Mês da Mulher: três infantis da Editora Lê

     São livros que enaltecem personagens femininos que têm sabedoria para ensinar aos pequenos leitores

 

A arte das mulheres – “Ela nasceu Clarice”

Normalmente, as mulheres têm a sensibilidade mais aflorada do que os homens. Ou, pelo menos, elas levam essa fama. Independentemente disso, não seria interessante ver com mais frequência nas artes a expressão dessa sensibilidade? Quem são as pessoas que escrevem os livros que você lê ou pinta a maior parte dos quadros expostos em museus?

Claro que, sozinhos, os números quantificam, mas não qualificam a arte. Mesmo assim, eles dizem muito sobre a diferença que temos nas referências masculinas e femininas nas artes. O movimento artístico feminista emergiu no final da década de 1960. Desde então, as mulheres, juntamente com suas obras, têm mostrado o que as diferencia da arte feita por homens. São vários os precursores do movimento, que teve seus braços em várias culturas. No entanto, ele foi mais proeminente nos EUA, Inglaterra e Alemanha.

“Ela nasceu Clarice” – Esse livro, de Ana Rapha Nunes, presta uma homenagem a Clarice Lispector e outras mulheres da nossa cultura. A história é sobre uma menina que tem o mesmo nome da escritora e a vida cercada de percalços. No entanto, a protagonista enxerga em Elis Regina, Lygia Bojunga, Cecília Meireles e, claro, Clarice Lispector, mais do que uma fuga da realidade. À medida que cresce, a menina se inspira cada vez mais. Isso a ajuda a enfrentar os desafios de um mundo repleto de gravatas e bigodes.

 

Reflexos da Idade Média – “Dona Feia”

A crença em bruxaria existiu (e ainda existe!) em várias sociedades. O mais comum era a acusação de envenenamento, que quase sempre recaía sobre mulheres de meia-idade. As próprias vítimas tinham dificuldade de informar a origem do boato. Isso porque algumas delas eram mulheres que herdavam a condição de suas mães. O mais comum é que o rótulo de “bruxa” funcionasse como uma punição para quem não se enquadrasse nas regras locais. Essa era uma forma de instigar outras mulheres para que se adaptassem e não fossem estigmatizadas.

Muitos lares que recebiam a qualificação eram chefiados por mulheres e tinham uma renda acima da média. Com isso, você pode fazer um paralelo com o que acontece com algumas mulheres da atualidade. Quem nunca ouviu falar de alguém que teve sua competência questionada ao ser admitida ou mudar de cargo? Será que um homem desavisado teria sido “encantado” nesse processo?

“Dona Feia” – Esse livro, de Anderson de Oliveira, é baseado na tradição oral e em contos populares. A obra tem o mesmo título de uma cantiga de escárnio e mostra os reflexos da crença em bruxas aqui no Brasil. A história é sobre uma mulher que era alvo de lendas, inclusive a de que teria provocado uma seca para se vingar dos moradores da região.

As pessoas do povoado ainda contavam que ela foi abandonada por um noivo no altar e que transformava seus maridos em espantalhos. Perceba como há um machismo oculto nesse tipo de especulação. Como o próprio nome sugere, a personagem também sofre com a cobrança de ser bela. Pense como seria difícil estigmatizar um homem da mesma forma, por causa da sua feiura.

Cuidando das nossas meninas – “Leila”

Como você viu, nem tudo são flores no universo feminino. Na verdade, são muitos desafios. Um dos problemas mais sérios (talvez, o maior deles) que atinge em maior parte o sexo feminino é o abuso infantil. Ainda que não envolva a agressão física, quem já passou pela situação sabe como ela é capaz de deixar marcas para a vida inteira. Assim, caso ocorra um relato de assédio, é importante parar para ouvir e dar a importância devida.

Essa atenção pode evitar que o abuso perdure ou encontre novas vítimas. Para criar um ambiente acolhedor, se esforce para não julgar previamente a vítima ou o agressor.  No entanto, não é preciso esperar que o problema ocorra para que seja tomada uma atitude. Por isso, é importante que as mulheres e meninas tenham sempre a segurança de que sua voz será ouvida.

É disso que trata o empoderamento feminino, tão falado hoje em dia. Ao contrário do que muitos pensam, isso não é apenas um grito pelo direito de sair com roupa curta e “rebolar até o chão”. Quer dizer, é por isso também.

“Leila” – Pensando no direito de todos e todas à liberdade, a parceria entre o escritor Tino Freitas e a ilustradora Thais Beltrame deu origem a esse livro. Destinada ao público infantil, a narrativa é ambientada no fundo do mar e traça um paralelo com a nossa realidade.

Leila é uma baleia, assediada por um polvo que a beija contra a vontade, sussurra coisas indevidas e depois pede segredo. Com isso, a personagem se torna aterrorizada e perde o gosto de sair para nadar.

A história mostra às crianças como combater o assédio pelo poder da voz. Não se assuste! Tudo é contado de uma forma leve e que elas entendam.

Esses livros podem ser comprados no site da editora. Clique no link https://www.lojabondele.com.br/livro-infantil

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