O comportamento do leitor brasileiro 

Foi lançado o livro Retratos da Leitura no Brasil 5 com análises sobre a única pesquisa em âmbito nacional. Nas edições impressa e digital, disponíveis para download gratuito, muitas reflexões indicam caminhos para o fomento à leitura no país 

Todos os dados, condensados e analisados, da mais completa pesquisa que avalia o comportamento leitor do brasileiro, estão no livro Retratos da Leitura do Brasil 5, que foi lançado ontem, 28/6, pelo Instituto Pró-Livro (IPL), por meio de um bate-papo virtual com alguns dos especialistas. A obra foi publicada pela Editora Sextante e disponibilizada para download gratuito no site do IPL  https://www.prolivro.org.br. 

O que leva as pessoas a lerem um livro, o que efetivamente leem, quem são os incentivadores, o espaço que as edições digitais ganharam, o acesso ao livro e a importância das bibliotecas são alguns dos temas que ganham luz e detalhamento sob a ótica de diferentes abordagens acerca dos resultados da 5ª edição da Pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.  

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Pró-Livro, em parceria com o Itaú Cultural, e aplicada pelo Ibope Inteligência, em âmbito nacional, entre o final de 2019 e início de 2020. São análises que chamam a atenção sobre os desafios que governo e sociedade têm pela frente, para a criação de um país leitor e crítico.  

É preciso ressaltar a importância que os livros têm na vida de cada um de nós. As páginas são caminhos efetivos que levam ao crescimento pessoal com o compartilhamento de conhecimento e entretenimento. E a obra que está sendo lançada pode ser usada para nortear as ações voltadas à formação de leitores, à promoção da leitura e do acesso ao livro.  

No evento de lançamento, João Luis Ceccantini, Rita Jover-Faleiros e Rodrigo Lacerda, três dos treze especialistas que têm suas análises no livro, participaram de uma roda de conversa sobre os Desafios para formar e encantar leitores de literatura e os leitores que perdemos pelo caminho, com mediação de Zoara Failla, coordenadora da Pesquisa e Curadora da obra. José Ângelo Xavier, do Instituto Pró-Livro, Eduardo Saron, do Itaú Cultural e Marcos da Veiga Pereira, da Editora Sextante e também do IPL, também participaram do painel de abertura. 

O livro 

A obra Retratos da Leitura do Brasil 5 mostra um painel com diferentes interpretações sobre os resultados do estudo. Um convite à reflexão sobre os enormes desafios é proposto para que o atual cenário seja melhorado. “A obra traz subsídios para a ponderação do leitor interessado em conhecer o diagnóstico do comportamento leitor do brasileiro e a comparar os resultados na série histórica, desde 2011. 

“Esperamos que essa ampla análise sobre os resultados da pesquisa subsidie estudos, oriente avaliações e a formulação de políticas públicas e ações do governo, sociedade civil e cadeia produtiva”, afirma Zoara Failla.  

O livro conta com convidados muito especiais, que analisam minuciosamente o impacto das políticas públicas na última década. Eles promovem também reflexões sobre os caminhos a percorrer para que sejam registrados avanços efetivos no que se refere ao fomento e a melhoria dos indicadores de leitura.    

Segundo Zoara, os autores têm diferentes abordagens e inserções na área da leitura e do acesso ao livro, mas discorrem sobre os resultados da pesquisa sob uma mesma ótica, a de que a leitura é uma ferramenta de acesso irrestrito ao conhecimento humano, à ciência, à cultura, à capacidade de crítica e de leitura do mundo, essenciais para uma sociedade democrática e plural, e de que a literatura desperta a empatia pelo outro.  

A introdução da obra é feita por Zoara Failla, coordenadora da Pesquisa. Maria Rebeca Otero Gomes e Célio da Cunha, ambos da UNESCO, destacam a urgência para melhorar os indicadores de leitura, condição imprescindível para a construção do desenvolvimento social, humano e cultural sustentável de nossa sociedade.  

Maria das Graças Monteiro Castro, que também analisou os resultados da pesquisa Retratos da Leitura em Bibliotecas Escolares, realizada pelo IPL em 2019 e aplicada pelo INSPER (Instituto de Ensino e Pesquisa) avalia a percepção dos brasileiros sobre a importância das bibliotecas escolares na aprendizagem e na formação de leitores. 

Rodrigo Lacerda nos apresenta sua trajetória leitora para, nesse percurso, apontar as leituras e autores (poderosos) que despertam a vontade de “imitar” ou de “botar para fora” experiências e que transformam um leitor em um autor. Já como escritor, desenha sua trajetória leitora ao “vasculhar” centenas de autores.   

Ana Lucia Lima, coordenadora da pesquisa INAF (Índice de Analfabetismo Funcional) aceitou a provocação para um diálogo entre as duas pesquisas: Retratos e INAF e explicar os hábitos de leitura de livros e os não leitores, segundo a Retratos.  

João Luís Ceccantini pergunta: por onde andará a literatura infantil e juvenil brasileira? Segundo ele, de acordo com os resultados da pesquisa, o percentual de leitores de livros de literatura (28,9 %, o que corresponde a cerca de 55 milhões de leitores), contradizem aqueles que afirmam que cada vez se lê menos literatura.  

A boa surpresa desta edição foi a elevação no percentual de leitores de 5 a 10 anos, mas o que instiga é a queda no percentual de leitores que, nesta edição da Retratos, inicia após os 10 anos e se acentua após os 14 anos. Rita Jover-Faleiros nos ajuda a explicar esse cenário.  

José Castilho Marques Neto explica por que os “números” da Retratos 5 nos frustraram tanto. Em seu artigo, ele nos traz um “apanhado” sobre a escalada desse “desmonte”.  

Já Ricardo Azevedo nos leva a percorrer poesias para mostrar a importância da literatura e da ficção na formação do jovem. Defende a literatura que “trabalhe as semelhanças/identidade entre as pessoas” e não as diferenças (infantil, juvenil, adulta).  

Fabio Malini propõe, a partir dos dados da pesquisa, uma reflexão sobre os impactos da leitura de livros em plataformas digitais, como Facebook, WhatsApp e Instagram.  

Mariana Bueno, responsável pela pesquisa “Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, analisa se o que a Retratos revela sobre os consumidores de livros está em sintonia com os estudos que desenvolvem sobre o mercado editorial e se esses conhecimentos podem orientar a cadeia produtiva. 

Para Idmea Semeghini-Siqueira o encantamento pela leitura e a iniciação para a formação do leitor devem ser oferecidos na educação infantil. Ela defende que deveriam ser instaladas, com recursos do FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), salas multi-linguagem em todas as escolas infantis.   

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