Projeto InConto Marcado

A produtora, educadora e atriz Daniele Yanes (que já foi a Narizinho do Sítio de Monteiro Lobato) promove o incentivo à leitura através de um encontro entre a arte brasileira e a educação, incentivando o hábito da leitura

Foto: Paulo Winz / Divulgação

 

Mesmo em 2020, ano do isolamento social mais forte, Daniele aproveitou de toda a expertise da vida profissional para realizar a primeira fase do InConto Marcado, edição Rio de Janeiro, por meio de ações dentro do site https://incontomarcado.com.br.

São dez anos de circulação com o projeto pelo Norte e Nordeste, atuando no cenário artístico e educacional, além da experiência de quem atuou na TV Globo, quando foi a segunda atriz mirim a fazer a personagem Narizinho do Sítio do Picapau Amarelo e outros personagens em novelas e minisséries.

Agora, em 2021, o projeto segue para a segunda fase com uma plataforma totalmente nova com ações online e presenciais que serão implementadas em seis cidades do Rio de Janeiro, unindo no mesmo caldeirão de saberes a cultura, o teatro e a literatura.

De forma online, o dia 22 de agosto marca o relançamento do primeiro episódio do espetáculo “Plantou palavra, colheu poesia” totalmente reformulado (uma adaptação do livro homônimo da premiada escritora cearense Socorro Acioli) com o lançamento dos cinco episódios restantes até o fim de outubro.

Já no dia 15 de setembro as inscrições da oficina online para professores dos municípios contemplados estarão abertas diretamente pela plataforma www.incontomarcado.com.br : serão até 80 professores por cidade e aqueles que se destacarem, participarão da oficina presencial que ocorrerá em cada município. O projeto segue com o relançamento do site no dia 6 de outubro, trazendo novidades.

“O InConto bebe em algumas das fontes mais tradicionais da arte brasileira, como o teatro mambembe, a contação de histórias e a literatura. O resultado é uma abordagem multidisciplinar, onde a literatura, o teatro e a educação unem forças para tocar e encantar pessoas de diferentes regiões e toda sorte de crianças, inclusive as enrugadas e calvas”, explica Daniele.

De 4 de novembro até 3 de dezembro serão executadas as oficinas de teatro em formato presencial, juntamente com a circulação do espetáculo inédito em seis cidades do Rio de Janeiro: “Plantou palavra, colheu poesia” passará por Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo, Bom Jardim, Santa Maria Madalena e Niterói.

“Mais do que um projeto de teatro, o InConto Marcado é essencialmente uma plataforma que busca o incentivo à leitura. Este objetivo está presente em todos os pilares do projeto. Isso está claro na escolha dos três espetáculos montados e apresentados ao longo da trajetória de 10 anos: todas adaptações para o teatro de obras da literatura brasileira. Além disso, o livro está sempre presente em cena, não apenas como um adereço, mas como um elemento-chave, que oferece ao público acesso a um universo mágico e criativo”, analisa Daniele.

Espetáculo “Fio após Fio” – Foto: Tim Oliveira / Divulgação

 

O projeto

Em 2010 nascia o InConto Marcado com o objetivo de utilizar a sinergia entre a literatura e o teatro brasileiros como uma ferramenta de educação e estímulo à leitura. Tendo como ponto de partida o desenvolvimento e a circulação de peças teatrais baseadas em obras da literatura nacional, o projeto de arte-educação já levou espetáculos e oficinas teatrais a quase 30 cidades das regiões Norte e Nordeste do Brasil. Desde a sua fundação até hoje, o InConto Marcado atingiu um público total de mais de 35 mil espectadores, além de mais de 1600 professores capacitados nas oficinas de teatro.

As três peças desenvolvidas e apresentadas durante este período – “Fio após fio”, “Brejo das flores” e “Plantou palavra, colheu poesia” – partem de universos ficcionais diferentes para abordar de forma poética uma das questões mais importantes do nosso tempo: como manter vivas as pontes que ligam a infância à vida adulta, o cotidiano e a imaginação. Com linguagem acessível e temáticas profundamente conectadas à realidade contemporânea brasileira, os espetáculos e oficinas teatrais têm entre seus principais objetivos a democratização do acesso à arte, a formação de plateia e o estímulo à leitura.

O projeto ganhou o Prêmio Funarte de Circulação Literária 2010, o Edital Mecenas das Artes do Ceará – Edições VI, VII, VIII e IX e o Edital Enel de Seleção de Projetos Culturais Esportivos Incentivos RJ 2019.

Espetáculo “Plantou palavra, colheu poesia” – Foto de Rafael Martins / Divulgação

 

“Plantou palavra, colheu poesia”

O espetáculo teatral é uma adaptação do livro homônimo da escritora cearense Socorro Acioli, que aborda a vida e a obra do poeta popular Patativa do Assaré. Com forte influência das trupes do teatro mambembe, a montagem traz três atores se desdobrando em diversos personagens que, juntos, contam a história de Francisco, um menino que se retira com a família para Assaré. Lá ele conhece um agricultor e poeta chamado Antônio e, a partir deste encontro, começa sua aventura em busca de descobrir como se faz poesia.

O espetáculo passeia por várias linguagens e utiliza recursos como bonecos, pernas de pau e música ao vivo para a construção de uma atmosfera poética e vibrante. A estética, que se baseia numa cultura ao mesmo tempo lúdica e popular também aparece na construção dos adereços – que representam a Noite, o Dia e a Primavera Sertaneja – dos figurinos e dos cenários, que foram pintados à mão.

A etapa fluminense do projeto vem com novidade: a trilha sonora original. E para sorte e honra do projeto, a missão ficou a cargo do multi-instrumentista, arranjador, compositor e educador carioca Carlos Malta, conhecido como “escultor do vento”, com 40 anos de carreira, e também do poeta, cantor e artista popular baiano Rodrigo Sestrem.

Juntos, eles criaram a trilha original para o espetáculo e para a narrativa em áudio e vídeo da peça, a partir da obra musical do Malta, tanto de composições já existentes como inéditas.  A música tema do espetáculo “Plantar palavra, colher poesia” foi escrita por Sestrem em cima da obra musical já conhecida de Carlos Malta, chamada ‘Barrigada’, assim como o ‘Cordel do InConto Marcado’. Já ‘O côco da Feira de Assaré’ é composição inédita de Malta e ganhou uma letra do poeta baiano.

O resultado de tudo isso é uma legítima homenagem aos autores, poetas e cantadores do Nordeste, através de uma verdadeira aventura poética, brincante, musical e interativa.

O espetáculo é gratuito. Será apresentado nas cidades de Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Bom Jardim, Santa Maria Madalena e Niterói (os locais ainda em fase de confirmação).

Duração: 55 minutos – Classificação etária: Livre (a partir de 5 anos)

Continue lendo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *