Isa Colli: uma escritora ativa entre dois países, seus livros e projetos

Ela é a fundadora da Editora Colli Books, que está preparando novidades para o final desse ano com o lançamento de novos autores. Mora na Bélgica, onde escreve seus livros e trabalha com parcerias, mas sua atuação abrange também o Brasil, onde atualmente cuida do projeto Quinteratura, dedicado à promoção de atividades lúdicas e instalado no Rio de Janeiro. Isa Colli fala de sua carreira e de como viveu esse período de pandemia. A expectativa, hoje, é de ver as máscaras caírem e continuar mantendo, mais ainda, sua impecável produção literária.
Isa Colli: “Esse momento caótico que se abateu na humanidade, a pandemia nos tirou da zona de conforto, nos trouxe medo, insegurança, dor pela perda de amigos e entes queridos, mas ao mesmo tempo nos fez enxergar o mundo de maneira menos egoísta e mais solidária. Confesso que vivi momentos de muita aflição, de perplexidade, de revolta, e tudo misturado: uma tristeza profunda. Como sou uma pessoa otimista, no entanto, mesmo sabendo que mudança é uma coisa difícil, acredito que a humanidade vai tirar uma importante lição desse momento. Estamos todos cansados de máscaras, de tomar cuidados excessivos, mas precisamos ser resilientes e, acima de tudo, responsáveis, já que nossas decisões individuais podem impactar na vida do próximo.” – Foto: Divulgação
 
Rosa Maria: Como está atualmente a carreira da escritora Isa Colli?

Isa Colli: Minha carreira está numa fase muito boa. Mesmo com a pandemia, não parei de produzir. No ano passado lancei vários livros em atividades virtuais, inclusive na Bienal de São Paulo, que aconteceu no formato online. Esse ano, eu lancei os títulos “O Reino do Tempo”, “Incêndio no Museu” e “Descobertas de Inaiá”. Nos próximos meses, vamos apresentar ao mercado editorial novos autores pela editora Colli Books. E a menina dos olhos neste momento é o projeto Quinteratura, um espaço que inauguramos na Quinta da Boa Vista com atividades lúdicas, teatro e muita contação de histórias para a garotada, além de uma linda biblioteca-quiosque com livros para quem quiser comprar ou para ler no local. No ano que vem, o projeto será itinerante. Vem muita coisa boa por aí.

RM: Como se desenvolve o seu trabalho e o da sua editora na Bélgica?

IC: Na Bélgica e em outros países da Europa nós fazemos nosso trabalho com parceiros como a Buobooks e a Paixão Brasil Books, que trabalham com livros em português fora do Brasil. Com muito trabalho e dedicação, estamos conquistando um público muito especial aqui na Europa.

RM: E no Brasil?

IC: No Brasil eu já vinha desenvolvendo um trabalho de formiguinha, percorrendo escolas em todo país, quando ainda não tinha minha editora. Com a Colli Books, estamos conseguindo ampliar nossa visibilidade, garantindo cada vez mais adoções dos nossos livros nas escolas brasileiras. Claro que esse resultado é fruto da dedicação de uma equipe muito comprometida, que não mede esforços para ver o sucesso da editora.

RM: Seus livros são lançados nos dois países ou você escreve especialmente para um e para outro?

IC: Meus livros são lançados sempre no Brasil e na Bélgica. E todos estão disponíveis para leitores do mundo inteiro através de sites de e-commerce como Amazon, Bol, Kobo, Books.google, além das lojas Magalu, Shoptime, Fnac, Americanas e Submarino. Alguns livros já estão traduzidos para inglês e francês.

RM: Esse ano você já realizou lançamentos infantis. Comente sobre eles.

IC: Sim. Como disse acima, já foram três lançamentos. “Incêndio no Museu” é uma história leve e emocionante, voltada ao público infantil, que conta o trágico incêndio que destruiu o Museu Nacional em 2018, misturando ficção e realidade. “O Reino do Tempo” ensina às crianças a importância de manter o equilíbrio entre as estações do ano, trazendo essa consciência de maneira lúdica e divertida. Já “Descobertas de Inaiá” conta os desafios e aprendizados de menina indígena na vida fora da aldeia. São três livros muito bonitos, com lindas ilustrações e estão sendo muito bem recebidos pelo público.

RM: Como a literatura infantil brasileira é vista na Bélgica ou na Europa como um todo?

IC: A literatura brasileira é vasta, diversificada e rica em conhecimentos, temos autores que tratam magnificamente suas obras, enriquecendo a cultura brasileira e conquistando cada vez mais espaço em toda a Europa.

RM: .Quais são as propostas da editora Colli Books? Ela nasceu para ter esse viés internacional?

IC: A Colli Books foi concebida para estar em todos os lugares onde houver pessoas  apaixonadas pela literatura. Essa é nossa missão: levar leitura, cultura e conhecimento para os quatro cantos do mundo.

RM: Quais são seus planos para o próximo ano?

IC: No próximo ano, a Colli Books vai lançar novos livros de minha autoria e de outros escritores veteranos e novatos. Estou muito animada com os bons ventos do mercado editorial, que está aquecido mesmo em meio à pandemia. Olha que números positivos: só no primeiro semestre de 2021, mais de 28 milhões de livros foram vendidos no Brasil, um salto de quase 50% em relação ao mesmo período de 2020, de acordo com o 7º Painel do Varejo de Livros no Brasil, em pesquisa feita em conjunto pela Nielsen BookScan com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL). Estamos aproveitando esse momento para aumentar nosso plantio. Estou otimista de que iremos colher bons frutos.

RM: Comente um pouco sobre a sua trajetória como escritora e jornalista.

IC: O gosto pela literatura surgiu na infância, mas a profissionalização na área chegou há dez anos. Após descobrir um câncer e uma doença degenerativa, decidi me dedicar ao ofício da escrita e não parei mais. Desde o lançamento do meu primeiro livro, em 2011, já publiquei quase 40 livros, sendo um romance e um livro de poesias. Os outros todos são infantojuvenis. Meus livros abordam temas como sustentabilidade, respeito pelo próximo, tolerância às diferenças e valorização do consumo de alimentos saudáveis.

Recebi homenagens que me deixaram muito felizes: duas moções, uma da Câmara de Vereadores de Petrópolis e outra da Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, pelo reconhecimento do meu trabalho dedicado à literatura infantil e à educação brasileira. E, mais recentemente, fui homenageada pela Comissão Especial do Câncer Infantil e Adolescente, na Assembleia Legislativa Rio Grande do Sul por contribuir na causa do câncer infantojuvenil. Eu sempre participo das principais feiras literárias do mundo porque entendo que essa proximidade com leitor nas feiras e nas escolas é fundamental para o meu trabalho. Já estive duas vezes na Bienal do Rio, na Bienal de São Paulo e nas feiras internacionais do livro de Bruxelas, Bolonha, Lisboa e Frankfurt.

Leia mais sobre Isa Colli no link https://contaumahistoria.com.br/2021/11/a-trajetoria-da-escritora-isa-colli/

A trajetória da escritora Isa Colli

 

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