“A pequena grande menina” de Ana Rapha Nunes

Com livro dedicado aos jovens, a escritora mostra uma alternativa muito positiva para tratar o bullying, quer dizer, agir sempre pensando no outro e buscar formas gentis e de compaixão para melhorar cada vez mais a convivência diária

Um olhar sobre o outro

O lançamento “A pequena grande menina”, obra infantojuvenil escrita por Ana Rapha Nunes e ilustrada por Thassiel Melo, editada pela Coralina editora, conta um pouco sobre a menina Dara, que tece a vida com alegria e delicadeza.

A protagonista convida o leitor a enxergar a felicidade nas pequenas sutilezas do cotidiano, nutrindo afetos em seu caminho com seu olhar carinhoso e suas palavras gentis.

A obra toca de forma sensível no tema do bullying, levando o leitor a enxergar os conflitos de cada personagem, as histórias que cada um carrega no fundo dos olhos e que nem sempre o outro vê.

O livro encontra-se disponível no site da editora Coralina e, também, com pedidos pelo Instagram da autora (@anaraphanunes) que os envia autografados a todo o Brasil.

“A vontade de escrever sempre me acompanhou”

A frase acima é da autora de “A pequena grande menina” e foi extraída da entrevista que ela concedeu ao blog e você vai ler logo  abaixo. Ela detalhou mais a respeito do recente livro, que se refere ao seu 11° lançamento literário e todos eles nas faixas infantil e juvenil.

Ana Rapha Nunes é jovem, mas vem construindo uma carreira de sucesso, com certeza, devido à dedicação que tem à literatura e ao seu leitor. Ela foi finalista do Prêmio Jabuti 2019 (o mais importante prêmio literário do Brasil) com o livro Segredos de uma vida no museu.

Entretanto, tudo começou um pouco antes, em fins de 2015, quando publicou seu primeiro livro, A lua que eu te dei. Duas primaveras depois, começou a se dedicar integralmente ao universo literário, visitando escolas situadas em diferentes regiões do Brasil, difundindo sua obra junto a crianças e adolescentes.

Antes de percorrer as veredas do Brasil, Ana Rapha lecionou para o Ensino Superior e para a Educação Básica por mais de uma década. Atualmente, possui 12 livros publicados por diversas editoras, todos voltados ao público infantil e juvenil.

Ana Rapha: “Acredito muito na formação do leitor desde a tenra infância. E quero fazer parte desse momento. Antes, como professora; agora como escritora” – Foto: Divulgação

A entrevista

Rosa Maria: O seu novo livro, “A pequena grande menina,” trata de um tema profundo. Você acredita que os jovens, de um modo geral, aceitam o desafio da solidariedade e compaixão?

Ana Rapha Nunes: Sim, penso que são sentimentos presentes em nós. Às vezes, esquecidos, mas estão lá, prontos para brotar. É preciso regá-los sempre e a literatura pode fazer isso, afinal, quando lemos uma história, mergulhamos no mundo daqueles personagens e podemos experimentar vidas que não são nossas, nos colocar no lugar do outro.

RM: Você já escreveu um livro anterior, “À espera do Sol”, a partir da vivência com a pandemia e o isolamento social. “A pequena grande menina” também surgiu dentro dessa realidade atual?

ARN: Não, “A pequena grande menina” é um livro que começou a ser escrito em 2016. E, aos poucos, fui construindo a trama, acrescentando algumas cenas e aprimorando a linguagem.

RM: Qual é a sua visão ou opinião a respeito do jovem atual?

ARN: É difícil contemplar tanta pluralidade em um conceito só. Penso que seria mais verossímil falarmos em jovens, o que pede opiniões diferentes, mas creio que, de um modo geral, a juventude atual é muito marcada pela tecnologia e pela circulação de discursos, informações, ideias. Isso tudo faz com que os jovens, muitas vezes, sejam capazes de lidar com as mudanças constantes da atualidade e, também, mudarem seus modos de agir no mundo, o que pode ser muito positivo.

RM: Qual é a demanda literária dessa geração de jovens?

ARN: Em virtude dessa pluralidade citada, há uma demanda extremamente variada. Desde histórias de terror a histórias dramáticas; desde histórias de games a histórias de época. Mas creio que o importante é trazer histórias que mexam com eles, com sentimentos e circunstâncias que os aproximem do mundo. Uma boa história ultrapassa o tempo e as gerações.

RM: Conte um pouco sobre a narrativa do novo livro e a produção dele.

ARN: “A pequena grande menina” é um livro que traz como tema principal o bullying. Dara, a protagonista, sofre com comentários maldosos sobre sua pequena estatura. Apesar disso, ela não se deixa abater e tece seus dias com amizade e empatia. Tentei abordar o tema de forma não maniqueísta. As ilustrações ficaram por conta do Thassiel Melo, que soube captar muito bem a atmosfera do livro.

RM: Como foi o lançamento e como é possível adquirir o livro?

ARN: Devido à pandemia, fizemos uma live de lançamento, que pode ser vista no Instragam da editora Coralina. E o livro pode ser adquirido diretamente comigo, pelas redes sociais, ou no site da editora.

RM: Comente sobre os livros de sua autoria e os anos de lançamento de cada um deles com as respectivas editoras.

ARN: Lancei meu primeiro livro (A lua que eu te dei) em fins de 2015, pela editora Appris, uma obra sobre amizade. Depois vieram os demais. Pela editora Inverso, tenho Mariana (2016); Lucas, o garoto gamer (2017) e Segredos de uma vida no museu (2018), obras que tratam de temas recentes, como a tragédia ocorrida na cidade mineira, o vício em eletrônicos e o incêndio no Museu Nacional. Pela editora Franco, tenho A noite chegou e o sono não vem (2017); Lagartas e Borboletas (2018) e Tadeu e Antonieta (2019), sendo que a primeira aborda a dificuldade de dormir tão comum aos primeiros anos de vida, a segunda retrata os conflitos da puberdade e a terceira traz uma história, inspirada em Romeu e Julieta, sobre tolerância e amizade. Em 2019, lancei ainda Mamãe faz nuvens (editora Quase Oito), que retrata a imaginação infantil e a relação de mães e filhos. Em 2020, lancei Ela nasceu Clarice (editora Compor), que traz uma menina que se inspira nas obras de Clarice Lispector, e À espera do sol (editora  Ciranda Cultural), que aborda o isolamento social decorrente da pandemia.

RM: Como você se tornou uma escritora e qual é a sua formação?

ARN: Minha paixão pelo universo literário começou ainda na infância, ouvindo histórias antes de dormir. A vontade de escrever sempre me acompanhou. Me formei em Letras e me tornei professora, buscando levar projetos literários para a sala de aula. Até que em fins de 2015 lancei meu primeiro livro e não parei mais.

RM: Como foi recebida pelo mercado editorial? É difícil tornar-se escritora ou há incentivo para a carreira?

ARN: Creio que tudo é um processo. É uma carreira que necessita de muita dedicação, muito trabalho, muita paciência. Fui incentivada ao mundo dos livros desde criança pela minha família, que buscava me formar como leitora. Como em toda carreira, há as suas dificuldades, mas acredito que o primeiro passo para escrever é ser um leitor dedicado.

RM: Vai manter seu foco na literatura infantil e juvenil?

ARN: Sim, eu acredito muito na formação do leitor desde a tenra infância. E quero fazer parte desse momento. Antes, como professora; agora como escritora.

RM: Na sua recente trajetória literária, já surgiram prêmios importantes…

ARN: Uma das minhas obras (Segredos de uma vida no museu) foi finalista do Prêmio Jabuti 2019, na categoria infantil. E, no final de 2020, fui uma das ganhadoras do Prêmio Outras Palavras, promovido pelo Governo do Estado do Paraná, com a obra inédita Eu me chamo saudade, que será impressa em breve.

RM: Quais são seus planos para 2021?

ARN: Seguir escrevendo e participando de encontros com leitores e professores, nesse momento de forma virtual, devido à pandemia.

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