Livro “Dois amigos” aguarda apoio no Catarse

Para quem não conhece, o Catarse é um site que permite às pessoas e profissionais, de um lado, exporem seus projetos culturais e, do outro, as contrapartidas para aqueles dispostos a fazerem um investimento financeiro para os mesmos se tornarem realidade

“Somos o ponto de encontro da maior comunidade de financiamento coletivo do Brasil. Somos um time remoto composto por 24 pessoas espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Investimos nosso tempo construindo o Catarse e conectando pessoas e projetos incríveis.”

Assim se define o Catarse. É um espaço sério e certamente o mais procurado no Brasil para a prática do “crowdfunding” ou financiamento coletivo onde pessoas podem conhecer os mais variados projetos que ficam expostos por um determinado tempo, quanto custam e escolherem um ou mais deles para investirem.

Para se ter ideia da abrangência do Catarse, vejam esses números: 944.100 pessoas já apoiaram pelo menos um projeto; R$187 milhões foram direcionados a projetos publicados no Catarse; 16.865 já foram financiados na plataforma, desde sua criação logo no início de 2011.

O livro “Dois amigos”, por exemplo, está inscrito no Catarse até o dia 8 de dezembro. Enviado pela Editora Dialogar, o projeto literário oferece oito opções de apoio financeiro e os valores pertinentes a cada uma delas. Algumas pessoas já se comprometeram com o investimento, mas ainda é necessário muito mais adesão para o pagamento integral do projeto. O livro é de autoria de Letícia Möller e tem ilustrações de Flávio Pessoa.

A história do livro

“Dois amigos” conta a história de um homem e um cão, Figueira e Pirata, e de como a amizade entre eles começou. A partir do encontro desses dois solitários e feridos (no corpo e na alma), os dias não serão mais os mesmos. Sob tempos difíceis e momentos de alegria, Figueira e Pirata seguirão em frente, juntos, alimentando a esperança.

A sinopse do livro diz assim: Figueira vive nas ruas de uma grande cidade. De dia, trabalha como guardador de carros. À noite, como tantos, busca abrigo sob as arcadas do antigo viaduto. Numa noite gelada, Figueira encontra Pirata. Nasce entre o homem e o cão uma amizade especial. Ambos viverão juntos os dias e as noites, compartilhando alegrias e dificuldades. Até que um dia, a prefeitura ordena a remoção das pessoas do viaduto. No meio da confusão, Pirata desaparece. Figueira não desistirá de encontrar o seu amigo…

O propósito principal da publicação do livro é chamar a atenção, provocar a reflexão e sensibilizar para a situação de vulnerabilidade das pessoas que vivem nas ruas e que não têm respeitados direitos básicos de cidadania, sofrendo com a indiferença e a invisibilidade social. “Mas queremos ir um pouco além e dar um retorno direto, ainda que modesto, às pessoas que inspiraram a história”, explica a gaúcha Letícia Möller.

Segundo a autora, a população em situação de rua cresceu muito nos últimos anos em Porto Alegre e em outras capitais. Com a pandemia e o aumento do desemprego, esse número aumentou ainda mais. Pessoas sem mais condições de pagar aluguéis e manter moradias foram viver nas ruas. Entre março e dezembro de 2020, a população em situação de rua de Porto Alegre aumentou em 38%, segundo levantamento da Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc).

Aqueles que desejaram conhecer os ideais da autora, o projeto e as regras de financiamento com suas contrapartidas podem visitar o Catarse nesse link https://www.catarse.me/livrodoisamigos

A história do Catarse

Primeira plataforma de financiamento coletivo para projetos criativos no Brasil, o Catarse entrou no ar em 17 de janeiro de 2011. O manifesto de fundação diz que o site nasce de uma dor: ver gente brilhante com projetos engavetados.

Projetos dos mais simples aos mais requintados, dos mais lúcidos aos mais extravagantes, dos pequenos aos megalomaníacos, não saíam do papel por falta de recursos, por não terem sido autorizados pelos editais do governo ou por não terem patrocínio.

O Catarse veio para mudar esse cenário. Mostrar que é possível, com a união das pessoas, abrir novas vias para realizar projetos. Desde então, milhares de músicos, cineastas, quadrinistas, gamers, designers, jornalistas pesquisadores, cientistas, empreendedores, ativistas e artistas utilizaram o Catarse para realizar suas ideias com a colaboração financeira direta de pessoas.

Em 2010, o modelo do crowdfunding começava a causar impacto no exterior e a ideia de trazê-lo para o Brasil amadurecia nas cabeças de cinco jovens espalhados pelo país. Amigos na faculdade em São Paulo, os administradores recém-formados Diego Reeberg, de Paranavaí (PR), e Luis Otávio Ribeiro, de Uberaba (MG), procuravam um programador  para criar uma plataforma. Por amigos em comum, foram apresentados ao desenvolvedor Daniel Weinmann, de Porto Alegre, que trabalhava na mesma ideia. Em vez de se fecharem para não correr o risco de alguém copiar os seus planos, o grupo fez exatamente o oposto.

Juntos criaram o blog Crowdfunding Brasil e começaram discutir abertamente a ideia de criar um site de financiamento coletivo no país. Logo, chamaram a atenção dos irmãos Rodrigo Machado e Thiago Maia, um jornalista e um designer do Rio de Janeiro, que se preparavam para lançar a plataforma Multidão.

De novembro de 2010 a março de 2011, testaram o mercado de diferentes formas ainda trabalhando de forma separada, mas sempre em comunicação e conversando sobre a junção total dos grupos. Não havia outra maneira que não abraçar um caminho comum.

Por fim, os cinco decidiram se juntar, unir esforços e recursos para desenvolver uma única plataforma, cujos valores, ideais, visão de futuro e missão foram inicialmente discutidos e alinhados em uma ensolarada tarde de conversas na praia de Grumari, no Rio de Janeiro.  O que foi fundado naquele dia foram os conjuntos de valores e ideiais que seriam perseguidos.

Desde sua fundação, o Catarse vive intensamente a dinâmica da colaboração, do código aberto (open source) e um relacionamento humanizado com cada apoiador e realizador. Para seus fundadores, o financiamento coletivo é uma força a ser utilizada pela sociedade civil para se mobilizar e circular recursos de forma mais ágil e com menos riscos e burocracia do que métodos tradicionais.

Ainda segundo eles, “é uma atitude que reforça, afirma e propaga valores como independência, liberdade, coragem, autonomia, proximidade, transparência e afeto. Trabalhamos no longo prazo para construir uma cultura de colaboração e causar impacto nas lógicas de produção da economia criativa e de diversas cadeias produtivas do Brasil.”

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