“Eu sou o Max!”

O autor do livro com o título acima é um menino de 7 anos de idade, com Síndrome de Down, que se chama Max Dalarme. Ele escreveu o livro sozinho para contar como são a sua família e rotina. O livro é uma oportunidade do leitor conhecer como a criança percebe e sente a realidade ao seu redor e fortalecer a inclusão social.

 

Com apenas 7 anos de idade e sozinho, Max Dalarme escreveu o seu primeiro livro – Foto: Divulgação

 

Vou começar essa matéria com o depoimento da consagrada ilustradora do livro, Cris Eich. Como em todos os seus trabalhos, ela criou ricas e belas imagens para mostrar a realidade aventureira de Max, a rotina dele e um mundo pleno de afeto à sua volta. Antes disso, porém, ela teve a oportunidade de “clicar” o menino dentro do seu coração:

“Conheci o Max e sua mãe, Melissa, numa livraria, no Rio de Janeiro. Conversamos antes pela internet e foi, quando nos vimos, pela primeira vez. Max se enfiou no meio dos livros como se fosse sua casa. Ali, enquanto ele devorava as páginas coloridas de muitos livros, comecei a imaginar como ilustrar a história dele.”

                 Cris Eich

“Aos pouquinhos, fui observando que o universo do menino é recheado por tanto, mas tanto amor, que dá vontade de não sair mais de lá. Espero que você, leitor/leitora, embarque nessa história e se apaixone pelas aventuras de Max.” Ela ainda destaca que a rotina dele é cheia de amores: ama música, teatro, ler, desenhar, pintura, esportes, animais e, sobretudo, ama sua família e amigos.

Vale muito citar que o livro “Eu sou Max!” é capa do Anuário 2021 da AEILIJ (Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil), que traz todas as obras publicadas em 2020 pelos autores ligados à associação com capas de livros, sinopses e dados gerais de cada obra.

O nome civil da ilustradora é Cristina Carvalho, mas ela assina seus trabalhos como Cris Eich, apelido dos tempos de colégio, lá em Mogi das Cruzes, cidade paulista onde nasceu. Já ilustrou mais de 80 livros de literatura infantojuvenil de escritores como Monteiro Lobato, Cecilia Meireles, Tatiana Belinky, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Lewis Carrol, Silvana Salerno, Fernando Nuno e Sergio Caparelli, só para citar alguns nomes.

Cris Eich passa os dias desenhando livros, criando histórias e viajando em aquarelas. Ela é também autora de “Quem você trouxe?” (Ed. Paulinas), “Cadê os bichos?” (Ed. Bamboozinho), “Longas sombras” (Sesi), e “Nós duas” (Panda Books) com poemas de Clarice Alphen.

E o nosso autor?

Senti nele uma criança cativante, inteligente, seguro, decidido e como muita garra de vida. Max tem Síndrome de Down e superação deve ser uma constante na sua rotina, nos seus sonhos e realizações. Quem não se rende a alguém assim?

 

Os pais de Max se chamam Marcelo e Melissa. Ele tem um cachorro de nome Maui e uma avó com tatuagem de rosa, além de muitos amigos e mestres. Ele conta sobre tudo isso no livro. O menino aproveita cada minuto do seu dia e expressa sobre o que experimenta nas inúmeras atividades que pratica: andar de bicicleta e se divertir com os brinquedos;  natação, capoeira, equitação e ainda surfar com seu pai.

“Onde moro tem praia e Sol…”

“Adoro cantar: Ô Sol, vê se não esquece e me ilumina, preciso de você aqui… / Não gosto de chuva! / Gosto do vento! / Eu amo o Sol.”

Max gosta de teatro e de interpretar: “canta, dança, brinca de voz e fantasia”. Também é modelo e faz fotos, ajuda nos afazeres domésticos, aprecia cinema, artes, os livros e de ler e escrever.

“No museu não pode pôr a mão, não.”

“Eu adoro pintura de tinta e pincel, / canetinhas ou lápis de cor. / Depois de pronto o quadro, dou de presente.”

“Livro não é brinquedo. / Amo ir na livraria, pego livros. / Livro é legal! / Tem letrinhas e histórias.”

Esse encanto com livros e livrarias, certamente, foi o que conduziu o menino para ser autor e protagonista de “Eu sou Max!”, o seu primeiro livro lançado pela Escrita Fina Editora em dezembro do ano passado.

Sozinho e à mão, ele desenhou e, no caso dos textos, escreveu o que desejava com letras maiúsculas e não cursivas para garantir a acessibilidade de todos, inclusive, dos leitores Down que, como ele, só conseguem ler esse tipo de letra. Mas, digamos, é também um formato muito apreciado e utilizado de modo geral na literatura infantil. Só depois do trabalho pronto, o menino mostrou para seus pais.

 

Dados da assessoria da Escrita Fina mostram que no Brasil tem apenas três escritores adultos com a mesma síndrome de Max, de cujas obras são coautores. Outros poucos livros em que o protagonista é Down foram escritos por pessoas típicas. O que faz deste “Eu sou Max!” uma produção artística ainda mais rara, visto que foi escrito, espontaneamente, por uma criança com Síndrome de Down. Uma conquista ainda mais importante na luta por uma sociedade inclusiva.

“As pessoas são coloridas: rosa, preto, marrom, laranja… / Podem ser altas, baixas, gordas, magras, carecas, cabeludas, ter olhos grandes e puxados. / Tudo bem ter rodas na cadeira! / Eu tenho rodas na bicicleta, no skate, no carro, no caminhão. / O bebê tem rodas no carrinho… / Eu amo pessoas e animais!!”

 

Max Dalarme é um menino charmoso e muito lindo. Ele é carioca, arteiro e curioso. Nasceu no dia 29 de fevereiro de 2012. É apaixonado por livros desde bebê. O livro ele escreveu aos 7 anos de idade, mas atualmente tem 9 anos. Acreditem, Max já se tornou um influenciador digital e quem desejar acompanhá-lo pelas redes digitais deve seguir @maxdalarme.

O livro “Eu sou Max!” tem projeto gráfico de Marcello Araújo, com 48 páginas, custa R$ 37,80 e pode ser comprado nos links: https://www.grupoeditorialzitoficial e www.fokaki.com.br

 

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