“Virkadaz”

Escritora paranaense, Renata Dembogurski, divulga seu livro para jovens no qual adota a língua da nova geração em ficção, que explora multiversos e física quântica. Aqui você lê uma apresentação geral do livro e uma entrevista com a autora (realizadas por Amanda Neris da LC Agência de Comunicação), que explica essas novidades literárias incorporadas na sua obra

 

Renata Dembogurski: “Virkadaz” traz o melhor dos mundos alternativos e com tudo o que uma boa ficção científica tem direito: de teorias sobre física quântica a portais no espaço-tempo” – Fotos: Divulgação

 

E se, de repente, em meio a todo o caos, você descobre que é possível deixar essa realidade? Não por mágica, mas por meio do mesmo mecanismo que torna possível sua TV de LED: os saltos quânticos. A verdade é que diversos dispositivos digitais da atualidade — computador, smartphone, câmera e tablet — dependem da física quântica ou física das possibilidades. Com base nestes mesmos princípios, você poderia acessar realidades alternativas.

É o que fizeram Zuwi e seus amigos no livro “Virkadaz”. Esta história instigante aborda de forma original teorias quânticas, rachaduras do tempo, mundos alternativos e desconhecidos. Mescla em uma fantasia temas científicos como justificativa para a provável existência de um universo muito maior do que o conhecido. O leitor acompanha Zuwi, que mora com a mãe, e nutre várias dúvidas sobre a morte do pai em um acidente misterioso.

Em seu aniversário de 14 anos, Zuwi é sugado para uma realidade cheia de vilões perigosos e eventos surreais. Perseguições e adrenalina têm como cenários bibliotecas do tamanho de cidades, locais incolores e terríveis antros do mal. Tanto quanto em livros como His Dark Material, Lugar Nenhum e O Homem do Castelo Alto, “Virkadaz” mexe com a possibilidade de multiversos.

“Trago multiversos como fuga do normal (pandemia). Está todo mundo saturado dessa rotina só em casa. Livros como “Virkadaz” são um alívio esperado. É viajar e se divertir em uma aventura inusitada. Para os jovens que saíam, passeavam e viajavam ficou um vazio a ser preenchido com algo que gere emoção da mesma forma. “Virkadaz” é uma aventura leve daquelas gostosas em que o protagonista faz você se sentir parte da história”, afirma Renata Dembogurski.

Em 2014, a autora venceu o prêmio pela Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) com um spin-off de “Virkadaz” chamado Pense melhor antes de pensarque também recebeu o título de 10 melhores livros infantojuvenis pelo Sweek em 2018. O livro “Virkadaz” tem 179 páginas, custa R$ 48,00 (impresso) e pode ser comprado nesses links  Amazon e Inverso

Entrevista

Influenciada por verdadeiros gênios como Neil Gaiman, Philip K. Dick, Philip Pullman e até George Orwell, a escritora e publicitária Renata Dembogurski mostra que a tendência mundial dos universos paralelos também criou raízes entre o público jovem adulto no Brasil. “Virkadaz” traz o melhor dos mundos alternativos e com tudo o que uma boa ficção científica tem direito: de teorias sobre física quântica a portais no espaço-tempo.

A paranaense que passou boa parte da carreira como redatora publicitária para grandes empresas do país coloca toda sua criatividade em jogo e oferece ao leitor uma jornada de infinitas possibilidades, conforme ela mesmo explica na entrevista a seguir.

Por que você decidiu entre tantos gêneros escrever este?
Renata Dembogurski: Sou uma pessoa muito criativa e imaginativa, a ficção científica e a fantasia para jovens adultos abrem muito espaço para eu explorar e extravasar essa minha habilidade.

Teve algum escritor ou escritora como inspiração?
RD: Tenho grande admiração pela inteligência e humor de Douglas Adams, amo a amplitude criatividade de Neil Gaiman e a visão de mundo criada por Aldous Huxley e Philip K. Dick.

Quando e como surgiu sua paixão pela escrita?
RD: Eu sempre amei ler e ficava encantada quando lia um texto bem escrito. Curto muito viajar nas histórias e me embrenhar nos cenários com as personagens. Unindo esses aspectos queria escrever para que outras pessoas tivessem as mesmas sensações. Eu realmente acredito que o mundo pode ser melhor se todos lessem mais, quero fazer minha parte com livros que aumentem o gosto pela leitura.

Quais são os desafios de ser escritor(a) no Brasil?
RD: O fato de que ler não é parte da rotina das pessoas. A mídia não estimula que “vire moda” ler. Sonho com o dia em que ler poderia ser algo descolado. Mas hoje isso não vira meme, não é assunto dos famosos, não sai nos noticiários, não entra em conversas de amigos. Os escritores têm dificuldade de chegar no público e quando chegam não sensibilizam tanto quanto poderiam. E não me venha falando que livro é caro. Para comprar o celular, sair e badalar sempre tem dinheiro… Falta mesmo o público ter envolvimento com livros. Sentir a importância não apenas pelo conhecimento, mas porque é legal e divertido ler. E, no Brasil, ainda são tantos os desestímulos… os impostos sobre o livro, o escritor, a editora, as livrarias… Essa é uma cadeia que deveria ser vista com outros olhos pelos governantes. Mas isso é utopia.

Como surgiu a inspiração para criar este livro? Qual foi a motivação?
RD: Tenho grande paixão por física quântica (sou bem nerd). E desde que conheci o assunto na década de 2000 veio uma vontade de criar uma história que não envolvesse magia, mas os conceitos de física quântica, tudo factível. Vários equipamentos, hoje, usam essas teorias para funcionar: celular, computador, led… E a gente não se dá conta que a magia está nas mãos. As coisas somem e vão para outros lugares no universo quântico, as probabilidades são infinitas, as escolhas mudam a linha do tempo. Vai, isso dá muitas ideias. Foi isso que eu tive de argumentos ao criar “Virkadaz”.

Um dos seus objetivos é atrair os jovens para a leitura? Esse é o seu propósito de vida?
RD: Sem dúvida. Como comentei, a leitura expande mentes. Para mim, haveria muito menos intolerância e mais respeito se todos tivessem acesso a todo tipo de conhecimento. Ao saber um ponto de vista, uma opinião, uma situação, ao mergulhar em uma realidade você toca um lado de si, aumenta a empatia. Quem não chorou no final de “O Livreiro de Cabul”? Ou não sente pena das mulheres da China depois de ler “Cisne Selvagens? Ou, como saiu em pesquisas, não é menos racista depois de acompanhar a saga “Harry Potter”. Não precisa ser fábula para ter moral, toda história deixa uma parte em nós.

Qual é a principal mensagem que a obra traz aos leitores?
RD: Com “Virkadaz” quero destacar o poder das escolhas e da autossuperação. Se eu apenas divagasse sobre esses temas, não seria atraente para os jovens. Mas envolvendo em uma trama consigo a atenção. “Virkadaz” tem como tema principal descobertas e é através das escolhas que Zuwi consegue superar dificuldades da rotina. Não falo de grandes desafios, mas coisa pouca, as que todos vivemos. Desde a busca pela verdade e confiar em si até ir além das aparências.

Além desse lançamento, você pretende publicar outros livros ou uma continuação para a história? Quais são seus próximos projetos?
RD: “Virkadaz” tem infinitas possibilidades, como a física quântica afirma. Tudo é possível. Todos os segredos das personagens podem desencadear outras histórias e ainda há personagens que nem apareceram. Todos os plix de “Virkadaz” dão novas histórias. Já existem outros dois livros publicados que as envolvem: um conto – Plix Terra Negra – e um livro infantojunvenil premiado – Pense melhor antes de pensar. Se meus leitores quiserem, posso fazer muito em “Virkadaz”, há muito o que contar. Além disso, tenho outros dois livros já começados, fora desse universo só esperando tempo para ganhar vida: uma distopia e uma fantasia com um tema muito original. Escrevo muito, todos os dias, afinal trabalho com texto. E se tivesse tempo, minha imaginação daria quantos livros eu quisesse. Não tenho bloqueio criativo.

Você fez alguma pesquisa para escrever o livro? Qual? Quanto tempo levou para escrevê-lo?
RD: “Virkadaz” é uma jornada de resiliência. Entre o surgir da ideia, em 2006, e publicar foram 15 anos. Li muito sobre física quântica, estudei e me aprofundei. Demorei para concluir a primeira escrita e mais ainda em estudar o mercado. Não sabia como era para publicar e, nessa época, não tinha tanta informação. Quando ganhei o prêmio com “Pense melhor antes de pensar” é que a ficha começou a cair. Mas a minha melhor atitude for largar a versão original de “Virkadaz” e reescrever mudando o narrador e a dinâmica de texto. Eu estou contando todos os detalhes nas minhas redes sociais (@ReDembogurski) é só me seguir e acompanhar as publicações para conhecer meus erros e acertos nessa aventura não contada no livro.

 

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