“O menino e o maestro”

Editora FTD Educação nos apresenta um livro muito especial escrito por Ana Maria Machado. Além de uma história de música, de talentos e de transformação familiar e social, o lançamento oferece experiência de leitura ampliada por áudios e vídeos acessados via QR Code. O conteúdo digital extra apresenta a história real do jovem violinista Guido SantÁnna e conceitos musicais performados pelo Duo Badulaque

Ana Maria Machado – Foto: Inventivo Coletivo / Divulgação

“A história de ‘O menino e o maestro’ é inventada, nascida da minha imaginação. Mas os personagens que a inspiraram existiram, são pessoas que conheci. O menino era um garoto que nasceu e se criou numa comunidade carioca, estudava flauta doce, gostava de Mozart. O maestro era o grande Paulo Moura, músico maravilhoso, que tocava clarinete em rodas de choro, em conjuntos de câmara e em orquestras de música erudita. Não se conheciam, mas se encontraram em minha história”, conta Ana Maria Machado.

A autora dedica o livro para o maestro Paulo Moura (in memoriam) também homenageia nomes importantes da música brasileira, como o compositor José Maurício Nunes Garcia, o compositor de ópera Carlos Gomes, a pianista e maestrina Chiquinha Gonzaga, o compositor Ernesto Nazareth, o flautista Patápio Silva, o maestro e compositor Pixinguinha e tantos outros construtores de pontes musicais.

Estamos praticamente acostumados a ter notícia de talentos que, até determinada fase da vida, passaram despercebidos. Mas, talvez, pela força abençoada do destino, alguém enxerga esse ser de modo tão especial quanto é a sua aptidão e, então, o encaminha para a sua verdadeira missão.

Assim acontece com o menino Teleco, que tocava bateria mirim numa escola de samba de um morro carioca. O maestro que regia a roda de choro do morro também tocava clarinete na Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal. O talento do menino e o olhar especial do maestro mudam o rumo da vida de si próprios e de um casal, os pais da criança em questão.

“Esta história celebra um encontro”, diz Ana Maria Machado, uma das grandes autoras da literatura infantil mundial. Ela tem um texto que enaltece qualquer aspecto cultural brasileiro, que a história solicitar. No caso desse livro, a linguagem do morro, o jeito que viveram nomes consagrados da música e o esforço para fazerem prevalecer sua música e talento. O livro faz um contraponto entre a vida de Mozart com sua música erudita e a do menino com talento para o samba carioca.

_ “Quantos anos você tem? _ perguntou, quando o ensaio acabou.

_ Oito.

_ O Teleco já é fera, não acha? _ elogiou o maestro da bateria, ao lado. Puxou ao pai. Ele é filho do grande Bié, sabe?

Dava para perceber. O menino tinha um dom. Como se um anjo ou uma fada o tivesse premiado quando nasceu. Se fosse antigamente, na Grécia, alguém podia dizer que era um presente de Apolo ou Orfeu, protetores dos músicos. Ali no morro, com certeza um pai de santo sabia qual orixá escolhera Teleco para usar os sons daquele jeito, vindo de dentro do coração da gente.” (Página 10)

_“Que nem meu pai ia fazer se não tivesse ido embora…

_ Mas o pai do Mozart era muito durão, mas que todos. Obrigava o menino e a irmã a passar muitas horas tocando. E logo viu que o garoto era um gênio. Com cinco anos, já tocava cravo direitinho, compunha e escrevia música.

_ Cinco anos? Puxa, eu tô atrasado.

_ Se fosse assim, o mundo inteiro estava atrasado. Mozart é que estava adiantado. Era um fenômeno. Nunca houve ninguém igual.” (Página 25)

Pelo desejo de ajudar o menino Teleco a desenvolver o seu talento, o maestro o levava para assistir aos ensaios da Orquestra Sinfônica “no teatro cheio de dourados, com lustre de cristal e pinturas antigas pela parede e pelo teto. Tudo lindo, luxuoso _ parecia até noite de desfile de escola de samba. Mas com brilhos de outro tipo, que não iam se desmanchar na Quarta-Feira de Cinzas”, escreve Ana Maria Machado.

Após algum tempo de conversa sobre Mozart e a orquestra, o maestro foi procurar pelo pai do menino para contar sobre o talento que, ainda muito pequeno, havia abandonado em casa apenas aos cuidados de uma mãe que o sustentava a custa de faxinas domésticas e costura.

_ “Bié, me passa o seu contato para eu enviar um áudio para você? É da bateria mirim lá da escola. Ouça com atenção e repare bem na qualidade dos tamborins. Tem um deles que você tem que ir lá ouvir.” (Página 34)

Em pouco tempo, o menino ganhou o apoio do pai Bié e começou a ter aulas de música. Com um pouquinho mais de tempo, recebeu a visita de um pai ausente por muitos anos. “Fazia tanto tempo. O menino nem se lembrava direito da cara dele. Mas logo reconheceu o sorriso do homem que se abaixa à sua frente de braços abertos.

_ Dá um abraço aqui no pai, ô rei do tamborim… Estou sabendo que tu é uma fera. Até maestro anda te elogiando.” (Página 41)

A vida providenciou. Daí pra frente, o leitor vai adorar descobrir com os livros nas mãos, embalado no texto da Ana Maria Machado e na força e beleza das ilustrações do paulista Vinicius Sabatto que, assim, como Teleco tem dom especial, no caso, o de desenhar. “O que me falta de talento musical me sobra de paixão pela arte dos personagens”, disse ele.

Informações da editora

Cantando a esperança, o lançamento da FTD Educação narra a amizade entre o menino Teleco e o maestro da roda de choro. Segundo a editora, o livro trata com delicadeza temas como o trabalho infantil e o abandono de um filho pelo pai, enfatizando a potência da música para promover laços afetivos e gerar transformação social.

Após a narrativa, o livro oferece ao leitor conceitos básicos de música e a história de um jovem talento brasileiro, o violinista Guido Sant’Anna, de 16 anos. Para acompanhar este conteúdo extra, basta acessar os códigos QR (QRcode), que conduzem à plataforma virtual Iônica, da FTD Educação. Os materiais ampliam a experiência da leitura com a entrevista de Guido em áudio, duas canções clássicas gravadas por ele exclusivamente para a obra e vídeos educativos do Duo Badulaque, dupla de música infantil formada por Daniel Ayres e Julia Pittier.

“Em ‘O menino e o maestro’, nossa grande escritora Ana Maria Machado consegue, com rara habilidade literária, conjugar drama familiar, questões sociais e uma inusitada amizade — tudo isso regido pelo universo musical. Como esse universo tem linguagem própria, chamamos o Duo Badulaque para gravar vídeos divertidos explicando na prática os conceitos de melodia, harmonia, ritmo e arranjo. E entrevistamos o menino Guido Sant’anna, jovem violinista brasileiro que teve a vida transformada pela música, como o Teleco da história”, comenta Bruno Rodrigues, editor da FTD Educação.

Em sua primeira publicação, em 2016, o livro foi selecionado para integrar o Catálogo White Ravens da Biblioteca da Juventude de Munique, na Alemanha, e ganhou o selo de leitura Altamente Recomendável pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Ana Maria Machado é autora de 10 romances, 12 livros de ensaios e mais de 100 livros infantis. É traduzida em 28 países. Em 2000, ganhou o Prêmio Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura infantil mundial, e no ano seguinte recebeu o maior prêmio literário nacional, o Machado de Assis. Em 2003, entrou para a Academia Brasileira de Letras. Recebeu ainda o Prêmio Príncipe Claus 2010, da Holanda, o Prêmio Casa de las Américas e três Jabutis.

O ilustrador Vinicius Sabbato nasceu em 1985 em São Paulo, onde vive atualmente. Ainda na infância, descobriu a paixão pelo desenho e tornou-se desenhista autodidata. Desde 2013, trabalha como diretor de arte em agências de publicidade. Foi em 2017 que passou a ilustrar profissionalmente. Suas ilustrações podem ser encontradas em livros, revistas, cartazes, peças publicitárias, entre outros meios.

O livro é recomendado para crianças a partir do quarto ano, tem 56 páginas e custa R$ 50,00.

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