“Além da chuva”

Livro inspira jovens leitores a inventar soluções para os problemas das enchentes dentro de suas comunidades. Lembranças de projetos ecológicos, criados em 2010, na infância de um grupo de crianças, voltam a ser debatidos pelos mesmos personagens, na fase adulta,  diante de fortes chuvas em 2035

Hoje vamos comentar sobre um livro literário que, com sua história, pode ensinar muito para as crianças e jovens. O tema é bem atual: “Além da chuva” trata da questão do meio ambiente, dos dias de muita chuva e dos transtornos e danos decorrentes do grande volume de águas especialmente dentro das cidades. Vamos pensar numa solução para esse problema vivido todos os anos? Já pensou que a água da chuva pode ser reutilizada? Como a criatividade pode conduzir cidadãos a usarem água pluvial para ajudar o solo absorvê-la melhor?

As ilustrações são originais, quentes e super coloridas feitas a partir de carimbos. Trazem para as páginas do livro, lançamento da FTD Educação, toda a problemática e sofrimento das enchentes. Os autores Michel Gorski e Fernando Vilela se apoiam mutuamente entre texto e imagens fortes para que o livro possa transmitir a sua mensagem.

“Além da chuva” trata de um tema universal e por isso também foi lançado na Coreia do Sul em fevereiro deste ano. O interesse pela obra por parte dos coreanos surgiu após a conquista do selo White Ravens, catálogo anual elaborada pela Biblioteca Internacional da Juventude, de Munique, na Alemanha, que reúne uma seleção dos melhores livros para a infância e a juventude.

O passado repercute no futuro

“Voltava para minha cidade, depois de longa ausência, no dia 5 de fevereiro de 2035, para entrevistar o doutor Antônio Dias Sobrinho, agora um renomado inventor.

Estava distraído no amplo espaço interno do avicóptero e, ao olhar pela janelinha, perguntei para a aeromoça:

_ Onde está a cidade? O aparelho está quase no chão!

_ Senhor, já vamos aterrissar na base intermodal leste da cidade de São Paulo _ ela respondeu. _ Por favor, aperte o cinto. Pousaremos antes da tempestade que se aproxima.”

Esse diálogo se dá entre Carlos e a aeromoça. Depois de muitos anos, o personagem, jornalista, está de volta a São Paulo para entrevistar um renomado inventor, que foi seu amigo de infância, o Tonico. Ao chegar, a visão aérea da metrópole desperta uma lembrança por ser coberta de rios, campos verdes e plantações. Vinte e cinco anos antes, ele e seus amigos se reuniram para tentar resolver os estragos causados na cidade pelas tempestades de verão.

A história narrada por Carlos se passa em 2035. No retorno à terra natal para entrevistar o doutor Antônio Dias Sobrinho, seu amigo Tonico, o jornalista relembra as técnicas inventadas na infância por ele e seus três amigos (onde inclui ainda Maria e Lucinha), no ano de 2010, para cuidar das águas da chuva dentro da cidade. Naquela época cada um deles desenvolveu um projeto, que já indicava algumas das habilidades que, mais tarde, seriam aplicadas em suas profissões.

“Chovia todo dia. À tarde caía um dilúvio, bem na hora em que eu estava de carro na rua com minha mãe. A água inundava tudo, e a gente demorava um tempão para chegar a qualquer lugar. Minha mãe reclamava, minha irmã menor chorava e sempre havia um culpado _ a chuva!”

“Além da chuva” permite falar do papel de incentivar a autonomia e a responsabilidade de todos diante dessas questões. O texto também dá voz às crianças e permite a elas que manifestem suas ideias nessa fase da vida em que a imaginação e a criatividade são latentes.

O livro mostra amplas possibilidades para as pessoas mudarem hábitos e interferirem positivamente  no ambiente que vivem para receberem a chuva. Que tal um telhado jardim? Ou telhado de verduras? Ou de melancia? Que tal uma calçada horta brócolis? Ou alameda dos abacaxis?

As crianças pensaram em muitos modelos de guarda-chuva para receberem e reutilizarem a água: no formato invertido; com reservatório de um litro ou mesmo de 10 litros; no modelo funil, com galão armazenador e para ser utilizado junto com pochete reservatório…

E as casas? Como poderiam ser utilizadas nos períodos de chuva intensa? As sugestões dos craques especialistas são inúmeras. Eu adorei a casa cachoeira. Mas fiquei assustada com a casa pantanal e até mesmo com parede jacaré… São muitas as propostas e algumas delas sei que são viáveis, sim, por que a tecnologia atual permite obras do tipo.

Sem falar no ônibus aquário, na van piscina, no teto de carro piscina e até no trem com teto coletor… Genial!

Jovens ambientalistas

O livro traz ainda um texto informativo com exemplos de jovens de várias partes do mundo, que defendem o meio ambiente e desenvolveram soluções práticas para ajudar a sociedade a conter as agressões provocadas pelo ser humano à natureza. Nomes e ideias que se propagam pelo mundo.

“Cabe aos jovens, dentre outros questionamentos à sociedade, a busca com criatividade por novos pontos de equilíbrio entre natureza e ocupação urbana, para vivermos melhor em comunidades, nas cidades pequenas, médias e grandes”, comenta o escritor e arquiteto paulista Michel Gorski, que trabalha com arquitetura do entretenimento.

Gorski é um dos idealizadores do Parque da Mônica, em São Paulo, coeditor do site www.arquiteturismo.com.br e autor de livros infantis, entre eles, Por um triz: o enigma dos gnomos pigmeus (Rocco, 2011) escrito e publicado com Sílvia Zatz e A menina da placa (Lafonte, 2012) em parceira com Fernando Vilela.

Este, por sua vez, explica que “Além da chuva”, nasceu de uma utopia que pode se tornar realidade. “A de que as crianças de hoje serão os ambientalistas de um futuro próximo e irão tornar o mundo bem melhor e mais sustentável. Ao realizar essa obra pensamos que o leitor, além de se divertir com a história e com as ilustrações, poderá se inspirar e ter ideias”, afirma o também escritor paulista e ilustrador premiado Fernando Vilela: artista visual, designer, pesquisador e professor de arte.

Fernando Vilela já foi condecorado com vários prêmios por suas obras: o da FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil) e o Jabuti. Recebeu também a Menção Honrosa na categoria Novos Horizontes, da Feira Internacional do Livro Infantil de Bolonha, Itália, além do primeiro Troféu Monteiro Lobato de Literatura Infantil.

O livro “Além da chuva” tem 48 páginas, é recomendado pela editora para leitores a partir do 4° ano e custa R$ 49,00.

 

 

Continue lendo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *