Guardiões dos livros e seus desafios

Dia 12 de março é dedicado aos bibliotecários e, por isso, hoje, vamos homenageá-los com a publicação de uma mensagem para toda a classe juntamente com a informação de como estão atuando frente a dois desafios: a tecnologia e o isolamento social.

 

 

Com a palavra, Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda, presidente do Conselho Federal de Biblioteconomia

Prezados Bibliotecários

Em nome da 18ª Gestão do Conselho Federal de Biblioteconomia temos a honra de parabenizá-los pelo Dia 12 de Março.

Nossos sentimentos pela perda de colegas bibliotecários e nossa solidariedade aos familiares, amigos e colegas de trabalho dos bibliotecários que perderam a vida nessa pandemia.

A sociedade brasileira tem enfrentado tempos de adversidades intelectuais, emocionais, econômicas, sociais, sanitárias e éticas. Temos enfrentado verdadeiros dilemas e crises que nos remetem a muitas reflexões que nos mobilizam ao replanejamento, redimensionamento e desenvolvimento de nosso fazer profissional na vivência desse ano atípico de pandemia.

Em decorrência do distanciamento social, os bibliotecários, assim como muitos outros profissionais no mundo todo, tiveram que se adaptar à essa realidade, criando uma nova modalidade de trabalho, aprendendo a utilizar novos suportes, com a diversidade de ferramentas tecnológicas voltadas para o ambiente online.

Os bibliotecários e os técnicos têm trabalhado de maneira significativa para fomentar e contribuir para o desenvolvimento das pessoas, da educação, da ciência e da cultura por meio da inovação social, cultural e tecnológica.

Nossa profissão deve ser praticada com respeito à dignidade do ser humano e à ética, à pluralidade de pensamento e à diversidade. Os bibliotecários, as bibliotecas, as tecnologias e a leitura conectam as pessoas, a informação e o conhecimento no mundo, provocando as devidas transformações sociais, culturais, econômicas e educacionais.

Ao respeitar as pessoas independente de sexo, gênero, raça, faixa etária, classe social, profissão, religião, nação, língua e cultura a Biblioteconomia e os bibliotecários promovem a inclusão, o desenvolvimento da cidadania e a bibliodiversidade.

Em alusão à nossa data do bibliotecário, ao longo do mês de março, comemoramos o mês do Bibliotecário e, em todo o país, teremos a realização de eventos realizados nos cursos e nas Instituições de Biblioteconomia, Sistemas de Bibliotecas, Universidades, instituições privadas e instituições públicas dos três poderes, executivo, legislativo e judiciário com a promoção de palestras, conferências, mesas-redondas, seminários, debates, oficinas, homenagens e depoimentos de muitos profissionais acerca de sua atuação nos mais variados tipos de bibliotecas e unidades de informação existentes no país.

Que tenhamos excelentes comemorações ricas em reflexões e desencadeamento de inovações, ações imediatas e futuras que promovam o desenvolvimento da Biblioteconomia e da sociedade brasileiras.

Nosso respeito aos Bibliotecários Ancestrais, aos Bibliotecários Presentes e aos Futuros Bibliotecários. Por mais bibliotecas com bibliotecários!!! Saudações e um Feliz Dia do Bibliotecário!!!

 

O bibliotecário e as tecnologias da informação e comunicação

No mês em que se comemora o Dia do Bibliotecário, 12 de março, o Conselho Federal de Biblioteconomia (CFB) chama atenção para a relação desses profissionais com as tecnologias da informação e comunicação.

A presença da tecnologia no cotidiano da vida pessoal e profissional dos indivíduos é uma realidade. No campo da Biblioteconomia essa constatação é mais contundente, uma vez que dados, informação e conhecimento se constituem em matéria-prima para a atuação do bibliotecário. As tecnologias de informação e comunicação em constante evolução possibilitam ao profissional desenvolver novos processos, serviços e produtos, envolvendo várias práticas biblioteconômicas no contexto digital/eletrônico.

Segundo a professora Marta Valentim, mestre em Biblioteconomia e doutora em Ciências da Comunicação, dentre estes processos pode-se mencionar a elaboração, prospecção e monitoramento de fontes de informação; o tratamento, organização e armazenamento da informação, gestão da informação, mediação da informação, recuperação e disseminação da informação, bem como elaboração e implantação de bancos/bases de dados e repositórios.

“A Biblioteconomia, enquanto campo científico e profissional, sempre enfrentou os desafios impostos pela evolução das novas tecnologias e continuará enfrentando, pois faz parte de sua ação profissional”, diz Marta.

Para o bibliotecário Oswaldo Francisco de Almeida Junior, mestre e doutor em Ciências da Comunicação e professor permanente do Programa de pós-graduação em Ciência da Informação da Unesp, as tecnologias atingem todas as áreas e espaços de atuação, transformando muitas das ações e até mesmo das concepções dos vários segmentos do conhecimento humano.

“Isso é válido tanto para os fundamentos teóricos como para as práticas. A Biblioteconomia se vale das tecnologias e, na medida do possível e das estruturas dos equipamentos informacionais, as implanta com o objetivo de melhor entender o mundo e melhor atender as necessidades informacionais dos seus usuários”, afirma o bibliotecário.

Para Oswaldo, um rápido olhar sobre a história, em especial do século XX, possibilita a confirmação de que a Biblioteconomia sempre utilizou tecnologias e que essas tecnologias sempre auxiliaram os bibliotecários e trabalhadores das bibliotecas a oferecerem serviços mais adequados à demanda.

“A tecnologia mais atual – a computadorizada, informatizada, virtual – transformou, dentro de limites, o fazer dos que atuam nos equipamentos informacionais – tais equipamentos vão além das bibliotecas, abrangendo arquivos, museus, centros de documentação, centros de informação etc”, diz o bibliotecário.

No entanto, nem sempre a tecnologia existente está acessível aos profissionais, às instituições e à população. De acordo com Oswaldo, existe, hoje, a ideia de que todas as bibliotecas, em qualquer parte do Brasil ou fora dele, estão equipadas com suportes tecnológicos. Ou que todas têm seus acervos informatizados com sistemas de acesso e novas tecnologias implementadas. “Isso, infelizmente, não é verdadeiro. A maioria das bibliotecas não possui essa estrutura. Boa parte delas nem mesmo conta e oferece acesso à internet e as antigas fichas ainda são realidade”.

Em algumas bibliotecas, segundo Oswaldo, o emprego de computadores ultrapassados é a única alternativa para se vincular, um mínimo, às tecnologias. “No momento em que se fala em bibliotecas híbridas, que mesclam acervo físico e digital; que se fala no crescimento dos e-books; de acesso a podcasts; de trabalho na ‘nuvem’; de repositórios; de periódicos de acesso livre, enfim, de muitos novos recursos para acesso e apropriação da informação, muitos dos nossos equipamentos informacionais estão excluídos desse uso”, lamenta o profissional.

Bibliotecários se preparam para atendimento

Os bibliotecários são profissionais que buscam pautar suas ações baseadas em orientações advindas de diretrizes científicas. O principal documento norteador dessas ações, em tempos de pandemia, é o protocolo de biossegurança elaborado por equipes multidisciplinares da área da saúde e pelas autoridades sanitárias, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o Ministério da Saúde, as secretarias de saúde, além de prefeituras e governos estaduais.

De acordo com Álamo Chaves, Presidente do Conselho Regional de Biblioteconomia do Estado de Minas Gerais e Espírito Santo (CRB-6), o bibliotecário precisa garantir as medidas de proteção coletivas e individuais mínimas nas bibliotecas – como implementar a aferição da temperatura de servidores, estudantes e colaboradores, assegurar a ventilação do ambiente e disponibilizar meios para que os usuários possam higienizar suas as mãos com água e sabão, ou com álcool em gel 70%, além de assegurar o uso permanente de máscaras de proteção e o distanciamento social.

“Acrescento, ainda, a necessidade de uso de equipamentos de proteção individual pelos funcionários das bibliotecas – como avental impermeável, óculos e/ou protetor facial, gorro, máscaras descartáveis, luvas, e também a necessidade de adquirir equipamentos de higienização de livros e assepsia de instrumentos de trabalho”, orienta.

Segundo a bibliotecária Marcelly Chrisostimo, o preparo e planejamento começou muito antes da liberação para o retorno às aulas presenciais. “Ao longo dos meses, foi possível observar a grande rede de colaboração e compartilhamento de informações que a classe formou em prol de levantar materiais bibliográficos, estudos de caso e, principalmente, fontes de informações confiáveis para fundamentar a elaboração de protocolos de reabertura que contemplariam as medidas necessárias para possibilitar a reabertura e minimizar o risco de contágio”, conta.

Para Elani Araújo, bibliotecária escolar infantil, os profissionais que atuam com a educação de crianças e jovens vivem uma realidade bem desafiadora, como a construção do protocolo de biossegurança. “Foi algo bastante complexo, pois tivemos de repensar sobre tudo à nossa volta e sobre nossas atividades, baseados em outros protocolos já pré-estabelecidos pelas organizações de saúde, estado, cidade e instituição”, explica.

“Com a aprovação deste documento norteador, me senti mais segura para retornar presencialmente com a prestação de serviços, uma vez que a instituição nos ofereceu o que era necessário, os colaboradores estavam treinados e as famílias estavam colaborando informando as crianças sobre as novas rotinas e possíveis adaptações”, conta Elani que trabalha na rede privada de ensino em Teresina, Piauí.

Os bibliotecários deverão determinar procedimentos de segurança baseados nas orientações estabelecidas nos protocolos. “Um exemplo é a limpeza da biblioteca, que deverá ser reforçada, e a desinfecção de livros emprestados durante a quarentena. Evidentemente, os bibliotecários deverão estabelecer novas rotinas de uso dos espaços das bibliotecas – o que implicará em menos usuários simultâneos – e o treinamento constante da equipe”, diz Álamo Chaves.

Ações e projetos criativos durante a pandemia

Praticamente todas as bibliotecas do país estão se adequando para retomar paulatinamente os serviços presenciais. Em determinado momento, os indicadores sanitários irão se restabelecer e possibilitar esse retorno dos trabalhos. Entretanto, vários projetos e ações surgiram durante a pandemia, com o objetivo de continuar o papel da biblioteca de forma virtual, por exemplo.

Por conta das restrições de uso de ambientes compartilhados e do acesso livre às estantes, houve um movimento importante e necessário das bibliotecas para além do espaço físico. De acordo com Marcelly, há relatos de bibliotecários que passaram a ir até as salas de aula (presencial ou virtual) para sessões de contações de histórias e auxílio nas pesquisas escolares. E, claro, além dos esforços incontáveis para garantir que os livros continuassem circulando e os alunos continuassem lendo como drive-thru literário, clube do livro (virtual ou nas salas de aula), gamificação, feiras do livro virtuais e inúmeras atividades adaptadas às novas condições.

“Eu acredito que a inovação não é necessariamente a criação de algo novo, mas, sim, a combinação de elementos já existentes propondo melhorias e uma pitada de essência”, diz a bibliotecária Marcelly Chrisostimo.

Um bom exemplo é o comunicado de reabertura da biblioteca e seus serviços por meio de autores convidados, informa a bibliotecária Elani Araújo. “Entramos em contato com alguns autores e pedimos para eles lerem um pequeno texto informativo, avisando sobre o retorno das atividades da biblioteca, nas redes sociais da escola. Estamos tendo um bom feedback”, afirma.

“Vale ressaltar que, pela minha experiência, os alunos têm nos surpreendido com a postura madura e colaborativa a esse ‘novo normal’. Então, por isso, os vejo muito mais abertos às atividades propostas”, relata Elani.

O Presidente do CRB-6, Álamo Chaves, cita o caso da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que investiu mais de R$2 milhões na assinatura de plataformas multidisciplinares de livros digitais para suprir as demandas do ensino remoto.

“A UFMG adotou um sistema de atendimentos de forma agendada: o usuário que precisa de um material bibliográfico, como, por exemplo, um livro, agenda o empréstimo daquela obra pelo sistema de gestão, disponível no site da biblioteca, e comparece no dia e horário agendados para buscar o material. Todos os funcionários das bibliotecas da UFMG foram treinados para atender seus usuários de forma remota e também para prestar apoio no uso das bases de dados assinadas”, explica.

Estratégia parecida foi adotada pela Universidade Federal de Alfenas (UNIFAL-MG), que também assinou bases de dados que possibilitam o acesso a quase 20.000 obras. “Uma das plataformas assinadas disponibiliza ferramentas de marcação de texto, páginas e anotações e listas de leitura, além de várias funcionalidades, dentre elas, cartões de estudo, metas de leitura, leitura off-line, impressão de páginas, resenhas, possibilidade de compartilhar citações e trechos interessantes nas redes sociais e text to speech – uma ferramenta de acessibilidade para alunos surdos”, conta Alamo.

Outros projetos de destaque

Saindo da esfera universitária, temos o exemplo da Biblioteca Central de Ideias do Instituto Usiminas, na qual os usuários podem realizar o empréstimo de livros por meio de “delivery”. Esse sistema consiste em um motoboy entregar aproximadamente 40 livros solicitados por semana na casa de 20 usuários. E, após duas semanas, o motoboy busca os livros nas casas dos leitores. O acervo de obras da biblioteca está disponível no site da instituição e o usuário também pode fazer contato por e-mail ou telefone. Ou seja, a biblioteca criou uma forma de atender seus usuários sem que eles precisem comparecer presencialmente para realizar o empréstimo.

Outra instituição que tem realizado um trabalho interessante na comunidade em que está inserida é a Biblioteca Municipal Adelpho Poli Monjardim, de Vitória (ES), que criou uma versão virtual do projeto “Viagem pela Literatura”, no qual, semanalmente, contadores de histórias trazem uma nova narrativa para que os pais possam ouvir e interagir de forma lúdica com as crianças. O projeto visa incentivar a prática da leitura, além de estimular a imaginação e a criatividade das crianças durante o período de isolamento social.

Temos também a Biblioteca Pública de Araxá, na qual o usuário pode interagir e solicitar serviços de forma autônoma. O acervo é totalmente informatizado e está disponível no site da prefeitura da cidade. O usuário pode consultar a obra pelo site e solicitá-la por um número de WhatsApp. Dessa forma, a biblioteca proporciona que o usuário usufrua dos principais serviços oferecidos, de modo a evitar aglomerações durante o período da pandemia.

Conselho Federal de Biblioteconomia

O Sistema CFB/CRB é composto pelo Conselho Federal de Biblioteconomia e pelos Conselhos Regionais de Biblioteconomia. O objetivo do Sistema CFB/CRB é atuar em prol da sociedade brasileira por meio da sua principal missão: fiscalizar o exercício profissional do bibliotecário, cuja operacionalização é feita pelos Conselhos Regionais. Para o Sistema CFB/CRB um país aparelhado com bibliotecas contribuirá na formação de cidadãos esclarecidos, críticos e participativos, condição essencial para o progresso de uma nação.

Continue lendo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *