram a uma conclusão sobre a verdadeira origem desses contos.

O biógrafo grego Plutarco e o poeta romano Horácio desenvolveram o modelo esópico. No caso das fábulas cômicas, um dos pioneiros foi o filósofo e dramaturgo grego Epicarmo.

Fábulas indianas: A tradição oral da fábula na Índia vem do século V a.C. As fábulas indianas eram histórias paralelas ou de fundo, contadas dentro de um enredo amplo. Algumas dessas histórias chegaram ao Ocidente no início da Era Cristã e foram incluídas nas primeiras coleções das fábulas de Esopo. Entre os séculos IV e VI, budistas chineses adaptaram as fábulas indianas como uma forma de aprofundar a compreensão das doutrinas religiosas.

O Panchatantra, compilação em sânscrito de fábulas indianas, sobreviveu em uma tradução árabe do século VIII, conhecida como Calila e Dimna. Posteriormente, a obra foi traduzida para diversas línguas.

Também no século VIII, foram escritos livros clássicos sobre a história do Japão. Eles estão repletos de histórias sobre animais pequenos e inteligentes, que levam vantagem sobre os grandes e estúpidos. No século XVI, missionários jesuítas introduziram as fábulas de Esopo no Japão, onde a influência perseverou.

Fábulas de Jean de La Fontaine: Assim como outras formas de alegoria, a fábula teve seu apogeu na Idade Média. Até então, a extensão das fábulas era algo modesto. Uma notável coleção foi feita, no final do século XII, pela poetisa Maria de França.

No século XVII, o francês Jean de La Fontaine se inspirou em Esopo para escrever contos sobre a loucura e a vaidade humana. O fabulista considerava a moral o elemento central de suas histórias. La Fontaine reformulou histórias antigas, como ‘A cigarra e a formiga’, ‘O lobo e o coCordeiro’ e ‘A lebre e a tartaruga’, com alguns temas atualizados.

Suas fábulas eram direcionadas para adultos e satirizavam a igreja, a cocorte, os burocratas e a burguesia emergente do Antigo Regime. Ainda asassim, elas eram apreciadas pelas crianças francesas. O seu estilo de escrita serviu de base para fabulistas do romantismo. Seu sucessor mais notável foi Ivan Andreyevich Krylov (1769-1844), da Rússia.

Fábulas modernas: O século XIX viu o afloramento da literatura infantil. Com isso, as fábulas encontraram um novo público. O formato foi empregado em obras influentes, como Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll.

Assim, as fábulas são parte importante da formação moral de uma criança, especialmente quando compartilhadas entre pais e filhos. No entanto, há algumas exceções, como A revolução dos bichos, de George Orwell. Embora a história esteja disfarçada com características típicas das fábulas, trata-se de uma obra para adultos. A narrativa é uma sátira às ordens sociais e ao totalitarismo, em particular, o comunismo da Rússia stalinista.

Apesar de não escreverem só para crianças, Oscar Wilde, Antoine de Saint-Exupéry e J.R.R. Tolkien adotaram o formato em suas obras. Atualmente, crianças e adultos do Brasil e do mundo continuam se encantando com as fábulas.

Fábulas lançadas pelo Grupo Editorial Lê

Gato Sapato Bicho-do-mato: Live de lançamento no Instagram dia 30/3, às 19 horas

https://www.lojabondele.com.br/livro-infantojuvenil/gato-sapato-bicho-do-mato

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O gato, o leão, o cachorro e vários outros bichos não queriam mais se apenas animais: o macaco Simão fez uma plantação de banana e mamão… Mas houve uma grande confusão e muita aflição. O que teria acontecido? Entre nesta história e descubra como tudo acabou.

Como se fosse gente

https://www.lojabondele.com.br/livro-infantil/como-se-fosse-gente

Através das fábulas A Águia e a Raposa, A Raposa e as Uvas, A Gralha e o Pavão, O Leão e o Rato, entre outras, são retratados fatos com lições reflexivas para o dia-a-dia.

O gato da árvore dos desejos

https://www.lojabondele.com.br/livro-infantojuvenil/o-gato-da-arvore-dos-desejos

Quando filhote, o gato Pardal subiu numa árvore para fugir de cachorros que queriam pegá-lo e nunca mais desceu. É nessa altura que conhece Raia, uma linda menina que também sobe em árvores para fugir de algo. Será que Pardal conseguirá vencer o trauma, descendo para a terra para ajudar sua nova amiga, depois de descobrir o que ela tanto teme? E será que os pássaros, que conhecem tanto o drama de Pardal quanto de Raia, poderão ajudá-los?

O monstro da floresta

https://www.lojabondele.com.br/livro-infantil/o-monstro-da-floresta

Quem conta um conto aumenta um ponto? A partir de um susto da Formiguinha Guinha, os bichos da floresta passam a ter notícias, um a um, de um terrível monstro que a todos ameaça. À medida que a notícia se espalha, o monstro se torna mais e mais terrível e toda a floresta fica apavorada.

 

 

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