Nova editora promove lançamento coletivo

Estamos falando da Editora Maralto (o nome surgiu de poema homônimo de Carlos Drumond de Andrade), com sede em Curitiba e criada depois da venda da Positivo para o grupo Arco Educação, que surge já com um catálogo acumulado de 150 obras de diversos autores e ilustradores, 1,5 milhão de livros impressos e direcionados a mais de 3 mil escolas brasileiras. Os lançamentos vão acontecer neste sábado, 27/11, em São Paulo.

A nova editora Maralto vai realizar um lançamento coletivo, amanhã, 27/11, das 14h às 18h, na Livraria NovaSete, na capital paulista, Rua França Pinto, 97, Vilal Mariana. Os autores Alexandre Rampazo, Daniela Galanti e Raquel Matsushita lançam respectivamente os títulos “Orbitar”, “Nina, Não” e “Desaforismos”. A entrada é franca e o local segue com os cuidados preventivos à Covid-19.

“Orbitar” – a obra de estreia Alexandre Rampazo na Editora Maralto aborda a maternidade e a metáfora do filho que fica numa trajetória externa à mãe. Ricamente ilustrado por Kveta Pacpvska, com textos curtos e reflexivos, o livro traz camadas de leitura em que o universo, os mistérios da vida e o silêncio compõem o enredo, que permite novas descobertas em leituras e observações mais apuradas.

Para as crianças, isso tem fundamental importância principalmente na formação estética. Segundo a artista e ilustradora tcheca, Kveta Pacovska – que recebeu a medalha Hans Christian Andersen em 1992 por sua contribuição duradoura para a literatura infantil – as imagens de um livro ilustrado são a primeira galeria de arte que uma criança visita.

A maternidade está social está culturalmente vinculada a ideias de cuidado e de proteção. Amorosa, a mãe alimenta, aquece, ensina e assiste sua criança mesmo quando ela já não é tão pequena e até dispensa certas atenções. Uma dedicação tão intensa e longeva cria entre mãe e filho laços íntimos, que muitas vezes se confundem com dependência e tutela, em detrimento de crescimento e encorajamento para a vida. Nem sempre é fácil entender que viver se aprende, mas não se ensina.

Em seu livro “Orbitar”, Alexandre Rampazo mostra que o amor pressupõe cuidados, mas anuncia perigos, pois são neles que estão a descoberta de limites e os convites para alargamento de fronteiras – Fotos: Divulgação – Editora Maralto

 

É dessa compreensão da vida como exercício de experiência e de aprendizagem que é feito “Orbitar” do premiado designer Alexandre Rampazo. Desde o primeiro momento, quando a vida é pouco mais que uma ideia amorosa, aqueles que amam e se dispõem a cuidar são iniciados no exercício de entender que os filhos são outras pessoas com sonhos, desejos, medos e caminhos próprios – ainda que parte de uma história, de uma mãe e de um pai. O amor pressupõe cuidados, mas anuncia perigos, pois são neles que estão a descoberta de limites e os convites para alargamento de fronteiras. 

A exposição de nossa pequenez no universo e da imensidão a que somos lançados ao nascer é apresentada de maneira poética e silenciosa nas palavras e imagens de Rampazo. Ao mesmo tempo escuro e iluminado, vazio e habitado, aconchegante e excitante, o espaço-mundo – materializado nas páginas do livro – assemelha-se ao corpo materno, que guarda amorosamente a vida que logo será entregue à luz e seguirá por si mesma. A narrativa nos convida a ver com delicadeza e sensibilidade que alguns dos vínculos originais entre pais e filhos são rompidos, mas que outros são inaugurados, transformando-se em presença perene e cuidadosa. Como deve ser, se desejarmos que os filhos cresçam e encontrem em torno de quem e do que orbitar.

Alexandre Rampazo nasceu e vive em São Paulo. Formou-se em design, é autor de livros ilustrados e artista gráfico. Recebeu importantes prêmios literários como o Jabuti, Prêmio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil; terceiro lugar no Prêmio Biblioteca Nacional, Prêmio Fundación Cuatrogatos, Selo Altamente Recomendável FNLIJ, Troféu Monteiro Lobato, entre outros. Seus livros foram publicados no Brasil, América Latina e Europa. 

O livro “Orbitar” tem 44 páginas e custa R$ 49,90.

“Nina não” – a personagem desta obra é uma menina que não gosta de rosa. Apesar de sua mãe, sua amiga e a mãe de sua amiga gostarem da cor, Nina a rejeita de todas as formas. Nina gosta de azul. Ao longo da narrativa ilustrada com lápis de cor pela própria autora, enxergamos a menina passando por situações em que precisa se apegar à sua própria essência. A obra poética trata do poder de escolha, da liberdade, da opção de uma criança. Sem nenhum caráter ideológico, mas literário.

Nina sim! Até bem pouco tempo, nossa cultura nos ensinava, silenciosamente, que há coisas que são de meninas e outras que dizem respeito aos meninos. Desse universo – objetivamente dividido entre feminino e masculino – fazem parte comportamentos, habilidades, brincadeiras, profissões e até mesmo cores que tentam nos dizer e, especialmente às crianças, quem somos e como devemos viver.

Mas, aos poucos, bem aos poucos, começamos a entender que meninas e meninos não precisam estar presos ao que, em algum momento, alguém disse sobre como as coisas deveriam ser, assim ou assado, desta ou daquela maneira. É com esse olhar de acolhimento e de liberdade para as infâncias – mas não exclusivamente para elas – que Daniela Galanti nos oferece, aos leitores de todas as idades, o sensível e instigante “Nina não”.

Nina é uma garota que, contra todas as expectativas e influências, não gosta daquela cor considerada das meninas. Ela parece também não apreciar muito as aulas de balé e seus cenários rosados. Nessa história contada com palavras e imagens, somos convidados a construir, junto com a menina, caminhos que a levam para quem ela realmente é e faz questão de ser naquele momento.

A leitura de texto e as ilustrações, que ocupam harmônica e indissociavelmente o espaço das páginas do livro, celebra com delicadeza e eloquentes detalhes a beleza de romper com o olhar do outro em favor do nosso próprio desejo. A recusa do rosa pela pequena Nina não deprecia ou contesta o gosto que sua mãe e suas amigas têm pela cor. Ela apenas gosta de outras cores, de outras brincadeiras. E busca outros horizontes, distintos dos previamente planejados para ela.

Nessa história de autoria de Daniela Galanti somos convidados a construir, junto com a personagem Nina, caminhos que a levam para quem ela realmente é e faz questão de ser naquele momento

 

O livro não quer ensinar nada a ninguém e muito menos criar orientações com sinais invertidos. Como fazem os bons livros de literatura, oferece aos leitores elementos que ampliam seu repertório simbólico, reinventando sentidos e impressões sobre o mundo. Trata-se de literatura para saber mais sobre nós mesmos e sobre o nosso tempo, em todas as idades.

Daniela Galanti cresceu com o lápis na mão. Em suas cartas ao Papai Noel, sempre o mesmo pedido: uma caixa de lápis de cor, por favor. Dizia com toda certeza que seria estilista de vestidos de noiva, desenhista de gibis da Turma da Mônica e professora de Arte.

A vida adulta chegou e ela escolheu uma faculdade em que pudesse continuar desenhando: Arquitetura. Descobriu seu trabalho inventando paisagens: assim brotavam flores em cores, plantas em infinitos tons de verde vindos de sua caixa de lápis, pedras arredondadas à mão. Em 2006, uma semente muito especial nasceu em seu próprio jardim. Ali começou sua história com os livros infantis. Não lia apenas para o Miguel, seu filho, mas se encantava junto pelas palavras e por todas aquelas ilustrações maravilhosas. Queria desenhar além das paisagens. E de lá pra cá não parou mais de estudar e pesquisar sobre esse universo. Criou o Atelier Daniela Galanti em 2014, na cidade de Campinas, onde vive desde que nasceu.  

O livro “Nina não” tem 48 páginas e custa R$ 49,90.

“Desaforismos’ – nesta obra, a escritora, designer e ilustradora Raquel Matsushita brinca com as formas e as cores, desobedecendo as regras da narrativa de uma forma bem humorada. As paisagens, em conjunto com o texto, compõem um novo livro a cada página e ilustram facetas da realidade humana: o exibido, o mentiroso, o dedo-duro, o apaixonado, o desaforado.

O livro ganhou o prêmio Image of the Book 2020/2021, um concurso realizado pela Agência Russa de Imprensa e Comunicação de Massa e pela Associação de Artistas Gráficos de Moscou.

Segundo o ilustrador e escritor Rui de Oliveira, não existe um objeto sem sujeito. Assim como não existe uma forma unicamente como forma, algo sem alma, que representa apenas a si próprio, sem a aderência à história, aos sentimentos humanos ou à sociedade – uma forma natural ou geométrica desprovida de qualquer simbolização. Para ele, essa junção harmônica do informal com o formal, da figura com a abstração é um dos aspectos mais significativos dos livros de Raquel Matsushita que usa muito bem o espaço narrativo onde se encontram a ordem e a rebeldia.

Na síntese da quarta capa (escrita em forma de acróstico pelo artista multimídia, ilustrador, designer, desenhista e cenógrafo brasileiro Guto Lacaz), Raquel é tudo isso e mais um pouco: Rica, Árvore, Qualidade, Universal, Escrita, Livre.

É comum, diante de um livro para crianças, a busca por classificações: poesia, narrativas ilustradas, recontos, lendas?… Nem sempre é possível (e nem mesmo necessária) uma conclusão certeira e imediata sobre o gênero textual e livresco e muitas vezes os entendimentos vão sendo alterados ao longo das leituras: o que lemos como poesia, em um primeiro momento, se revela um aforismo, sem deixar de ser também uma narrativa, por exemplo. Este é o caso de “Desaforismos”, um livro múltiplo e com muitos caminhos para sua leitura.

Já no título, a autora anuncia a brincadeira com os aforismos – um pensamento breve, um ditado, uma máxima – com sinais invertidos, sugerindo sua negação. Este pode ser um caminho de leitura, sem dúvida: jogar com a desconstrução de pequenas frases-pensamentos, com base em palavras e imagens. Mas é possível também seguir por outras vias, com ênfase nas associações mais comuns mobilizadas pelo título que nos leva à rebeldia e a um certo atrevimento. E isso nos aproxima, sem dúvidas, da poesia.

Embora popular, muitas vezes a palavra poesia cria uma ideia de coisa séria e difícil, destinada a pessoas eruditas. Existem sim poemas herméticos e de leitura exigente e também aqueles que, há alguns anos, líamos sem nada entender nos bancos escolares. Mas há também os que são convites para brincar com a língua, com seus significados, imagens, sons e ritmos. Este é o caso de “Desaforismos”.

Em um jogo desafiador e divertido, criado pela autora Raquel Matsushita, vamos e voltamos muitas vezes das palavras às imagens, encontrando novos sentidos e incrementando os descobertos anteriormente

 

O livro é composto por 12 brincadeiras poéticas que ocupam suas páginas com palavras e ilustrações. Para além das imagens construídas pelo texto – aquelas que imaginamos quando lemos ou ouvimos o que determinado arranjo de palavras sugere (que beleza a poesia!) – outros caminhos de leitura, complementares, mas também subversivos, fazem parte de “Desaforismos”. Em um jogo desafiador e divertido, vamos e voltamos muitas vezes das palavras às imagens, encontrando novos sentidos e incrementando os descobertos anteriormente.

A escrita híbrida de Raquel Matsushita, cuja criação se realiza em distintos registros – palavras, imagens, cores, materialidade – celebra o livro como experiência estética, convidando as crianças, suas principais leitoras, a experimentar a língua e os desenhos como invenção e brincadeira em um movimento de apropriação do que as palavras e as imagens dizem e do que podem dizer.

O curioso título logo se revela exigência para os leitores, que serão inevitavelmente convocados a se atrever na leitura, lendo, ouvindo e jogando com as muitas possibilidades ali guardadas. A cada virada de página, algo pisca para o leitor, chamando-o para ler, ver e ouvir de novo. Poemas, brincadeiras poéticas ou aforismos desconstruídos e reinventados. Desaforo é não aceitar tantos convites.

Raquel Matsushita nasceu em São Paulo. É designer gráfico e ilustradora. Graduou-se em Publicidade e Propaganda pela Universidade Metodista de São Paulo e especializou-se nos cursos de Design Gráfico, Cor e Tipografia na School of Visual Arts, em Nova Iorque. Tem trabalhos premiados na Bienal de Design Gráfico de 2015, participou do catálogo da Feira de Bolonha em 2016 e 2017. Venceu dois Prêmios Jabuti e os Prêmios da Biblioteca Nacional e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

O livro “Desaforismos” tem 32 páginas e custa R$ 39,90.

A nova editora

“A Maralto surgiu não apenas para publicar livros, mas para ser um lugar de ideias e ações em torno da leitura, da literatura e dos leitores” afirma a coordenadora editorial Cristiane Mateus

 

A Maralto surge como a novidade do mercado literário brasileiro, neste final de ano. Nasce com 150 obras no catálogo, diversos autores e ilustradores premiados como Luiz Ruffato, Adriana Lisboa, Luiz Henrique Pellanda, Mariana Ianelli, Odilon Moraes, Ruy Espinheira Filho, Marilda Castanha, Carlos Dala Stella, Jacques Fux, João Anzanello Carrascoza, Nelson Cruz e Raquel Matsushita.

Além de nomes nacionais, para 2023 já está prevista a ampliação para autores africanos, latino-americanos e europeus. Diversidade de gêneros, escritores e público caracteriza o novo selo editorial que, além dos livros, também comercializará o Programa de Formação Leitora Maralto (PFLM) para escolas de todo o país. O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa – nas versões impresso e digital – também é editado pela Maralto. Com sede em Curitiba, no Paraná, e focada em livros que priorizam a conexão entre literatura e artes visuais – além de temáticas voltadas para infância, juventude e público adulto – a Maralto inicia os trabalhos com 1,5 milhão de exemplares impressos.

Os livros serão voltados principalmente a 3 mil escolas em todo Brasil, mas qualquer colégio do país também pode adquirir as obras ou o PFLM – que ajuda na habilidade de ler e escrever. O consumidor final e que aprecia livros com qualidade encontrará o acervo na Amazon e em parceiros estratégicos da editora nas principais capitais do Brasil.

“Surgimos a partir da venda da Editora Positivo ao grupo Arco Educação, em 2019. O catálogo chamou a atenção pela qualidade, diversidade e também porque a Arco não tinha um selo de literatura e um programa de formação leitora”, explica a publisher Cristiane Mateus, coordenadora editorial da Maralto.

No horizonte de trabalho da editora estão livros que estabelecem conexões entre a literatura e outros campos das artes visuais como ilustração, artes plásticas, design e fotografia. A diversidade de títulos engloba diferentes gêneros tais como contos, poemas, crônicas, romances, novelas entre outros e são fundamentais quando se pensa na formação do leitor. “A Maralto surgiu não apenas para publicar livros, mas para ser um lugar de ideias e ações em torno da leitura, da literatura e dos leitores, passando principalmente pela educação”, ressalta Cristiane, que é mestre em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina.

Alguns títulos da Maralto promovem em especial a cultura da infância – seja nas histórias que contam ou na experimentação das sutilezas da língua e da imagem. Contudo, eles não se restringem ao universo infantil, da mesma forma que muitas obras para leitores mais experientes também não abrem mão da imagem. “A construção, sempre em movimento, do catálogo da Maralto se dá nesse lugar de ideias onde pessoas com diferentes habilidades buscam contribuir para a formação de um país leitor”, completa a publisher – que atua no mercado editorial há mais de 12 anos e, como editora, já recebeu diversos prêmios – entre eles três Jabuti – e Menção Honrosa para o editor 2019 na Bienal Internacional de Bratislava, na Eslováquia.

O nome Maralto surgiu a partir do poema homônimo de Carlos Drummond de Andrade. O símbolo da marca, apresentado de forma estilizada, é um peixe; aquele que navega no mar. A associação proposta é o mar alto como metáfora do livro (da literatura) e o peixe como metáfora do leitor. E para mostrar as obras ao grande público, a Maralto fará quatro eventos literários em novembro e dezembro nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba. A programação – cuidadosamente desenvolvida e focada nas orientações sanitárias que o momento exige – será divulgada em breve.

O catálogo da Editora Maralto poderá ser conferido no Instagram e Facebook @maraltoedicoes. As obras e o Programa de Formação Leitora Maralto estarão à venda pelo 0800 591 6480 e atendimento@maralto.com.br Quem quiser adquirir apenas os livros, eles estarão disponíveis em breve na Amazon e livrarias parceiras.

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