Severina, a irmã de Serafina

Finalmente, Cristina Porto, criadora da menina e autora dos sete livros infantis da coleção de sua “Serafina” (todos pela Editora Ática) apresenta, a pedidos de milhares de leitores, a irmã da famosa protagonista: ela é a “Severina”. Foram 40 anos de espera pela nova integrante da família e numa entrevista exclusiva que concedeu ao blog, a escritora vai contar tudinho sobre as duas irmãs

Severina

Serafina

Durante a infância, a criança aprende diversas coisas novas e descobre mais sobre si mesma, num processo que pode se tornar muito mais rico e divertido quando se tem a companhia de um irmão ou irmã. A relação entre irmãos pode ser muito conflituosa às vezes, mas é sempre regada de muito amor e companheirismo e é sobre isso que fala o livro “Minha irmã Severina”, de Cristina Porto.

Apesar da obra ser nova, você provavelmente já conhece a personagem principal, Serafina. A curiosa e faladeira menina é uma queridinha dos leitores desde 1980, quando seu primeiro livro, “Será… será, Serafina?” foi lançado. Em 2020, sua renomada coleção completou 40 anos e a autora Cristina Porto resolveu celebrar da melhor forma possível: com uma nova história repleta de ensinamentos e voltada a uma personagem não muito mencionada anteriormente.

“As páginas seguintes são dedicadas à minha irmã Severina, que não tinha tido, até então, toda a atenção que merecia de minha parte”, assim começa o livro sob a narrativa de Serafina. Sempre ocupada inventando histórias e fazendo surpresas para os amigos, a menina deixou de acompanhar os dias da irmã mais nova e nem notou a dificuldade dela para aprender a falar. Então, arrependida e decidida a ajudá-la, Serafina resolve escrever um caderno de histórias especialmente dedicado à pequena Severina.

De forma lúdica e leve, Cristina Porto traz, mais uma vez, um enredo que incentiva as crianças a lerem e a escreverem, além de ensinar sobre como a família é essencial no processo de desenvolvimento. A autora, que é formada em Letras pela Universidade de São Paulo, sempre esteve muito ligada ao universo infantil, desde seu início de carreira, e chegou a trabalhar como professora de alfabetização. Isso a permitiu trazer muitas experiências para suas obras e enriquecendo ainda mais o conteúdo com dicas para pais, responsáveis e educadores. Além disso, o livro é acompanhado de projeto pedagógico digital.

Assim como em todos os livros da coleção, a ilustração do livro ficou por parte de Michele Iacocca. O ilustrador italiano começou a carreira como cartunista, mas desde 1970 se dedica às ilustrações de livros infantojuvenis. Vencedor de vários prêmios nacionais e internacionais, Iacocca traz sua arte ao livro “Minha irmã Severina” e complementa a obra com seus desenhos coloridos e divertidos. Além disso, ao final da obra, faz um relato emocionante sobre a criação das personagens Serafina e Severina.

“Minha irmã Severina”, de 40 páginas, é muito mais do que uma edição comemorativa de 40 anos da Coleção Serafina. O livro mostra que, mesmo com as brigas diárias, o amor entre irmãos é forte, carinhoso e pode ser muito benéfico no processo de crescimento, além de ser mais uma prova do talento, tanto de Cristina Porto quanto de Michele Iacocca. A leitura é indicada para crianças em alfabetização, na faixa etária entre 6 e 8 anos, e as alfabetizadas, dos 9 anos em diante, ou seja, qualquer faixa etária pode tirar um aprendizado importante da obra publicada pela Editora Ática.

Com mais de 1,6 mil obras em seu catálogo e mais de 500 autores nacionais e estrangeiros, de diversos gêneros literários, a área de Literatura da Somos Educação reúne obras dos selos Ática, Atual, Caramelo, Formato, Saraiva e Scipione de literatura infantojuvenil. A área também é responsável pelo Coletivo Leitor, portal que busca difundir o valor e a importância da leitura e da literatura para o ser humano desde criança, estimulando a criatividade e o desenvolvimento da empatia.

Entrevista

Cristina Porto: a essência de Serafina e, agora, de Severina

Cristina Porto: “O que não quero é que a Severina fique apenas como irmã da Serafina. Severina é Severina. Serafina é Serafina. Tanto que Serafina é das palavras, é de matraquear, enquanto Severina é calada e gosta de se comunicar por imagens” – Fotos: Divulgação

 

Rosa Maria: Antes de nos apresentar o novo personagem de sua carreira, Severina, conte sobre o “nascimento” e trajetória de Serafina.

Cristina Porto: A Serafina, quer dizer, o primeiro livro da personagem nasceu para o mundo, isto é, foi publicado em 1980 e ano passado completou 40 anos de existência. Na época que surgiu, eu ainda trabalhava na Editora Abril.

Inicialmente, eu fiz um perfil do personagem do livro. Por exemplo: Serafina no lugar da prefeita e se tornando “Prefeitina” ou no lugar de uma samambaia de metro e sendo “Samanbarina”… Daí, imaginava como seria se caso isso tornasse realidade. Uma amiga minha, que trabalhava na Ática, levou o original para apreciação da responsável pelos livros infantis e juvenis da referida editora, que leu, gostou e me pediu que contextualizasse a menina dentro do seu universo. Fiz isso e dessa experiência literária saíram os dois primeiros livros, em tamanho menor, pela coleção Barra-Manteiga: “Será, será Serafina” (1980) e o “Dicionário da Serafina” (1982). Quando chegou a vez do lançamento do terceiro livro, os editores decidiram produzi-lo num tamanho maior que os dois anteriores: foi a vez do “Serafina sem rotina”. Em seguida ficou decidido pelos editores reunir os dois primeiros num único livro, também num tamanho maior, e foi lançado “Serafina, primeiras histórias”.

Deu tão certo, tão certo, que abriu as portas para mim nas editoras. Foi uma bênção na minha vida! O personagem caiu no gosto das crianças, dos leitores e as editoras passaram a me convidar para publicar novas histórias. Se eu enviasse três originais para as editoras, até poderiam dizer não para dois, mas um seria aceito. Portanto, eu só tenho o que agradecer ao  personagem. Criou-se uma relação de tanta identificação entre Serafina e as crianças que pra mim, na época, foi motivo de surpresa; um acontecimento lindo.

Hoje, já são quatro gerações que Serafina atravessa mesmo com as crianças mudando, em velocidade luz, pelos novos estímulos oferecidos a elas. Mas a menina se mantém no seu cotidiano, com suas características originais de um personagem simples e talvez seja isso o que as crianças atualmente estão sentindo falta. Daí tamanha identidade entre elas e Serafina. Tem sido uma experiência inexplicável.

RM: Serafina é muito marcante na sua carreira como escritora. Quais foram os principais impactos desse personagem e o que tem conquistado junto aos leitores?

CP: Primeiro, a surpresa e, a cada escola que visitava, podia constatar que o livro era reconhecido. Também veio o reconhecimento dos editores de que a série era um “long seller”, ou seja, Serafina estava durando uma vida. 40 anos é uma vida longa e ela continua marcando presença. Quando ainda viajávamos, eram muitos os convites para visitar escolas para conversar com as crianças sobre a Serafina. Isso para qualquer autor é uma felicidade, é motivo de gratificação, de satisfação, de tudo o que é bom.

RM: O sucesso de um personagem fez nascer a irmã, Severina, para a edição comemorativa dos 40 anos de Serafina. Comente sobre esse lançamento especial.

CP: No começo da minha experiência de visitar escolas com a Serafina, as crianças que eram irmãs mais novas pediam muito para que eu fizesse um livro sobre a Severina. Queriam ser protagonistas também nas próprias famílias e, quem sabe, na vida. Nessa época, eu não escrevi esse livro, ou melhor, digamos que com considerável atraso eu fiz, sim, para comemorar os 40 anos e pagando uma promessa feita há muitos anos. Foi uma delícia escrever “Severina”. Como foi bom!

RM: O que o leitor pode esperar do novo personagem? Vai ter continuidade?

CP: Se vai ter continuação ou não eu não sei, aliás, eu nunca sei. Não sei nem se terá mais um da Serafina e como será esse livro. Não tenho ideia. O tempo é que vai me conduzindo e soprando no meu ouvido sobre o que devo fazer, sobre o que pode dar certo ou não. Eu não planejo; acontece. Por enquanto não tenho nenhum plano nem de escrever outro livro sobre Severina ou de combinação entre ela e Serafina. Eu ainda não tive o retorno das crianças sobre a Severina e isso faz falta para eu analisar o que posso fazer a mais.

O que não queria e continuando não querendo é que a Severina fique apenas como irmã da Serafina. Severina é Severina. Serafina é Serafina. Tanto que Serafina é das palavras: é de falar, de matraquear, é de fato oral, enquanto Severina é calada. Tanto que começa assim o livro, narrando que ela demorou um pouco para falar… ela não é das palavras, dos dicionários; ela é da imagem, gosta de desenho, de colagem… Ela gosta de lidar com imagens, de se comunicar por imagens. As palavras para Severina não são tão importantes como são para Serafina.

RM: Como é sua relação com a famosa Serafina?

CP: Estou muito feliz nessa fase da minha vida de ter um personagem como Serafina. Eu digo sempre que ela é a minha síntese: ela é um pouco do que fui, um pouco do que eu gostaria de ter sido e do que eu ainda poderei ser, por que não? Também me deu tamanha aproximação, tamanho aconchego, tamanha “chegança” com as crianças que isso realmente não tem preço. As crianças gostam tanto dela, tanto, tanto e, então, eu digo: se ela é a minha síntese, se ela sou eu e eu sou ela, as crianças amando a Serafina também estão me amando. O que mais posso querer, o que mais? Nada. Só agradecer.

Eu comentei no meu perfil do Facebook que estava querendo tanto comemorar! Até mandei fazer  bonequinhas pequenas da Serafina pra uma festa presencial, caso pudesse vir a acontecer, mas não pôde acontecer. Eu ainda queria muito comemorar em 2021, ano que estou comemorando 50 anos de trabalhos voltados para a educação. Eu comecei lecionando, alfabetizando, em 1971, na periferia de São Paulo. Depois, trabalhei em editoras com produtos infantojuvenis, mais infantis, e só depois comecei de fato a escrever. Então, esse ano,  completo 50 anos dedicados à educação, tentando ajudar os educadores e educandos com meus textos. É uma coisa que já justifica a minha existência. Quero fazer muito mais, porém, o que já fiz até aqui já me faz sentir completa.

RM: Recentemente você conquistou algo muito importante: a ONU selecionou dois livros seus para um projeto de leitura.

CP: Sim. Tive dois livros meus incluídos no projeto da ONU. Foi uma comemoração de tudo o que eu estou vivendo. É um prêmio especial pelo diferenciado que é ter os dois livros “Caderno alado” e “Caminhos de São Francisco” fazendo parte do Clube de Leitura da ONU. Foi uma honra, uma emoção sem tamanho, uma comemoração pelos 50 anos de trabalho em prol das crianças, de uma vida melhor, mais sustentável e saudável para elas e para nós todos.

Nota da redação –  Coleção Serafina

“Serafina primeiras histórias”

“Dicionário da Serafina”

“Serafina sem rotina”

“O diário escondido de Serafina”

“A escolinha de Serafina”

“Serafina e o casamento do seu Nonô”

“Serafina em Manhêêê, corre aqui”

 

Continue lendo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *