A terapia dos livros

Informativo do Grupo Editorial Lê, de julho deste ano, trouxe uma pesquisa interessante sobre biblioterapia ou livroterapia, ou seja, uma forma de usar a leitura para a saúde e bem-estar, que publicamos aqui. Para quem tem interesse em adotar a terapia, o Grupo Lê oferece apoio principalmente na seleção de livros. O contato é pelo WhatsApp 31 99737-6292.

“Esse tipo de terapia ajuda na compreensão dos desafios pessoais e no desenvolvimento da autoconsciência. Ou seja, trata-se de uma estratégia para abordar essas questões e levar à resolução dos problemas. No entanto, você se engana se está pensando que esse é algum tipo de modismo atual. Saiba que há registros do uso de livros para a cura da alma desde a Grécia Antiga. Aliás, a literatura também foi usada no tratamento de soldados que lutaram na Primeira Guerra Mundial. Portanto, o reconhecimento da biblioterapia já é algo antigo e comprovado.

A biblioterapia é usada para tratar quais problemas?

Ao se identificar emocionalmente com personagens (fictícios ou não), o leitor experimenta uma conexão e pode se sentir melhor compreendido. Assim, a literatura serve para desenvolver apoio, confiança e segurança na pessoa que está sofrendo de um problema. Entre as, questões sociais, emocionais e existenciais que a biblioterapia ajuda a tratar estão:

• depressão
• ansiedade
• distúrbios alimentares
• relacionamentos
• rejeição
• raiva
• bullying
• autoimagem
• autoestima
• preconceito
• sexualidade
• timidez
• uso de substâncias entorpecentes
• morte
• fobias
• isolamento
• falta de propósito

O método pode ser usado com crianças e adultos, em ambientes individuais e em grupos. Em qualquer caso, há três estágios reconhecidos. São eles:

• Identificação: associação do leitor com um personagem ou situação pontual da narrativa.

• Catarse: ao perceber que compartilha pensamentos e sentimentos com os personagens, o leitor se conecta com suas próprias emoções.

• Compreensão: por meio da análise, o leitor aprende a lidar de maneira mais eficaz com seus próprios problemas.

 

Veja como esses estágios se manifestam em cada uma das formas de aplicação da biblioterapia.

1- Biblioterapia terapêutica: essa é a combinação desse tipo de terapia com outros métodos para gerenciar problemas psicológicos. Nesse tratamento, são indicados livros que apontam para sentimentos que a pessoa tem, mas nunca entendeu. Ao lidar com ansiedade, depressão ou luto, pode ser difícil assimilar o que está acontecendo com a mente e o corpo. Isso ocorre principalmente se não houver uma experiência anterior para comparar. Assim a biblioterapia preenche essa lacuna, oferecendo informação, orientação e apoio.

Além disso, a leitura de uma ficção serve como um exercício calmante para uma pessoa com ansiedade. Não só os romances e contos podem ser usados, mas também a filosofia, a poesia, biografias e peças de autoajuda. Essas são obras que, de forma sutil, abrem os olhos do leitor sobre o seu passado e presente. No caso de crianças, o livro é usado para chamar a atenção para assuntos que elas hesitam em discutir. Com essa compreensão mais profunda, a literatura abre as perspectivas e podem mudar a vida do indivíduo. Obviamente, isso facilita seu processo de cura.

2- Biblioterapia prescritiva: aqui, os livros funcionam como uma prescrição clínica. Em outras palavras, trata-se de algo para o paciente ler fora da sessão terapêutica _ uma espécie de “dever de casa”. A literatura ajuda a modificar padrões de pensamentos, sentimentos e ações. Depois que o paciente leu o livro prescrito, ele conversa com o profissional sobre como determinado personagem lidou com seus problemas. Além disso, é discutido sobre a aplicabilidade daquela solução à situação real.

Normalmente, os terapeutas especializados no uso de literatura têm listas de livros que se relacionam com diferentes questões que surgem no consultório. Porém, não pense que a biblioterapia consiste apenas na recomendação de um livro para cada problema, como se fosse uma receita de bolo. Na verdade, o profissional especializado faz uma análise personalizada. Ele leva em consideração os interesses, necessidades, circunstâncias e hábitos de leitura do paciente.

Além disso, a biblioterapia só funciona se o leitor estiver disposto a compartilhar a experiência. Também é fundamental que goste de ler. Lembre-se ainda de que esse método é indicado somente para os casos mais leves de depressão e seus resultados são alcançados a longo prazo.

3- Biblioterapia criativa: esse é um tratamento que vai além da leitura de um livro. Histórias, poemas e ficção são discutidas em grupo. Os participantes relatam suas interpretações sobre a literatura e como ela se relacional com seus problemas. Isso melhora a comunicação e incentiva conversas e conexões mais profundas entre os participantes. Para as crianças, a leitura pode vir acompanhada de uma atividade lúdica. Por exemplo: pedir que desenhem uma cena ou perguntar se elas têm algo em comum com algum personagem de um livro.

Dos 5 aos 16 anos, o tratamento ajuda a enfrentar vários problemas. Entre eles: a internalização (ansiedade e depressão), a externalização (agressão) e o comportamento pró-social (intenções e atitudes em relação aos outros). De certa forma, os professores fazem parte da terapia de uma criança e funcionam como agentes de transição. Afinal, é muito comum que eles sejam os primeiros a perceber que algo está incomodando.

4- Biblioterapia do desenvolvimento: o tratamento é usado na educação escolar e em casa para explicar marcos de desenvolvimento, como questões da infância e da puberdade. Na verdade, essa é uma forma de usar a literatura como uma forma de prevenção. Em sala de aula, os professores selecionam textos que ajudam no desenvolvimento de autoconsciência. As atividades podem envolver a leitura, a contação de histórias e a escrita criativa. Isso pode ser benéfico tanto para os estudantes como para os educadores. Afinal, a biblioterapia possibilita que os professores sejam mais capazes de compreender seus alunos.

São muitos os relatos de educadores que observaram melhor autoestima e desempenho escolar depois usarem a biblioterapia em sala de aula. Algumas das principais vantagens desse tipo de abordagem está em ajudar os estudantes a reagirem aos diversos desafios da vida. Os textos devem oferecer perspectiva e compreensão dos problemas, para que os alunos saibam como resolvê-los. Com uma discussão guiada, eles serão capazes de verbalizar seus pensamentos e preocupações.

Além do autoconhecimento, a empatia

Na escola, as histórias ajudam os professores a identificarem um problema para uma turma ou um aluno. Então, uma das razões mais convincentes para usar a biblioterapia é que ela é capaz de dar perspectiva a um indivíduo. Para isso, os personagens da história são usados para representar não apenas a própria criança, mas também os colegas. Ao compreender as outras pessoas, as crianças desenvolvem a empatia. Afinal, a ficção possibilita ver que há outros que estão lidando com lutas pessoais semelhantes, de forma direta ou indireta. A literatura ajuda a enxergar como outras pessoas abordam e lidam com essas questões.

Por exemplo: em uma turma que tenha alunos com necessidades especiais, é possível encontrar livros com personagens de características semelhantes. Isso permite que os alunos vivenciem uma condição crônica. O exercício oferecerá uma visão sobre como ajudar os colegas de classe de forma eficaz.

Quais os desafios de usar biblioterapia na escola?

A biblioterapia não deve ser vista como uma forma de ensino direto.  Sequer é obrigatório que dê um significado. Antes disso, ela está mais para um convite e a permissão para que as crianças revelem sua sabedoria e discernimento. Alguns especialistas não veem problema que as crianças leiam qualquer material de conteúdo relevante para elas. Outros defendem que a biblioterapia deve ser usada em somente por terapeutas profissionais.Essa preocupação se refere aos possíveis danos causados pela seleção de textos inadequados. Há livros que abordam os temas desejados, mas os personagens não enfrentam os problemas da maneira ideal. Ou então, a abordagem está correta, mas o livro é inadequado para o nível de leitura de alunos. A verdade é que os estudos ainda não são profundos o suficiente para determinar que o tratamento seja amplamente recomendado nas escolas

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